— Olá, pessoal. — April diz, entrando em casa. Eu e Enid estávamos vendo tevê desde o início do dia, e já estávamos bem entediados. — Estes são Adam, Ezeckiel e Taylor, meus amigos da escola. — olhamos para trás e vimos um garoto baixo e magro, um alto e forte, e uma garota. — Estes são Dylan e Enid. Primo e melhor amiga. Venham, vamos sair.

— Aonde vamos?! — Enid perguntou por mim.

— Sei lá, só andar por aí. — ela dá de ombros. — Anda, levantem-se daí, antes que vocês se tornem parte desse sofá. — fizemos o que ela mandou, e fomos todos caminhar pelas ruas, sem rumo.

— O que você acha deles? — Enid pergunta, perto do meu ouvido.

— Não sei. Talvez loucos, por aguentarem e gostarem da April. Você vai gostar deles. — ela coloca a mão na frente da boca, abafando o riso.

— Espero que seja verdade. — comenta, sorrindo. De repente, Taylor sai de perto dos outros e vem até nós dois.

— Oi, eu sou a Taylor. — ela nos cumprimenta, apresentando-se. — Enid, você pode vir aqui, por favor? — pergunta, já puxando-a pela mão. Sorrio e continuo andando, com as mãos nos bolsos. Alguns minutos depois, chegamos em frente à uma casa, e Ezeckiel nos obrigou a entrar.

— O.k humanos, o motivo para eu ter reunido vocês aqui, é porque estas férias estão muito chatas, então vamos torná-las mais divertidas. — April diz, e Ezeckiel mostra duas garrafas de vodca.

— Vamos jogar. — ele diz.

— E se eu não quiser participar? — pergunto, cruzando os braços. Não gosto de joguinhos desse tipo, onde você bebe até cair se não cumprir os desafios impostos. Eu acho ridículo.

— Então perca a diversão. Sobra mais bebida para nós. — Ezeckiel diz, simplesmente. — Vamos, façam uma roda.

— Desculpa, pessoal. Eu estou com o Dylan nessa, não quero jogar este jogo estúpido de novo. — o garoto magro diz, juntando-se à mim. Olho para ele rapidamente. — Sou Adam. — ele cumprimenta.

— Vocês são muito idiotas. — April ri, balançando a cabeça. Eu discordo completamente, mas não vou discutir com ela.

— Você vai jogar também, Enid? — pergunto, surpreso.

— Vou, vai ser divertido. — diz, sem me olhar. Reviro os olhos e sento-me no sofá, junto com Adam.

— Por que você não vai jogar? Conheço muitos garotos como você que dariam tudo para poder fazer isso. — Adam pergunta.

— Não sou como eles. — defendo-me. — Só acho que jogos assim não deveriam ser jogados. Muitas coisas ruins podem acontecer.

— Experiência ruim? Acredite, eu também. Da última vez que joguei, lembro-me que em um momento estava bebendo, depois, conversando com a loira atraente da minha turma, e quando percebi, estava dentro de um latão de lixo. Foi muito divertido. — diz, ironicamente, e nós rimos de sua desgraça.

— Não, eu nunca joguei, mas sei como funciona, e tenho amor pela minha vida, e pela minha saúde. — digo, observando Taylor tomar a sua primeira dose.

— Entendi. — ele sorri. — De onde você é, hein?!

— Chicago. Lá é um lugar fantástico.

— Imagino. Eu estou preso em São Francisco desde os dez anos, não vejo a hora de sair daqui. — diz, um pouco irritado. — Eu odeio o calor, queria me mudar para o Alasca.

— O calor não é tão ruim. — sorrio. — Eu adoro, porque posso nadar, andar por aí sem camisa, e etc, ou seja, a vida é bela.

— Discordo, mas não vou discutir. — diz, simplesmente. — Aposto que a Taylor será a que ficará mais bêbada, e você?

— Eu não sei... Vou apostar na Enid. — espero que ela não tenha bebido muito na vida, perder essa aposta seria frustrante.

— Está certo, então. Se eu ganhar, beijo a Taylor, e se você ganhar, beija a Enid. Elas não vão nem se lembrar. — diz, baixinho.

— O.k. — digo, escondendo a minha vergonha. Nunca me imaginei beijando-a, mas agora que Adam disse... Isso me deixa ansioso e assustado.

— Se você perder, terá de pagar um hambúrguer com refrigerante e fritas para mim. — ele diz.

Tudo bem... Se você perder, vai ter que beijar a April.

— Eu fui legal com você, cara! — diz, rindo.

— Ah, eu também. Por um momento, pensei que talvez você pudesse estar com saudade da sua velha amiga, a lixeira. — sorrio, de forma maldosa.

— Tudo bem, não seria a primeira vez. — ele dá de ombros. Faço uma cara assustada e surpresa. — O que é? Não significou nada para mim, e foi apenas outro desafio que cumpri por causa desse jogo. Eu não me importei naquela época, e também não me importarei agora.

— Nossa! — digo, ainda mais surpreso.

— Eu sou assexuado. — comenta, do nada.

— Ahn?!

— Não me interesso por nenhum dos sexos, eu simplesmente sou feliz e vivo a minha vida. — explica. — E para ser sincero, nunca me apaixonei, e vivo muito bem assim.

— Ah, como eu gostaria de ser assim. — comento, pensando em quando gostava da Enid, e algumas meninas à mais, como a Isadora. Ficamos observando o jogo em silêncio, e mais e mais a minha opinião se tornava realidade. Este jogo é idiota. A primeira garrafa já estava no fim, e as meninas estavam bêbadas.

— Logo logo saberemos quem ganhou a aposta. — Adam diz, sorrindo. Engulo em seco e continuo assistindo. De repente, os quatro olharam para mim, e Taylor se levantou, vindo até mim.

— Dylan, eu tenho que beijar você. — ela ri, sentando-se ao meu lado, colocando suas pernas em cima das minhas.

— Tchau, gente. Não vou segurar vela. — Adam se levanta e some num dos corredores.

— Posso te beijar? — pergunta, fechando os olhos e segurando a minha camiseta. Quando ia responder, ela começou a rir e se deitou no meu ombro, apagando completamente.

— Alguém pode me explicar o por que de eu ter sido adicionado nesta brincadeira? — pergunto, encarando-os.

— Uma pessoa que está jogando pode cumprir um desafio que seja relacionado à alguém de fora. São as regras. — Adam explica, e depois toma um gole da sua latinha de energético.

— Esta é a terceira vez que a desafiamos a fazer isso. Taylor é uma medrosa. — Ezeckiel ri. — Perdemos um soldado, meninas, mas a farra continua.

— Eu estou passando mal. — Enid coloca a mão na barriga. — Onde fica o banheiro? — pergunta. Ezeckiel dá as instruções e ela sai correndo dali.

— Agora somos só nós dois, grandão. Vamos acabar logo com isso. — April diz, girando a garrafa.

— É, ninguém vai levar o prêmio para casa. — Adam lamenta, sentando-se numa poltrona.

— Eu sei que você estava louco para beijar a Taylor, mas é bom mesmo que nós tenhamos perdido. — ele ri e deixa o energético de lado.

— Talvez. — comenta, sem olhar para mim. Alguns minutos depois, Enid aparece, com uma careta. Ela se senta do meu outro lado, e assim como Taylor, deita-se no meu ombro.

— Dylan, você é um garoto de sorte. — Adam ri, apontando para as duas meninas bêbadas e sonolentas deitadas ao meu lado.

— Ah, cala a boca.— rimos, juntos, e do nada Taylor colocou o indicador na frente dos meus lábios.

— Fala mais baixo, princesa... Eu ainda quero dormir. — Adam ri mais ainda, e eu tento controlar a minha risada, inutilmente.

— Eu já disse que amo você? — Enid sussurra no meu ouvido.

— Você está muito bêbada, isso sim! — digo, sorrindo. Ela sorri e murmura alguma coisa, que não consegui distinguir muito bem o que era.

Uma coisa que eu aprendi nestes vinte e nove anos de vida, é que se um bêbado diz algo à você, você deve acreditar. A bebida nos faz ter coragem para fazer coisas que certamente não faríamos sóbrios. Enid foi sincera quando disse que me amava, mas eu só descobri muito tempo depois. Ah, e não se preocupem, neste dia eu cometi meu terceiro erro. Quando Taylor acordou, ela me beijou, e eu não fiz nada para impedi-la. Continuando a história...

Enid, posso falar com você? — pergunto, entrando em seu quarto. April havia saído há algum tempo, então esta seria a hora perfeita para conversarmos.

— Claro. — ela sorri. Fecho a porta atrás de mim e sento-me na cama da April, ficando de frente para ela.

— Há algum tempo, eu venho tendo a impressão de que você tem me evitado, e até a tia Laura percebeu, mesmo não estando sempre por perto. Posso saber o por quê? — pergunto, seriamente.

— Não estou te evitando!

— Está, sim. Por favor, diga o porquê. — peço, suavizando a expressão.

— Para as coisas não ficarem estranhas entre nós... — ela diz, respirando fundo.

— E por que ficariam?

— Você sabe o por quê! — ela se levanta e começa a andar de um lado para o outro. — Quando nós fomos para a casa do Ezeckiel, naquele dia, eu te disse algo constrangedor.

— Que você me ama? — pergunto. — Enid, você estava bêbada, eu nem levei à sério! Muitos bêbados saem por aí falando que amam as pessoas.

— Mesmo? — perguntou, parando à minha frente. Ela parecia... Decepcionada?!

— Sim, e além do mais, somos amigos, então eu também gosto de você. Ou até te amo, sei lá. — dou de ombros, mudando o olhar de direção, e as minhas bochechas ficam levemente rosadas. Droga, isso não acontecia há muito tempo.

— Já te disseram que você fica extremamente fofo quando está com vergonha? — ela ri, sentando-se ao meu lado.

— Era só isso, então? Estamos resolvidos? — pergunto, mudando de assunto. Ela me acha fofo?!

— Sim. Desculpe por ter te evitado, foi besteira. — ela diz, com um sorriso arrependido.

— Está tudo bem. — sorrio. — Enid, para livrar a sua barra, e deixar a balança da vergonha equilibrada, confesso que quando nos conhecemos, eu me apaixonei por você no mesmo instante que te vi. — digo. Eu nem sei o que estou fazendo! Enid sorri e olha para outro lado.

— Isso é muito legal e fofo da sua parte. Eu precisava disso.

— E mais uma coisa... — passo o braço por seus ombros, faço ela encostar a cabeça no meu peito e começo a fazer cafuné, como ela fez comigo. Eu tinha uma dívida para com ela, e este era o momento certo para recompensá-la.

— Obrigada. — ela suspira e me abraça. Depois de ficarmos assim por mais ou menos vinte minutos, eu me canso, e ficamos apenas conversando.

— A Isadora era legal?... — ela pergunta, de repente.

— Sim. — respondo, um pouco triste. — Sinceramente, não sinto mais a falta dela. Estou bem melhor sem ela. Estou livre.

— Que bom... — comenta, deixando as palavras ao vento.

— Bom, vou deixar você fazer o que seja lá o que estava fazendo, e vou para o meu quarto. — sorrio e me levanto. Quando estou prestes a sair, Enid se levanta, correndo, e vem até mim.

— Espera... — ela se aproxima, coloca as mãos no meu rosto e se inclina para me beijar, mas quando nossos lábios iam se tocar, ela desiste. — Deixa para lá... — ela sorri, tristemente, e passa o indicador pelos meus lábios. — Me desculpe. — ela volta para a sua cama, e eu saio de seu quarto, com o coração batendo à mil por hora.

— Enid ia me beijar. Ela quis me beijar. Eu estou passando mal. — digo, depois que já estava em segurança, no meu quarto. Sinto minhas bochechas esquentarem e olho-me no espelho. Eu parecia um tomate ambulante. Sinto uma falta de ar repentina, e começo a respirar devagar, com a boca e com o nariz. — Droga Enid, como você consegue me deixar assim? — afasto meus pensamentos e vou para o banheiro, para tomar um bom banho. É o que eu mais preciso, agora.