Love at the End of the Summer
8 Capítulo 8
Já fazem quatro dias desde o meu quase-beijo com a Enid, e eu tenho me esforçado muito para parecer calmo e indiferente, mas tem sido muito difícil. Por que ela tinha que ser tão atraente?!
— Dylan, está a fim de ir numa festa? — April pergunta, aparecendo magicamente na porta do meu quarto.
— É, pode ser. — respondo, desanimado. Eu não estava disposto à ir, mas até que seria divertido.
— Ótimo! Sairemos em duas horas, e você é o nosso motorista particular. — ela mandou-me uma piscadela e saiu. Levantei-me e fui para a cozinha, e encontrei a minha avó e a Enid.
— Olá. Estou fazendo panquecas, você quer? — ela pergunta, sorrindo.
— Seria ótimo, vovó. Obrigado. — agradeço, sentando-me à mesa. — Oi, Enid. — cumprimento-a.
— Oi! — ela responde, e senta-se ao meu lado, com um prato cheio de pedacinhos de melancia.
— Eu nunca vou entender sua paixão por frutas. — sorrio, balançando a cabeça.
— Frutas são deliciosas, então apenas cale-se e aceite. — diz, colocando um cubinho na boca. Minha avó concorda com Enid depois e coloca um prato com panquecas na minha frente.
— Faça bom proveito. — diz, saindo da cozinha. Eu achei que a situação seria constrangedora, mas foi muito pelo contrário. Brincamos um pouco, mas no restante do tempo apenas comemos em silêncio. Eu ignorei os meus sentimentos completamente, dando atenção apenas à aquelas maravilhosas panquecas com chocolate e chantilly, e não à linda garota ao meu lado.
— Às vezes eu me impressiono com você. — Enid ri, limpando a boca e os dedos num guardanapo. — Como você consegue comer tanto, e continuar tendo este corpo?!
— Eu não sei. — sorrio, voltando a comer.
— Bom, eu vou me arrumar para a festa. Quem sabe o que pode acontecer lá, não é? — ela se levanta, deixa o prato na pia e sai da cozinha, deixando-me sozinho. O que ela quis dizer com isso?
[...]
— Dylan, estamos atrasados! — April reclama, batendo na porta. Elas já estavam prontas, mas eu não; estava me arrumando para impressionar.
— Já vou, mulher! — digo, rindo. Passo perfume e finalmente saio do quarto, me deparando com duas adolescentes raivosas, que logo mudaram a expressão quando me viram.
— É, roupas fazem milagres, mesmo. Você está lindo. Você realmente conseguiu deixar de lado seu estilo 'mendigo' e desleixado, para se tornar... Isso. — April diz, impressionada.
— Obrigado. Vocês também estão lindas. — digo, olhando para a roupa de cada uma. April estava usando jeans, uma camisa com um decote enorme e um casaquinho, já Enid estava usando shorts, meia-calça, uma bota de salto alto e uma regata preta curtíssima. Definitivamente ela tem problema com os pais.
— Vamos, eu não quero perder essa festa. — Enid diz, dando as costas para nós. Seguimos ela e logo estávamos no carro, indo para a festa. Não estou criando muitas expectativas, mas espero que a Enid tenha gostado da minha produção, e reconsidere ficar comigo; se isso não acontecer, terão outras garotas lá para eu 'descontar' a minha tristeza. Não vou mentir, realmente voltei a gostar dela, mas se ela não gostar de mim, vou seguir em frente, é o melhor que posso fazer por mim mesmo. Quando chegamos na tal festa, que era numa casa enorme, April e Enid não paravam de comemorar.
— Isto será incrível! — April diz, dando um pulinho. — Olha, é o Adam e o Ezeckiel! — ela aponta para os dois, que saíam de um carro próximo. — Gente, estamos aqui!!!
— Nós vimos, April. Sua maluquinha. — Ezeckiel ri. — Como vocês estão, pessoal?
— Não podíamos estar melhor! — April responde, rindo. — Esta festa será simplesmente demais! Tenho que agradecer à Taylor, depois. Ela que conseguiu fazer com que nos convidassem. — ela explica.
— E onde ela está? — Adam pergunta, confuso.
— Possivelmente, lá dentro. — responde, dando de ombros. — Aquela loirinha não é brincadeira, deve ter sido uma das primeiras a chegar.
— Não tenho dúvidas. E você, Enid? Animada? — Ezeckiel pergunta, sorrindo. Aquilo me deixou com ciúmes, confesso.
— Sim, muito!
— Que ótimo. Vamos? — ele estendeu o braço para ela, que aceitou, e os dois foram juntos em direção à entrada, seguidos pela April.
— Esta festa vai ser um saco. — Adam disse, colocando as mãos no bolso da calça. — Eles vão ficar terrivelmente bêbados, e vai sobrar para nós.
— É, tenho certeza disso. — concordo, começando a andar. — Já beijou a April? — pergunto.
— Ainda lembra disso? — ele resmunga. Assinto, e ele revira os olhos. — Você ainda me deve um hambúrguer! — avisa, para depois sair correndo e alcançar a April. Ele falou alguma coisa, e no momento seguinte, os dois estavam se beijando como dois tarados. É, o baixinho se garante.
— Feliz? — ele pergunta, depois de me alcançar na entrada da festa.
— Foi emocionante e nojento. Você é corajoso. — brinco.
— Eu tenho que parar de aceitar estes malditos desafios. — ele diz, bufando.
— Ah, eu sei que no fundo você gosta. — sorrio, brincando. — Vem, vamos fazer essa festa ficar um pouco mais divertida.
Quando disse isso, não imaginei que seria tecnicamente possível. A festa estava muito divertida, mas Adam conseguiu melhorá-la em níveis absurdos. De acordo com ele, quando não estava estudando ou jogando, ele trabalhava como DJ. Nós dois expulsamos o DJ que estava tocando e Adam entrou em seu lugar, e puxa, ele era muito bom.
— Dylan, eu preciso de um energético, você pode comprar um para mim? — ele pede, entregando-me algumas notas rapidamente. Abro caminho entre as pessoas e chego no bar improvisado.
— Você tem algum energético? — pergunto para o cara atrás do balcão.
— Temos Red Bull.
— Ótimo, me vê uma Coca-Cola também. — entrego-lhe as notas e ele me dá as duas latas. O Adam não vai conseguir pregar os olhos, hoje. Quando estava voltando, vejo Enid e Ezeckiel dançando juntos, e eu quase surtei. Segurei as latas com mais firmeza, para não deixá-las cair, e voltei para o canto onde Adam estava tocando as músicas.
— Obrigado. — ele agradece, sorrindo. — Tem um canudo ai?
— Não. Se vira. — respondo, grosso, entregando-lhe as latas. Adam fala alguma coisa com o homem ao seu lado, e o DJ anterior ocupa seu lugar novamente.
— Ei, o que aconteceu? — ele pergunta, sentando-se no chão, afastando os cabos. Sento-me com ele e cruzo os braços.
— Nada.
— Bom, nada não é. — diz, abrindo as duas latas, e misturando os líquidos. — Ah, eu amo essa mistura! — ele as abraça, depois de tomar um grande gole. — Como você adivinhou?
— Não sei, intuição. — respondo. A música que estava tocando era um rock, o que combinava perfeitamente com o meu estado de espírito.
— Dylan, te conheço há menos de uma semana, mas sei do que você precisa. — olho, para ele. Adam toma mais cinco goles de sua mistura energética e depois diz: — Você precisa de uma bebida.
— Eu odeio álcool. — resmungo.
— Bebida refere-se à qualquer líquido, então não se confunda. — explica. — Sabe, quando eu estou com raiva, costumo tomar três latas de energético, sempre funciona. Depois, passo o dia inteiro no computador, descontando a minha raiva no GTA.
— Parece ser ótimo.
— Anda, fala o que está te incomodando. — ele toma um gole do refrigerante.
— A Enid está dançando com o Ezeckiel. — digo, com raiva. — E ela está usando aquela roupa, todos devem estar olhando para ela! — Adam ri, balançando a cabeça.
— Achei que vocês fossem apenas amigos, de acordo com a April.
— E somos! Mas eu gosto dela... — digo, cansado daquilo.
— Olha, vou te dar um conselho de amigo. — ele coloca uma das latinhas no chão e toca o meu ombro, olhando-me fixamente. Estranhamente, suas pupilas estavam muito dilatadas, o que me fez ficar com um pouco de medo. — Beba essa mistura dos deuses, e vá falar com ela. O Ezeckiel não é agressivo, então chute o traseiro dele e o expulse de perto da sua garota.
— Está certo. — pego as latinhas e tomo um gole de cada, saboreando os gostos. Era horrível e fantástico. — Nossa.
— Bom, não é? — ele ri. — Vou tocar uma música para vocês, agora vá atrás dela. — Adam se levanta e eu também. Passo por entre a multidão e encontro a Enid dançando sozinha, e nenhum sinal do Ezeckiel.
— Enid! — sorrio.
— O que faz aqui? Tem um monte de garotas por aí implorando a sua atenção. — diz, sorrindo.
— Eu sei, sou irresistível, mas quero dançar com você. — digo, acompanhando seus passos. Eu não conhecia a música que estava tocando, o que tornou a situação cômica. Nós dávamos risadas a cada passo, e aquilo foi divertido.
— Olá pessoal, eu sou o Adam, o DJ substituto! — a música para e todos olhamos para a direção oposta, de onde a voz vinha. — Provavelmente vocês são um bando de adolescentes sem futuro algum, que tentam preencher o vazio da vida de vocês com bebidas, drogas e até algo mais. — ele diz, e eu dou risada. O que ele pensa que está fazendo?! — Mas eu sei que no fundo vocês só querem ser amados, então... esta música é para vocês!! — e assim, a música First Date começou a tocar.
— Adam é maluco. — Enid diz, rindo. — Você ainda quer dançar comigo?
— Seria muito bom. — sorrio. Nossos passos eram mais animados que a música anterior, e podíamos interagir mais, também; uma vez eu outra eu pegava a sua mão, e até a girava. Eu fingia que estava cantando, imitando a guitarra e fazendo corações com as mãos, o que a fazia rir quase que o tempo todo. Quando a música chegou ao fim, peguei a mão da Enid e a levei para longe daquelas pessoas.
— O que estamos fazendo aqui? — ela pergunta, quando chegamos num canto bem afastado.
— Enid, eu gosto muito de você. — digo, confiante, mas tremendo por dentro. — Tudo bem, eu te amo. — sorrio, para descontrair.
— Oi?! — pergunta, incrédula.
— É verdade! Nem sei quando começou... Só aconteceu. — dou de ombros.
— Dylan, eu vou te matar. — diz, com raiva.
— Por que?! O que eu fiz de errado?! — pergunto, com medo da sua resposta. Droga, tudo estava indo muito bem até agora.
— Eu me vesti igual à uma piranha só para você me notar, para ver se eu tinha alguma chance com você, e agora você vem dizer que me ama?! — ela ri, descrente do que estava acontecendo. — Eu não consigo acreditar!
— Bom, estou sendo sincero. Acho que até vestida de freira eu ainda me apaixonaria por você. — sorrio, aproximando-me dela, segurando seu rosto com as mãos.
— Quando eu ia te beijar, naquele dia, por que você não foi atrás de mim? — pergunta, olhando no fundo dos meus olhos.
— Eu estava assustado, e surpreso. — digo, sério. — Tudo bem, morrendo de medo. — rimos, juntos.
— E você está com medo, agora? — Enid pergunta, com o tom de voz mais baixo, olhando para a minha boca.
— Nem um pouco. — digo, e beijo-a. Seus lábios eram macios como eu havia imaginado... Bom, não sei como posso narrar este beijo, mas posso garantir que foi fantástico.
E esta é a história de como foi o nosso primeiro beijo; numa festa, ao som de Accidentally in Love. Foi mágico, romântico, e etc. Depois disso, eu e Enid não poderíamos estar mais felizes. Foram muitos, e muitos dias de momentos como esse, e não fique decepcionado comigo, vou contar detalhadamente como foram, é só esperar. Eu estava loucamente apaixonado por aquela garota, e nada poderia me fazer mudar de ideia, estava tudo perfeito.
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