Love and Blood

4 Capítulo Três


Notas iniciais
"Nossa discussão havia sido silenciosa, mas sua voz ecoava em meu ouvido como um grito. Eu tinha que me redimir de alguma forma. Então fui atrás dela."

POV Dimitri Belikov


Eu não estava preparado para o que estava por vir. Deveria ter dado ouvidos a Mason e Eddie durante os três meses que passamos trabalhando juntos. Mas Ashford era visivelmente apaixonado por Rose. Castile, apesar de ama-la como a uma irmã, tinha um adoração enorme pela chefe. Como poderia, então, dar ouvidos a dois apaixonados, cada um a sua maneira? Claro que a opinião e conceito deles estariam alterados!

Mas estava enganado. Terrivelmente enganado.

Rosemarie Hathaway fazia jus a sua fama. E, pelo o que ouvira na Agência, tão boa quanto sua mãe. Se não melhor. E era linda. Incrivelmente linda e sexy.

Rose, como preferia ser chamada, tinha uma luz própria. Não era nenhuma modelo esquelética, loira dos olhos azuis. Era muito mais que aparências e restrições... era única. Sua personalidade casava com perfeição à sua aparência. Ela era uma mulher forte, decidida e teimosa. E acreditava nas pessoas, apesar de ter sofrido. Tinha uma fé e esperança que a instigava a seguir em frente e a continuar lutando. Sem contar que sua visão das coisas era ampla e diferente. Não analisava como agente ou como mulher. Juntava os dois e adicionava nisso o instinto. Sua teimosia latente às vezes atrapalhava a convivência, mas era tão natural nela, que não faria sentido se não fosse assim.

Mas o que me realmente tirava do sério não era sua beleza – que era estonteante. Mas sim seus gestos inconscientes. Quando amarrava o cabelo, longo e sedoso, em um coque improvisado, deixando à mostra a nuca. Quando ela mordia a ponta do lápis sem perceber ou pressionava os lábios, irritada, parecendo querer sufocar as palavras. A boca dela era linda. Delineada, rosada naturalmente e o lábio inferior mais cheio que o superior de maneira harmoniosa. A pele dela era de um tom moreno, bronzeado. Era macia e cheirosa, pedindo para ser tocada, assim como seus lábios pediam para serrem beijados. Mas mantive-me firme. Sério e controlado, mesmo com suas tentativas de insultos, que viraram provocações sensuais em sua boca.

Não estava preparado pra avalanche de sensualidade e língua ferina que ela teria, não esperava que Rose fosse tão... impossível. E perdi o controle. Por alguns minutos, sai de mim e me atirei sobre ele estritamente para provar dois pontos. Que eu não era um babaca como ele provavelmente pensa que sou, e que eu não era o único a estar ‘na seca’ há um tempo, levando em consideração o choque nos olhos dela e a forma como congelou em baixo de mim. Ela não era a única surpresa, claro.

Portanto, decidi mudar a abordagem. Deveria ser firme, porém não grosso ou ela nunca me ouviria. Teria de tomar as rédeas em tempo integral e fazer dela uma espécie de aprendiz, porque Rose tem sérios problemas com superiores e seguir ordens além do péssimo autocontrole nas ações e na língua. O meu autocontrole era ótimo, embora meu cérebro me alertasse que tinha que tomar mais cuidados. Era necessário que nos mantivéssemos em nível profissional. Envolvimento – físico ou emocional – estava fora de cogitação.

Passamos três dias quase sem sair do apartamento. Saíamos para almoçar em um restaurante na quadra, em nosso papel de casal feliz, andando de mãos dadas e rindo um com o outro; à noite, pedíamos comida. Novas informações sobre Dashkov haviam chegado, ultimas transações, contados e reuniões. Nada chamativo, mas que poderia ser importante no futuro e, por isso, devíamos analisar. Além de tudo, deveríamos pensar em um momento para nos apresentarmos e fazermos amigos no meio, se dermos sorte, conhecer o próprio que estava na cidade.

– Dimitri!

Era noite e esperávamos o jantar chegar. Rose pedira comida indiana desta vez e ela havia ido tomar banho após uma tarde cansativa de discussões. Sua voz ao me chamar era animada e urgente, e eu sabia que ela tinha tido um plano. Depois, quando digo que tomar banho ajuda a mente, ela ri de mim.

Apressei o passo até seu quarto e estaquei na porta. Rose tinha os cabelos molhados e estava descalça. Usando uma toalha branca que cobria apenas o que tinha que cobrir. Com habilidade, embora estivesse terrivelmente abalado com a beleza de seu corpo exposto, vesti minha máscara séria e impassível de agente, e pigarreei para indicar minha presença.

– Lembra que você disse que seria bom irmos a uma festa? Bom, temos uma para ir! – disse-me ela virando para mim com os olhos cor de chocolate brilhando – Daqui um mês vai ser a inauguração de uma nova galeria, eu ouvi uma mulher comentando no restaurante hoje cedo. É uma artista nova, então procurei sobre ela; adivinha quem é seu maior investidor?

– Viktor Dashkov?

– Exatamente! É uma oportunidade perfeita para nós os conhecermos.

Mantive meu olhar preso em seu rosto, tentando ignorar o quão absurdo era estar no mesmo quarto que ela. Usando apenas uma toalha. E molhada.

– Dimitri. – ela deu alguns passos em minha direção, e eu podia sentir o perfume de seu shampoo de morango – Viktor é conhecido por ser mulherengo e não para nem quando a mulher é casada. Bem, eu sou casada!

– Rose, aonde que você quer chegar?

– Que através de mim podemos chegar a ele.

Eu não lhe respondi. Esperava que ela risse e dissesse que estava brincando comigo, embora eu soubesse que não. Sabia quando ela mentia, e este não era o caso.

– Você está falando sério.

Não foi uma pergunta, mas Rose me respondeu mesmo assim.

– Pense bem! Dimitri, a gente vai nessa festa e eu procuro chamar sua atenção sutilmente. Ele virá atrás de mim e eu te apresentarei a ele. É simples.

– E perigoso. – interrompi erguendo uma sobrancelha – Rose você não vê o perigo? Viktor vai tentar te seduzir e te levar pra cama. Sabe-se lá Deus o que ele pode fazer com você!

– Nada. Eu sou mais rápida e mais forte que ele se ele se atrever a tentar fazer alguma coisa contra a minha vontade.

Ela não se deixou desanimar e abater pelo meu pessimismo. Na verdade, parecia ainda mais determinada a me convencer.

– Isso pode funcionar. – concordei por fim, coçando a nuca em desconforto. – Mas gostaria de falar com o Hans sobre isso.

– Ele não vai se meter. – respondeu convicta com um sorriso vitorioso ao entrar no closet. – O trabalho dele ele já fez, o resto é conosco, lembra? Se te faz sentir melhor, fale com ele. Mas ele não vai se meter

– Tenho certeza que não... – murmurei pra mim mesmo – Amanhã quando os vir converso com ele então.

Eu a ouvi rir, e sua silhueta apareceu na porta, trajando um top preto e uma daquelas calcinhas tipo cueca feminino. Não pude deixar de sentir meu corpo todo esquentar com o que vi. Mesmo usando roupas, era possível perceber que Rose era dona de um corpo e tanto. Mas uma coisa completamente diferente era vê-lo... seminua.

– Eu conheço e trabalho com Hans tempo o suficiente para prever suas ações. – dei nos ombros, desviando o olhar para a janela. Rose riu baixinho. – Hey, camarada. Dimitri, você pode olhar pra mim, sabe? Não é com se eu estivesse pelada.

Eu quis rir em escárnio.

– Não, você não está nua. Mas falta bem pouco pra isso...

– Larga de ser azedo. O que estou usando não é nada vulgar. É mais ainda que biquíni. – ela riu novamente e adentrou o closet para meu alivio – Mas já que você se sente mal por isso, desculpa... Eu ponho uma roupa. Não imaginava que você não gostasse disso, sabe?

Ela estava me provocando, novamente. Não se cansava em me testar? Tinha sempre que dizer alguma coisa, ser tão... impulsiva? Rose, o que você queria provar?

– Do jeito com você praticamente me agarrou no outro dia, eu nem desconfiaria. – Ela saiu do closet pronta, usando um conjunto de moletom vermelho – Mas tudo bem, eu entendo sabe? Já tive amigos gays, e uns pegam mulheres por que tem medo de se assumir. Sem preconceito, mesmo.

Com um sorrisinho cínico, Rose passou por mim em direção à porta. Meu autocontrole se esvaiu completamente. Agarrei seu braço e a puxei de volta. Prensei-a contra a parede e a encarei com seriedade e raiva.

– Não sei qual o seu problema, se sou eu ou você, Rose, mas isso tem que acabar. – Avisei nervosamente – Querendo ou não, eu sou mais velho e o seu superior e exijo respeito que, até agora, apenas eu tenho demonstrado. Hans te deu a oportunidade de dizer não e você recusou, portanto agora arque com as consequências e me ature ou então todos os anos de investigação irão pro água abaixo e tudo será culpa sua, Rose. Então deixe o orgulho ou sei lá o que te move contra mim de lado e passe a agir como uma mulher de 21 anos que você é.

Precisei recuperar todo o meu autocontrole para poder dar-lhe o aviso com seriedade, e não tremer diante aqueles olhos de chocolate que brilhavam arregalados. Permanecemos em silêncio por alguns segundos que pareceram horas. Fora Rose quem o quebrou, sua voz melodiosa superficialmente controlada.

– Vou esperar a comida chegar lá embaixo. Ficar enfurnada dentro desse apartamento com trabalho direto está me deixando louca.

Antes que eu pudesse responder, ela passou por baixo de meu braço e saiu. Permaneci quieto no quarto até ouvi-la bater a porta.

Rose poderia ter seus vinte anos, e até parecia adulta, mas agia feito uma adolescente problemática. Sempre com respostinhas irônicas e falando sem pensar. O que tinha de inteligente e dedicada tinha de impertinente e imatura. E, por Deus, ela ainda sim conseguia ter um efeito sobre mim. Mais do que gostaria de permitir.

Resolvi tomar um banho longo. Quem sabe assim não esfriasse a cabeça e pensasse racionalmente novamente? Banho sempre eram relaxantes e me permitiam pensar. Como se o vapor da agua abrisse minha mente e pudesse ver as coisas como elas eram.

Dessa vez, o banho me mostrou o que não queria ver. A ideia de Rose da abordagem era perfeita. Mas não queria aceitar pelo simples fato de não suportar a ideia de tê-la a mercê de Viktor e seus homens. Sequer o pensamento de que Viktor poderia tentar algo com ele me tirava do serio. Teríamos que ser cuidadosos, eu em dobro por nós dois. Se Rose não se preocupava o suficiente, eu completaria a demanda.

Assim que sai do banho, meu estado mental estava alerta. Não teria chances de perder o controle, não mesmo. Não me permitiria isso. Vesti uma camisa preta e jeans azul escuro e optei por usar tênis desta vez. Resolvi que permaneceria extremamente profissional a partir de agora. Incluindo as roupas.

Minutos depois Rose voltou com a comida e jantamos em um silencio desconfortável. Ela não me olhou ou falou comigo diretamente e me expulsou da cozinha logo depois que terminamos para que ela pudesse arrumar as coisas ali, e minha ajuda não era necessária.

Ela vagou da cozinha para a sala, onde eu estava lendo, procurando o que fazer e arrumar, mas já tinha feito tudo. Não arranjando desculpa, ela sentou-se no sofá a minha frente e mesmo sem olhar para ela sabia que estava me olhando.

– O que é, Rose?

– O que você está lendo?

Por algum motivo, sabia que esta não era a pergunta que ela queria me falar. Sabia também que ela não queria realmente me perguntar algo, mas a respondi mesmo assim.

– Talvez você não esteja muito acostumada a ver essas coisas, mas chamam-se livros, sabe?

– Haha. Muito engraçado, Dimitri. Mesmo. Parabéns, achei que não soubesse dar respostas engraçadinhas.

– É um livro de faroeste. Você não conhece.

– Qual é essa sua de faroeste? Quero dizer, você usa aquele seu guarda-pó, e botas, e tem toda pose de xerife.

Eu abaixei o livro e ergui os olhos para ela. Seu olhar estava mascarado e sua boca tensa, o que me fez ficar em alerta.

– O que é, Rose? – repeti erguendo uma sobrancelha inconscientemente – Chega de enrolar e vá direto ao ponto.

– Me desculpe. – ergui as duas sobrancelhas, não acreditando no que ouvia – Yeah, eu sei. Surpreendente, Rose está pedindo desculpas.

– Mas... desculpas pelo que?

– Por ter agido feito uma idiota agora mais cedo... e, bem, ter agido como uma idiota com você meio que o tempo todo. Enquanto esperava eu meio que vi que estava agindo feio uma adolescente mimada.

– Sim, você agiu.

– Hey, não precisa concordar! – Rose exclamou ultrajada, e me senti tentado a rir – Apenas cala a boca e me escute!

– Tudo bem, me desculpe. – fechei o livro indicando que ela teria toda a minha atenção – Prossiga.

– Como eu dizia... Eu não agi certo com você, e quero me desculpar. Entenda que sempre trabalhei com Mase e Eddie ao meu lado, e que é meio estranho pra mim, ter um companheiro novo de uma hora para outra. Principalmente um mais velho e, ugh, mais experiente.

– Entendo perfeitamente. – Rose me olhou séria – Desculpe. Não te interrompo mais.

– Não foi legal eu ter dito aquelas coisas para você naquela noite, ter insinuado o que não sei. – eu sabia qual noite ela se referia: a que me joguei para cima dela quando meu autocontrole não estava muito bom. – Não foi certo, mal te conheço, não posso sair falando assim.

Ela se mexeu desconfortável no sofá. Rose não era do tipo que se abria. Ela sofria em silencio, custe o que custar.

– E também não foi certo ter te provocado esta noite. Foi mesquinho, embora... – ela sorriu de lado, um sorriso maroto e lindo – tenha me pegado de surpresa a forma como que você reagiu. Dimitri, você tem fortes tendências a provar que as pessoas estão erradas desta forma ou é só comigo?

Só com você, Rose. Mas não é algo que você precise saber. Ela não esperou que eu respondesse e continuou.

– Acho que merecia ter ouvido isso. E, bem, nada piro aconteceu não é? Apenas alguns lapsos de controle, não foi como se tivéssemos nos beijado nem nada, quero dizer, somos parceiros, não é? Vamos fingir que somos casados e terá, eventualmente, beijos entre nós. Temos que manter isso no nível profissional.

O assunto deu um salto. De seu momento de desculpas para nossa relação. Não sei se ela havia planejado isso, mas já que não estava mais em seu momento ‘honestidade’, não via motivos para apenas ouvi-la falar.

– Eu entendo e concordo com você, Rose. Mas não acho que teremos problemas quanto a isso. Como você disse, nada pior aconteceu. Não é preocupante. – usei um tom casual, mas Rose pareceu um tanto surpresa com minha resposta. Se não soubesse, diria decepcionada. – Quero dizer, somos profissionais, não é? Podemos lidar com isso.

– Ahn... Claro. – ela se levantou, mas ainda havia vestígios em seus olhos de desconcerto – Bem, que bom que nos entendemos. Boa noite, Dimitri.

– Rose, espera. – a chamei antes que saísse da sala – Por favor, sente-se, vamos conversar.

– Sobre o que quer conversar?

Ela parecia confusa e intrigada. Respirei fundo. Seria um assunto sensível de se tocar. Esperava que ela não começasse com sua irracionalidade.

– Queria que soubesse que eu entendo essa sua atitude. Essa impulsividade e o fato de você não se abrir e ser desconfiada com as pessoas. Eu realmente entendo. E aprecio que queira que as coisas melhorem entre nós. Não sou seu inimigo, Rose, e não tenho a mínima intenção de o ser.

– Eu sei que você não é meu inimigo.

– Então para de me tratar como um. Está sempre na defensiva, com respostas espertas. Por Deus, Rose! Isso me cansa. Posso ignorar a maior parte do tempo, mas não é saudável se queremos passar a Viktor que somos um casal feliz.

– Ah, claro. – ela bufou uma risada irônica – Não queremos que Viktor desconfie, não é?

– O que você quer dizer com isso?

– Quero dizer que eu sou o que sou, e não vou mudar por causa de um merda como ele. Sou uma ótima atriz, Dimitri. Fingir ser o que não sou é que vai acabar estragando tudo; me desculpe, mas não farei isso porque você quer.

– Eu não estou pedindo nada de mais, apenas pra se controlar. E não é porque eu quero, é pelo bem da missão.

– O bem da missão, claro...

– Você está fazendo de novo. Está na defensiva. Será que é impossível ter uma conversa de adulto com você?

– E agora eu sou a adolescente mimada de novo. Engraçado, você parecia me achar bem adulta na outra noite quando me agarrou.

– Não tente jogar a culpa para cima de mim, Rose.

– Não estou jogando a culpa pra cima de você. Estou expondo os fatos. E o fato é que você me confunde, Dimitri. Uma hora você ache como meu amigo, como meu igual, e na outra age como... como meu pai, ou sei lá!

– Talvez se seu pai tivesse estado presente para te dar umas boas palmadas, eu não precisasse agir assim com uma mulher de vinte anos.

Sua reação foi instantânea. Sua boca formou um perfeito ‘O’ e seus olhos marejaram com lágrimas que ela não derramaria. Fechei os olhos e me xinguei mentalmente. Havia pegado pesado com ela. Não deveria ter dito aquilo. Rose, de todas as pessoas, não merecia isso.

– De todo mundo, todo mundo que conheço, você, Dimitri, é a ultima pessoa que imaginaria que me diria isso.

– Rose... – dei um passo em sua direção, mas ela recuou – Me desculpe eu... eu...

– Não estava pensando. – concluiu ela. A mais pura, e embaraçosa, verdade – Pois é. Desculpas, não vão mudar o que você falou. Eu posso ter sido rude com você, mas nunca, nunca me rebaixaria a este nível.

Culpa me corroeu por dentro, como um veneno em minhas veias. Não havia nada que eu pudesse falar que aliviaria meu erro.

– Assim como não precisei de meu tão amado pai pra me "dar umas palmadas", não preciso de ninguém, Dimitri, ninguém, inclusive você, pra me ensinar, ou seja lá o que você quis dizer com isso.

Ela subiu as escadas correndo e ouvi a porta do quarto bater. Nossa discussão havia sido silenciosa, mas sua voz ecoava em meu ouvido como um grito. Eu tinha que me redimir de alguma forma. Então fui atrás dela.

– Rose? – Bati na porta e a chamei novamente. Na terceira vez eu abri a porta sem esperar resposta – Rose, me desculpe, eu não queria...

– Inferno, Dimitri! Saia daqui! – exclamou. Pude ver seus olhos brilharem, mas era de lágrimas – Me deixe em paz!

Ela estava no meio do quarto, tinha acabado de trocar de roupa, vestido uma camisola de algodão que não seria sexy se ela não estivesse usando.

– Não enquanto você não me escutar.

Ela rugiu e me encarou com raiva pura. Pela primeira vez, eu tive receio de sua reação. Rose era realmente uma das melhores. E não apenas por ser boa agente infiltrada. Quando queria ela poderia mesmo acabar com alguém. Ela me empurrou pra fora do quarto, ficando na porta para evitar que eu entrasse.

– Você acha que pode chegar na minha vida e me dizer o que quiser? Hein? – ela me deu um tapa no ombro, que não doeu em mim, mas foi forte. – Estou cansada de você ficar me dando liçõezinhas de moral, Belikov.

– Rose.

Eu a chamei, mas ela pareceu não me ouvir. Estava com raiva e precisava descontar em algo, ou alguém. Considerando minha atitude tremendamente grosseira esta noite, estava mais que feliz de ser seu saco de pancada.

– E ainda mais ficar falando da minha família? – Ela continuava a me bater, aonde quer que sua mão alcançasse – Com que direito, hein, Dimitri? Direito nenhum! Nunca mais na sua vida me jogue na cara que meu pai me abandonou! Se fizer, é bom rezar por sua vida! Me entendeu, Belikov?

– Eu juro que não foi minha intenção, Rose. Te peço perdão. Não tem desculpas o que fiz, mas te peço mesmo assim.

Ela não me respondeu. Sua atenção estava voltada para seus punhos em meu corpo, mas via que estava cansada e que a raiva agora não era mais a mesma de antes.

– Sim, às vezes eu sou imatura e quase sempre impulsiva. Mas meu pai.., a pessoa que participou apenas com o esperma pra que eu nascesse tem nada haver com isso. Minha mãe pode ter estado ausente a maior parte do tempo, eu posso tê-la odiado e percebido tarde demais que ela queria apenas meu bem, mas ela me amava e estava presente mais do que eu sabia. Então meu pai não me faz falta alguma! Me entendeu?

Rose parou, respirando fundo, segurando a gola da minha blusa firme na mão. Não quis quebrar o silencio e deixei que ela se acalmasse para prosseguir.

– Você é um idiota, Dimitri.

Estávamos muito próximos, o que facilitou para Rose sua próxima ação. Ela me puxou pela blusa e me beijou. Não vou mentir e dizer que não queria, por que eu queria. E como eu queria.

Naquele beijo havia frustração e raiva, por tantos motivos, mas era também suave e delicado. Exatamente como ela era. Por fora uma bomba prestes a explodir, por dentro energia pura e sensível ao mundo a sua volta. Rose me atraia de uma forma incrivelmente desconcertante, que me fazia indagar o porquê. De todas as mulheres do mundo, que passaram por minha vida, por que ela?

Rose não ofereceu resistência quando minha língua acariciou seus lábios, pedindo passagem para aprofundar o beijo. Ela se inclinou para trás pelo meu movimento, mas sem se distanciar. Abracei sua cintura e envolvi sua nuca com a mão livre, enquanto ela abraçava meu pescoço com um só braço. Rose me puxou pra ela e a imprensei contra a parede, sentindo a urgência do beijo aumentar a cada segundo.

Ela mesma havia dito que tínhamos que separar as coisas. Que deveríamos agir com profissionalismo ainda há poucos minutos, e lá estávamos nós. Nos deixando levar. Rose pareceu pegar meus pensamentos e se afastou. Meus braços sentiram a falta da maciez de sua pele, e meus lábios formigavam pelo contato com os seus.

– Isso foi... – dei um passo para trás, espelhando seu olhar assustado – Rose, isso foi errado. Muito errado.

Ela pressionou os olhos e fez um som próximo de um rosnado.

– Boa noite, Dimitri.

Ela havia colocado uma mascara de frieza e raiva, e virou-se bruscamente fechando a porta com força após entrar no quarto. Dessa vez não fui atrás dela.


Notas finais
THARAM!!! POV Dimitri, gostaram!? Senti que é necessário ter o POV dos dois nessa história, afinal, seria complicado os dois investigaram mas terem apenas o POV da Rose...
Esses dois, hein. Mia terá razão? 4 dias já se passaram e já estão assim. tsc tsc tsc Mas depois desse dia conturbado, como será que os dois estarão na manhã seguinte, hein? haha Uma prévia do próximo capítulo:
"- Uma pessoa não beija sozinha. Você retribuiu, Dimitri. retruquei com o mesmo tom de voz petulante Isso não muda os fatos. Além do mais, você já me agarrou antes disso, e eu não fiz nenhum escanda-lo."
NÃO ESQUEÇAM DE DEIXAR REVIEWS! :D