“Wherever you are, I always make you smile.
[…]
I don’t need a reason, I just want you, baby.”
–Wherever you are (ONE OK ROCK)

“Onde quer que você esteja, eu sempre faço você sorrir.
[...]
Eu não preciso de um motivo, eu só quero você, amor.”

O relógio em seu pulso marcava onze horas. A escuridão dos céus indicava que estava de noite. As estrelas brilhavam, mas a lua não estava visível em lugar algum.

A temperatura diminuía drasticamente, causando um leve tremor no corpo do rapaz. Cruzando os braços e continuando a caminhar, Johan tinha certeza de que aquele era o fim da linha.

Ele estava cansado. Cansado de ter o seu coração partido por pessoas que não o mereciam. Pessoas que nem ao menos tinham coração.

As palavras de minutos atrás ainda ressoavam em sua cabeça:

“Eu não te amo mais, Johan.”
“Você mudou muito.”
“Eu não me sinto feliz ao seu lado.”
“Estou amando outra pessoa.”
“Adeus.”

O movimento lento e hipnotizante daqueles lábios manchados pelo batom vermelho, só fez com que o término do namoro de oito meses se tornasse pior. Ela era linda, Johan sabia disso, mas ainda acreditava que eles continuariam juntos e que ela ignoraria todo e qualquer homem mais bonito que ele. Sua crença estava errada.

Uma loja entrou em seu campo de visão e Johan se obrigou a parar em frente à vitrine. Estava escuro o suficiente lá dentro para que sua imagem fosse refletida no vidro. Os cabelos castanhos, ligeiramente bagunçados por conta do vento, os olhos verdes e os músculos que se destacavam por conta do fino casaco preto, formavam o corpo de Johan. Eu não sou tão feio assim.

Um breve suspiro escapou de seus lábios e ele continuou a andar.

Seus olhos captaram o começo da praça da cidade, por isso seus passos começaram a acelerar. Seu corpo pedia descanso e sua casa estava longe demais. Eu estou no meu limite.

Johan avistou um pequeno banco de madeira e agradeceu mentalmente pela praça estar vazia.

Seu corpo caiu com um baque surdo no banco e um forte vento fez com que as folhas das árvores balançassem. Está frio.

Colocando a mão direita sobre a barriga e cobrindo o rosto com o braço esquerdo, Johan deixou que seu corpo deslizasse pelo banco, ficando devidamente deitado.

As imagens daquela noite martelavam em sua cabeça. Sua bela ex-namorada o chutara para ficar com seu melhor amigo. Tudo isso na pior festa de formatura de sua vida. Os efeitos do álcool faziam seu estômago revirar e ele se sentia prestes a vomitar. Estou pior que um saco cheio de lixo.

Seu corpo se negava a se mover, então Johan simplesmente permaneceu ali, até que o sono se aliasse aos seus músculos.

X

O cheiro de colônia cítrica fazia sua cabeça latejar e seu estômago voltar a revirar.

Havia uma mão forte o balançando de um lado para o outro e isso foi o suficiente para que Johan pulasse do banco, empurrando quem quer que fosse para o lado e correndo na direção oposta.

Seus olhos encontraram um canteiro de flores, não muito longe, e aquele foi o alvo escolhido para deixar que seu estômago se esvaziasse. Seu corpo se inclinava para frente enquanto o vômito lhe escapava pelos lábios. Que nojo.

Um toque em suas costas chamou sua atenção, mas, antes que Johan pudesse protestar, seu estômago se revirou novamente e ele cobriu a boca com as mãos, ao mesmo tempo em que fechava os olhos. Eu não vou vomitar de novo!

“Está tudo bem rapaz. Segurar só vai fazer as coisas piorarem.” A voz levemente rouca e excessivamente grossa fez Johan se sentir confortado, mesmo que de uma forma estranha.

A mão em suas costas subia e descia, deixando aquela região levemente morna.

O enjôo passara, mas seu corpo continuava tremendo, então Johan permaneceu daquela forma durante alguns minutos.

“Tudo bem? Está se sentindo melhor? Eu posso levá-lo ao hospital se quiser.”

“Eu estou bem.” Sua voz falhara, mas Johan fez o possível para se levantar, recebendo ajuda do desconhecido.

“Então eu vou levá-lo para casa. Me dê seu endereço.”

Os olhos verdes piscaram algumas vezes antes de se acostumarem com a luz do poste. Ainda estava à noite.

Só então ele conseguira distinguir a sombra que o ajudava a permanecer em pé. Um quepe, roupas azuis, um cinto com arma e algemas. Um walkie talkie no peito, próximo a um distintivo. Um policial!

“S-sinto muito, não será necessário!” Johan usou o pouco de força que tinha para se afastar do policial, mas cambaleou no último segundo e acabou sendo segurado novamente.

“Está tudo bem, eu não vou prendê-lo.” O policial sorriu e logo adotou uma expressão séria novamente. “A menos que você tenha matado alguém...?”

“N-não!”

“Então tudo bem.” O sorriso voltou aos lábios do homem. “Mas, caramba, você está realmente bêbado. Se meu parceiro de trabalho o encontrasse, você já estaria algemado.”

“Sinto muito.” Foi sua resposta. Ele ainda estava cansado.

“Noite difícil?”

“O senhor nem imagina o quanto.” Johan sorriu, passando a mão pelos cabelos.

“Veja, até você consegue sorrir.” O policial passou a mão pela cintura de Johan, puxando-o para perto, e o ajudou a chegar até a viatura que estava do outro lado da rua. “Normalmente eu teria que levá-lo até o escritório policial e enchê-lo de perguntas sobre o porquê de você estar bêbado e dormindo em um banco de praça, mas não vou fazer isso.”

“Por quê?”

“Gostei de você.” O policial sorriu enquanto abria a porta do carona. “Não é sempre que um civil tem coragem de empurrar um policial para o lado, só para vomitar.”

A lembrança de ter empurrado alguém voltou à sua memória e Johan sentiu seu rosto se aquecer. Eu empurrei um policial.

“Não era minha intenção.” Ele murmurou quando ambos já estavam dentro do carro.

“Prefiro ser empurrado ao levar vômito nos sapatos, muito obrigado.” O homem retirou o quepe e colocou-o no banco de trás, deixando que seus cabelos negros ficassem à vista. “Então? Onde fica a sua casa?”

“Cinco quadras para frente, direita, duas quadras, prédio da esquina.”

“Oh! Bem objetivo.” O policial deu partida no carro e saiu da vaga. “Aliás, meu nome é Davi. O seu é...?”

“Johan.”

“É um belo nome.” Davi suspirou e abriu um pouco a janela. “Não se preocupe, eu tirei meu quepe.”

“O que?”

“Eu tenho uma brincadeira que é a seguinte: com quepe, policial da mais alta patente. Sem quepe, civil. Nesse caso, estou sem quepe e sou apenas um conhecido te dando carona para casa.” O policial sorriu e parou em um semáforo. “Você está se sentindo melhor?”

“Você é gay?” A pergunta saíra mais rápida do que Johan conseguia controlar e isso o deixara extremamente constrangido. Céus, o que eu estou perguntando?!

Davi soltou uma sonora gargalhada e desligou o informativo policial que anunciava um assalto do outro lado da cidade.

“Você está bêbado. Acho que eu me deixei levar.”

“Sinto muito pela pergunta. É só que... O senhor disse que ‘gostou’ de mim, e o modo como me segurou para me ajudar a levantar me assustou um pouco.” Johan sentia as bochechas quentes e jurou a si mesmo que jamais beberia novamente.

“Sim, Johan. Sou gay. E, por favor, pare com toda essa educação ao falar, já disse que estou sem quepe.”

O carro virou a esquina e Johan já conseguia ver o prédio onde morava. Finalmente!

O relógio do carro marcava pouco mais de meia noite.

Havia um silêncio incomodo no carro, mas Johan pode ver, pelo canto do olho, que Davi continuava sorrindo. Os olhos azuis brilhavam, fixados na rua desertam enquanto as duas mãos seguravam firmemente o volante.

“Estranho não é?” Davi começou. “Saber que o homem ao seu lado gosta de outros homens.”

“Não, é só que...” Johan viu quando o policial arqueou uma sobrancelha inquiridora. “Sim, é estranho. Eu acabei de ser chutado pela minha namorada, bebi até dormir em um banco de praça e tem um policial gay me levando para casa. Sinto muito, mas é estranho.”

“Então foi isso o que aconteceu! Sua namorada terminou com você.” Davi parou o carro em frente ao prédio e, finalmente, virou o olhar para sua companhia. “Agora entendi o motivo de tanta bebedeira.”

Johan suspirou e balançou a cabeça negativamente, passando a mão esquerda nos cabelos e usando a direita para abrir a porta.

“Não se preocupe, sempre haverá outras garotas.” Davi indicou o prédio com a cabeça. “Coma algo de sal e tome dois copos de água antes de dormir. Ajuda na ressaca.”

“Obrigado. Sinto muito pelo incomodo.”

O policial se inclinou para o banco de trás, alcançando o quepe.

“Não se preocupe, sou um ótimo amigo para essas horas. Além disso, sou uma pessoa que respeita a opção sexual dos outros, então não precisa ficar com medo. Não flertei, não estou flertando e não vou flertar com você.” O quepe foi devidamente colocado sobre os cabelos negros e Davi sorriu ao ouvir o som da porta se fechando. “Boa noite, cidadão.”

“Pensando bem, você não parece gay.” Johan estremeceu ao sentir o vento frio da noite.

Davi suspirou e apontou para o quepe. Ah sim. Agora ele é um policial.

“Boa noite, cidadão.” Havia certo divertimento naquelas palavras.

“Boa noite, oficial.”

O carro acelerou e Johan permaneceu na calçada até que fosse impossível ver as luzes da viatura.

A parte mais difícil foi encontrar a fechadura, mas a tarefa foi realizada com sucesso. O rapaz de cabelos castanhos comeu o resto de macarronada – gelada – que sobrara do almoço e virou dois copos de água de uma única vez.

Seu corpo se recusava a se mover, mas sua força de vontade era mais forte e isso foi o suficiente para Johan tomar um banho gelado, mesmo no frio.

Havia dor em todos os seus músculos, então, mesmo com a baixa temperatura, o rapaz se deixou cair sobre a cama, apenas de cueca e com os cabelos molhados.

Antes de ser dominado pelo sono, Johan lembrou dos dois olhos azuis que o encaravam com respeito e da voz de Davi, dizendo que ele não flertaria com Johan.

Um suspiro cruzou seus lábios e seu corpo finalmente começou a relaxar. Me pergunto porque ele não flertaria comigo.

Notas finais
O enredo da fanfic começou com uma brincadeira minha e da minha amiga Isanami (procurem por ela no Nyah! ela tem ótimas histórias).Tenho certeza que, os mais meticulosos, perceberam um certo 'Bruno e Marrone' nessa história AUSHUASHUASHUASMas é só isso. Foi só a base da história, juro. O resto é meu e completamente meu e eu farei valer a pena a todos os meus leitores.Obrigada por chegarem até aqui (;