Notas iniciais
Bom, eu amo muito American Horror Story, e senti que esse capítulo seria um pouco mais emocionante com o nome da quarta temporada da série. Peço mil desculpas pela demora. Boa leitura.

Lauren pov.

Meu relógio despertou. Não levantei a cabeça, apenas procurei-o com a mão agitada sobre a cômoda. Desliguei.

Agora eram exatamente seis horas, pois não queria perder a hora novamente.

Após acomodar minhas pernas para fora da cama, ouvi o celular tocar. Número anônimo.

–Alô?-Perguntei forçando minha voz. Sempre quando acordava ela era mais rouca que o normal.

–Você tem meia hora para se arrumar.-Disse uma voz afeminada. Demorei alguns segundos para perceber que era Camila.

–Camila?-Respirei fundo.-Poderia saber o motivo de você estar me ligando?-Dei uma risadinha disfarçando a ignorância que me possuiu.

–Que tal irmos ao Frek Show? Ele chegou na cidade ontem, achei que seria uma boa faltar um dia no colégio e se divertir.-Afirmou ela. Pude sentir que ela estava sorrindo maliciosamente.

–Ok. -Desliguei.

Agora eram seis e meia, e por algum motivo eu estava totalmente pronta. Ondulei meus cabelos com meus próprios dedos, passei um batom roxo. Estava usando uma calça jeans preta rasgada e uma blusa preta, além de levar minha jaqueta preta.

Cheguei na cozinha.

–Bom dia, Lauren.-Meu tio nunca me chamava pelo primeiro nome, senti que hoje seria um dia estranho cheio de surpresas assustadoras. Estremeci.

–Bom dia.-Respondi sem olhar diretamente para seus olhos.

Segui até a mesa, abri a sacola e peguei uma rosquinha, girando-a entre os dedos e após, mordendo-a.

Meu celular tocou.

–Camila?-Perguntei.

–Estou te esperando aqui fora. Venha logo.

Ela desligou na minha cara.

Meu tio me observava com um olhar misterioso.

–Pegarei carona com a Camila hoje. Espero que não me ligue por pelo menos o resto do dia.-Fingi um sorriso simpático, mas irônico.

–É uma linha tênue entre o amor e o ódio. Você é realmente real ou é você realmente falso. Lembre-se disso.-Meu tio pronunciou cada palavra, sentindo prazer à cada sílaba.

Ignorei seus discursos diários e saí.

Entrei numa Ferrari vermelha.Camila sorriu.

Estava usando um vestido florido curto, junto com um cinto marrom preso em sua cintura. Estava com o cabelo preso em um coque alto.

Só depois de revê-la, lembrei-me que ficamos horas no banco da praça conversamos, e puxa...haviamos nos beijado. Estremeci. Ela parecia não se lembrar, ou apenas não queria relembrar. Mas a melhor hipótese era de que eu estava ficando louca e estava com medo de cumprimentá-la de um modo mais íntimo. Resolvi permanecer em silêncio.

–Ouvi dizer que é um Parque de Diversões cheio de brinquedos aterrorizantes e diabólicos.-Ela sorriu.

–Sim, cheio de pessoas absurdamente únicas e anormais.-Devolvi o sorriso.

–Quem mais gritar paga a conta.-Ela desafiou.

Confirmei com a cabeça, rindo.

Ao chegar no Parque, visualizamos o primeiro brinquedo. Era uma montanha russa separada por carrinhos, cada um com um desenho diferente. Uns com alguns demônios, outros com anjos sem asas, algumas pessoas sangrando.

Ao redor haviam pessoas fantasiadas, algumas com braços menores, outras sem as pernas, já algumas com mais dedos que o normal. Era algo que valia à pena investir. Concordava que era horrível um ser humano se tornar centro das atenções ou excluído por ser um pouco diferente, mas com certeza várias pessoas pagariam para se divertir em um lugar tão...diferente. Eu me fascinava com o diferente, me fascinava por aquele lugar.

–Vamos na motanha-russa?-Camila quebrou o silêncio.

–Prepare-se para perder o desafio.-Ri.

Ela puxou minha mão e guiou-me alegremente pelo caminho.

Ouvi meu celular tocar. Puxa vida, hoje com certeza era dia de deixar o celular desligado por pelo menos mais 24 horas.

Que ótimo, outro número anônimo.

–Sabia que você optaria pelo "realmente falso". Faltar de aula não é uma boa opção.-Reconheci a voz de meu tio.

–Como se você não escolhesse o errado sempre.

–Aceitam algodão-doce?-Indagou.

Olhei ao redor à sua procura. Camila me olhava assustada.

De repente ele apareceu atrás de nós duas segurando um algodão-doce.

Apertou a mão de Camila.

–Bom dia.-Sorriu.-Sou o tio de Lauren, pode me chamar de tio também, se quiser.

–Bom dia. Sou Camila.-Ela respondeu. Pude sentir um surto percorrer suas veias, ela com certeza estava assustada. Eu também.

Olhei ao redor, girando meu corpo várias vezes. Algo estava errado. Então, há alguns metros de nós, um grupo de pessoas reunia-se. Alguns gritavam, outros já estavam tão paralisados que não encontravam nenhuma palavra.

Aproximei. Camila estava chorando e gritando. Olhei para trás, meu tio já não estava entre nós.

Então reconheci Riley abraçando um corpo no chão. Era seu pai. O xerife estava morto. Foi esquartejado. Estremeci.

Cabello estava olhando diretamente para o corpo. Pude sentir seu desespero apenas por estar ao seu lado. E se ela descobrisse que eu já fiz isso? Me odiria, com todas as forças, impossível não odiar.

Então a primeira ideia que passou na minha cabeça, a explicação mais racional para o que acabara de acontecer, era que meu tio matou-o. Ele não gostava de chamar atenção, mas seria como um aviso para todos que tentarem nos impedir. Ou seja, acabariam como o xerife.

Camila conseguiu se mover, então correu até Riley e o abraçou.

Senti que seria errado sentir ciúmes, levando em consideração as circunstâncias atuais.

Resolvi pedir um táxis e ir embora.

Não seria justo fazê-la sofrer. Seria melhor me afastar e evitar algo mais sério. Quando ela descobrisse tudo, iria me odiar, me entregar ou simplesmente sofrer. Ninguém merecia suportar ou lidar com meu passado, apenas eu mesma.

Não me despedi.

Notas finais
A frase que o tio Dominick menciona para Lauren, ("É uma linha tênue entre o amor e o ódio. Você é realmente real ou é você realmente falso.") faz parte da música "The Man"-Aloe Blacc. Adoro a tradução da música, recomendo. Enfim, espero que tenham gostado desse capítulo.