Love as Sakura | 爱如樱
39 Especial: Orquídea Branca

Yan Da sentou na cama sentindo-se muito cansada apesar de não ter feito muita coisa, o tempo que passara com Shi, mesmo pautado por memórias dolorosas, havia sido muito agradável, era impressionante até mesmo para ela como conseguia conversar facilmente com ele, aquele sentimento que poderia lhe contar qualquer coisa sem medo de ser exposta ou julgada. Mas, ao mesmo tempo, não era a mesma sensação que ela tinha com Pian Feng ou Hu Bing, era um tipo diferente de confiança.
Ela ergueu os olhos para o vaso com as orquídeas brancas que colocara sobre a mesa em seu quarto, Shi havia lhe presenteado com vários tipos diferentes de flores durante sua estada no hospital, mas ela nunca havia parado para pensar se elas significavam alguma coisa, na verdade, Yan Da sequer era versada em flores. De repente, sentiu-se curiosa, estava prestes a ir até o computador quando Chao Ya entrou no quarto após duas batidas.
— Vim trazer um pouco de chá, como se sente?
— Oh, estou bem...
— Pensando em alguém? — Provocou a cantora.
— Claro que não. — Mentiu. — Estava apenas... pensando em criar um tipo de jardim suspenso na varanda, só isso.
— Sei. — A mais velha sorriu maliciosamente. — Só para deixar claro, é um tanto quanto controverso dar rosas vermelhas e, em seguida, orquídeas brancas. Acho que a ordem deveria ser inversa, mas ele parece ser um rapaz adorável e não vejo problema o desejo vir antes de...
— Chao jie, pare aí mesmo, do que está falando?
— De Ying Kong Shi, logicamente. — Alfinetou. — Vi você olhando as flores, não tente me enganar.
— Ya*, Chao jie, pare de inventar romances chineses, hao bu hao? — Suas músicas doces estão começando a te afetar, não tem nada acontecendo entre Ying Kong Shi e eu.
— Isso porque você está sendo difícil, como sempre. — Acusou. — Está na cara que ele está puxando um metrô por você, xiao Yan. Até quando vai ficar fingindo que não vê?
— Wèi*, jiejie, você é a última pessoa de quem eu devia estar ouvindo isso, toda essa sua briga eterna com o Pian ge significa o quê? Faremos o seguinte, quando você admitir os seus sentimentos, eu penso no meu caso.
— Olha lá o que você promete, Yan Da, se eu resolver meus assuntos com Pian Feng você estará em apuros, eu vou cobrar essa promessa com juros.
Yan Da revirou os olhos sabendo que não era tão simples. Pian Feng ainda agia afeminado quando Chao Ya estava por perto como se desejasse mantê-la afastada, evitando "a conversa". Ela já havia pensado em tentar perguntar a ele a razão de agir daquela forma, mas, como um assunto entre eles, achava melhor não se meter e deixá-los resolver as coisas sozinhos. A cantora deu um beijo na sua cabeça e desejou boa noite, deixando-a sozinha mais uma vez. Apesar de cansada, a mente da princesa se recusava a desligar, ela queria saber o que Shi não estava lhe contando e, ao mesmo tempo, tinha medo da resposta.
"É um tanto quanto controverso dar rosas vermelhas e, em seguida, orquídeas brancas. Acho que a ordem deveria ser inversa", as palavras de Chao Ya martelavam na sua cabeça e atiçavam a curiosidade cada vez mais inflamada. Sem resistir, ela caminhou até o computador e digitou a pesquisa no navegador.
— Orquídeas representam a paz, a pureza e a eternidade, até aqui tudo que ele falou. — Leu ela. — São flores que geralmente aparecem em ambientes, geralmente, calmos ou que remetem à solidão ou espera. Também são flores muito presentes em buquês de noiva, representando a pureza e, sobretudo o amor puro.
"Você sabe o que essas flores significam? As rosas vermelhas representam o amor, mas também a paixão. Quando alguém dá rosas vermelhas não significa apenas que quer ou ama essa pessoa, mas também que a deseja de uma forma intensa. " A voz grave de Pian Feng reverberava na sua mente, lembrava-se do dia que Ying Kong Shi viera visita-la trazendo um buquê de rosas vermelhas. Ele havia lhe dado certa variedade de flores no hospital, algumas que ela não conhecia por nome, fez uma busca na internet por significado de flores e, após passear por alguns sites, conseguiu encontrar um com boa variedade que ilustrava com fotos os nomes das flores, entre elas, Yan Da começou a listar as flores que havia recebido de Shi e seus significados.
· Alstroemerias — Amizade e felicidade
· Camélias — Fidelidade
· Cravo — Amor puro e latente
· Crisântemo vermelho* — Estar apaixonado; Branco — Sinceridade
· Flor-de-Lis — Fogo de amor, ela representa também a lealdade, o altruísmo e a abdicação em favor da outra pessoa.
· Begônia — indicada para namorados apaixonados, já que estão associadas à inocência e à lealdade do verdadeiro amor. Relativamente ao Feng Shui, a begônia é um símbolo de fertilidade.
· Miosótis — recordação, fidelidade e amor verdadeiro. É também conhecida como "Não-me-esqueças".
· Tulipas Vermelhas — que representam o amor verdadeiro.
A princesa sentiu o estômago se revirar enquanto uma espécie de dormência se espalhava pelos seus músculos. Era uma mensagem clara demais para ignorar. Meneando a cabeça ela baixou a tela do laptop decidida a não pensar muito naquilo, talvez ele não levasse as flores pelo significado, apenas por serem bonitas — algumas raras e por isso difíceis de conseguir — e exalarem uma fragrância agradável. Sim, era isso. Se recusava a acreditar que Ying Kong Shi deliberadamente escolhera aquelas flores por simbolizarem um sentimento impossível de se despertar com tão pouco tempo de interação.
Satisfeita com a sua conclusão, voltou para a cama e tentou dormir.
※※※
Pian Feng chegou cedo no dia seguinte e começou os preparativos do café da manhã antes de qualquer das duas residentes acordassem. Ele sabia que Chao Ya nunca saía da cama antes das dez a menos que tivesse gravação ou entrevista e Yan Da sempre levantava às oito em dias de trabalho, mas por conta do repouso, estendia o descanso por mais uma hora. Por isso, quando sua fadinha saiu do quarto às seis e meia ele quase derrubou a massa do baozi.
— Fadinha, você está sentindo alguma coisa? — Largou a comida que fazia e limpou rapidamente as mãos indo até ela.
— Não... apenas perdi o sono. — Forçou um sorriso. — Tive uma noite difícil.
— Tem alguma coisa preocupando você? Ajuda falar...
Antes que ela respondesse, seus olhos pousaram sobre um buquê de flores de cerejeira — que ela não fazia ideia de onde ele havia conseguido naquela época do ano — na sua pesquisa na noite anterior, ela descobrira que a flor significava, entre outras coisas, amor, beleza, renovação e esperança.
— Estavam na porta quando cheguei. — Contou Pian Feng. — Posso imaginar quem as colocou ali. Fadinha, não quero ser a pessoa que vai dizer o que você tem ou não que fazer, mas acho certo te advertir que ainda não confio nos sentimentos dele.
— Não há com o que se preocupar, Pian ge. É apenas uma gentileza.
— Isso é o que você acha ou que quer acreditar? — Ergueu a sobrancelha. — Já notou que todas as flores que ele te deu sempre significam algum sentimento romântico? Se isso não é um recado não sei mais o que pode ser. Duvido que Ying Kong Shi seja o tipo que perde tempo andando numa floricultura aleatoriamente.
— Você e a jiejie têm que competir até nisso? — Suspirou. — Ela é do time pró e você do contra.
— Eu sou do time que quer ver você feliz de verdade, não tenho qualquer problema em ser preso por homicídio se ele ferir você. Seu irmão é juiz, vai me absolver por esse crime. — Deu de ombros. — Seja franca comigo, mas, sobretudo consigo mesma, há alguma chance de você se apaixonar por ele?
Yan Da não respondeu imediatamente. Ela não sabia como explicar o que sentia por Shi, aquela vontade insistente de estar perto ele e, ao mesmo tempo, mantê-lo longe. A saudade insana que sentia mesmo depois de tê-lo visto. Aquela lacuna no seu coração que parecia preenchida, mas cheia de dor, quando ele se aproximava.
— Não sei... — Admitiu. — Ao mesmo tempo tenho medo dele e quero estar perto dele, como se a gravidade agisse ao contrário e me empurrasse na direção dele.
— Isso se chama maldição do destino. — Suspirou. — Aqui, isso estava junto das flores.

Um sorriso involuntário arqueou-se no rosto dela enquanto as palavras eram absorvidas e sentidas, Yan Da podia ouvir com nitidez a voz de Shi pronunciando cada uma delas melodicamente, cadenciado, em seu tom grave e aveludado. Pian Feng meneou a cabeça e se pôs de pé fazendo um carinho delicado na cabeça dela.
— Na ausência de Hu Bing eu sou a pessoa encarregada de arrancar a cabeça dele, apenas não esqueça disso. — Advertiu. — Se ele te fizer chorar, seja por que razão for, não vou deixá-lo viver mais um dia.
Ela sabia que não era uma promessa vazia. Pian Feng se importava o bastante para cumprir aquela ameaça, era uma das razões de Hu Bing deixá-la sob seus cuidados. Os olhos de Yan Da encararam o vaso onde as flores de cerejeira repousavam delicadas e claras, seu coração batia acelerado no peito, ela tinha em si aquele desejo violento de se entregar nos braços daquele sentimento e, ao mesmo tempo, a hesitação que minava seu avanço.
Precisava agir por etapas, decidiu. Primeiro, tentaria entender o medo que sentia dele, depois, avaliaria a profundidade e sinceridade daqueles sentimentos através de suas atitudes e não apenas do significado daquelas flores. Só então, pensaria de verdade se era certo ou errado ouvir seu coração. A memória de Peng Yan estava sempre lá para alertá-la que o jogo do amor era uma aposta com mais perdas que ganhos, Yan Da levara quase três anos para restituir seu coração, não estava pronta para vê-lo destruído mais uma vez.
Se Ying Kong Shi a ferisse, ela temia sangrar para sempre.
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