Love is a mystery
10 Capítulo 10 - Passado
Notas iniciais
“Não existem pessoas frias, existem pessoas que aprenderam a bloquear seus sentimentos.” (House)
– Piquenique? Você está se drogando? — Violet questionou, e começou a andar pela casa. Depois que April deu a ideia de sairmos todas juntas, Allie propôs que fizemos um piquenique em um parque distante que ela conhecia. Óbvio que seria um pouco complicado convencer Violet sobre isso
– Hey meninas- Cumprimentei Cloe e Olivia que passavam de mãos dadas, e depois Noah que vinha logo atrás.
– Se você não fosse muito areia para meu caminhãozinho, eu te pegava — Noah falou sorrindo, e eu corei um pouco com isso. Noah apesar de parecer um peste,é bem lindo. Com cabelos castanhos, olhos verdes, e sorriso sedutor.
– Não sou muito areia para seu caminhãozinho — Falei sincera, e ele abriu a boca surpreso.
– Isso quer dizer que tenho uma chance? — Noah questionou, e ouvi Violet bufar do meu lado, e depois o empurrar pelos ombros.
– Ela não quis dizer isso, ela só é modéstia. Agora cai fora — Violet deu um empurrão forte nele, que o fez tropeçar nos seus pés e depois cair de cara no chão — Vê se para de ser burra.
A encarei confusa, e a segui enquanto ela andava até o jardim.
– O que quis dizer com isso? — Questionei tentando alcançar seus passos.
– Você não olha pro anda? Tem olhos para que? — Violet gritou com o garoto que esbarrou nela, e depois me olhou rapidamente — Com esse jeito ingênuo e bonzinho, você acaba dando esperança pra quem não precisa.
– Sabe que foi cruel né? — Perguntei, e ela parou de andar fazendo com que eu acabasse batendo nas suas costas.
– Não estou aqui pra agradar ninguém — Ela respondeu e se virou para me olhar — Eu não vou para o piquenique, eu aceitei tentar ser sua amiga, agora querer sair em grupinho já é demais.
– Vai ser legal, por vavor — Implorei, e ela balançou a cabeça negativamente — Eu vou encher seu saco o dia todo, sabe disse né?
Violet me olhou com descaso, e virou as costas começando a andar novamente. Fiquei parada no mesmo lugar de braços cruzados.
"A faça voltar a viver"
Olhei ao redor para ver se alguém tinha falada comigo, mais ninguém estava peto de mim.
"A faça voltar a viver"
Ouvi novamente uma voz feminina na minha cabeça, e suspirei ao deduzir que alguém estava entrando na minha mente, e pelo visto só na minha.
Corri em direção a Violet que ajudava uma garota a se defender da outra garota que ela lutava, e franzi a testa notando que a garota mais parecia se insinuar para ela do que querer aprender algo. Puxei Violet pelo braço um pouco forte, fazendo com que ela acabasse batendo contra mim e quase fazendo nós duas irmos parar no chão.
– Agente vai ao piquenique, não me importo se você quer ir ou não. Esteja pronta às três horas — Falei séria, e ela me olhou debochada — Estou falando sério, se me acha chata assim, vai me achar extremamente chata depois.
Sai de lá, e encontrei April que falava com Tracy.
– Acredite é melhor estar pronta quando eu chegar, se não eu juro que vou meter meu pé na sua bunda — April falou séria, e depois sorriu para Tracy e saiu vindo ao meu lado — Sou uma ótima atriz.
Sorri, e caminhamos até Allie que sorria animadamente com Kim.
– Eu sei, adoro piqueniques. Você fez uma ótima escolha — Kim elogiou e vi o rosto de Allie ficar tão vermelho quanto um pimentão.
– Obrigada — Allie agradeceu, e depois se despediu de Kim ao nós ver — Tudo certo?
– Sim, principalmente pra você — Falei a fazendo corar novamente, e April rir do meu lado.
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– Eu fico feliz que tenha vindo — Falei descendo do carro, Violet me olhou como se eu fosse alguma demente, e depois olhou para algo atrás de mim.
– Eu só vim porque você me ameaçou isso não é algo para se orgulha — Tracy falou para April que tinha um sorriso no rosto.
– Isso vai ser tão divertido — Allie gritou, e correu com Kim em direção ao parque. Era um parque bem bonito, com grama bem verde, um lago um pouco a frente, sem nenhuma pessoa a vista.
– Eu vou me matar — Violet resmungou ao meu lado, e depois encostou a testa no vidro do carro.
– Não vai ser tão ruim, eu estou aqui — Falei carinhosa, e depois passei a mão na suas costas. Seus olhos se encontraram com o meu, e mordi os lábios com força, antes de me aproximar mais dela ainda com seus olhos grudados aos meus.
– Ahhh meu Deus — Dei um pulo pra trás quando ouvi o grito de April, olhei para ela que segurava uma barra de chocolate.
Por que gritar por isso?
Depois olhei para Violet me olhava parecendo incomodada com algo.Sorri para ela tentando quebrar o clima tenso que se formou, e ela revirou os olhos.
– Anda logo — Ela falou, e caminhou em direção as meninas que já estavam sentadas encima de algum lençol.
Suspirei e caminhei atrás dela, me sentei ao lado de April que me lançou um sorriso malicioso, e eu revirei os olhos já constatando que ela tinha visto a cena.
Então porque diabos ela gritou?
– Eu trouxe um monte de coisas — Allie falou, e abriu as duas cesta que ela trouxe — Kim me ajudou a escolher o que as duas gostam.
– Realmente ela te ajuda em muita coisa — Violet debochou, e eu a olhei repreendeu seu comentário.
– Ignorem — Kim disse olhando séria para Violet, e depois voltou a sorrir — Espero que gostem das comidas.
Olhei para Violet que estava de braços cruzadas, e engatinhei até ela.
– Sorri um pouco não faz mal — Sussurrei no seu ouvido, e ela descruzou os braços e se virou mais para o lado, fazendo com seu rosto ficasse bem perto do meu.
– Não fiquei fazendo isso — Violet murmurou fria, e eu a encarei confusa — Não ache que sabe de alguma coisa sobre mim, eu não quero estar aqui e pra ser sincera não sei por que estou.
Violet se levantou, e passou por mim e pela garotas com uma expressão tão séria. A vi ir até seu carro, e depois o dar partida e sumir.
– Ela foi embora — Murmurei chateada, e Kim e Tracy se olharam.
– Agente devia saber que ela não ia gostar disso — Kim falou para Tracy parecendo se sentir meio culpada. — Desculpe, ela só não sabe mais como é estar perto de pessoas que gostem dela.
– Onde estão os pais dela? — Allie perguntou preocupada, e Tracy soltou uma risada sarcástica.
– Isso é o que todos querem saber — Tracy respondeu fria, e todas entenderam o que ela queria dizer.
– Por quê? — Perguntei para Tracy, e ela pareceu entender o que eu queria saber.
–Vocês têm que entender que não é qualquer pessoa que aceita pessoas como nós — Tracy respondeu, e depois suspirou.
– Isso aqui já deu — April falou e se levantou — Eu acho que devíamos tentar fazer ela interagir mais com agente.
– Ela parece tão legal — Allie falou meiga, e Kim sorriu a olhando.
– Ela é, acreditem. Ela só precisa voltar a viver — Kim disse, e me lembrei da voz na minha cabeça. Ela dizia que eu devia fazer ela voltar a viver, e eu faria isso.
– Vamos embora — Falei sem demonstrar alguma coisa, e sai de lá deixando todas confusas. Eu tinha uma meta agora, eu iria fazer Violet voltar a viver, eu iria fazer ela ver como é bom ter mais amigos, eu queria vê-la sorrir.
–--***---
– Vai ficar bem sozinha? — April questionou preocupada quando eu desci do carro, e eu fiz sim com a cabeça.
Ela sabia que quando eu ficava sozinha, eu podia ter um daqueles momentos.
– Você sabe que se precisar, é só ligar — Allie disse carinhosa, e eu concordei novamente.
– Isso serve pra nós também — Kim falou gentil, e eu sorri para ela — Eu vou ser sincera, não espere que Violet esteja melhor amanhã, pelo que conhecemos ela vai sair com alguma garota, beber a noite toda e transar também..
– Kim ela já entendeu — Tracy a interrompeu, e depois olhou para mim — Eu sei que está tentando ajudá-la. Você vai ter que aprender a ignorar essas coisas que ela faz — Fiz sim com a cabeça concordando.
Fechei a porta do carro, e abri a porta de casa. Entrei na sala, e me sentei no sofá sem querer fazer mais nada.
Quem eu estava querendo enganar, eu nunca conseguiria ignorar essas coisas.
Era como se eu pudesse imaginar exatamente ela em algum bar ou boate, bebendo e se agarrando com qualquer uma que aparecesse.
Eu queria entender por que isso me incomodava tanto. Eu podia sentir atração por ela, afinal Violet é linda e sexy. Mas eu nunca tinha sequer me apaixonado, eu nunca quis que alguém quebrasse meu coração, não que tivesse medo de me machucar, mais eu tinha medo de entregar meu coração à pessoa errada.
Mas agora imaginar que ela poderia estar sorrindo para alguma garota, ou a abraçando, me deixava mal.
Balancei a cabeça negativamente me livrando dessas ideias idiotas, e decidi assistir algum filme pra ver se eu me desligava um pouco.
–-- ***----
Quando já era um pouco mais das nove horas da noite, meus pais chegaram em casa. Os dois sorriam um para o outro, enquanto estavam abraçados de lado.
– Olha quem ainda está acordada — Papai falou, e eu revirei os olhos. Odiava quando ela falava como se eu fosse uma criança.
– Tenho dezesseis anos pai — Falei, e ela sorriu me abraçando e me dando um beijo na testa.
– Não parece muito feliz — Mamãe comentou, e eu suspirei desviando meu olhar do deles.
– É certo uma garota gostar de outra? — Perguntei, e o silêncio se estalou naquela sala. Olhei para os meus pais que apreciam estar surpresos demais com a pergunta pra responder.
– Para você parece certo? — Mamãe perguntou séria, e eu fiz sim com a cabeça — Então é certo.
– É assustador — Falei, e eles me olharam com compaixão. Tentei sorrir, mas acho que saiu mais como uma careta. Falei que ia dormir e subi para meu quarto, algo estava preso na minha garganta.
Esse sentimento que me invadia era horrível, era o mesmo sentimento que eu sentia quando sofria bullying, quando eu tinha que aturar pessoas debochando de mim por ser gordinha, era o mesmo sentimento de quando eu fiquei doente por não comer e sentia tonturas toda vez que ficava de pé. Era o mesmo sentimento de medo e impotência, eu não podia fazer nada, eu não podia lutar contra aquilo, por mais que eu quisesse eu me lembraria pra sempre dos insultos e xingamentos.
Eu me lembraria pra sempre de como eu odiava me olhar no espelho, e senti nojo de mim mesma. Era uma parte de mim que eu não gostava de contar para ninguém, tirando April e Allie que sabiam de tudo. Sentei-me na cama, e suspirei tentando engolir o choro. Eu queria poder saber onde Violet estava eu só queria que ela pudesse me abraçar... Mais seria pedir demais. Eu estava frágil, eu tinha alguns momentos desses quando me lembrava de antigamente, normalmente Allie e April sempre ficavam comigo, mas nesse momento não era elas que eu estava querendo.
– Filha, sua amiga está aqui — Ouvi minha mãe gritar do lado de fora, e respirei fundo antes de abrir a porta.
– Eu disse pra April que eu ficaria bem — Falei passando pela minha mãe, e descendo às escadas, mas quem eu encontrei no final delas não era quem eu esperava.
– Violet? — Minha voz não saiu mais que um sussurrou, mas ela me olhou com um sorriso de lado — Vem.
A chamei e ela veio atrás de mim, até entramos no meu quarto.
– Por que está aqui? — Perguntei confusa, e ela me olhou séria.
– Por que você precisa de mim — Ela disse, e então se aproximou de mim, me puxando para um abraço — Eu não sou tão desumana assim.
Afundei meu rosto no seu pescoço, e seus braços me apertaram com força, enquanto agora eu sentia minhas lágrimas descerem descontroladamente pelo meu rosto. O aperto de Violet ficava mais forte, e senti ela me guiar até a cama.
– Acho melhor você dormir — A ouvi sussurrar, e sai do seu abraço para me deitar na cama.
– Você saiu? — Perguntei a olhando nos olhos, e ela desviou o olhar por uns segundos.
– Eu precisei — Ela falou, e eu mordi meus lábios com força, eu sabia do que ela precisava. Eu não podia a culpa por isso, eu não podia a culpar por que eu estava sentindo algo que eu não deveria sentir.
– Eu preciso de você aqui, você acha que pode fazer isso? — Perguntei, e ela suspirou concordando com a cabeça. A vi tirar o casaco de coro que ela vestia, e os seus sapatos e depois se deitar ao meu lado na cama.
– Não se acostuma — A ouvir dizer, antes de apagar a luz e me puxar para mais perto do seu corpo.
Infelizmente eu podia me acostumar facilmente com isso.
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