Love at the End of the Summer
5 Capítulo 5
O dia seguinte chegou, e April e Enid finalmente tiveram a tal conversa, que ocorreu muito bem; ela acabou com um longo abraço, pedidos de desculpas e lágrimas. Muitas lágrimas. Achei aquela situação muito dramática, mas fiquei feliz e orgulhoso pelas duas, apesar de tudo. O perdão é muito importante, e na minha opinião, não há nada melhor que perdoar alguém; é aliviante, e eu sinto que um peso sai das minhas costas. As pessoas deveriam aderir a sugestão. Bem, depois do clima de euforia entre as duas, deixei-as conversando sobre as novidades e fui para o meu quarto, ligar para a Isadora. Em dois toques ela atendeu:
— Dylan, como eu queria ouvir a sua voz! — ela exclama, do outro lado da linha. Sorrio com toda a sua empolgação.
— Imagino! Também queria ouvir a sua, ela soa como a minha música favorita da Playlist. — ela ri.
— Então, na sua cabeça estou cantando "My Humps"?
— Talvez. — rimos, juntos. — O que você tem feito de bom, Isa? Me conte tudo, quero passar o dia inteiro com a sua voz na minha cabeça. — peço, sorrindo. Ela começa a contar sobre os seus dias, animada, e depois eu conto os meus.
— Dylan, estou sentindo a sua falta... Me distraí, mas você ainda não está aqui. Estou começando a ficar incomodada com isso. — confessa, com um tom de mágoa em sua voz.
— É, eu sei... Eu deveria te confortar, mas odeio mentir para você, e sinto muito, mas ainda falta muito para eu voltar. — ela suspira.
— Vou ter que me manter muito distraída, então. — sorrio, tristemente, pois sei que ela também está fazendo isso. — Tenho que sair, minha mãe precisa de ajuda para fazer o almoço; o tio Rick vêm para cá, está uma loucura. Te ligo à noite, o.k?! E é melhor que você atender, senhor Dylan!
— Mal posso esperar. — digo, ansioso. Gosto das nossas conversas noturnas. Nos despedimos e eu fui tomar um longo banho, para completar a satisfação. O dia estava sendo ótimo. Após sair do banho, nu, como costumo fazer na minha casa, em Chicago, vesti uma bermuda e um casaco e fui para a sala, onde as meninas estavam vendo um filme.
— Meu Deus, Dylan! Para quê está usando esse casaco? Não está com calor?! — Enid pergunta, surpresa. Ela usava uma regata preta e uma bermuda, assim como eu. Sorrio e sento-me ao lado de April, dizendo:
— Se eu estivesse usando algo por baixo, tenho certeza que sim.
Lembro-me que aquela tarde tinha sido a melhor desde que chegara em São Francisco; fizemos algumas brincadeiras, assistimos filmes, conversamos sobre as nossas vidas, e comemos bastante; a vovó, a mamãe e a tia Laura se empolgaram muito, tanto no almoço quanto nas demais refeições do dia. Tinha sido tudo muito agradável e divertido; mas nem sempre a vida é um mar de rosas, os espinhos também existem, e eles ferem.
— Oi Isa, esperei a tarde toda por essa ligação! — digo, animadíssimo. Já passava da meia noite, e todos estavam dormindo, exceto eu.
— Olá! — Isadora ri, do outro lado da linha. — Olha, Dylan... Tenho que te contar uma coisa... — diz, fazendo suspense.
— Pode contar, estarei ouvindo. — ajeito-me na cama. Eu não sou desse tipo de pessoa que se desespera quando alguém diz "temos que conversar", ou "tenho que te contar algo"; nem sempre são notícias ruins.
— Bem, é que... — ela suspira. — Não posso mais esconder isso de você... Eu te traí algumas vezes, pouco antes de você viajar. — diz, rapidamente.
— Como assim?! — pergunto, incrédulo. Ela só pode estar brincando.
— Me desculpe, eu não consegui me conter, foi muito difícil para mim... — diz, com a voz chorosa. Ah, ela só pode estar de palhaçada com a minha cara! Ela me traiu e vai ficar chorando?!
— Quando se ama alguém de verdade, ser fiel não é um sacrifício. É um prazer. — digo, amargurado.
— Eu te peço desculpas, Dylan. A culpa não foi sua, você sempre foi um namorado muito atencioso, divertido, amoroso, tudo o que qualquer garota poderia querer. O problema não foi você, fui eu. — ela diz a fala mais clichê de términos de todos os tempos, e isso me tira do sério. Isto não pode estar acontecendo.
— É, Isadora. Eu sei muito bem disso. O problema sempre foi você; estou com a consciência limpa. — digo, de forma grossa. Sou a pessoa mais legal do mundo, mas posso ser bem cruel quando quero. — Se você é uma piranha que não sabe se contentar com uma pessoa só, a culpa não é minha. — digo, e desligo o telefone. Eu não acredito nisso!! Não acredito que perdi um ano e seis meses com a Isadora, para tudo acabar dessa forma; não acredito que ela pôde fazer isso comigo, e não acredito que eu fui tonto o suficiente para achar que ela me amava. Indignado e tremendamente magoado, saí do meu quarto e fui para o da April.
— April, levante-se! — digo, balançando-a. Ela abre os olhos e olha para mim, confusa. — Preciso da sua ajuda.
— São uma hora da manhã, Dylan, eu quero dormir. — diz, depois de ver as horas em seu celular.
— Eu sei, mas não seria bem mais divertido ir à uma festa? — pergunto, e ela sorri. — Fale com algum dos seus amigos, pergunte à eles se tem alguma agora. Sei que você conhece várias pessoas festeiras.
— Pode deixar! — ela se senta e começa a procurar algum número nos seus contatos. — Acorde a Enid, quero que ela vá, também. — assinto e vou até a cama ao lado, onde ela estava dormindo. Chamei-a algumas vezes, e a mesma só acordou depois de cinco minutos.
— Dylan, o que você está fazendo no meu quarto? — ela pergunta , esfregando os olhos. — E sem camisa, ainda por cima?! — diz, me encarando. Ela fica ainda mais fofa com sono.
— Levante-se e vá se arrumar, vamos à uma festa. — digo e saio do quarto, indo me arrumar. Tomo um banho rápido e visto uma roupa apresentável para a ocasião. Cerca de meia hora depois, estávamos os três no carro, indo para um endereço à dois quilômetros dali. Quando chegamos na festa, despistei as meninas e fui para um canto mais afastado, analisando cada garota do recinto. Todas eram muito bonitas, para falar a verdade.
Também me lembro do que aconteceu nesta festa, e no que aconteceu a seguir. Eu não bebi, porque nunca fui de beber, mas consegui fazer ainda pior, que me arrependo bastante, como o anterior e os que virão a seguir. Naquela noite eu decepcionei a Enid, e este foi o meu segundo erro para com ela.
[...]
Estava conversando com uma morena maravilhosa, quando April e Enid se aproximaram, com uma cara nada boa. Elas pareciam furiosas.
— O que você pensa que está fazendo? — Enid pergunta, com as sobrancelhas franzidas. Essa é a primeira vez que a vejo com raiva, e posso lhes assegurar que suas sobrancelhas negras franzidas, lábios comprimidos e ombros para trás, a deixavam sexy.
— Conversando. — olho para a morena, que ainda não sabia o nome, e sorrio, tentando ignorar as duas intrometidas.
— E quem é você?! Saia daqui agora, sua oferecida, ou esfolo a sua cara! — April diz para a garota, que se levanta e sai, furiosa. — Dylan, eu não estou acreditando no que você está fazendo!! Você está namorando, não é?! Então por que beijou três garotas dessa festa?!
— Porque eu posso. — digo, levantando-me, encarando-a no fundo de seus olhos azuis, como os meus. — Mesmo que eu estivesse namorando, você não tem o direito de opinar sobre o que eu faço.
— Você não está mais namorando?! — ela pergunta, visivelmente surpresa. Rio, olhando para outro lado.
— Eu não sou infiel, e você sabe disso. Amo, e amei muito a Isadora para ser capaz de trai-la, mas não era recíproco. Então, fique feliz por mim. Eu me livrei de um peso, e não vou beber para esquecer os meus problemas. Tenho que cuidar de vocês. — digo, revoltado por dentro, mas calmo por fora. Não queria chateá-las; eu as chamei para a festa, então pelo menos elas deveriam se divertir.
— Dylan, nos desculpe... Nós não sabíamos. — Enid fala, triste e envergonhada por toda aquela situação.
— Não, está tudo bem. Vão dançar, paquerar, ou até beijar alguém, eu não ligo. Estarei vigiando-as de longe. — April nega, com a cabeça.
— Vamos embora. — ela sorri. — Sei o que pode te ajudar.
— Está bem, então. — suspirei. — Vão para o carro, eu já chego lá. — vou abrindo caminho entre todas aquelas pessoas e finalmente encontro a morena com quem estava conversando. Ela me passou seu número, e eu a beijei, sem me importar com quem do seu grupinho estivesse olhando. Depois disso, fui para o carro, como combinado, e April me guiou até a ponte Golden Gate. Estacionei no canto, para não correr o risco de acontecer algum acidente caso algum carro aparecesse, e descemos do carro. Já eram três horas da manhã, em ponto, e alguns pingos de chuva caíam gentilmente na minha pele.
— O que viemos fazer aqui? — Enid perguntou no meu lugar. April sorriu e pulou a "grade" que separavam a pista do pequeno calçamento para as pessoas caminharem, ou tirarem fotos.
— Venham logo, seus bundões! — disse, chamando com as mãos. Fizemos o que ela pediu, já que não era difícil, e ficamos olhando a vista por alguns minutos. — Dylan, eu te trouxe aqui para extrapolar a raiva, ou até chorar, o que seria cômico.
— Como assim? — perguntei. Eu não entendi o que ela quis dizer com isso, não faz muito sentido!
— Não seja burro! — disse, rindo. Visto que eu permaneci calado, encarando-a, ela explicou: — Estamos sozinhos, então achei que seria bom virmos aqui para gritar.
— Gritar? — perguntei, como se fosse uma piada.
— Sim, gritar! Quando estou frustrada, eu venho aqui. É divertido, e alivia. — afirmou, com um pequeno sorriso. — Tente, você vai gostar. — hesitei por alguns segundos, mas depois um filme das coisas que passei com a Isadora, e outro de coisas que ela pode ter feito sem eu saber, passou pela minha cabeça e eu não me controlei.
— EU ODEIO VOCÊ, ISADORA JONES!!!!! — grito, com todo o fôlego que consegui juntar. April bateu palmas e me incentivou, e eu gritei mais alguns insultos, além de apenas gritar, sem falar nada. Quando a chuva começara a cair, ouvi outro grito, e vi que era Enid.
— EU ODEIO A MINHA VIDA!! — ela gritou, com o rosto avermelhado, de ódio sufocado. Juntei-me à ela, e gritamos palavrões, e todo tipo de confissão. No final de tudo isso, estávamos os dois sem voz, sem fôlego e chorando, enquanto a chuva nos molhava. April estava dentro do carro há muito tempo, então só nos dois estávamos lá, embaixo do poste de luz. Enid estava ajoelhada no chão, chorando compulsivamente, e eu socava e chutava a grade, tentando não chorar.
— Vamos para o carro. — pedi, depois que minha mão já estava dolorida, e eu estava sem forças. Enid continuou a chorar, e eu sentei-me ao lado dela, abraçando-a. Ela me abraçou de volta, apertando-me contra si, de forma desesperada. Precisávamos daquele abraço, de carinho e conforto. Depois de alguns minutos, quando a chuva aumentou e começou a relampear, ajudei Enid a pular a grade, e fomos juntos para o carro, e eu fiquei no banco de trás, abraçado à ela, enquanto April dirigia devagar para sua casa. Quando chegamos, fui para o meu quarto, tirei as roupas molhadas, e vesti as roupas mais quentes que tinha, para escapar do frio. Em poucos minutos eu dormi profundamente, cansado de tudo aquilo.
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