Love is a mystery

25 Capítulo 26 - Como uma família!


Notas iniciais
Heey meus amores *--* Primeiro: Quero agradecer a Victória Braz pela recomendação, muito obrigada mesmo *---* Fico super feliz. Segundo: Quero agradecer as meninas que responderam a pergunta que eu tinha feito, e dizer que pelos comentários a maioria quer que a coisa pegue fogo hahaha Espero que gostem!

“A vida pode ser boa em certos momentos, mas, às vezes, isso depende de nós.”

Charles Bukowski.

Eu sempre fui o tipo de garota quieta, tímida, aquela que se vestia mal e que ninguém queria ser amiga. Fui criada praticamente dentro de uma igreja, meus pais só sabem falar de religião, me criaram como se tudo fosse errado. Usar roupas curtas é errado, xingar é errado, ter amigas como Julie e April é errado.

Eu estudei em casa até meus quinze anos, porque meus pais achavam que era melhor me previr do mal do mundo. Eu nunca concordei com eles, mesmo sempre ouvindo a mesma conversar, algo dentro de mim me dizia que eu não devia acreditar em tudo que eles achavam certo.

Tenho um tempo em que eu fazia tudo o que eles queriam tudo pra me manter eles felizes e não ter que ouvir as mesmas coisas de sempre. Namorei com Matt por quase um ano, ele era da igreja e meus pais faziam de tudo pra que nos ficássemos juntos, eu não tinha amigas, não tinha ninguém pra que eu pudesse conversar sobre garotos. Foi quando eu tive minha primeira vez, tudo que eu podia imaginar era quando aquilo ia acabar, quando a dor iria embora... Mas ela não foi.

Quando meu pai decidiu me mudar colégio, foi a unica coisa boa que ele fez por mim até hoje. Foi quando conheci April e Julie.

– Deus me livre, mas que roupa é essa? — Encarei a garota a minha frente, já sentindo minha bochecha pegar fogo e já esperando pela gozação.

– Você está bem? Me parece meio mal.. — Encarei a outra garota, e pela primeira vez eu estava vendo alguém parecer realmente preocupada comigo.

– Estou bem, eu só preciso lavar o rosto — Menti, eu não estava bem, as garotas estavam me zoando pela minha roupa e dizendo coisas sobre o fato dos meus pais serem fanáticos por religião.

– Você conhece algo chamado shopping? — A de californianas me perguntou, e eu fiz sim com a cabeça — Já entrou em um?

– April, não seja inconveniente — A loira brigou, e eu sorri vendo a interação das duas.

Foi assim que ficamos amigas. Naquele mesmo dia April me fez vestir milhares de roupas, e me mostrou como eu podia ser bonita. Julie era mais carinhosa, ficava dizendo a cada cinco minutos que eu estava linda. Foi assim que eu comecei a perceber que às coisas não eram bem como meus pais pensavam, comecei a me vestir diferente e a fazer o que eu tinha vontade, mesmo que por vezes eu tivesse que dormir na casa de April ou Julie.

Cada vez mais minha amizade com as meninas cresciam, falávamos tudo uma para outra, protegíamos uma a outra, brigávamos quase que raramente, nossa amizade sempre foi mais forte que qualquer discussão bobinha.

Quando vi Violet, Tracy e Kim pela primeira vez, eu só podia imaginar que elas seriam umas cobras para todos do colégio, mas elas eram diferentes. Eu não falava isso pra April e Julie, mas eu também sempre senti que elas não eram normais.

Foi quando elas chegaram ao colégio que o meu problema com o sol começou, eu comecei a ver as cores mesmo quando não tinha sol, mas com o sol parecia que elas ficavam mais fortes. Quando eu entendi que eu podia ver a aura das pessoas, eu fiquei com medo, mas depois eu percebi que eu podia ajudar algumas pessoas com esse poder.

Depois eu comecei a perceber o quanto as meninas eram legais, Kim sempre foi a mais simpática comigo, mesmo eu sabendo que ela não era tão simpática assim com outras pessoas. Tracy a mais durona, direta assim como April o que fez com que elas duas tivessem algumas desavenças antes de começarem a ser dar bem. Violet a mais fria do grupo, e a que conquistou o coração doce de Julie. Eu fui percebendo que estávamos construindo algo grande, como uma amizade verdadeira, como uma família.

– Hey, você está bem? — Ouvi a voz de Kim me tirar do meu pequeno transe, e a olhei com um sorriso de lado. Kim não era tão mais alta que eu, seus cabelos pretos e olhos tão pretos como eles faziam qualquer um ficar arrepiado. Kim sempre era doce comigo, sempre tinha alguma piadinha sem graça pra me contar, e sempre ficava me elogiando.

– Estou muito bem — Respondi, e ela sorriu voltando a prestar atenção no filme. Eu sabia que o que eu sentia por Kim era forte, eu só precisava ter uma confirmação para isso — Pode me levar ao banheiro?

– Claro — Kim respondeu e se levantou chamando atenção das outras meninas presentes — Vou levar a Allie no banheiro.

– Não se percam pelo caminho — Violet falou sugestiva, e eu fiquei tímida ao lembrar que ela ouviu o que eu tinha dito por pensamento para Julie.

Algumas vezes eu me esquecia que elas tinham o mesmo poder.

– O apartamento é bem grande — Comentei enquanto andávamos pelo corredor, e Kim me olhou rapidamente sem entender o meu comentário — Nunca me falou dos seus pais.

– Meus pais estão bem — Kim respondeu invasiva, e isso me deixou ainda mais curiosa, mas eu sabia perceber quando uma pessoa não queria entrar naquele assunto — Você não quer realmente ir ao banheiro né?

– Você é esperta — Falei e ela sorriu, enquanto abria uma das portas do corredor e se afastava para que eu entrasse — Seu quarto aqui, e bem diferente do que o da mansão. É mais sua cara.

– Isso é bom? — Kim perguntou, fechando a porta e indo até a cama. Diferente do que todos pensavam Kim não era tão diferente de Tracy e Violet. Ela tinha seus momentos frios, aqueles mais distantes, mas perto das outras duas ainda era a que tinha mais momentos carinhosos.

– Sim — Falei e me sentei ao lado dela um pouco receosa, Kim me encarava com um sorriso de canto.

– Por que parece nervosa? Já ficamos varias vezes sozinhas — Kim perguntou confusa, ela realmente não parecia entender o que eu estava querendo fazer. Eu tinha noção que se que a beijasse, as coisas entre nós mudariam, mas o pior era imaginar o que meus pais diriam se soubesse disso. Na verdade, eu sabia o que eles diriam provavelmente me expulsariam de casa, mas eu passei tanto tempo me privado das coisas que eu queria que eu realmente não podia perder a chance de tentar ser quem eu sou.

Pelo menos uma vez na vida, eu estava realmente decidi a fazer uma coisa.

– Agora é diferente — Eu falei com a voz firme, e Kim me encarou confusa novamente.

– Por que agora é diferente? — Kim perguntou, se virando e ficando de frente para mim.

– O que sente por mim? — Perguntei direta, e Kim suspirou parecendo estar surpresa demais pela minha pergunta para responder — Digo, você sente alguma coisa né?

– Hm, sinto — Kim disse, e eu a encarei confusa, afinal eu não sabia se ela estava me perguntou ou afirmando isso — Eu sinto sim Allie, eu só estou surpresa por me perguntar isso.

– Eu estou confusa Kim, eu gosto de você e eu precisava saber se você gosta de mim, mas acima de tudo eu preciso fazer uma coisa — Falei rápida demais, e nem me dei conta que Kim parecia estar tentando decifrar o que eu disse.

– Eu não entendi muito bem — Kim disse, e eu revirei os olhos, hoje ela parecia estar mais distante do que tudo.

– Esquece — Eu disse, e me aproximei dela enquanto a mesma parecia cada vez mais surpresa. Sentei-me no seu colo e quando minha boca estava quase se colando com a sua eu sussurrei — Eu disse que precisava fazer uma coisa, e bem eu estou fazendo ela agora.

Juntei nossos lábios antes que Kim pudesse dizer mais alguma coisa, de primeira Kim parecia que não ia me corresponder, mas quando senti sua mão no meu pescoço e sua outra mão deslizar pela minha coxa, logo senti sua língua adentrando na minha boca. O beijo era calma, romântico e daqueles em que você não quer que acabe nunca.

Kim me beijava como se eu fosse alguém muito importante para ela, eu podia sentir isso com o jeito que ela fazia carinho na minha bochecha com o polegar, uma de suas mãos estava na minha coxa e vez o outra subia um pouco mais. Eu não importava na verdade, Kim tinha algo sobre mim que eu não conseguia impedir qualquer coisa que ela quisesse fazer comigo. Não nesse momento.

– Genteee — Ouvi Julie gritar do lado de fora, e me separei assustada de Kim, desci do seu colo quando consegui recuperar o ar e então caminhei até a porta — O que foi?

– Desculpa te atrapalhar, mas alguém tem que fazer a Violet e a April pararem de querer matar uma a outra — Julie falou afobada, e eu a encarei confusa. Kim logo parou atrás de mim, pegando na minha cintura e encarando Julie.

– Eu acho melhor descemos, e darmos um jeito nelas — Kim disse risonha, e depois me deu um breve selinho, antes de sair do quarto.

– O que foi isso? — Julie perguntou soltando um gritinho em seguida, e eu ri do seu jeito. Era ótimo saber que agora eu tinha amigas para poder dividir tudo que eu queria.

– Eu beijei a Kim — Falei animada e dando alguns pulinhos, Julie sorriu e logo em seguida me abraçou pelo pescoço.

– Isso é incrível, me desculpa por ter atrapalhando vocês, acho que essa coisa de ser empata foda não vai embora tão cedo — Julie disse fazendo uma careta engraçada, e eu sorri diante disso. Eu sabia que a intenção dela não era atrapalhar, isso quem fazia era April.

Descemos de mãos dadas até lá embaixo, foi quando eu vi a bagunça que estava na sala. April estava encima do sofá, enquanto Violet estava brigando com ela sobre algo, Tracy estava comendo pipoca e jogando na cara de Kim algumas vezes.

Eu odiava bagunças.

– Que bagunça é essa? — Perguntei séria, e todas me olharam confusas, menos April e Julie que já sabiam que eu odiava esse tipo de coisa. Tudo bem se fosse uma daquelas bagunças razoáveis, mas parecia que elas tinham tentando se matar e acabaram destruindo a sala.

– Eu posso explicar — April disse chamando minha atenção — Foi tudo culpa da Violet, essa peste de olhos verdes.

– Peste é você, filha da puta — Violet disse irritada, e depois pegou um pouco de pipoca da vasinha de Tracy e jogou na cara de April.

– Ah não, agora ofendeu — April disse, desceu do sofá e pegou um pouco de pipoca na tentativa de tacar em Violet, se ela não tivesse errado e tacado em Kim.

– Você não fez isso — Kim disse com um sorriso forçado, e depois pegou mais pipoca e jogou sem querer na cara de Tracy que estava na frente de April.

– Vocês realmente querem uma guerra de pipoca né? — Tracy falou debochada, e depois todas começaram a jogar pipoca uma na outra.

– Eu tinha ouvido que o normal era guerra de travesseiro — Resmunguei, e Julie encarava a cena parecendo não acreditar no que via.

– O normal é esse mesmo, o problema é que todas aqui estão longe de ser normais — Julie resmungou, abrindo a boca em seguida parecendo chocada com algo, e quando eu vi April estava nas costas de Violet enquanto Violet tentava inutilmente tirar ela dali — Que saber? Vamos participar disso também.

A encarei confusa, e Julie me puxou pela mão até a cozinha. Abriu mais dois pacote de pipocas e pediu para que eu colocasse no microondas, enquanto isso ela foi dar uma olhada para ver se as meninas ainda não tinham se matado.

– Sinceramente Allie, às mais velhas são piores que a April – Julie falou com um tom de brincadeira, e eu acabei soltando uma risada ao imaginar que garotas de praticamente vinte anos estavam pior que uma de dezesseis.

Quando às pipocas ficaram prontas, eu e Julie abrimos e caminhamos em direção a sala.

– Vocês realmente não sabem como se faz uma guerrinha de verdade – Falei chamando a atenção de todas que pararam e nós encararam, April sorriu já caminhando na nossa direção, éramos ótimas quando se tratava de guerrinha de travesseiro, água ou nesse caso pipoca.

– Só que antes de qualquer coisa, já notaram que a sala está uma merda né? – Julie perguntou fazendo uma careta, ela tinha mania de fazer alguma careta ou bico em qualquer situação. Seja ela triste, feliz, engraçada...

– Temos empregada – Kim disse dando um sorriso de lado, e olhando para as outras duas que corresponderam os olhares.

– Perai ai, que empregada é essa? – Julie perguntou diretamente para Violet que fingiu que não era com ela e olhou para Tracy.

– O foco é outro galera – Tracy disse mudando de assunto, e depois caminhou até nós – Passa o pacote ai.

– Falou igual malandro agora – April implicou e Tracy sorriu para ela que correspondeu.

– Agora novamente: Guerra de pipoca – Gritei e todas começaram a jogar pipoca nas outras, eu tinha que confessar que era divertido isso e ficava mais divertido ainda com mais cinco retardadas juntas.

– April, o que eu disse sobre subir no sofá? – Ouvi Violet gritar, e no momento seguinte eu e Julie também estávamos no sofá – Vocês são surdas?

– Qual e o lance com o sofá? A sala já esta todo destruída mesmo – April falou como se fosse uma coisa super normal de acontecer. Violet pareceu ignorar seu comentário e continuar com a guerrinha de pipoca.

Foi quando eu parei para notar como realmente todas pareciam felizes, como Violet estava com um sorriso idiota na cara, como Tracy estava fazendo caretas na direção de April que fazia o mesmo, como Kim estava jogando a almofada na Julie e como nenhuma parecia sem importar com nada alem desse momento.

Foi quando eu realmente percebi que estávamos nós tornando grande amigas, ou uma família?

Notas finais
Eu sei que a Allie e a Kim podem ser a mais apagadinhas da fanfic, mas eu tenho um amor com a Allie principalmente (Porque na minha cabeça ela é super fofa hahah) Então espero que gostem delas *--* Espero que tenham gostado. Comentem e beeijos