Love comes softly

19 Johan - Capítulo Final


"I can't see me lovin' nobody but you
For all my life"
–Happy Together (The Turtles)

"Eu não me vejo amando ninguém que não seja você
Por toda a minha vida"

Ele fechou o livro de anotações e suspirou, segurando-o com a mão direita e desligando o ar condicionado com a esquerda. Seus olhos ardiam e óculos precisou ser retirado, sendo colocados sobre a mesa dos professores.

Johan estava no seu segundo ano de trabalho. Suas aulas haviam sido transferidas para o período noturno. Ele achava aquele horário muito mais agradável e não se importava em trabalhar a noite. Até porque, normalmente estou sozinho em casa, nesse horário.

Os óculos haviam sido adquiridos no ano passado e Davi riu ao vê-lo com a armação na primeira vez. Ele disse que eu fiquei realmente bonito e que não sabia se ia conseguir se controlar.

A porta foi fechada assim que ele saiu da sala dos professores. O corredor estava bem iluminado, mas seus passos ecoavam por todos os lados. Eu tenho que parar de ficar até tarde na faculdade, corrigindo provas.

"Boa noite, senhor Johan." O segurança que ficava no portão o cumprimentou e sorriu.

"Boa noite, Pedro. Por favor, nada de formalidades." O sorriso saiu fácil enquanto ele entregava as chaves para o homem. "Vai virar a noite hoje ou está esperando a troca de turnos?"

"Hoje eu vou virar a noite." Pedro deu de ombros e guardou as chaves no bolso.

"Mas é véspera de natal. Não deveria passar com a sua família?"

"Eu digo o mesmo para o senh... Você." O segurança riu. "Não deveria estar com a sua família ao invés de estar aqui na faculdade trabalhando?"

"Ah, sabe como é. Alguns alunos ficaram para trás e hoje era a recuperação deles. Acabei ficando até tarde para não precisar lançar notas amanhã. Assim eu passo o fim de ano tranquilo." Johan passou os olhos pela rua. "Mas está frio. Você está usando só esse casaco? Eu vou para casa e posso trazer algo para você."

"O senhor é muito gentil, mas eu estou bem, obrigado." Pedro assentiu com a cabeça. "Além do mais, tem um carro te esperando há duas horas."

Johan ergueu os olhos para o segurança e voltou a procurar pelas ruas.

A viatura de Davi estava estacionada do outro lado, com as janelas abertas. O policial estava recostado ao banco, parecendo extremamente relaxado. Será que ele está dormindo?

"Por que ele não me ligou...?" O homem de cabelos castanhos murmurou, enquanto pegava o celular do bolso.

"Ele me disse que estava esperando você e que não era necessário chamá-lo, por isso não avisei. Eu deveria ter avisado?"

"N-não... Obrigado Pedro, mas não precisava ter avisado. Tem certeza que não quer nada? Eu posso trazer uma garrafa de chá."

"Não se preocupe comigo, já estou acostumado com o frio." O segurança riu e fez um sinal com a cabeça na direção do carro. "Vá logo."

Johan agradeceu várias vezes antes de correr até o carro.

O som estava ligado e Davi sorriu ao vê-lo se aproximar.

"Boa noite. Trabalhou muito?" O volume da música foi diminuído quando o homem de cabelos castanhos se sentou.

"O que você está fazendo aqui essa hora? Por que não me avisou que estava aqui? Por que não está trabalhando?" As perguntas saíram no mesmo instante que Johan jogou os papéis no banco de trás.

"Eu estava te esperando. Não avisei que estava aqui porque sabia que o seu trabalho era importante e que você gostaria de terminá-lo para descansar no ano novo. E não estou trabalhando porque ganhei férias até o fim do ano." Davi sorriu. "Respondi todas as suas perguntas?"

"Férias até o fim do ano?"

Johan lembrava claramente do dia em que Davi chegou em casa anunciando que havia sido promovido e que só trabalharia no turno da noite. A comemoração fora um jantar em um restaurante refinado e, ao retornarem para casa, eles só dormiram depois de se perderem um nos braços do outro.

"Férias até o fim do ano. Podemos aproveitar juntos. Quer viajar para algum lugar?" Davi deu partida no carro e acelerou, saindo do lugar e seguindo o caminho de casa.

"Viajar? E para onde iríamos? Aliás, por que não pegou o Rick e foi para algum lugar, comemorar a véspera de natal?" Johan colocou o cinto de segurança e cruzou os braços. "Eu acho que nós somos o casal mais desestruturado dessa cidade."
Davi gargalhou enquanto parava em um semáforo.

Johan segurou um sorriso também. Essa história de se autodenominar um casal era nova e soava agradável aos seus ouvidos. E eu perdi um pouco da vergonha também. Dois anos juntos muda muita coisa.

"Não somos desestruturados. Somos dois homens que trabalham demais, não se preocupe com coisas pequenas." O carro acelerou de novo. "Eu não saí com o Rick porque seu irmão não deixou."

"Mas ele não manda mais no Rick. Você devia ter saído mesmo assim." Johan deu de ombros.

Fazia um ano que Josh e sua esposa haviam se separado. Lana havia conseguido a guarda do filho e agradeceu Johan incontáveis vezes quando o homem se ofereceu para ajudar a cuidar do garoto. Eu sabia que não demoraria muito até Lana perceber que meu irmão é um idiota. Entretanto, o Rick é meu sobrinho e eu o amo dessa maneira. Não poderia deixá-lo desamparado, só com a mãe.

"Alias, como assim, o meu irmão não deixou? Ele estava na casa da Lana?"

"Sim. Ele queria sair com o Rick também. Como a Lana não deixou, o Josh disse que eu também não poderia, já que eu não tenho nenhum parentesco com eles." Davi suspirou e fez uma curva. "Achei melhor não discutir. Brigar não vai levar a lugar algum."

"Eu vou ir lá amanhã. É natal e eu mereço passar essa data com o meu sobrinho. A Lana provavelmente vai querer sair. Você sabe que ela não é a melhor das mães."

"Eu ainda acho que nós deveríamos adotar o Rick." Davi riu enquanto apertava o controle do portão. "Sério, você não acha que ele ficaria melhor conosco? Nossa casa tem bastante espaço. Além disso, seu pai é nosso vizinho."

Johan havia se mudado para a casa de Davi no começo do ano. Eles chegaram ao acordo de que era mais barato fazer isso, já que vender o apartamento seria mais rápido do que vender uma casa inteira. E ainda temos o bônus de que meu pai mora do lado, ele cuida da casa quando nós não estamos.

"Claro que eu adoraria 'adotar' o Rick. Mas você sabe o que acontece com a minha família. Eles já acham estranho nós estarmos morando juntos. O único que sabe do nosso relacionamento é o meu pai e eu gostaria que permanecesse assim." Johan suspirou e retirou o cinto, descendo do carro. "Minha mãe faria um escândalo quando soubesse e meu irmão ameaçaria nós dois."

"Eu sei. Na verdade, sei que você não se importa se eles descobrirem, mas concordo com você que quanto menos brigas, melhor." O policial colocou a chave na porta e a destrancou. "Vamos mudar de assunto então. Acho que nós merecemos coisas melhores."

"Concordo totalmente."

Assim que a porta se abriu, as luzes se acenderam e confeitos pularam em sua direção. O susto foi substituído por um sorriso quando dois braços envolveram sua cintura em um aperto forte.

"Tio Johan, feliz natal!" A voz de Richard entrou como música em seus ouvidos e ele se abaixou no mesmo instante para pegar o sobrinho no colo.

A mesa da cozinha estava cheia de comidas natalinas e enfeites. Seu pai estava parado em uma das pontas da mesa enquanto Lana se desencostava da pia com um belo sorriso no rosto.

"Eu sabia que você gostaria de passar a ceia com a família, então pedi para eles organizarem as coisas enquanto eu ia buscar você." Johan pode sentir os lábios de Davi encostarem em sua orelha e isso o fez sentir um arrepio na espinha. "Feliz natal, Johan."

O beijo em seus lábios veio logo em seguida, acompanhado por um 'eca' de Richard, Lana e Vinicius.

Os três eram os únicos que sabiam do relacionamento de ambos, embora Richard não entendesse muito bem. Ele só sabe que somos um casal, mas não pergunta nada além disso. E também não entende exatamente o que um casal faz, além de beijos.

"Por favor, não façam essas coisas na nossa frente." Vinicius fez outro barulho de nojo e gargalhou logo em seguida, puxando o filho para um abraço. "Feliz natal, filho. Você tem se cuidado, não né? Não é bom trabalhar até tão tarde."

"Obrigado pai. Eu estou me cuidando." O abraço foi retribuído com força antes de Johan ouvir a voz de Lana.

"Tudo isso por você, hein, Johan?" A mulher o abraçou também, mas logo se afastou. "Você merece muito mais. Obrigada por tudo o que tem feito desde que eu me separei do Josh. Eu não sei o que teria feito sem você."

"Não precisa me agradecer Lana. Somos uma família. Eu que preciso agradecer por você não ter me julgado quando descobriu sobre o meu relacionamento com ele." A palavra 'ele' foi seguida de um menear de cabeça na direção de Davi.

O policial brincava com Richard, jogando-o para cima.

"O amor de vocês é mil vezes mais verdadeiro do que o meu e o de Josh. Ninguém deveria julgá-los." Lana puxou uma cadeira e se sentou. "Vamos comer, Johan. Estávamos te esperando."

"Vamos comer!" O anúncio chegou para todos os convidados da casa.

Logo, todos estavam sentados em volta da mesa, conversando sobre assuntos variados. Richard, agora com cinco anos, contava animadamente como havia sido o fim de ano na escola. Ele está no Jardim, então tudo é novo para ele.

Quando seu pai e Lana estavam ocupados demais, prestando atenção em Richard, Johan sentiu um toque gentil em suas costas. Seus olhos foram direto para a pessoa sentada ao seu lado e ele não pode evitar um sorriso ao constatar que era admirado com carinho. Ele sempre me olha com esses olhos apaixonados. Eu gosto disso.

"Eu espero que você tenha gostado." Davi sussurrou, aproximando-se um pouco mais.

"Pode ter certeza que sim." O homem de cabelos castanhos soltou o garfo e olhou para os visitantes, tendo a certeza de que ainda estavam absortos demais na conversa para não percebê-los. "E o meu irmão? Aquela história que você me contou no carro era verdadeira?"

"Sim. Ele disse mesmo que eu não poderia levar o Rick, mas a Lana brigou com ele."

"Você disse que evitou brigar."

"Eu sim. Ela não." Davi riu e passou a mão nos cabelos de Johan. "Ela cansou de ser usada por ele. Sinto muito em te dizer isso, Johan, mas seu irmão não a amava. Enquanto esperávamos o horário em que eu iria te buscar, ela nos contou que ele só a usava. E depois de um tempo ele começou a traí-la."

"Eu sei... Eu nunca pensei que ele era uma pessoa que trairia a esposa." Johan suspirou.

"Nós nunca pensamos mal de outra pessoas porque achamos que todas podem ter um bom coração." O policial também suspirou e abriu um meio sorriso. "Somos enganados por nós mesmos."

Johan olhou para seu pai, seu sobrinho e sua ex-cunhada. Seus olhos se encheram de carinho e ele sorriu.

"Às vezes nós acertamos. Pode ter certeza disso."

x

No dia seguinte, Johan acordou sendo beijado em todas as partes do rosto. Sua testa, cada um de seus olhos, suas bochechas, seu queixo, seu nariz e, por fim, seus lábios.

"O que é isso?" Ele sorriu enquanto abria os olhos.

"Bom dia." Davi o puxou para um abraço mais apertado. "Esse é o começo do meu presente de natal."

"Espero que você saiba que eu não pretendo ficar o dia todo em cima dessa cama fazendo sexo com você." Johan fechou os olhos e cruzou os braços, ainda deitado, fazendo o policial gargalhar.

"Droga. Esse era o meu Plano A. Vou ter que partir para o Plano B."

"E qual seria o Plano B?"

"Levante-se dessa cama e se arrume. Vamos passar o dia em outra cidade."

"Outra cidade? Não íamos levar o Rick para passear?"

"A Lana disse que quer passar o natal com ele e seu pai disse que nem se atreve a interromper nosso momento a sós, então trate de se arrumar e vamos sair."

"Por que eu sinto que estou sendo levado direto para uma armadilha tramada por todos vocês?"

"Porque é comigo que você está falando. Vamos, ande logo."

Johan suspirou e se levantou, sentindo a camiseta se ajeitar em seu corpo. Virou um habito dormir com as camisetas dele. Não consigo dormir se não estou usando uma e... Não consigo dormir se não estou ao lado dele.

"Eu preciso me arrumar muito?"

"Não. Nós vamos para a praia da cidade ao lado. Vamos agora e voltamos a noite, então não precisa se preocupar."

"Por que a praia?"

"Porque eu quero ir com você até lá. Podemos? Ou você não gosta de praia?"

"Eu não me importo, realmente." Espreguiçando-se e caminhando para sair do quarto, Johan riu. "Passar o natal na praia, nesse frio. Que ótimo."

"Você é muito chato."

"E você me ama."

"Nunca neguei isso."

x

Eles só chegaram à praia depois do meio dia. Como o esperado, o local estava completamente vazio graças ao frio, fazendo Johan sorrir.

"Eu prefiro a praia assim. Vazia. A paisagem fica muito mais bonita." Ele comentou, vendo as imagens passando.

"Eu imaginei que sim. Mas o que eu quero mesmo é te mostrar uma coisa, então não é exatamente aqui que vamos ficar." Davi colocou a mão no bolso do casaco, puxando uma gravata de lá. "Você pode colocar isso nos seus olhos, por favor? Sem espiar nem nada?"

"Como você pede para a pessoa vendar a si mesma? Eu posso trapassear sabia?" Johan riu, pegando a gravata das mãos de Davi.

"Eu confio em você." O policial arqueou uma sobrancelha, olhando rapidamente para Johan, mas logo voltando sua atenção para a estrada.

"Idiota."

"Babaca."

O homem de cabelos castanhos levou a gravata para os olhos, bloqueando sua visão.

"Não faça nada estranho comigo." Johan comentou, enquanto fazia um nó.

Antes que ele pudesse terminar de amarrar o tecido, seu corpo se arrepiou ao sentir o toque de Davi em sua coxa, próximo à sua virilha.

"Davi!"

"Só estou checando se você não está trapaceando!" A risada entrou por seus ouvidos com mais destaque, já que seus olhos não conseguiam ver e isso se tornou extremamente agradável.

"Preste atenção na estrada, idiota."

"Pode deixar, babaca." Davi riu novamente e ficou em silêncio logo em seguida, aumentando o volume da música.

x

O carro só parou de se mover alguns minutos depois. Johan havia contado pelas músicas que passaram, então ele acreditava ter ficado vendado durante dez minutos. E eu e ele não conversamos mais depois disso.

Quando a primeira música estava na metade, Johan sentiu que o carro começou a chacoalhar de um lado para o outro e teve certeza de que eles estavam em um caminho de pedras ou algo parecido.

"Eu vou abrir a porta para você, então não precisa ter medo de cair." A voz de Davi denunciava que ele estava sorrindo e isso fez Johan se sentir um pouco mais amedrontado. Vindo dele, tudo pode acontecer.

A porta ao seu lado foi aberta e Johan sentiu quando o policial o segurou pelo braço, colocando a outra mão em sua panturrilha, mostrando onde ele deveria colocar o pé para descer do carro.

"Aqui. Posso segurar sua mão?" Davi parou de segurá-lo pelo braço e entrelaçou seus dedos, trazendo-o para mais perto.

"Onde você vai me levar?"

"Se não fosse segredo, você não estaria vendado." O policial riu e trancou o carro, começando a andar. "Mas não se preocupe, não estamos longe.

"O que me preocupa não é a distância. É o lugar." Johan quase teve a fala cortada quando pisou em falso em algum lugar e quase caiu. Seu pé havia ficado preso em algum lugar e ele estava se controlando para não retirar aquela gravata dos olhos.

"Eu vou precisar te levar no colo?" Davi debochou do tropeço e segurou Johan pelos dois braços.

"Nem pense nisso. Só me leve logo para o lugar que você tanto quer." O homem de cabelos castanhos riu, levemente nervoso, e continuou a andar.

O lugar não demorou a chegar, mas o caminho havia sido extremamente complicado. Como ele imaginara, o local era cheio de pedras, dificultando a caminhada, fazendo-o andar lentamente.

Davi não o apressou em momento algum, permanecendo ao seu lado, rindo e fazendo comentários bobos. Em dado momento ele até cogitou aceitar ser carregado no colo, mas assim que seu pensamento se concluiu, Johan sentiu um beijo na nuca. Quando questionado sobre o motivo daquela carícia, Davi responder que 'não consigo me controlar te vendo tão vulnerável assim'.

Quando o caminho deixou de ser subida e se tornou algo plano, Johan foi autorizado a parar de andar. Davi se colocou atrás dele, retirando a gravata de seus olhos.
A luz o incomodou no começo, fazendo-o piscar algumas vezes antes de conseguir manter os olhos abertos. Entretanto, a imagem que ele viu faria valer a pena piscar milhares de vezes durante minutos seguidos.

Eles estavam parados em um rochedo, longe da praia. Era mais como se fosse uma caverna de pedras. O local ficava no alto de uma colina, deixando a paisagem tão bela quanto poderia se imaginar.

A água do mar criava onda relativamente pequenas, causando um leve contraste com a calmaria da imagem. Seus olhos estavam cheios com a vista maravilhosa e Johan só percebeu que estava sorrindo quando seus lábios se repuxaram ainda mais ao sentir o braços de Davi envolverem sua cintura.

"Realmente, o lugar, visto daqui, é muito mais bonito." Foi seu primeiro comentário, ao sentir o queixo de Davi se apoiando em seu ombro.

"Sabia que ia gostar. Aqui é o meu lugar preferido." O policial sorriu, apertando o abraço. "Eu adorava vir aqui, para me esconder da minha mãe quando ela começava a brigar comigo e exigir coisas de mim que eu sabia que não conseguia fazer. Na verdade, às vezes acho que era só pirraça de adolescente."

Johan riu ao ouvir aquela resposta e respirou fundo. O ar gelado o agradou e ele encostou o rosto no de Davi.

"Por que você me trouxe aqui?" A pergunta saíra gentil por seus lábios.

"Porque é o meu lugar especial. E eu acho que não havia melhor lugar para te dar isso."

A mão direita de Johan fora finalmente tocada e ele sentiu quando algo morno envolveu seu dedo anelar. Seus olhos verdes voaram diretamente para sua mão, constatando o que ele já suspeitava.

O anel prateado havia se encaixado perfeitamente em seu dedo, deixando sua mão até mais delicada. O brilho estava mais forte por conta do sol, mas isso não o impediu de admirar aquela peça.

"Eu sei que isso é antiquado, mas eu queria te dar isso." Davi comentou, enquanto Johan se perdia em admiração. "Eu gosto de coisas antigas. Gosto de beijar seu rosto, de abrir a porta do carro, de dar flores... Não se surpreenda se um dia eu aparecer em casa com um buquê de flores."

"Você é o homem dos sonhos de qualquer mulher..." Johan comentou, ainda olhando fixamente para o dedo anelar.

"Eu sou o homem dos seus sonhos?"

A pergunta o atingira em cheio, fazendo-o se afastar do abraço e olhar o policial nos olhos. De novo... Eu estou sendo observado por esses olhos que sempre me olham com carinho e paixão.

Um sorriso sincero adornou seus lábios, enquanto seu coração acelerava cada vez mais.

"Você é muito mais do que o homem dos meus sonhos. É o homem da minha vida. Eu preciso me certificar todos os dias de que isso não é um sonho e que você é real e que estamos juntos." As palavras saíram acompanhadas de uma risada nervosa e ele só se calou porque seus lábios foram ocupados por um beijo afoito.

As línguas se entrelaçaram com paixão e o homem de cabelos castanhos soltou um gemido baixo quando fora puxado de encontro ao corpo de Davi. Ele sempre faz isso quando está excitado.

"Aqui não. Estamos de um lugar cheio de pedras. Não me faça realizar suas fantasias estranhas." As palavras saíram sérias e sem pausas para respirar, fazendo Davi rir.

"Prometo que não farei nada até chegarmos ao carro."

"Até chegarmos em casa!" Johan protestou.

"Então é melhor você voltar de carro e eu voltar de ônibus, porque não posso te prometer nada."

O homem de cabelos castanhos suspirou, mas começou a rir logo em seguida, sem conseguir se conter.

"Você deveria ser preso por assédio sexual." Johan comentou, vendo Davi colocar uma aliança no próprio dedo.

"Sinto muito, mas sou eu que prendo ao invés de ser preso." O policial se aproximou de Johan e deixou que suas testas se encostassem. "Obrigado por ficar comigo durante todo esse tempo, Johan. Eu sou muito grato por tê-lo comigo."

"Não tão grato quanto eu, por ter sido você a me achar naquela praça." Johan riu.

"Nem todo mundo encontra o 'par perfeito' em uma praça, quando está completamente bêbado."

"Nem todo mundo se apaixona por quem o empurra no chão e vomita na sua frente." Davi fechou os ollhos e depositou um casto beijo nos lábios de Johan. "Suas imperfeições te deixam perfeito. Eu o amo assim, exatamente como você é."

"Eu provavelmente te amaria, mesmo se você tivesse chulé e suasse demais."

"Provavelmente?" O policial arqueou uma sobrancelha.

"Não posso te dar uma certeza." Johan riu e abraçou o homem à sua frente. "Feliz natal, Davi."

"Feliz natal, Johan. Por favor, continue comigo de agora em diante."

Seus olhos se fecharam e Johan deixou que seus lábios se encontrassem no beijo mais demorado que eles pudessem ter.

"Sempre."

Notas finais
Para quem não me abandonou: meu mais sincero obrigada. Agora que era fim de ano, meus dias ficaram mais corridos, minha saúde ainda não tinha melhorado e eu entrei em um estado bem ruim do meu psicológico. Então não tive ânimo nem forças para escrever. Sinto muito aos meus leitores, vocês não merecem uma autora tão irresponsável quanto eu. Vocês são demais. O fim de Love Comes Softly. Eu amei escrever essa história, que nasceu de uma zoeira e se tornou tão importante. Nada disso teria sido possível sem vocês, então obrigada novamente. O fim da fanfic foi colocada com um especial de natal. Não quis colocar lemon porque achei desnecessário com o Johan e o Davi e espero que concordem comigo. Eles ficaram tão fofinhos assim, no carinho e tudo o mais *.* Enfim! Feliz Natal adiantado. Tudo de bom, felicidades e que vocês sejam tenham muitas realizações. Um Feliz Ano Novo adiantado também hahaha Comam bastante porque fim de ano só serve pra isso! Beijos. Vocês são demais e eu jamais me cansarei de dizer isso! P.S: sinto muito se houver algum erro ortográfico, meu word está bugado :c
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!