“Love is not a choice.”
–Girls, Girls, Boys (Panic! At the Disco)

“Amor não é uma escolha.”

O rapaz saiu do restaurante com um sorriso nos lábios, mas seus olhos estavam fixos no chão. Havia uma leve expressão de dor que se expandia cada vez mais, tomando conta de seus olhos e coração.

O carro cinza foi destravado e Liam entrou no veículo em completo silêncio, enquanto o sorriso sumia de seu rosto.

Seu coração batia descompassado enquanto ele encostava a testa no volante, encarando as próprias mãos e pernas. Seus lábios se apertaram em uma fina linha enquanto ele se concentrava para não começar a tremer. Eu achei que ainda tinha uma chance. Achei que ainda era amado, mesmo que pouco.

Os olhos castanhos começaram a arder e Liam os fechou, deixando que algumas lágrimas solitárias escorressem por seu rosto. As gotas salgadas molharam seus lábios e só então ele começou a secá-las. É inútil. Meu coração está em pedaços, eu não consigo parar de chorar.

Durante algum tempo, tudo o que Liam fez foi ficar sentado, com a testa encostada no volante e secando as lágrimas que insistiram em continuar caindo. Esse processo só parou quando ele se sentiu cansado demais para continuar chorando.

Respirando fundo e passando a mão pelos cabelos, Liam ergueu o rosto, sentindo suas bochechas quentes por ter chorado tanto tempo em silêncio. Seus olhos enxergaram Davi, sentado ao lado da última janela do estabelecimento. Havia um sorriso bobo nos lábios do policial e seus olhos brilhavam como se ele estivesse observando a joia mais bela do mundo. Ele costumava olhar assim para mim. Foi assim que eu descobri que ele terminaria comigo. Aqueles olhos azuis perderam o brilho quando olhavam para mim. Ele parecia não me enxergar.

Davi riu mais uma vez, parecendo ter uma crise de riso, até conseguir se controlar e responder o que quer que Johan tenha dito.

Isso fez Liam sorrir. Ele está feliz. Fazia muito tempo que eu não via o Davi assim. Eu espero que esses dois fiquem bem. Eles parecem completar um ao outro. Esse tal de Johan parece conseguir despertar sentimentos no Davi, que eu nunca consegui. Eu admiro isso.

Soltando um suspiro e dando partida no carro, Liam lançou um último olhar na direção de Davi e Johan. Um último olhar.

X

Liam ajeitou a gravata e passou a mão pelos cabelos, se olhando no espelho retrovisor do carro. Seus olhos estavam vermelhos e levemente inchados, mas a desculpa de que havia dormido mal deveria servir. Ultimamente, todos nessa empresa têm dormido mal.

O homem de cabelos negros tomou o elevador e subiu para o segundo andar, sem desejar boa tarde para as pessoas que passavam ao seu lado.

O informativo que ficava grudado na porta de seu escritório entrou em seu campo de visão, fazendo-o levar a mão para o bolso do terno e procurar as chaves.

“Liam!” Uma voz feminina e autoritária o chamou ao longe e ele se interrompeu no ato de abrir a porta. “Liam!”

“Sim?” O homem respondeu, se virando na direção da voz e encontrando uma bela mulher caminhando para perto de si.

“Boa tarde. Espero que tenha almoçado bem.” Ela sorriu e parou de andar quando se aproximou o suficiente.

“Eu não almocei. Não estou com fome.”

“Se você desmaiar, eu farei questão de ir te chutando até o hospital.”

“Obrigado por se preocupar.” Liam abriu um sorriso presunçoso. “Então? O que foi?”

“Onde está a papelada que eu preciso assinar? Para entrarmos em um acordo com aquela empresa de pratarias?” A mulher cruzou os braços e pareceu analisar o rosto de Liam, friamente.

“Está aqui na minha sala. Eu já ia levar para você.” Liam voltou a abrir a porta e fez sinal para que ela entrasse. “Esse é mesmo o único motivo para a minha chefe vir, pessoalmente, falar comigo?”

“Sim. Está tudo bem agitado por aqui, por conta daqueles problemas de compra e venda do governo.” Ela suspirou e se encostou ao batente da porta, enquanto esperava Liam encontrar a papelada no meio da bagunça. “De todas as empresas para tentarem derrubar, a nossa tinha que ser o alvo?”

“O governo só está preocupado com o tanto de dinheiro que você tem produzido. Não se preocupe, uma hora isso vai acabar.” O homem de cabelos negros voltou para perto da chefe, entregando uma pasta cinza para ela.

“Eu sei, mas até lá nós todos precisamos trabalhar dobrado. E eu me preocupo com a saúde de meus empregados.”

“É claro que sim, Jéssica.”

“É verdade. E eu acho que você deveria ir para casa.” Jéssica sorriu e usou a pasta para bater de leve em Liam. “Você parece acabado.”

“E estou. Mas não quero ir para casa.”

Jéssica arqueou uma sobrancelha.

“Não é nada, mas me deixe continuar trabalhando.” Liam suspirou e voltou a caminhar na direção de sua mesa.

“Se você passar mal-”

“Você vai me chutar... Não é?” Liam sorriu ao ver a expressão animada de sua chefe.

“Com todas as minhas forças.” Jéssica piscou e acenou, deixando o homem sozinho.

Soltando um suspiro baixo, Liam se sentou e cruzou os braços sobre a mesa, respirando fundo e deitando a cabeça por cima de vários papéis. Seus lábios estavam secos e ele sabia que não conseguiria trabalhar durante o resto do dia. Mas eu não quero voltar para casa. Acho que vai ser pior.

Agradecendo mentalmente por Jéssica ter fechado a porta ao sair, Liam fechou os olhos e deixou que toda a tristeza e cansaço o abraçassem, afundando em um sono incômodo.

X

“Tão inútil que eu tenho que encobrir a sua inutilidade!”

Aquela voz alta o acordou do sono da tarde e Liam se sentou em uma velocidade absurda, tampando o rosto com as mãos e deslizando-as para os cabelos.

“Mas o que diabos...?”

“Por favor, eu quero ficar aqui, não quero ir para casa.” Jéssica tentou imitar a voz do empregado, falhando miseravelmente. “Não quis ir para casa, mas também não trabalhou e dormiu o dia inteiro!”

Liam piscou algumas vezes antes que seus olhos se acostumassem com a luz da sala. O relógio ao seu lado marcava que o dia já havia chegado ao fim, sendo nove horas da noite. Suas pálpebras estavam pesadas, não pelo sono, mas por ter chorado e dormido logo em seguida.

“Por que você está aqui até essa hora?” Foi a primeira pergunta que o homem fez ao se dar conta do que estava acontecendo.

“Eu estou aqui porque eu trabalho até tarde.” A mulher bateu na mesa de madeira e se inclinou na direção de Liam. “Ninguém te viu o dia inteiro e a luz da sua sala estava desligada, por isso ninguém pensou em vir te procurar aqui, embora eu tenha dito que o último lugar em que te vi foi aqui. Quem descobriu seu recanto do sono foi o tio da limpeza, que foi me avisar imediatamente.”

“Entendi... Sinto muito por tudo isso, eu só...” O homem de cabelos negros suspirou e se levantou, ajeitando a gravata. “Eu não estou me sentindo bem hoje.”

“Por isso eu ofereci o dia de folga.” Jéssica suspirou. “Não é como se você tivesse feito falta hoje. Não se preocupe com isso. Aproveite que amanhã é sábado e descanse. Se precisar de algo, me ligue.”

“Obrigado Jéssica. Sinto muito por toda a confusão. E você tem que ir para casa, ficar trabalhando até esse horário é muito cansativo e você precisa se cuidar.” Liam sorriu e entregou a chave da sala para a chefe. “Não sei se vou vir na segunda-feira. Acho que estou precisando de um tempo pra colocar os pensamentos em ordem.”

“Ah, mas, por favor, demore o quanto quiser. Sabe, a empresa não está em um momento de dificuldades com o governo para precisar da sua ajuda.” A ironia na voz da moça era quase palpável e isso fez Liam deixar uma risada cansada escapar por seus lábios.

“Boa noite, chefe.”

“Boa noite, escravo.”

O homem de cabelos negros se retirou do escritório e pegou o elevador, descendo até a garagem e encontrando seu carro, sozinho, estacionado na vaga mais distante.

Antes de entrar no carro, Liam já havia retirado o terno e a gravata, deixando a camisa social branca levemente aberta. O ar da noite era frio, mas ele não se importava. Sua mente vagava entre ir para casa ou para um bar e a segunda opção lhe pareceu mais produtiva.

Dando partida e saindo da empresa em alta velocidade, o homem de cabelos negros já havia traçado um mapa em sua mente sobre qual bar ir.

Havia um quase na saída da cidade, considerado o melhor bar para quem gostaria de esquecer as memórias ruins do dia. Eu estou precisando esquecer minha vida inteira.

Em quinze minutos o carro prateado foi estacionado em um beco vazio, ao lado do bar.

O local estava relativamente cheio, mas isso não incomodou Liam.

Travando o carro e guardando a chave no bolso de trás da calça social, o homem caminhou com passos lentos na direção do bar, abrindo a porta e agradecendo mentalmente pelo ar quente que atingiu seu rosto.

O ambiente tinha poucas luzes, deixando tudo muito mais suspeito do que já parecia. O cheiro de bebida alcoólica e cigarro estava impregnado em todos os lugares e Liam tinha quase certeza de que algumas pessoas fumavam coisas além de nicotina ali.

Sentando-se em uma das cadeiras do balcão do bar, Liam acenou com a cabeça ao ver o bartender se aproximar.

“Boa noite. O que vai querer?”

“O que você tiver de mais forte.”

O homem assentiu e se afastou, começando a mexer em algumas garrafas e copos.

Havia um homem sentado ao seu lado, bebendo, o que parecia ser, sua quarta garrafa de vodka. Sua expressão estava vazia e ele apertava os lábios. Ele não parece estar bêbado.

Assim que concluiu o pensamento, o homem ao seu lado ergueu o olhar.

Os dois se encararam por um tempo, até aquele completo desconhecido sorrir.

“Você pediu o que tem de mais forte?” Foi seu primeiro comentário e sua voz não estava tão embargada quanto Liam achou que estaria.

“Sim.”

“Uhm... Aconteceu alguma coisa com você, príncipe?”

O comentário fez Liam franzir a testa. Príncipe? Ele está sendo tão sarcástico que chega a ser quase palpável. Mas eu não me incomodo com isso.

“Você está com uma roupa boa demais para estar nesse tipo de lugar. Por isso te chamei de príncipe.” O homem riu e virou mais um gole da bebida transparente. “E então? O que aconteceu, para que alguém como você viesse até aqui pedir a bebida mais forte?”

“Eu fui chutado.” Liam sorriu e agradeceu pela bebida que fora depositada à sua frente. “Ahn, garçom, eu gostaria que você trouxesse a garrafa toda. Acho que vou ficar um tempo aqui.”

O bartender assentiu e entregou a garrafa para o homem de cabelos negros, se afastando logo em seguida para atender outros clientes.

“Chutado? O que a mocinha usou como desculpa?” Uma risada irônica escapou daqueles lábios embriagados e Liam se pegou observando-o.

“O mocinho encontrou outra pessoa que o deixa mais feliz. Quer dizer, nós terminamos há um ano, mas eu achava que ainda teria chances. Acabei sendo chutado pela segunda vez.” Liam viu quando o homem desconhecido se aproximou um pouco mais, puxando a garrafa de vodka junto e jogando a franja loira para trás. Bom, eu não posso negar que ele é bonito.

“Uhm... Mocinho? Quer dizer que o príncipe é gay?”

“Sim.” Liam soltou o copo vazio e pegou a garrafa, virando-a direto na boca.

“Uau. As mocinhas devem ficar tristes.”

“Algumas ficam.”

“Entendi.”

Ambos ficaram em silêncio enquanto Liam virava a garrafa com mais frequência.

X

Uma hora depois da primeira dose, Liam já estava parcialmente bêbado.

Seus movimentos estavam lentos e sua visão estava parcialmente embaçada. Sua língua estava levemente pesada, mas ainda não era difícil falar. Mas eu estou mais solto, por causa do efeito da bebida.

“Mas afinal de contas, o que aconteceu com você? Você também está em um bar, com cinco garrafas de vodka na sua frente.” A frase precisou ser repensada duas vezes antes de ser dita, Liam encarava o homem loiro à sua frente, observando como os lábios levemente rosados enrolavam a garrafa a cada gole.

“Ah, eu? Eu também fui chutado.” O homem deu de ombros. “Na verdade, eu fui chutado há anos. Ele estava bêbado por causa da festa da sala de aula e eu me aproveitei disso para tentar levá-lo para a cama. Quando estávamos quase lá, ele me empurrou e disse que não queria.”

“Oh, então você também é gay?” Liam virou outro gole da bebida.

“Eu só aproveito o que a vida tem de melhor para me oferecer.” Um sorriso malicioso despontou em seus lábios e ele se virou corretamente para Liam, inclinando-se para frente. “Só isso.”

“E então? O que aconteceu? Você ainda não terminou de contar sua história.” A garrafa esvaziou e o homem de cabelos negros não hesitou em pedir por outra.

“Bom, eu fui embora. Viajei para outro país, depois de dizer umas palavras ruins para ele...” O homem loiro pareceu hesitar, mas continuou depois de virar o último gole da quinta garrafa de vodka. “Foram palavras bem ruins. De qualquer maneira, eu voltei agora, depois de uns... Quatro anos. Encontrei ele no mercado com outro cara e não consegui me segurar. Outras palavras asquerosas saíram da minha boca.”

“Então você é o tipo que rebaixa os outros para se sentir melhor?” Liam arqueou uma sobrancelha.

“Não. Esse é o problema. Eu não sou assim.” Os olhos claros voltaram a encarar o balcão e o homem respirou fundo antes de continuar. “Eu só... Acho que eu o amava demais. Na verdade, acho que nunca consegui esquecê-lo. Ele se dizia hetero e esse monte de baboseiras, então eu achei que se conseguisse levá-lo para a cama, pelo menos uma vez, nós dois poderíamos ter um futuro bom.”

Liam já estava na metade da garrafa á essa altura e continuou em silêncio, deixando que o homem a sua frente terminasse de desabafar.

“Mas não foi o que aconteceu. E não é o que vai acontecer.” Ele finalizou.

“Caramba, você é um babaca de primeira.” A risada de Liam chamou a atenção do homem ao seu lado, que ergueu o olhar, parecendo ofendido. “Se você amava tanto esse cara, então deveria ter ao menos tentado conquistá-lo. Ele se dizia hetero, mas se acabou se pegando com você, então vocês dois ainda tinham uma chance de ficar juntos. Mas sabe o que você fez? Você só se importou com o fato de ser chutado! Nem tentou pedir desculpas por forçar a barra, partiu para a agressão verbal.”

Liam soltou uma gargalhada e deixou a garrafa de álcool de lado. Acho que estou bêbado o suficiente.

O homem ao seu lado permaneceu em silêncio, processando as palavras que ouvira. Seus olhos estavam fixos no chão, mas ele não parecia irritado. Na verdade, acho que ele já sabia disso, só não queria admitir.

“De qualquer forma, você parece estar bem arrependido.” Liam voltou a dizer.

“É. Você tem razão, eu fui um babaca. Eu sou um babaca. Porque, quando tive a chance de me desculpar, eu estraguei tudo de novo e acabei levando uma bronca no meio do mercado.” O homem deixou que um sorriso amargo tomasse conta de seus lábios. “Mas o que está feito está feito. Ele me dispensou de novo, na frente de todo mundo. E eu meio que estou orgulhoso por ele ter feito isso. Devo ser masoquista.”

“Você não é masoquista.” Liam deu mais um gole na bebida antes de tirar a carteira do bolso. “Você só entendeu, um pouco tarde demais, que não tem como voltar ao passado e arrumar a bagunça que você fez naquela noite. O jeito agora é seguir em frente. Eu e você precisamos fazer isso.”

Uma boa quantia em dinheiro foi depositada sobre o balcão e Liam sorriu.

“Estou pagando a minha parte e a dele.” Foi seu comentário para o bartender. “Deve ter um pouco mais aí, mas pode pegar como gorjeta. Aproveite que eu estou bêbado.”

O loiro se levantou da cadeira, mantendo os olhos pregados em Liam, e o seguiu para fora do estabelecimento, tremendo levemente ao sentir o ar frio da noite.

“Você tem como voltar para casa?” O homem de cabelos negros comentou, enquanto pegava a chave do carro.

“Eu estou com o meu carro ali do outro lado, mas adoraria conversar um pouco mais com você.” Seu olhar havia mudado de uma hora para outra e Liam sorriu levemente. Eu conheço esse tipo de olhar.

“Claro. Só se conversarmos no meu carro. Não vou dirigir de volta para casa porque estou muito bêbado.”

“Que príncipe mais prevenido.”

“Você não sabe o quanto.”

“Tudo bem, vamos conversar no seu carro. Só me diga que você tem aquecedor, porque eu estou com muito frio aqui.”

Liam não respondeu, caminhando de volta ao beco vazio onde deixara o carro prateado.

A rua ainda estava levemente movimentada, com novas pessoas chegando para o bar, e algumas indo embora, no entanto, todo o barulho ficou para trás quando ambos os homens viraram a esquina e encontraram o carro estacionado.

“Sabe, você não é de se jogar fora.” O homem loiro sorriu. “Quem te abandonou deve ser muito idiota.”

“Isso foi uma tentativa em me conquistar?” Liam riu e abriu o carro, sentando no banco do motorista e esperando o homem sentar no banco do carona.

“Tentativa?” O loiro riu. “Achei que tinha conseguido.”

Liam sorriu e encostou a cabeça no alto do banco. Seus olhos estavam fechados e ele respirava lentamente. O álcool estava fazendo ainda mais efeito do que antes e ele tinha certeza de que estava prestes a dizer algo errado. Mas, bem... Eu não posso ficar preso nas correntes do Davi para o resto da vida.

Antes que pudesse abrir os olhos, ou dizer algo, Liam sentiu quando suas pernas ficaram mais pesadas e quando seus lábios foram vorazmente beijados.

O loiro estava sentado em seu colo, com uma perna de cada lado, inclinando-se sugestivamente sobre meu corpo, enquanto sua língua fazia o trabalho de beijá-lo de forma excitante. Céus, ele parece desesperado!

“Você vai se arrepender de fazer isso.” Liam comentou, enquanto segurava a cintura do homem sobre si.

“Quem decide isso sou eu. Não me afaste igual aquele cara fez, anos atrás.”

“Eu posso ao menos saber seu nome?” Liam sorriu, aproximando-se do homem e deixando que seus lábios encostassem em seu ouvido. “Para poder chamá-lo quando estiver prestes a gozar?”

O loiro sorriu e mexeu o quadril, mordendo o lábio inferior para controlar um gemido.

“Rafael.” Foi sua resposta.

“Uhm... É um belo nome. Muito prazer, Rafael. Meu nome é Liam.”

“Não. Você é o ‘Príncipe’ que eu encontrei durante a minha bebedeira. Não gosto dessa história de me apegar a nomes.” Rafael sorriu e retirou a camiseta, jogando-a no banco do carona.

“Deveria gostar, porque meu nome é o único que você vai chamar esta noite.”

Em um movimento rápido, Liam se moveu para o banco de trás, puxando Rafael junto.

O homem de cabelos loiros ficou por cima, sorrindo maliciosamente e voltando a mexer o quadril. Liam conseguia sentir e ver o começo da ereção de Rafael e isso o fez esquecer completamente sobre Davi e Johan. Eu espero que eles se amem muito, porque essa noite eu estou em ótima companhia.

Rafael começou a desabotoar a camiseta do homem de cabelos negros, depositando beijos e lambidas em cada pedaço de pele que ficava visível.

Seus lábios se moviam com destreza, aproveitando os beijos para deixar breves marcas, fossem elas de mordida ou chupão.

O banco de trás do carro era extremamente apertado para dois homens adultos. No entanto, aquilo conseguia deixar as coisas ainda mais excitantes. Liam sabia que, mesmo tendo estacionado em um beco vazio, ainda existia a remota chance de alguém resolver passar por lá.

Seu coração palpitava e ele sentia que começava a ficar excitado a cada segundo que passava. Rafael parecia saber o que estava fazendo, pois, assim que suas calças foram desabotoadas e retiradas, o homem de cabelos loiros deixou que sua mão começasse a fazer o trabalho necessário.

“Não é sempre que eu ofereço esses serviços, então acho bom aproveitar.” Ele sorriu e puxou a cueca de Liam para baixo, relevando a ereção do homem.

Antes que pudesse respirar propriamente, Liam sentiu quando seu membro foi envolto por lábios quentes e macios. A língua de Rafael subia e descia, enquanto o homem usava a mão como apoio.

Rafael fazia pressão nos lugares certos e o ritmo foi imposto em poucos minutos. Liam deixou que suas mãos se perdessem nos cabelos loiros e macios, sentindo seu corpo inteiro se arrepiar e arqueando as costas quando sentiu que estava prestes a chegar ao orgasmo.

“Rafael pare. Eu quero fazer isso dentro de você.”

“Desculpe príncipe, eu não trouxe camisinha. Não saí de casa achando que ia me divertir tanto esta noite.” O loiro parou com o que fazia e ergueu o rosto, levemente corado, enquanto sorria. Os lábios dele estão vermelhos...

“Eu já disse...” Liam usou da força para trocar de posições e colocar Rafael por baixo de si. “Eu sou uma pessoa muito prevenida.”

A carteira, que havia sido jogada no banco da frente junto com sua calça, foi alcançada com velocidade e um pacote de preservativo foi retirado de um pequeno compartimento, próximo aos documentos.

As calças de Rafael foram retiradas e jogadas para o banco da frente, juntamente de sua cueca box.

“Não sou uma pessoa má, a ponto de fazer você chorar, mas também não estou conseguindo me aguentar.” Liam falou, enquanto se inclinava para baixo e erguia o quadril de Rafael. “Por isso, só vou prepará-lo para o necessário.”

A língua do homem de cabelos negros deslizou forçosamente pela entrada de Rafael, fazendo-o gemer e arquear as costas.

A saliva deixava que o ato ficasse mais fácil e Liam se permitiu masturbar o homem a abaixo de si, enquanto o preparava para o que estava por vir.

Assim que sentiu que sua língua já entrava com mais facilidade, Liam deixou que seus lábios abocanhassem o membro ereto de Rafael, enquanto seus dedos terminavam o trabalho de prepará-lo.

“P-pare...” A voz de Rafael entrou sussurrada por seus ouvidos e isso levou um sorriso triunfante aos seus lábios.

“Diga meu nome. Diga e eu pensarei em libertá-lo.” Liam voltou a abocanhar a ereção do homem de cabelos loiros, deleitando-se com o gemido que ouvira.

“L-Liam... Eu vou...” No entanto, sua frase chegou tarde demais, pois seu orgasmo descera pela garganta de Liam no segundo seguinte.

Os lábios de Rafael produziram um gemido que deixou o homem de cabelos negros extremamente arrepiado e toda a sua concentração fora jogada para o alto. Ele vai ter que me desculpar, mas eu não consigo me segurar mais.

O barulho do pacote de preservativo sendo aberto levou um sorriso cansado para os lábios de Rafael, mas ele não se moveu, respirando lentamente para tentar recuperar um pouco das energias.

“Eu vou colocar...” Liam anunciou, depois que o preservativo havia sido corretamente arrumado.

O loiro assentiu com a cabeça e cobriu o rosto com o braço, mordendo o lábio inferior ao sentir a ereção de Liam penetrá-lo. Merda, ele é muito apertado...

“Avise-me quando eu puder me mover.” Liam avisou, assim que toda a sua ereção estava dentro do homem abaixo de si.

Rafael respirava rapidamente e permaneceu um tempo daquela maneira, até que sua respiração se acalmou. Seus lábios se separaram, liberando o mais erótico dos gemidos e ele moveu o quadril de forma sedutora, fazendo com que o membro de Liam deslizasse para fora e para dentro.

“Mova-se.”

O homem de cabelos negros segurou o quadril de Rafael, puxando-o para baixo e fazendo com que a primeira estocada fosse um pouco mais forte e funda do que ele esperava. Seu corpo se movia por puro desejo e seus lábios se ocupavam em distribuir beijos, mordidas, chupões e lambidos pelo pescoço e peito desnudo do loiro.

Rafael se inclinou para frente, deixando que seus braços entrelaçassem o pescoço de Liam e suas unhas arranhassem as costas do homem. Seus lábios estavam colados ao ouvido do homem de cabelos negros, dizendo coisas extremamente sujas e pervertidas, o que só fazia o ritmo das estocadas ficar cada vez mais acelerado.

“Liam...!”

Seu nome, sendo chamado por aquela voz, seu rosto, sendo refletido por aqueles olhos, seu corpo, sendo recebido por aquele corpo... Tudo isso encantou Liam.

Seu coração batia rapidamente e os arrepios em seu quadril se tornaram mais frequentes, denunciando que seu orgasmo estava próximo.

Rafael cravou as unhas nas costas de Liam quando seu segundo orgasmo pintou ambos os tórax. Sua entrada se tornou apertada por conta do estimulo e isso fez com que o homem de cabelos negros também chegasse ao clímax. Há quanto tempo eu não faço isso? Sair de noite e encontrar uma companhia para dividir uma cama?

Um sorriso tomou conta dos lábios de Liam. Nesse caso, o banco traseiro do meu carro.

Com as respirações alteradas e os corpos suados, Rafael deixou que sua testa repousasse no ombro do homem que o segurava com força.

“Não é que o príncipe é bom em outra coisa além de ser bonito?” Seu tom de ironia estava de volta e isso fez com que Liam se perguntasse para onde havia ido aquela doce voz que chamava por seu nome.

“Isso não é nem metade do que eu sei fazer.” A risada que escapou de seus lábios fora tão sincera, que isso surpreendeu até mesmo o homem de cabelos negros. Eu estou me divertindo depois de ter levado um fora. Não era exatamente como eu esperava que meu dia acabasse.

“Ei, príncipe...”

“Huh?”

“Você vem sempre nesse bar?”

Os olhares se encontraram e Liam não soube dizer, exatamente, o que ele viu na expressão de Rafael. Era um tipo de sentimento que ele tinha certeza que perdera ao longo do caminho. Esperança, talvez...?

“Parece que a partir de hoje eu virei.”

Notas finais
Liam, Liam... x)