Love and Blood
14 Capítulo Treze
Notas iniciais
POV Eddie Castile
Oficialmente, o caso do acidente dos Dragomir permanecia fechado. Isso não me impedia, entretanto, de rever os relatórios e ir atrás de algumas pessoas daquela noite. Principalmente porque, diferentemente dos policiais locais que lidaram com o caso, minha jurisdição não era restrita e eu sabia pelo que procurar: inconsistências.
A perícia disse não haver indícios no local de algum agente externo – como um carro – para causar o acidente. Um erro comum é fixar-se nisso e acabar não enxergando outras provas que poderiam indicar o contrário. Meu trabalho seria procurar essas provas, ainda mais porque, se Rose tivesse razão e Viktor estivesse envolvido, o responsável por esse trabalho seria um profissional e sabia o que fazer para encobri-las.
- Você madrugou? Ou nem foi pra casa?
Mason sentou-se a mesa de fronte à minha e ligou o seu computador.
- Vim mais cedo. Queria rever o relatório da perícia antes de sair. – expliquei tomando o resto do café. Era o quarto que eu tomava. – Rose pediu para eu falar com a mulher que viu Viktor e Eric discutindo, quer saber se ela se lembra de algo.
- Isso não faz quatro anos?
- Quem sabe tenho sorte? De qualquer forma, eu tenho o depoimento dela aqui, quero ver se bate ou se de repente ela se lembra de algo mais. – juntei os papeis e fechei a pasta – Vem comigo?
Mason franziu o nariz e esfregou a mão no rosto.
- Gostaria, mas não posso. Hans pediu pra eu resolver uns papeis pra Rose. Ele quer que ela e Belikov mudem-se o mais rápido possível para a casa deles e saiam da casa do Dashkov.
- Tudo bem. Eu volto pro almoço.
- A gente conversa depois então. Se eu terminar logo eu vejo se adianto algo pra você com isso.
Miranda Leon não tinha muito para me dizer. Ela havia substituído uma amiga que estava doente de cama no dia e não poderia servir na festa. Ouviu a discussão quando recolhia copos e sujeira próximos à sala onde Viktor e Eric estavam. Só soube dizer que Eric parecia insatisfeito e Viktor indiferente.
- A única coisa que posso dizer com certeza de que ouvi foi o final da discussão – informou-me – Estava me afastando quando o homem mais moço abriu a porta com força e saiu irritado. Ele gritou para o outro: “Isso vai acabar. Você me dá nojo”.
- E como Viktor reagiu? Ele respondeu algo?
- Viktor é o mais velho? Não, ele não disse nada. Mas pareceu possesso. A cara dele quando me olhou e me mandou ir buscar pela namorada dele me deu medo.
- Namorada? – conferi as anotações que havia feito antes. Não me lembrava de ter lido sobre isso. – Viktor te mandou chamar alguém? Você disse isso para o policial na época?
- Olha moço, desculpa, mas não me lembro se disse ou não. – ela pareceu envergonhada – Ele me mandou ir fazer algo útil e chamar uma moça.
- Você se lembra do nome dela?
Ela negou com a cabeça e dei a entrevista por finalizada.
A tal moça que Viktor a mandou chamar, provavelmente, deveria ser Natasha, já que eles foram encontrados juntos horas depois. Por que Viktor a mandara chamar era um mistério. Poderia ser uma coincidência ou ela poderia estar envolvida no problema que levou a discussão entre os dois.
- Ela tem certeza de que Eric Dragomir usou essas palavras?
Encontrei-me com Mason no almoço e lhe informei sobre a entrevista com Miranda.
- Sim. Ela disse ter certeza dessas palavras. Nojo. Se Eric descobriu sobre Viktor e seus negócios, temos uma motivação.
- Se Eric estava tão irritado, ele pode ter sido imprudente também, e estamos de volta ao acidente.
- Precisamos eliminar essa dúvida de vez. Há uma testemunha que gostaria de conversar novamente, o cara que chamou a policia. Ele disse em seu depoimento que vinha na direção contrária e ouviu um barulho forte. Logo após a curva encontrou com o carro em chamas.
- Ele não viu nada nem ninguém antes talvez depois?
- Diz que não. Mas quero confirmar.
- É, imaginei. Terminei o que Hans me pediu e dei uma revisada no caso. – tirou do bolso um papel e jogou sobre a mesa – Ele está numa casa de repouso. Se sairmos agora, conseguimos voltar até o final da tarde.
- Eu dirijo.
No caminho discutimos se deveríamos ou não avisar sobre nossa chegada. Não éramos obrigados, mas chegamos à conclusão que seria bom. Mason se encarregou disso e consequentemente, ao chegamos ao lugar, havia uma pessoa esperando por nós.
- O senhor Stuart é um dos mais agitados aqui. – informou a moça responsável por nos guiar – Chegou aqui no ano passado, depois que a esposa morreu. Os filhos não têm condições de ficar com ele, trabalham demais, não gostam de deixa-lo sozinho. Mas quase todo final de semana ele passa com eles. E durante a semana eles têm muita liberdade por aqui, Stuart sai para caminhar e visitar alguns amigos.
Não respondemos e ela nos lançou um olhar ansioso.
- Desculpem-me, mas porque os federais tem interesse nele? – indagou parando numa porta de vidro que dava ao jardim – Sonegação ou algo assim?
- Apenas rotina, não se preocupe. – respondi com um aceno de cabeça. – Podemos ir sozinhos agora, obrigada.
Hesitante, ela nos observou atravessar a porta e ir em direção ao senhor de costas para nós.
De cabelos brancos e gestos ágeis, Hector Stuart mostrava-se um senhor cheio de vigor e sanidade mental. Recebeu-nos com um sorriso e confusão, mas assim que o informamos o porquê estávamos ali, pareceu incomodado.
- Já disse tudo o que vi para o policial. Estava voltando para casa e ouvi um estrondo grande. Logo depois que fiz a curva vi um clarão e parei. Chamei a policia quando vi o carro pegando fogo fora da estrada. Só depois vi o rapaz caído. Foi terrível.
- E o senhor não viu nada estranho? Não cruzou com um carro antes de ver o acidente? Não viu ninguém se afastar?
- Nada.
- Tente se lembrar, senhor. Qualquer coisa é alguma coisa.
- Já disse, nada. – ele respirou com dificuldade e decidi não pressioná-lo mais.
- Desculpe-me perguntar – continuou Mason gentilmente, após um tempo – mas há quatro anos o senhor era apto para dirigir? Principalmente à noite?
- Nem todo velho é inútil, rapaz. – ralhou, mas sem parecer irritado. A mudança de assunto o deixou mais a vontade novamente – Há quatro anos eu circulava na estrada a qualquer hora e qualquer tempo, sabe? A velhice não é a mesma hoje em dia, com tantos médicos, remédios e coisas para gente da nossa idade fazer. Não, só fica um velho inválido quem quer.
- Desculpe, não quis ofender.
- Não tem problema, entendo. Vocês, jovens... Eu vim parar aqui por conveniência. A casa era grande demais sem minha esposa. Hamptons tornou-se longe demais. Quando meus filhos sugeriram que viesse para cá aceitei. Eu tinha umas economias guardadas, de qualquer modo.
Ele se interrompeu e ficou pensativo. Então escondeu o rosto nas mãos e suspirou.
- Se não se importam, gostaria de me retirar. Estou cansado.
- Sim, claro. – respondi, levantando-me. – Obrigada pelo seu tempo.
- E desculpe qualquer incômodo. – acrescentou Mason.
Não pude deixar de notar a estranheza na qual Stuart tinha agido. O assunto o deixava nervoso, de uma maneira que não achei muito natural. Não era como se ele sentisse pela família, mas sim como se tivesse culpa. Eu até poderia ser novo como investigador, mas Hans me dizia que eu tinha bons instintos, e ele me dizia que tinha algo errado com esse depoimento.
Depois da casa de repouso, Mason e eu voltamos para a Agência e revisamos alguns papéis.
- Estamos perdendo algo. – afirmei revoltado após quase duas horas nesse trabalho cansativo – Deixamos passar algo, Mase. Eu tenho certeza.
- Okay, vamos lá. – ele se reclinou na cadeira e fechou os olhos – Eu sou Viktor e briguei com Eric. Ele descobriu algo sobre mim, algo que ninguém pode ficar sabendo. Então eu tenho que o calar, naquela mesma noite antes que ele abra a boca. Decido dar um susto nele, passar um aviso. O que eu faço?
- Não pode ser algo chamativo. Nada que chame atenção para mim. Algo sutil e que passe despercebido aos outros, mas que Eric entenda. Algo como...
- Um carro me seguindo? Uma ameaça que acaba numa tragédia?
- Mas não há indícios de um segundo carro. A pista estava escorregadia, era noite. E a testemunha chegou quase a seguir, não viu nada.
Mase parou para pensar. Franziu a testa e sentou-se novamente, procurando algo nos papeis em sua mesa.
- E se o carro, o segundo carro, provocou o acidente? Por isso não há provas físicas, ele nunca chegou a tocar no carro de Eric. Mas pode ter feito manobras perigosas e por causa da pista escorregadia, Eric perdeu o controle do carro. É plausível.
- Se houve realmente esse segundo carro, ele deve ter saído de Hamptons, de um lugar perto para poder seguir Eric. À mão de Viktor.
- Talvez da própria festa. – sugeriu Mase encontrando algo nos papeis que o fez erguer as sobrancelhas – Como a segurança particular do Dashkov.
- Ele tem segurança particular?
- Sim. E estava a serviço na noite em questão.
- E se alguém o seguiu da festa... alguém deve ter visto.
Busquei na minha cópia do caso a lista de convidados e dos trabalhadores. Segundo constava nos relatórios, a casa de festas possuía um pessoal contratado e fixo deles.
- Se alguém viu algo, devemos começar com quem lida com carros.
- E a segurança. – completou Mason olhando sua própria lista – Havia alguns patrulhando a propriedade naquela noite. Eles podem ter algo também.
- Amanhã então, vamos a Hamptons.
Quatro manobristas trabalharam na noite do acidente. Sentei-me separadamente com cada um, tentando retirar alguma coisa nova sobre aquela noite. Era pedir demais, detalhes de algo que aconteceu há quatro anos em um trabalho no qual eles faziam quase mecanicamente. Nenhum deles pareceu ter algo novo para me contar.
- Eu lembro que fui buscar o carro do sr. Dragomir e sua família, ele me deu uma ótima gorjeta. – disse-me o último a ser entrevistado – Mas não sei se depois dele mais alguém saiu. Vieram me chamar e eu entrei por um cinco minutos.
- Então você deixou a entrada sozinha?
Ele pareceu envergonhado.
- Sim senhor. Era para trabalharmos em dois por turno, mas estávamos no meio da festa, ninguém sairia àquela hora. Tirando o Dragomir e o outro.
- Outro?
- É. Quando eu voltei ouvi um barulho de motor. Não era do Dragomir porque eu cheguei a vê-lo partir. Deve ter sido outra pessoa que cansou de esperar.
- Alguém saiu após os Dragomir?
- Aparentemente sim.
Franzi a testa.
- Você disse isso a alguém na época. Não sei. Talvez tenha comentado, mas eles não estavam muito interessados no que eu tinha a dizer, a não ser na hora que eles, a família morta, partiram.
- Você ficou lá até o final da festa? Sem deixar seu posto? – ele balançou obedientemente a cabeça – Alguém chegou após isso?
- Não sei dizer, senhor. Foi uma bagunça a meia hora seguinte, por causa do acidente.
Liberei-o depois disso, um pouco irritado, frustrado e muito curioso. Alguém saíra após Eric Dragomir. Era suspeito, devido ao nosso novo ponto de vista. Ainda mais porque esse carro parecia não querer ser visto.
- E ai, como foi? – indagou Mason se largando no banco do carona – Alguma coisa?
- Só que quem investigou esse caso há quatro anos estava com muita preguiça. Odeio policial negligente.
- Então acho que posso te alegrar um pouco. – disse pegando suas anotações enquanto eu dava a partida – Um segurança alega ter visto um carro de luzes apagadas saindo da festa, pouco tempo após um carro sair com pressa.
Hesitei.
- Stuart disse que não viu nada. Ou o carro voltou sem ver o estrago ou...
- Ou Hector Stuart mentiu pra nós.
Notas finais
Desculpem a demora. É que agora a fic entra mesmo nas investigações, então tenho que tomar toooodo o cuidado para eu não me desviar demais ou me perder. Então não reparem na demora, é para o bem okay? Enchanted, por outro lado, tem capítulos adiantados, então esperem com ela. ;P
E ai, gostaram desse capítulo diferente? Preferi inserir um novo POV pois ele será necessário lá na frente. Eddie está fazendo o que Rose pediu - investigando o acidente do carro - e é algo importante também, como puderam perceber.
Hector Stuart mentiu? Se mentiu, foi sobre o que? As peças estão começando a aparecer, precisam agora montar esse quebra cabeças. Será que alguém sofrerá as consequências disso?
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