Love as Sakura | 爱如樱
68 第58章 O sol adormecido - Parte II
Huang Tuo, Yue Shen, Ka Suo e Shi observavam enquanto Xing Jiu, auxiliado por Xun Hao, lia as constelações em busca de informações sobre o eclipse mais próximo dentro do prazo que tinham. Pelas expressões que o astrólogo fazia os amigos começavam a se inquietar imaginando não ter saída além de “forçar” um eclipse, algo que daria muito — muito! — trabalho. Yue Shen, impaciente, estava quase tirando o cajado das estrelas da mão dele e exigindo que explicasse as caretas que fazia enquanto olhava aquelas constelações infinitas e, aos olhos dela, iguais.
— O eclipse total mais próximo no mundo imortal ocorrerá em 20 dias. — Revelou por fim. — No mundo mortal há um em quinze dias humanos.
— É possível fazer esse ritual no mundo humano? — Ka Suo quis saber franzindo a testa.
— Não há nada nos registros sobre isso. — Respondeu Yue Shen. — É melhor não arriscarmos. Temos vinte dias para nos preparar, é o tempo necessário para arguir o espírito e encontrar uma saída menos danosa para o ritual.
— Yue Shen está certa. — Concordou Shi. — Se temos apenas uma chance, não posso arriscar perder.
— Chao Ya e Pian Feng devem voltar em torno de dois dias. — Concluiu Huang Tuo. — Vamos estudar o ritual mais a fundo até lá.
Shi pediu para conversar com Xing Jiu em particular enquanto os demais começavam a analisar os pormenores do ritual do Sol Adormecido. Levando o astrólogo até o lado de fora, onde não havia movimento de ninguém e nem mesmo os criados podiam ser vistos circulando. O astrólogo esperou, um tanto curioso e apreensivo, que o príncipe do gelo expressasse suas preocupações, algo que só aconteceu após longos minutos de deliberação interna por parte de Ying Kong Shi. Xing Jiu ouviu o relato do sonho sem interromper, era algo muito específico e soava mais como uma espécie de aviso. Preocupado, pediu que Shi lhe permitisse ver o sonho por si mesmo, algo que lhe foi concedido.
Os dois entraram em um cômodo reservado e a presença de Xun Hao foi pedida pelo astrólogo, a câmara dos sonhos foi aberta e, com o auxílio do cajado das estrelas e do cubo dos sonhos, Xing Jiu entrou na mente de Shi. Ele assistiu todo o sonho sem interferir, observando os detalhes que o príncipe possivelmente podia ter deixado passar. Não havia nada realmente errado com aquilo, podia ser uma projeção da discussão que ele tivera com Ka Suo a respeito do acontecido, todavia, algumas coisas chamaram a atenção do astrólogo: a chave que Yan Da inseriu no peito do príncipe, a lua que pairava no céu claro acima das árvores, a expressão de terror no rosto de Yan Da e, o detalhe mais importante que o príncipe deixou passar, a presença observando-os de longe.
Xun Hao ajudou o mestre a beber um pouco de chá de crisântemo quando este voltou a ficar consciente e mostrou-se exausto. A aflição de Shi crescia em ondas que pareciam se expandir por todo o quarto. Muito antes de Xing Jiu dar qualquer parecer a respeito do que vira, o príncipe já tinha por certo haver algo errado nos recantos daquele pesadelo.
— Muito ao contrário do que você pensa, isso não foi uma visita de Yan Da em sonho. — Disse o astrólogo após algum tempo. — É verdade que os mortos, antes de passar pelos julgamentos do Diyu tem a “regalia”, se pode chamar assim, de visitar os sonhos daqueles que lhes são caros, mas esse tipo de sonho costuma carregar mensagens mais distintas e nem um pouco codificadas. Não, esse seu sonho não foi sequer enviado por Yan Da.
— Então por quem? — Seu rosto ficou sombrio enquanto o coração pulava dentro do peito.
Xing Jiu suspirou.
— Como participante do sonho você não consegue ver todos os detalhes. Havia mais alguém lá com vocês, alguém que eu desconfio deve ter enviado esse sonho a você como uma espécie de alerta.
— Se não foi Yan Da quem mais poderia ser, não tenho muitos amigos no Diyu. — Ironizou.
— Peng Yan.
A revelação fez Shi, que havia se levantado, cair sentado novamente. Por que razão o melhor amigo de Yan Da enviaria tal pesadelo? Os dois sequer haviam chegado a se conhecer, não fazia qualquer sentido. Ele temeu que Yan Da estivesse sofrendo em algum lugar no mundo dos mortos e por isso seu amigo morto lhe mandara um aviso, seria um clamor para libertá-la ou um aviso que era tarde demais?
— O que significa? — Peguntou a Xing Jiu. — Em nome do manto de gelo, o que ele quer me dizer, Xing Jiu?!
— Fique calmo, Ying Kong Shi, precisamos de você com a cabeça no lugar! — Repreendeu o astrólogo. — Como eu disse, você não notou alguns detalhes importantes.
— Me desculpe, mas eu estava mais preocupado com a dor me tirando o ar. — Retrucou carregado de sarcasmo.
— Certo, certo. — O astrólogo meneou a cabeça, frustrado. — Ouça, a chave que Yan Da gentilmente lhe entregou é simbólica. Em sonhos, chaves podem ter diferentes significados, nesse caso pode ser uma senha. Se Peng Yan achou que ela mesma devia entregar a você pode ser uma pista da maneira como vai salvá-la. A resposta está dentro de você. Outra coisa, a lua no céu claro, você não viu isso por causa da névoa do seu medo e de tudo que estava acontecendo ao seu redor e refletia seus piores temores, mas havia uma lua cheia reluzente em um céu anil.
— Lua... — Seus olhos esgazearam conforme entendia o significado. — Lua do Abismo.
— Sim, a lua do abismo. Se ela tivesse aparecido no céu noturno a mensagem era clara: Yan Da estava inalcançável. Mas ela estava em um céu claro como qualquer dia de verão. Ele a protegeu de alguma forma, entende isso? — Xing Jiu segurou os braços do príncipe. — Yan Da está a salvo, podemos ajudá-la porque ela não passou por nenhuma corte do Diyu.
O alívio se espalhou pelo corpo do príncipe como água gelada em uma queimadura.
— Contudo há algo que me preocupa. — Continuou.
— Você está começando a me fazer sentir bipolar. — Resmungou Shi.
— A expressão de terror no rosto de Yan Da. Só havia Peng Yan lá, mas ela parecia com medo de alguma coisa, como se não pudesse vê-lo...
— Temos de tirá-la de lá, Xing Jiu... rápido.
※※※
Chao Ya e Pian Feng viajaram em silêncio por boa parte do percurso até a tribo de música xamânica. Por mais incrível que lhe parecesse, apesar de reconhecer aquelas estradas tão bem quanto as linhas de suas mãos, a cantora não sentiu a nostalgia ou a sensação de estar novamente em casa após muito tempo longe. Enquanto contemplava as árvores altas, grama macia e flores que ladeavam a estrada e costumavam ser cheias de fadas, tudo que lhe vinha à mente era a sensação amarga de ver Pian Feng de costas se afastando dela para sempre.
A melancolia nos olhos dela podia ser notada pelo guerreiro do vento mesmo que a esposa nada dissesse e ele se viu tomado pelas mesmas lembranças entristecidas de um passado que os manteve em lados opostos. Segurando a mão dela, ele acariciou seus dedos, Chao Ya parecia ainda mais adorável trajada como a rainha que era, olhando-a com aquele diáfano vestido rosado e esvoaçante, tal qual uma ninfa das florestas, lhe veio à memória imagens de quando eram crianças e brincavam livres nos jardins ao som da música que nunca cessava vinda do palácio das flores.
Todo o momento tenso e triste que estavam vivendo dizia que era errado, mas ainda assim ele segurou seu rosto entre as mãos e a beijou com ardoroso desejo, uma promessa e um lembrete de que aqueles tempos difíceis entre eles haviam acabado, somente as doces lembranças remanesciam. Chao Ya sorriu, aconchegando-se ao lado dele e encostando a cabeça em seu peito ao som da sua música favorita: o som do coração do seu amado.
— Você nunca me disse que havia aprendido O Som da Tempestade. — Comentou para quebrar o silêncio entre eles. — Por que sua mãe te daria essa partitura tão funesta?
Levou algum tempo de silêncio até a cantora finalmente responder.
— Poucos de nós, desse lado do mundo imortal, se aventurou até o outro lado do mar de gelo, no universo pugilista. — Começou. — Quando visitou o clã nas montanhas de Lan, mamãe viu alguma coisa que a fez mudar. Ela nunca me contou detalhes da sua visita, mas ao que parece eles eram um clã que tinha a música como arma. Ela aprendeu muita coisa lá, coisas que a encantaram e outras que a deixaram terrivelmente assustada, sei disso porque podia ver a maneira como ela desviava o olhar quando entrava em algum detalhe que não queria ter me dito.
— Você chegou a executar essa partitura com poder espiritual alguma vez?
— Não. — Meneou a cabeça afastando-se um pouco para poder encará-lo. — Só ela fez isso, várias vezes. Ela ensinou apenas mais duas aprendizes além de mim a tocar essa peça. Por isso ela permitia que você estivesse sempre ao meu lado, porque eu precisaria entender o vento se um dia precisasse realmente usar o Som da Tempestade.
— Chao Ya, me diga a verdade, por que sua mãe lhe deu como noiva de Liao Jian?
Chao Ya pareceu desconfortável com a pergunta, achou que já havia esclarecido todas as dúvidas com relação aquele triângulo sem sentido entre eles. Era algo que lhe custava lembrar, especialmente porque ainda se ressentia consigo mesma por ter ferido Liao Jian.
— Eu a desafiei. — Respondeu ela após longo silêncio. — Não consegui perdoá-la por você ter ido embora, fiquei meses em uma depressão profunda. Nós tínhamos uma dívida antiga com a guarda do norte, algo do meu pai ou do meu avô, não sei bem. A mistura de nossas tribos gerava descendentes fortes, quase o mesmo que a tribo do gelo e as sereias, mas nossas princesas sempre deram preferência à tribo do espírito do vento e meu avô honrava essas escolhas. Mas minha mãe não. Ela acreditava que Liao Jian era a melhor escolha, traria proteção para a tribo de música xamânica e, sobretudo, me faria esquecer sua partida. Fui contra por muito tempo, mas me dei conta que você não ia voltar, perdi as forças, Pian Feng... parei de lutar.
— Sinto muito. — Ele a abraçou, beijando sua cabeça com carinho. — Me perdoe por ter sido covarde e deixado você sozinha.
— Não importa mais... estamos juntos agora e não pretendo deixar você ir a mais lugar nenhum.
— E quem te disse que eu quero ir?
Apertando-a em seus braços, ele a beijou mais uma vez.
※※※
— Nenhum imortal, salvo aqueles que ascenderam a deuses ou semideuses, podem trazer uma alma do Diyu sem comprometer sua própria alma ou essência mágica. — Leu Yue Shen, pela terceira vez, em voz alta.
— Entre nós, o mais próximo de ascender a semideus seria Shi. — Apontou Huang Tuo. — Mas ele precisaria de pelo menos dois julgamentos celestiais e, bem, estamos com escassez de mortais por aqui.
— Eu não quero isso. — O príncipe fez uma careta. — Já tenho problemas suficientes sendo imortal.
— Mas dentre nós só você tem poder suficiente para ascender. — Concordou Xing Jiu. — E se o requisito é ser um semideus...
— Estou disposto a arriscar minha alma se for necessário. — Contrapôs. — Ou...
— Ou o que? — Yue Shen perguntou, irritada. — Não faça pausas dramáticas, estamos nisso há horas!
— Ou posso desistir da minha imortalidade. — Sugeriu ele. — Pense bem, nenhum imortal pode trazer alguém do Diyu sem um preço, mas e se como pagamento oferecer a imortalidade? Seria possível?
O grupo se olhou entre si, nunca tinham ouvido nada parecido, ninguém estava disposto a desistir da imortalidade para uma vida como humano. Mas também nunca se ouviu que era impossível e, do jeito que o príncipe falava, parecia muito plausível. Huang Tuo percebeu algo se iluminar nos olhos de Yue Shen, uma espécie de possibilidade, algo alcançável. Ka Suo pareceu preocupado diante da ideia, Xing Jiu se pôs pensativo e o próprio curandeiro encarava a sugestão com otimismo.
Humanidade. Não havia registro de nenhum imortal que abdicou da sua imortalidade, mas pelos antigos registros era certo que Liu Wen perdera parte de sua imortalidade por causa de seu pecado. Huang Tuo afastou-se e desapareceu mais uma vez no salão de cura como se fosse procurar alguma coisa, os remanescentes a mesa imergiram em um silêncio de elucubrações diversas, mesmo que Shi concordasse em desistir da imortalidade para se tornar humano, não era certeza que apenas seu poder pagaria o preço pela alma de Yan Da, além disso, era algo que todos deveriam pensar juntos. Alguns minutos depois, o curandeiro retornou trazendo dois pergaminhos de bambu nas mãos. Ele dispôs os documentos abertos sobre a mesa e, com um ar muito sério que deixou todos apreensivos, começou a explicar.
— A boa notícia é que isso é possível. A má é que você precisa ser maluco ou masoquista para tentar.
— O que quer dizer? — Xing Jiu perguntou.
— Quero dizer que é a dor mais insuportável que você vai sentir na vida. Ter seus ossos quebrados, músculos se rompendo e pele sendo arrancada simultaneamente seria uma forma mínima de descrever.
O príncipe não pareceu intimidado pela descrição do amigo e, cruzando os braços com a tranquilidade habitual, olhou o curandeiro nos olhos.
— A dor mais insuportável da minha vida foi ver a mulher que eu amo sangrar até morrer nos meus braços duas vezes sem que eu pudesse fazer nada. — Sua voz contrariava completamente sua expressão tranquila, era carregada de angústia, desespero e culpa. — A ideia de não ve-la nunca mais, Huang Tuo, isso sim, é insuportável. Qualquer injúria que eu possa sofrer não vai chegar nem aos pés de tudo que Yan Da sofreu por minha causa, tudo que sacrificou por mim.
— Ainda assim, um mortal seria capaz, de realizar o ritual? Como faríamos isso de uma maneira que a imortalidade servisse como preço? — Questionou Yue Shen.
— Os livros dizem que nenhum imortal pode realizar o ritual sem um preço, não menciona que um mortal não possa fazer. — Retrucou Shi.
- Precisamos agir com cuidado. — Advertiu Huang Tuo. — Lembre-se que o seu poder é o maior aqui, as chances de trazer Yan Da também dependem disso.
— Disso e da lotus escarlate. — Emendou envenenadora. — Ela é parte crucial do processo, precisamos demarcar os limites com muita cautela e discutir a ideia com todos.
— Ka Suo, o que você acha? — Xing Jiu tentou trazer seu soberano para a discussão, desde que começaram a falar o antigo rei do gelo manteve-se meditabundo.
— É uma saída possível e, diante da situação, pode mitigar de forma considerável os danos. Estou disposto a colocar minha imortalidade em adendo no pagamento do ritual.
Todos ficaram surpresos com a colocação do monarca, mesmo Shi não esperava aquilo e, pela primeira vez nos últimos dias, realmente olhara o irmão.
— Essa é uma decisão bem radical, Ka Suo, tem certeza? — Yue Shen advertiu-o.
— Estou existindo a tempo suficiente para entender que a imortalidade não tem sentido, é um ciclo sem fim de sofrimentos e tragédias. Todas as coisas devem terminar um dia, é como tem de ser. — Explicou em um tom melancólico. — Não quero mais existir, Yue Shen. Quero viver.
As palavras de Ka Suo tiveram efeitos diferentes em cada um dos amigos, especialmente sobre Yue Shen e Huang Tuo, os dois se encararam por um momento em um silencioso entendimento mútuo. Shi processou as palavras do irmão com um misto de tristeza e culpa, embora não entendesse o porquê daquilo. Parte de Shi compartilhava o sentimento de Ka Suo, se realmente teria a chave de começar de novo não queria mais nenhum vínculo com quem fora no passado, desejava uma vida ao lado de Yan Da, todas as coisas que lhe foram negadas ao longo da existência por aquela mágica que o mantinha indefinidamente vivo. Era preferível uma soma de anos ao lado dela do que uma eternidade inteira sozinho e, tão bem quanto Ka Suo, ele aprendeu na prática que viver para sempre podia ser mais uma maldição do que uma bênção.
Xing Jiu, entretanto, não estava totalmente convencido que era a melhor saída, ainda havia muitas coisas que precisava pesar antes de tomar aquela decisão, Huang Tuo e Yue Shen não manifestaram abertamente sua escolha, provavelmente o fariam quando todos estivessem reunidos. Debruçando-se sobre a pilha de documentos na mesa, os dois membros da tribo Xamã e os descendentes da tribo do gelo começaram a elaborar saídas e mudar termos no texto do ritual, o astrólogo observava de longe, perdido em seus pensamentos, quanto mais o Rito do Sol Adormecido ganhava forma, mais o mundo que eles conheciam desaparecia.
Dois dias depois, com o retorno de Chao Ya e Pian Feng trazendo a partitura do Som da Tempestade, uma nova reunião foi marcada por Huang Tuo, Shi desejava estudar a peça com a cantora, mas conteve-se sabendo que a decisão do todo era também algo muito importante. O curandeiro expôs a solução encontrada pelo príncipe do gelo, de início o choque geral causou certo burburinho de murmúrios e dúvidas, mas, Yue Shen explicou melhor que, dando a imortalidade como preço pela alma de Yan Da, minimizaria os danos para a princesa além de proteger as próprias almas dos envolvidos no Rito do Sol Adormecido. Chao Ya e Pian Feng foram os primeiros a se manifestar a favor.
— Nós concordamos em oferecer nossa imortalidade. — Assegurou a cantora.
— É o mínimo que podemos fazer pela nossa menina. — Corroborou o guerreiro do vento.
— Mas, e Yan Da, ela voltará como uma imortal? — Liao Jian questionou.
— Se os termos do ritual forem alterados e, dada a maneira como ela morreu, ela retornará como uma mortal também. A essência espiritual dela pode ter sido prejudicada pelo prego do destino, além disso, a passagem dela também tem um preço, ambos os lados arcam com as consequências de se envolver com a vida-morte.
Lan Shang e a avó, que haviam retornado com o advogado para a tribo Xamã, escutavam a discussão e permaneciam muito quietas. Huang Tuo e Yue Shen se puseram ao lado de Chao Ya e Pian Feng garantindo que concordavam em oferecer também a imortalidade em troca da volta de Yan Da com segurança. Liao Jian, após longa deliberação, também concordou. Xing Jiu pediu alguns minutos antes de dar sua resposta e, enquanto deixava o salão junto a Xun Hao, Shen Hairong se pronunciou pela primeira vez desde que chegara ali.
— O que acontecerá a este mundo se todos desistirem de sua imortalidade? — Lan Shang se encolheu diante do tom pesado da avó. — A maior parte das vidas foi perdida com o sacrifício que fez a tribo do gelo desaparecer.
Foi a própria neta que respondeu a pergunta ao ver que os demais hesitavam.
— A aura mágica de todos vai retornar à terra mágica e, como mortais, não podemos mais viver aqui, vovó. — Explicou. — Há a possibilidade do mundo imortal se selar ou desaparecer.
Diante da explicação, nem a rainha das sereias nem os demais falaram nada durante longo tempo, Xing Jiu retornou com o criado de confiança e ambos anunciaram sua renúncia à imortalidade. O astrólogo levaria o amigo consigo para o mundo mortal. Li Luo aquiesceu concordando com os demais, não tinha muito a perder uma vez que era agora apenas meio imortal por causa da possessão de Lian Ji. Por fim, segurando a mão uma da outra, as componentes do clã das sereias se uniram à decisão dos demais.
Shi não pôde evitar sentir-se um tanto comovido com o consenso. Mesmo Liao Jian, que havia lhe pedido para retornar ao mundo de onde viera, concordava ceder em prol da sua felicidade, ele não esperava isso. Estava realmente agradecido a todos. Com a massa de energia convergindo como preço do ritual, as chances de dar errado eram cada vez menores. Huang Tuo, Yue Shen e Xing Jiu uniram-se para reformular todo o Rito do Sol Adormecido, enquanto o príncipe do gelo, Chao Ya e Pian Feng estudavam a partitura do Som da Tempestade. Os demais faziam seus preparativos para deixar, dessa vez para sempre, o mundo e a vida que conheceram para trás.
Fale com o autor