Love as Sakura | 爱如樱
69 第59章 A essência do silêncio - Parte I
Por três dias e três noites inteiras, Shi, Chao Ya e Pian Feng praticaram o Som da Tempestade sem descanso até atingirem a execução perfeita da complexa partitura. Eles se reuniram no Pavilhão da Essência que era o prédio mais afastado da tribo Xamã, de modo que a repetição exaustiva da música não enlouqueceria mais ninguém além deles mesmos. O príncipe do gelo estava obsecado com as notas, enquanto ele as tocava repetidas vezes na flauta de jade, Chao Ya o acompanhava na lira de sete cordas. Como a partitura era, originalmente, para uma guqin*[1] de sete cordas, Shi precisou adaptar para flauta e Chao Ya, por causa da ressonância e tom das notas, precisou adaptar para a lira.
Pian Feng, em um primeiro momento, estava presente apenas para acompanhar a esposa e se acostumar a melodia, como ambos estavam tocando-a sem poder espiritual, o vento não manifestava a voz de nenhum espírito. Entretanto, a repetição começava a lhe exaurir, de modo que deixou o pavilhão para caminhar um pouco pelo jardim. Entendia um pouco de música por ter vivido por muitos anos na tribo xamânica, reconhecia que era uma música muito complexa e sabia que, para um ritual igualmente complexo como a comunicação com o Diyu, cada nota fazia a diferença. Apenas altos membros da nobreza de música xamânica realizavam aquele tipo de peça, arguir os mortos exigia muito do instrumentista, além de necessitar da habilidade e poder suficiente para garantir que o espírito alcançado não poderia mentir para o músico, era nessa parte específica que Ying Kong Shi ia entrar, por ele ser o mais forte entre todos — além de intimidador quando queria — era ele a garantia que o espírito não ia mentir. Por isso estava tão obsecado com a música, especialmente em reconhecer cada possível resposta já que o vento reproduziria em notas de acordo com o instrumento tocado.
Mas o que estava deixando Pian Feng esgotado era a melancolia pesada da melodia. O Som da Tempestade era uma música densa, sombria, turbulenta e que parecia despertar os sentimentos mais obscuros dos vivos. Por isso era uma música comparada à tempestade, assustadora e, por vezes, mortal. Quanto mais ouvia a melodia ser repetida, mais era como se algo fosse sugado dele. Fez uma nota mental para ter mais cuidado quando a ouvisse tocada com energia espiritual de Shi e Chao Ya e também para manter os demais longe.
Sentou-se na grama bem no meio do jardim, a mistura de odores combinados entre flores e ervas contrastava em suas narinas formando um perfume agridoce. O céu acima dele estava claro e ensolarado, ele imaginou o que Yan Da estaria vendo presa no Diyu, haveria alguma espécie de “céu” também lá? Pian Feng não se lembrava de nada no período em que também estivera “morto”, como se fosse um pesadelo do qual ele esquecera completamente após acordar. Imaginou, olhando o céu, a lua cobrindo completamente a luz, mergulhando o mundo em escuridão assim como seu coração estava, por um momento, desejou adormecer com o sol se isso lhe permitisse ver o rosto da sua fadinha mais uma vez. Resistiu a vontade de ir atrás dela, de visitar a caverna que preservava seu corpo.
Cada novo dia passado era um vazio maior que a ausência de Yan Da representava na sua vida, no seu coração. Ele se apegava a cada mínima esperança que surgia conforme o trio de amigos avançava na modificação do ritual, mas algo no fundo do seu peito continuava questionando se ele seria capaz de seguir em frente caso não desse certo. Ou ainda mais, se suportaria a dor de ver Yan Da acordar e não saber quem ele era e tudo que viveram juntos. Meneando a cabeça, se forçou a não pensar naquilo, se tivesse sua menina de volta ele encontraria uma maneira de lidar com qualquer coisa, só precisava da certeza que ela seria feliz.
※※※
Quatro dias depois, Chao Ya e Ying Kong Shi se sentiam seguros em executar o Som da Tempestade. A viagem até o Declive das Cerejeiras foi marcada para o dia seguinte sob a orientação de Pian Feng, como os dois passaram muito tempo submetidos à música, ele pediu que descansassem por um dia para recuperar o equilíbrio do espírito e não serem afetados ao tocar a música empregando energia espiritual. Embora estivesse muito ansioso, Shi concordou. Todavia, fazia nove dias que ninguém via Huang Tuo, Yue Shen e Xing Jiu, trancados na biblioteca secreta, os três faziam e refaziam cada passo do Rito do Sol Adormecido pesando consequências e saídas.
Mais tarde naquele dia, Shi recebeu um chamado de Shen Hairong, através de uma das empregadas da tribo xamã, ela pediu que o príncipe do gelo a encontrasse nos aposentos que dividia com a neta no Pavilhão do Silêncio, para onde Lan Shang decidiu se mudar com a chegada da avó ao que Huang Tuo concedeu por ter quartos maiores. Nos dias que ficara preso executando de forma incansável, ele não conseguia pensar em nada que não fossem as notas ágeis e complicadas e o rosto de Yan Da, fixo com nitidez na sua mente. Era a primeira vez que se demonstrava curioso sobre algo além disso e só então notou como estava mentalmente cansado.
Atravessou o corredor e desceu pelo caminho de cascalho que ligava os prédios da tribo Xamã, o Pavilhão do Silêncio era um tanto quanto longe de onde ele estava no prédio principal, no caminho, ofereceram-lhe uma liteira, mas ele recusou afirmando que desejava caminhar. O dia estava claro e o sol ameno, a brisa que soprava por todos os lados trazia o aroma das ervas medicinais, ele podia jurar que suas energias se renovavam a cada passo envoltas naquele potente aroma balsâmico. Sentindo a energia do sol sobre si, o príncipe esperava pela escuridão com ansiedade, o dia em que, tal como a sua vida, o céu também se tornaria sombrio para reacender com a esperança da luz de Yan Da. Apesar de todas as coisas que se mostravam contra ou colocavam o retorno dela em perigo, o príncipe escolhia confiar que conseguiria trazê-la em segurança, ofereceria a ela a segunda chance merecida mesmo que ele mesmo não pudesse compartilhar dela. Desejava uma vida de felicidade para Yan Da, uma vida livre de qualquer amarra com a amargura ou a culpa, ele daria o que fosse preciso para isso.
Quando chegou mais próximo do Pavilhão do Silêncio, perguntou-se se as coisas entre Lan Shang e a avó realmente haviam se ajeitado. Acreditava que sim considerando não apenas a maneira como as duas pareciam próximas na última reunião que tiveram, mas, sobretudo, pelo amadurecimento da sereia. O príncipe do gelo procurava entender a obsessão da sereia pelo seu irmão, tal como ele próprio, Lan Shang crescera em um universo que a moldara para ser como era, mas ela superou as adversidades e dificuldades se transformando numa mulher forte, determinada e ávida pela vida que não tivera. Ele sentia orgulho dela e não duvidava que Shen Hairong sentiria o mesmo.
Foi recepcionado por uma criada que o levou para a sala onde a rainha sereia o esperava ao lado da neta. Não havia mais, ele notou, a carranca casmurra no rosto da conservada senhora, mas ao contrário, ela parecia rejuvenescida com o retorno da neta. Shi fez uma respeitosa reverência, recebendo o sorriso maternal da mulher.
— Não há mais necessidade disso, menino. — Disse em tom bem humorado. — Essas velhas convenções não fazem mais sentido para nós.
— Permita-me reverenciá-la enquanto ainda sou eu e você é você. — Shi sorriu.
A mulher anuiu com um sorriso satisfeito.
— Sim, sim, você cresceu divinamente às dificuldades. Vejo o homem que você deveria ter sido e o rei que se tornaria realmente. Mas não o chamei para falar do passado, estou aqui para ajudá-lo em algo na sua missão final.
O príncipe olhava-a com curiosidade, Shen Hairong apontou para ele uma cadeira e fez um sinal para Lan Shang que deixou o cômodo em seguida.
— Estive a par do andamento do Rito do Sol Adormecido, a parte mais importante, creio eu, ninguém lhe falou ainda e merece uma atenção especial. — Continuou. — Acredito que alguém já deva ter lhe dito sobre a Essência do Silêncio.
Shi sentiu um gelo subindo pela sua espinha ao ouvir a expressão outrora o fogo ancestral havia lhe dito para ouvir o silêncio dentro dele, mas, tal como a chave mestra, o príncipe não fazia ideia do que aquilo significava. Lan Shang voltou para a sala trazendo uma caixa de madeira ornada com conchas coloridas, ela entregou o objeto a ele e sentou-se ao lado da avó. Shi encarou a caixa por longo tempo sem abrir, ergueu o olhar para Shen Hairong que apenas anuiu como uma permissão, dentro da caixa havia uma espécie de concha gastrópode de cor incomum, em variados tons de azul e lilás, era cônica e mais ou menos de quarenta e cinco centímetros, com um orifício oco e vários sulcos esculpindo-a, era uma peça bonita, mas ele não entendeu o ponto em questão.
— Algum tempo atrás visitei a tribo do fogo. — Revelou ele, segurando a concha na mão. — O fogo sagrado me falou para ouvir o silêncio dentro de mim, mas não entendi o que quis dizer. Na verdade, pouca coisa tem feito sentido para mim desde que Yan Da foi embora.
— Pois muito bem, permita-me ser aquela que vai lhe dar a explicação que precisa. — Anuiu a sereia. — Sei que está de partida amanhã, mas tão logo retorne gostaria que praticasse comigo por algum tempo até a proximidade do ritual.
— Ficaria honrado, majestade. — Assentiu.
— O que chamamos de Essência do Silêncio é um estado de autorreconhecimento profundo, nos quais somos capazes de separar quem somos das demais personas que habitam dentro de nós. — Explicou. — É como uma espécie de transe hipnótico no qual você mergulha dentro de si mesmo e, ao separar-se e reconhecer-se, é capaz de alcançar o que se chama de chave mestra, esta, por sua vez seria a essência do seu poder. Você, Ying Kong Shi, tem pelo menos quatro personas das quais precisa se separar: o príncipe do gelo que foi um dia, o príncipe do fogo no qual o tornaram, o homem que você acha que deveria ser e aquele que você é de verdade.
— Quando você adentra em si mesmo é bombardeado por pensamentos que tentam corromper sua mente. — Continuou Lan Shang. — Por isso é um processo delicado, perigoso e que pode ser muito difícil. A maioria das pessoas apenas evita se confrontar permitindo-se ser enganadas por sua mente. Se você conseguir, no meio do caos de pensamentos, lembranças e delírios que vão explodir no seu interior, encontrar o silêncio dentro de você, vai poder acessar a chave mestra e, com ela, será capaz de usar a capacidade máxima do seu poder.
Ela explicou ao príncipe que a tribo das sereias era uma das tribos mais eficientes em realizar aquela prática, pela própria calma do oceano, e a concha que ele segurava funcionava como uma espécie de canal para entrar no subconsciente. Todavia, era necessário tempo e preparação para praticar aquilo. Como ele estava prestes a executar o Som da Tempestade, uma demonstração da Essência do Silêncio poderia desgastá-lo.
— Disse que a essência do silêncio é fundamental para o ritual, mas nem Huang Tuo e nem Yue Shen me disseram isso. Em que parte é importante? — Perguntou, por fim.
— Não sei o que eles têm na cabeça que não te falaram isso, mas entre todos a única pessoa capaz de puxar Yan Da do Diyu é você, isso está claro. Huang Tuo e Xing Jiu conduzirão o Rito do Sol Adormecido, mas é você, Ying Kong Shi quem vai fazer o trabalho difícil. Quando a vida e a morte forem uma só, se você estiver perdido em si mesmo nunca conseguirá alcançar a princesa do fogo a tempo.
Baixando o olhar novamente para a concha em suas mãos, Shi sentiu, pela primeira vez, um medo muito profundo. Podia com facilidade enfrentar um exército, sofrer a pior das dores e encarar a morte. Não temeu ao enfrentar Lian Ji, ao reviver o passado tão odiado, mas enfrentar a si mesmo prometia ser sua batalha mais difícil e olhar para dentro do seu ser o assustava mais que qualquer coisa no mundo. Shen Hairong pareceu perceber o temor em seu rosto porque levantou da poltrona onde estava sentada e apoiou gentilmente a mão em sua cabeça fazendo um afago suave em seus cabelos prateados.
— Vou ajudar você, com o treinamento certo, não há nada a temer. — Prometeu.
— Você é forte, Ying Kong Shi. — Emendou Lan Shang. — Suportou muita coisa ao longo de toda a vida. Pode fazer isso, eu sei que pode.
Olhando as duas ele sorriu, agradecendo com sinceridade profunda tudo que estavam fazendo por ele. De repente, era como se as coisas no universo estivessem se ajustando, num passe de mágica os antigos amigos distantes se reaproximavam, as antigas desavenças eram esclarecidas, a única pedra que ainda insistia em permanecer no seu coração era a profunda mágoa por Ka Suo. Não se via perdoando o irmão por ter matado Yan Da, não conseguia acreditar nele. Encarando Lan Shang, Shi prometeu a si mesmo que não importava o rumo escolhido pela sereia ele seria sempre seu mais fiel apoiador.
※※※
Todos estavam no átrio do Palácio das Essências quando Shi, Chao Ya e Pian Feng estavam prestes a partir. Ka Suo ficou mais atrás observando o grupo de longe consciente que sua presença não era desejada. Huang Tuo insistiu em acompanhá-los aquém de todas as queixas feitas pelo guerreiro do vento acerca do perigo da música quando tocada com energia espiritual. “Por isso mesmo é crucial ter um curandeiro por perto!” Argumentou o médico e os demais nada puderam fazer. Yue Shen, embora se preocupasse com o marido, aceitou ficar com os demais e continuar estudando o rito do Sol Adormecido com Xing Jiu.
Lan Shang e a avó ofereceram votos de sucesso. Xing Jiu deu a Huang Tuo um cubo dos sonhos para se comunicar caso ocorresse alguma emergência. Os quatro agradeceram aos amigos, abraços foram trocados, finalmente Shi abriu o portal e os quatro atravessaram, Pian Feng não conseguia conter a mistura de ansiedade e preocupação, no fundo do coração o receio de como reagiria ao ter a chance de falar com sua fadinha, se forçava a manter o foco no que precisava fazer, diante de algo tão problemático como o Som da Tempestade não podia se perder nas emoções.
O Declive das Cerejeiras estava igual a última vez em que estiveram ali. As belas árvores altas que desafiavam o clima glacial e floresciam sem nunca murchar, o coração do príncipe apertou ao imaginar o desaparecimento daquele lugar. Sentiria saudade de se abrigar sob os espessos galhos embalado pelo aroma adocicado e as pétalas que volitavam na dança da brisa gelada. Aquele refúgio em tons pastéis era a única coisa da qual sentiria falta ao não ser mais imortal. Respirou profundamente aquele ar aromático guardando mais aquela memória do lugar que guardou seus mais secretos sentimentos e foi o palco da sua tristeza mais profunda.
Como precisavam do vento para o Som Da Tempestade, os quatro amigos pararam diante da caverna onde o corpo da princesa era preservado, Huang Tuo, a pedido de Pian Feng, manteve-se o mais afastado possível para não sofrer nenhum dano provocado pela música, ainda ergueu uma barreira de enrgia em torno de si — exigência de Shi — para protegê-lo das ondas sombrias que a melodia emitia. O médico estava tocado com a preocupação dos amigos, mas sentia-se um pouco desapontado por não poder ver a execução de uma peça tão complexa mais de perto.
Chao Ya sentou em uma rocha mais baixa, tirando um prendedor do cabelo que se transformou na lira de sete cordas que usava. Shi posicionou-se a alguns passos paralelo a ela e tirou de dentro das vestes a flauta de jade. Pian Feng era o primeiro a começar, sentou-se na neve e fechou os olhos e invocou os quatro ventos que, convergindo-se em um mesmo elemento, formaram um dragão nos céus, o guerreiro respirou fundo várias vezes mantendo a concentração total na sua tarefa, o dragão de energia dançou no céu por algum tempo agitando todas as árvores ao redor até finalmente parar.
Apenas no momento que os olhos de Pian Feng abriram-se outra vez agora em um cintilante tom de azul-água, Chao Ya e Ying Kong Shi começaram a executar O Som da Tempestade, as notas obscuras da música dançaram no ar indo em direção ao dragão que se moveu com mais ferocidade se contorcendo ao ser atingido pela melodia, ele voou baixo em torno deles quase desequilibrando Shi e Huang Tuo, açoitou as árvores com mais violência levando galhos e folhas para longe até por fim entrar na caverna permanecendo lá todo o presto, que compunha a primeira parte da música. Nesse movimento mais rápido, tanto Shi quanto Chao Ya mostravam uma habilidade que deixou Huang Tuo chocado.
Quando a melodia decaiu para um adagio e as notas se tornaram pesadas e sombrias, até mesmo o céu claro se mostrou acinzentado, as ondas de energia que emanavam do casal de músicos eram avassaladoras e Pian Feng precisava de muita força para manter-se incólume. Por um momento, o curandeiro se perguntou se devia extender seu escudo para o amigo, mas temia atrapalhar a execução se o fizesse. O dragão de vento saiu da caverna no meio do adágio e parou no semicírculo que eles formavam ali, o guerreiro do vento disse, num tom de voz tão obscuro quanto o da própria canção, apenas duas palavras:
— Está aqui.
※
Yan Da suspirou pela milésima vez desde que começou a tentar localizar, dentro de si, a tal chave mestra dita por Peng Peng. Estava começando a se sentir frustrada e incerta quanto ao seu futuro, foi nesse momento que um vento muito violento uivou contra a rocha da caverna e entrou fazendo as chamas das velas oscilarem, ele trazia uma música nunca antes ouvida por ela, as notas eram carregadas de dor, medo e desespero, pareciam puxar da princesa os sentimentos mais profundos e esquecidos da sua alma.
Enquanto a ouvia, o vento a cercou e Yan Da percebeu que não conseguia se mexer, presa na canção e naquele vento intempestivo. Conforme as notas pareciam penetrar sua pele, ela via uma sombria tempestade agitando as águas turbulentas de um mar enquanto estava à deriva numa tortura infindável de afogar e reviver. Um grito agudo escapou da sua boca sem que ela sequer notasse que era seu até a nota se sobrepor às demais, foi quando pensou ter ouvido a voz de Pian Feng.
A coisa mais assombrosa era que, apesar do vento ali dentro ser muito forte e carregado, nada saía do seu devido lugar e mesmo as velas e archotes bruxuleavam na caverna como se nada estivesse acontecendo. Por algum tempo ela lutou contra ele, mas as cordas invisíveis e geladas atavam seu tronco sem dar espaço para qualquer movimento que não fosse a respiração. Yan Da fechou os olhos e se concentrou, estava na montanha Kunlun, um lugar sagrado onde nada era permitido entrar, nessa lógica, aquele não devia ser um vento qualquer, talvez se concentrasse seu pensamento e se conectasse com ele conseguiria ouvir ou sentir além.
“Yan Da?”
O coração da princesa agitou-se ao reconhecer a voz do guerreiro do vento. Era nítida e limpa como se ele estivesse ali ao seu lado. A pressão do vento no seu corpo relaxou junto com ela ao dar-se conta que aquele era o poder do seu amado irmão, melhor amigo e pai. Lágrimas encheram os olhos de Yan Da e, não fosse a pressão daquele vento, ela imaginaria que estava sonhando.
— P-Pian ge? — A voz tremulou. — É mesmo você?
“Pelo manto de gelo, você ouviu”
— Não é como se você tivesse batido antes de entrar. — Ironizou. — Como isso é possível?
“Haverá tempo para os detalhes. Onde você está?”
— Ahn... alguma caverna na montanha Kunlun. Peng Peng me trouxe para cá a... algum tempo.
“Quer dizer que você não se submeteu a nenhum julgamento nas cortes do Diyu.”
— Não. Estou ilesa. Ele disse que eu poderia voltar. Posso, Pian ge?
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