Love at the End of the Summer
10 Capítulo 10
Na manhã seguinte, Enid não estava mais em minha cama, como de costume. Me arrumo e vou para a cozinha, para o café da manhã, ou almoço. Não sei que horas são, não me culpe! Geralmente, eu fico um pouco atordoado quando acordo. Chegando lá, não há ninguém e nem um sinalzinho qualquer de comida pronta.
— Bom dia, Dylan. — Enid cumprimenta, aparecendo na porta com um belo sorriso.
— Bom dia. — sorrio de volta. — Hey, onde estão todos?
— Ah, eles foram almoçar fora. Depois de uma votação, decidiram que eu ficaria aqui, para te acordar e para você não achar que foi abandonado. E eles vão trazer comida para gente, não se preocupe. — assegura.
— Que bom, estou morto de fome. — reclamo. — Quer assistir à um filme, enquanto esperamos?
— Seria ótimo. — juntos, vamos para a sala, e colocamos Batman Begins para assistirmos. Enid nunca vira o filme, então seria interessante mas, como sou curioso e nunca esqueço nada, não pude segurar a língua:
— Hey, acho que você me deve uma explicação... Ontem você deu a entender que não tem muita fé no nosso relacionamento. — digo.
— Não é isso... — Enid pega o controle remoto e dá pause no filme, para podermos conversar melhor — . É que não sei muito bem o que temos, sabe?! Não sei se podemos dar certo juntos, principalmente por causa da distância. — explica.
— Em primeiro lugar, o que você acha que temos?! — pergunto. — Em segundo lugar, a distância não é um problema, este ano eu termino o ensino médio, aposto que há uma boa faculdade aqui em São Francisco.
— Ou uma amizade colorida, ou uma amizade com benefícios envolvendo sentimentos. — diz, dando de ombros.
— Sei... E qual o problema nisso? Estamos indo bem, podemos namorar.
— Não, não podemos... — ela suspira, olhando para baixo. Afasto-me dela, para encará-la.
— Por que não?! — pergunto, perplexo.
— Há algum tempo atrás, eu tive uma experiência muito, muito ruim, e isto está me afetando até hoje... Não estou pronta para ter um relacionamento saudável com você, agora. — diz, um pouco cabisbaixa. — Assim está ótimo, por que mudar?!
— Porque eu amo você, e quero que o mundo saiba disso. Quero que você seja a minha namorada, a minha garota.
— Eu sei, também quero isso mas, agora eu não posso. — diz, um pouco mais dura.
— Tudo bem, você teve uma experiência ruim no passado. Bem, eu também tive, e você sabe muito bem disso! Isso não está me impedindo de querer namorar você. — digo, exasperado.
— Meu namorado anterior me humilhou, Dylan. Na frente de todos. — explica, com amargura. — Ele era igual à você. Quando algo ruim acontecia com ele, ele saía e ficava com milhares de garotas, como você mesmo fez, quando a Isadora te traiu. — engulo em seco.
— Eu precisava daquilo. — digo, com o maxilar trincado. — Mas não sou como ele, eu não ficaria com alguém apenas por estar triste!
— Precisava mesmo?! Você também precisou deixar a Taylor te beijar?! — diz, com raiva.
— Não, eu nem queria beijá-la! — defendo-me.
— Ah é? E por que não a impediu?! Foi terrível acordar e ver você beijando aquela bêbada maluca! — fico em silêncio, encarando-a. — E sabe o que mais? Jake também nunca se importou em me dar os parabéns, no meu aniversário!!
— E quando eu não dei?! — pergunto, confuso.
— Quando eu te conheci! Você foi na minha festa, mas não se deu o trabalho de me dar um mísero feliz aniversário!
— Enid, isso já faz mais de seis anos! — digo. Isto só pode ser piada. Como ela se lembra disso?!
— Eu sei, mas eu nunca esqueci e nunca vou esquecer as coisas ruins que já fizeram comigo! Eu era uma criança, eu chorei a noite inteira! — diz, com os olhos marejados.
— Eu era uma criança idiota! Não pode me culpar!
— Mas eu culpo. — ela morde o lábio inferior, controlando seu choro. — E te culpo por ter ficado com cada uma daquelas garotas, porque acredite, eu vi tudo, e não foi bonito. — diz.
— Me perdoe, então! Eu não gostava de você quando fiz aquilo, e não sabia que você estava a fim de mim. Eu estava magoado, era o meu prêmio de consolação. — explico.
— Guarde suas desculpas para si, Dylan. — ela sorri, tristemente. — Você não percebeu o seu erro sem que eu disesse, então elas são inválidas para mim.
— Enid, eu não fiz por mal... — digo, extremamente arrependido.
— Eu sei que não. Mas machucou. — ela se levanta, devagar. — Eu já passei por muita coisa na vida, Dylan, e se tem uma coisa que eu aprendi, é que pessoas como você não valem o esforço. — diz, com a voz falha.
— O que quer dizer com isso?! — pergunto, desesperado com o rumo que aquela conversa tomou.
— Que tudo está acabado. A nossa amizade, e a nossa "relação". Eu vou demorar para superar, mas vai passar. Sugiro que faça o mesmo. É melhor assim. Quem sabe um dia possamos voltar a ser amigos. — diz, e antes que pudesse ir embora, eu a chamo.
— Enid, eu prometo de todo o meu coração, que nunca mais magoarei você. Nunca mais farei algo que te deixe triste, eu... Eu não quero que tudo acabe. Você é o meu primeiro amor, e é a pessoa que mais amo nesta vida!! — digo.
— Eu sei. Jake também me fez a mesma promessa depois de ter me traído, e eu fui burra o suficiente para acreditar. — ela ri, sem humor. — Entenda uma coisa, Dylan. Eu não tenho fé na humanidade, e não cometo erros duas vezes. — Enid sai da sala, me deixando arrasado e confuso. A ficha ainda não caiu.
Bem, foi assim que tudo acabou. Decepcionante, não é? Eu sei. Algumas vezes eu pensei em como o nosso relacionamento acabaria, e a única coisa que vinha à minha cabeça era a morte. Eu achava que o nosso amor era forte o suficiente para acabar apenas quando morrêssemos. E eu juro, juro que fui até o seu quarto várias e várias vezes, liguei, mandei mensagens e bilhetinhos, até pedi para a April falar com ela, e mesmo assim, Enid nunca mudou de ideia. Ela era civilizada, leu tudo, me escutou, mas realmente, quando algo entrava em sua cabeça, nada poderia tirar de lá. Eu fiquei triste por meses. Meu coração nunca voltara a ser o mesmo, e a culpa era dela. Não a culpo completamente, mas com certeza a culpa era dela. Os anos se passaram, e eu consegui superar; eu estava perfeitamente bem. Segui a minha vida, comecei a cursar a faculdade de medicina, estava feliz, e também estava pronto para tentar voltar a amizade com ela. Até que uma carta da April chegou à minha porta, com notícias péssimas. Enid sofrera um terrível acidente doméstico, sua casa pegara fogo e ela não conseguiu escapar. Novamente, eu estava despedaçado, e dessa vez demorou muito mais para eu me recuperar. O meu vazio estava de volta, e ele permaneceu por anos.
— Tio Dylan, eu só pedi para você me ajudar com o trabalho, não para você me contar a história mais triste que já ouvi. — Thaís diz, começando a chorar.
— Desculpe, eu me empolguei. — abraço a minha pequena "sobrinha", numa tentativa falha de fazê-la parar de chorar.
— E aí, filha, conseguiu a ajuda para o seu trabalho da escola? — April diz, entrando na sala. — Dylan, seu infeliz, o que você fez com a minha filha?! Por que ela está chorando, seu monstro?! — pergunta, depois de ver sua filha chorando desesperadamente.
— Eu contei a minha história com a Enid. — explico, sorrindo tristemente.
— Parabéns, você traumatizou a minha filha! — diz, com raiva. — Vem aqui, Thaís! — ele sai dos meus braços e vai para os da mãe.
— O que aconteceu aqui? — Harry, o marido da April chega, preocupado. Sim, a April se casou, também.
— Nada, amor. — ela tenta um sorriso. — Você pode levar a Thaís para tomar um ar? Tenho que ter uma conversa séria com o Dylan. — ela pede, mas sua voz era de quem estava ordenando.
— Claro. — ele pega a criança e a leva dali, sem reclamar.
— Eu não fiz nada demais! — defendo-me, levantando as mãos.
— Eu espero que você tenha ocultado os detalhes sórdidos, meu caro, porque minha filha só tem cinco anos, e eu quero que ela tenha uma infância normal! — diz, trincando os dentes. — Esta não é uma história para crianças!!
— Eu sei, e é claro que eu ocultei os detalhes mais sórdidos, ela nunca saberá que eu transei com a Enid um monte de vezes. — digo, sorrindo. Sim, digamos que o que você leu em itálico foi uma versão light e resumida do que realmente aconteceu. E tudo bem, tivemos uma pequena recaída quatro anos após o término, confesso.
— Dá para você falar baixo?! — diz, repreendendo-me, mas depois sorri, sentando-me ao meu lado. — Vocês eram terríveis, sabia? Não me contaram nada, e ainda mentiram para mim. Eu era inocemte.
— Você ia surtar e pegar no nosso pé se soubesse, então me desculpe! — rimos, e ela concorda.
— Sinto a falta dela. — diz, deitando-se no meu ombro.
— É, eu também... Mas não me arrependo de nada. — sorrio, lembrando-me vagamente de tudo pelo o que passamos.
— Eu, no seu lugar, também não me arrependeria. Enid era maravilhosa, fofa, bem-humorada, gentil...
— Ela ainda é. Apenas o seu físico se foi, agora ela está em algum lugar no céu, levando alegria às estrelas... — digo, beijando o dedo indicador e o médio, apontando para o alto em seguida.
— Tenho certeza que sim... — April sorri. — E não apenas por isso. Seus filhos são incríveis, Dylan.
— Obrigado. — sinto as lágrimas enchendo os meus olhos, e levanto-me. — Estou com saudade deles, com licença. — digo e saio pela casa, à procura deles, e os encontro no quintal, brincando. — Ei, crianças, venham aqui! — chamo, sorrindo, e me agacho para falar com eles, quando eles chegam.
— O que foi, pai? — Everest pergunta, curioso. E para sanar suas dúvidas, vou explicar: eu e a Enid terminamos, mas quatro anos depois tivemos uma recaída, quando nos encontramos novamente na casa da April, e ela engravidou de gêmeos, mas ela e nem ninguém me contou nada; só fiquei sabendo da existência deles três anos e meio depois, quando ela morreu, e a guarda deles passou para mim. Foi uma surpresa assustadora, eu não sabia o que fazer, e nem como reagir, então entrei em pânico, e os deixei por dois dias na casa da April; para compensar, cuidei deles o melhor que eu pude, e me saí muito bem, modéstia à parte. Foi difícil, mas com o tempo me acostumei. Ah, e não pense que Enid foi uma idiota por não me contar, ela teve seus motivos.
— Como está a festa? — pergunto. Hoje é o aniversário de sete anos dos meus pequenos, e a minha casa nunca esteve tão cheia de crianças. Aprendi que à medida que elas crescem seus amigos se acumulam.
— Por que você está chorando? — Dakota, minha linda menina de cabelos ruivos pergunta, limpando as minhas lágrimas.
— É só saudade, não se preocupe. — sorrio, fazendo carinho em sua bochecha.
— Da mamãe? — assinto. — Não chore porque acabou, papai, sorria porque aconteceu. — ela sorri.
É, a vida é assim. As coisas nem sempre acabam como planejamos, muitas coisas dão errado; mas isso não significa que nunca darão certo. O mundo pode dar várias e várias reviravoltas, e isso só depende de você. Aproveite a sua vida, mas lembre-se, você não sabe quem pode estar se ferindo por causa de suas atitudes. Não perca tempo com coisas que você acha que vão acontecer ou não vão durar muito mais, se você quer, então faça acontecer no agora, não espere alguém tomar uma atitude em seu lugar; não espere o mundo te dar um choque de realidade para você começar a fazer algo. Viva o seu futuro, no seu presente.
Fim.
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