Love and Blood
5 Capítulo Quatro
Notas iniciais
Um sorriso se formou em meus lábios, inconsciente.
Dimitri, realmente, não era um homem qualquer.
Espreguicei-me na cama preguiçosamente, pensando no que faria para o café da manhã. Minha cabeça doía como se estivesse de ressaca, mas não me lembrava de ter bebido a noite passada. Então a realidade voltou como um baque na minha cabeça. Uma só palavra que me fez tremer: Dimitri.
Por um momento, um milésimo de segundo, eu havia me esquecido de tudo isso. Do meu trabalho, das minhas preocupações, da missão. Havia me esquecido dele. Acho que foi uma reação proposital, uma forma que minha mente encontrou para relaxar enquanto dormir. Por que de todas as sensações e sentimentos que Dimitri me fazia sentir, relaxar não estava na lista.
Eu o havia beijado. Caramba! Havia feito um discurso, dado um sermão no Sr. Perfeição e no final eu o beijei. Onde, diabos, eu estava com a cabeça? Estava drogada ou algo do tipo?
Sentei-me na cama e esfreguei os olhos, cansada. Meu estomago roncou incômodo e decidi que deveria comer algo antes de ir tomar banho. Levantei-me e sai do quarto, hesitando por alguns segundos antes de continuar. A porta de Dimitri, ao lado da minha, estava fechada e me peguei pensando se ele ainda estaria dormindo. Geralmente, quando eu acordava, ele já estava de pé. Mas isso por que eu me levantava no meio da manhã, e ele me disse uma vez que era acostumado a levantar cedo. Por exceção, havia acordado mais cedo aquela manhã e impedida de dormir novamente por pensamentos relacionados à noite passada. Então, imaginei que ele ainda dormia. Mas foi com total surpresa que descobri que estava errada.
– Bom dia, Rose.
Dimitri disse sem se virar para mim. Ele estava de costas, no balcão da pia, e da frigideira saia vapor e um cheiro muito bom que eu conhecia bem demais.
– Você está fazendo panquecas. – constatei sem precisar conferir – Onde você arranjou ovos? A geladeira estava praticamente vazia, se você desconsiderar os montes das caixas de comida.
– Eu levantei mais cedo e fui comprar. – Ele se virou para mim com ar de sorriso nos lábios. – Achei que seria bom termo um café da manhã caseiro pra variar.
– Ah... – pigarreei andando pela cozinha e verificando tudo. Mas Dimitri já tinha tudo em mãos e não precisava da minha ajuda – Acordei mais cedo pra isso também... Mas vejo que já fez todo o trabalho.
Dimitri, que estava depositando a última panqueca no prato se virou com seriedade.
– Eu nem te perguntei se gosta de panquecas. Ou o que costuma comer pela manhã...
– Calma aí, camarada. Não estou reclamando. – sentei no banquinho e tirei uma lasca da panqueca – Se você fizer café da manhã todos os dias, Dimitri, não tenho do que reclamar.
Ele sorriu de leve e então caímos em um silencio. Já estava acostumada a ficar em silencio ao lado dele, mas era um silencio diferente. Era desconfortável e sem graça. Não queria olhar para ele. Não queria mesmo, mas era mais forte que eu, e dei uma olhadinha de canto de olho. Rápida o suficiente para saber que ele me olhava também, mas sem disfarçar.
– Rose, acho que deveríamos conversar sobre ontem a noite.
– Não vejo o porquê. Você disse coisas que não devia, eu fiz coisas que não devia. Mas passou.
– Você me beijou.
– Não me ouviu? Eu fiz coisas que não devia.
– Isso não muda o fato. – Dimitri estava sério e se inclinou sobre mim – Você fez todo um discurso sobre como devia ser nossa relação e no final me beijou. E não foi um selinho, Rose.
Pressionei os olhos, sentindo-me irritada pela sua acusação.
– Uma pessoa não beija sozinha. Você retribuiu, Dimitri. – retruquei com o mesmo tom de voz petulante – Isso não muda os fatos. Além do mais, você já me agarrou antes disso, e eu não fiz nenhum escândalo.
– Rose, não podemos...
– Prejudicar a missão. – interrompi irritada. – Eu sei, okay. Vamos mandar a real: você me beijou. Eu te beijei. É normal acontecer isso quando duas pessoas se sentem atraídas, — Dimitri abriu a boca pra falar, mas eu elevei minha voz para interrompe-lo – Não estou dizendo que devemos nos declarar. Dimitri, você é um cara bonito e inteligente, não diga que não percebe que quando você passa causa um efeito nas mulheres presentes. Mas foi apenas isso, okay? Uma manifestação do nosso instinto. Não vai acontecer de novo.
Caímos em silêncio e começamos o café da manhã. Eu não me incomodo com silêncio. Bem, não me incomodo muito. Mas naquela manhã, por conta do ocorrido entre Dimitri e eu na noite anterior, eu me sentia extremamente constrangida em simplesmente olha-lo.
Quando acabamos o café, eu dei um pigarro para chamar sua atenção, mas não ergui os olhos para olha-lo.
– Vou ligar para Hans assim que terminar de arrumar aqui. Quero saber com detalhes o que vai acontecer hoje e que horas devemos nos encontrar com o pessoal.
– Tudo bem.
Seu tom de voz distante, porém não frio, me fez calar, e o silêncio novamente reinou.
Eu já estava cheia, mas havia sobrado uma única panqueca que fazia questão de comer. Estendi a mão para o prato e me arrependi imediatamente por não estar atenta ao homem à minha frente. Dimitri também havia estendido a mão para pegar o prato ao mesmo tempo. Sua pela tocou a minha de leve quando nossas mãos esbarraram acidentalmente e foi como uma corrente elétrica descarregada em mim. Ambos recuamos imediatamente.
– Ahn, pode pegar. – disse, parecendo ocupada demais em terminar minha xícara de chocolate quente.
– É a última, Rose. – a voz de Dimitri era suave, mas ainda sim não tinha coragem para encara-lo. – Pode comer. Não estava brincando quando disse que fiz pra você.
– Nah, não precisa. Já estou satisfeita. – me levantei da mesa e levei minha louça para a pia. – Vou tomar uma ducha e já volto pra limpar as coisas.
Sem esperar resposta ou ver o que ele ia fazer, eu saí em direção ao quarto.
Rose sua covarde idiota!
O banho frio me ajudou a relaxar e a pensar positivamente. Dimitri mexia com meu corpo, não podia negar. Mas agora já o tinha beijado, não deveria continuar a deseja-lo, certo? Ou será que o fato de tê-lo beijado só pioraria as coisas? Se eu sabia de algo, era que isso deveria ser segredo absoluto e que Mia não deveria sequer sonhar o que se passava em minha mente. E, por falar em Mia, eu devia a ela uma ligação.
Sai do banho e vesti uma roupa qualquer. Mais tarde teríamos um encontro com o pessoal para continuar nossos preparativos. Dimitri e eu erámos casados, mas a casa dizia outra coisa e devíamos mudar isso. Uma tarde inteira com Dimitri ao meu lado e me tocando.
Revirei os olhos frustrada e me dirigi à cozinha para arrumar as coisas. Devo dizer que não foi, assim, muita surpresa vê-la impecável. Dimitri tinha a forte tendência em deixar tudo limpo e organizado. Poderia ser bom, se isso não me deixasse desocupada, sem saber o que fazer quando ele estava perto o suficiente para me ver.
Mas uma coisa me chamou a atenção, e me fez dar meia volta e voltar à cozinha. Havia um único prato sobre o balcão, bem onde eu costumo me sentar. Estava tampado com um guardanapo, mas algo me dizia que eu já sabia o que tinha lá. Debaixo do guardanapo, estava a ultima panqueca. Aquela mesma que eu havia insistido a Dimitri que pegasse.
Olhei em volta, mas ele não estava por perto.
Dimitri havia feito café da manhã pensando em mim. E havia me deixado a última panqueca, insistindo para que eu comesse.
Um sorriso se formou em meus lábios, inconsciente.
Dimitri, realmente, não era um homem qualquer.
– Não sei. Não me parece uma boa ideia.
– Senhor, com todo respeito, é uma ótima ideia.
Dimitri, enquanto eu estava no banho, ligou para Hans e o informara de minha ideia de me aproximar de Viktor. Ao contrário do que achei, nosso chefe não ficou muito contente.
– Hathaway, Viktor é um homem perigoso. Não há como a agência se assegurar de sua segurança.
Revirei os olhos recostando na poltrona giratória.
– Não preciso de segurança. Eu sei me defender sozinha, obrigada. Venho fazendo isso pra você há anos!
– É diferente. Rose, você tem 21 anos, é uma bela e promissora jovem. O jogo de sedução com Viktor Dashkov é um jogo perigoso. Eu tenho tido controle de todas as suas missões, você nunca esteve longe do alcance das minhas mãos, Hathaway.
– Está na hora de eu me emancipar, então.
Ele hesitou. Recostou-se em sua poltrona e fechou a cara enquanto pensava. Sempre que ele fazia isso eu o comparava a um sapo, com o rosto inchado e o pescoço papudo. Quase podia vê-lo esticar a língua para pegar uma mosca.
Sabia que sua resposta seria não e tinha que fazer algo para virar o jogo.
– É por causa da minha mãe, não é? – perguntei e vi seus olhos se estreitarem – Ela se envolveu demais com o trabalho e acabou pagando caro por isso. Não sei se você sabe, mas da última vez que me olhei no espelho eu era Rosemarie e não Janine.
– Não é nada disso, Hathaway. É apenas arriscado demais te expor ao perigo assim.
– É o nosso trabalho. – retruquei mais alterada do que eu gostaria – Não seja hipócrita, não é como se eu fosse da narcóticos ou algo assim. Teoricamente, estou do lado do Viktor e não uma aquisição dele. Não me proteja Hans, só o que me faltava era ser a protegidinha do chefe.
– Eu a trato como trato a todos os agentes.
– Não, não trata! Você fica tomando conta de mim o tempo todo como se eu fosse uma garotinha assustada. Fica me checando de hora em hora quando saio em missões, salvando minha pele dos superiores quando me meto em problemas e suavizando comigo. Logo que entrei na Agência você me disse que era cada um por si, que não tinha cabimento a Agência ‘tomar conta’ de todos nós. Eu mal tinha 17 anos, Hans!
Só percebi que gritava quando minha voz falhou e minha garganta arranhou.
Desde que minha mãe morreu, descobri com o que ela mexia e que o chefe dela, Hans, era na verdade o chefe de todo um departamento. Com a morte da minha mãe e meu envolvimento com a inteligência norte-americana e internacional, Hans também mudou comigo. Ele nunca foi do tipo paterno, mas tinha uma necessidade irritante e constante de me proteger. Isso me incomodava profundamente.
– Eu me viro praticamente sozinha desde que nasci e você sabe disso. Sabe que minha mãe vivia para o trabalho, não negue. Então, ou você está de implicância comigo, ou algo está acontecendo e você não quer me contar e que está influenciando nas suas decisões com relação a mim.
Um silêncio constrangedor se seguiu e Hans se remexeu na cadeira visivelmente incomodado. Havia tocado em um ponto sensível. Touché.
– Eu acho que vou me arrepender desta decisão. Eu realmente acho. – eu sorri automaticamente com sua resposta – Mas, tudo bem. Você tem razão, afinal de contas. Eu lhe dou minha permissão, Rosemarie. Podem agir conforme acharem... melhor.
– Obrigada, Hans. Eu te prometo, não vai se arrepender.
– Espero que sim. Tente não se meter em problemas dessa vez, Hathaway. Não terei como te ajudar nisso. – ele desapareceu da tela por alguns segundos e voltou com uma pasta – Daqui algumas horas Ashford e Castile irão passar aí para buscá-los.
Franzi a testa intrigada.
– Nos buscar? Achei que era para nos encontramos no prédio.
– Mudanças de planos. Eles irão busca-los e depois deixa-los novamente em casa quanto o processo acabar.
Não gostei muito disso, mas me resignei.
– Agora, se já terminou, preciso organizar uma papelada imensa de vocês ainda, preciso finalizar antes de me encontrar com vocês. Te vejo à tarde, Hathaway.
– Sim, senhor. – respondi em tom profissional preparando-me para desligar – Estaremos esperando.
Sem mais, ele desligou primeiro me deixando a sós com meus pensamentos. Me encostei na poltrona com um suspiro cansado e fechei os olhos.
– Rose eu... está tudo bem?
A voz Dimitri me fez abrir os olhos. Ele estava na porta, me olhando preocupado. Ele teria ouvido minha discussão com Hans?
– Está. – me aprumei na cadeira e procurei sorrir enquanto me levantava – Sinal verde pra gente. Hans concordou e disse que mais tarde Ed e Mason virão nos buscar. Não me pergunte o porquê da mudança de planos.
– Tudo bem. – ele me olhou novamente com a testa franzida – Rose, você está bem mesmo?
– Tô sim. Só um pouco cansada. Esta semana está sendo corrida e tudo o mais. – dei a volta na mesa e me sentei no tampo dela – Mas você queria falar comigo.
– É, sim. – ele pareceu afastar algum pensamento com um balançar de cabeça – Bem, eu falei com Ashford agora pouco e ele me disse que Viktor comprou duas passagens de avião para Itália para daqui três meses. Ele reservou duas passagens para nós, na melhor das hipóteses.
Não respondi e desci da mesa. Deus, eu precisava de uma massagem! Tudo aquilo estava me deixando estressada.
– Que lega, de seis meses, fomos para pouco mais de três. – resmunguei – Se o convênio de saúde não fosse tão bom eu não estaria aqui.
Dimitri sorriu e se afastou para que eu passasse pela porta primeiro. Um verdadeiro cavalheiro.
– Vamos precisar apressar as coisas. – comentou levemente. – Sei que é sua estreia em casos grandes e importantes desse tipo, se tiver algo que possa te ajudar, estarei à disposição.
– Obrigada. – respondi sincera me dirigindo ao quarto que era nosso, mas que somente eu usava – Bem, agora acho que deveríamos nos arrumar, para estarmos prontos quando chegarem.
– Okay. – por um momento ficamos ambos parados na porta dos respectivos quartos. Um momento embaraçoso e constrangido – Então... tá. Não se esqueça de perguntar a Hans sobre Mia vir aqui.
– Não esquecerei. – eu já havia esquecido, mas isso não vinha ao caso.
Dimitri balançou a cabeça concordando e começou a fechar a porta do quarto. Mas antes de se isolar, ele me chamou pela ultima vez.
– Você está indo bem, Rose. – uma sombra de um sorriso passou em seus lábios – Quero dizer, ainda não estamos tecnicamente ativos, mas está lidando bem com a pressão até agora.
Procurei sorrir relaxada. Eu conseguia mentir muito bem quando queria. Sabia esconder meus sentimentos e deixar a pessoa achar o que eu queria que ela achasse sobre mim. Mas, por alguma razão, eu me sentia falhar toda a vez que fazia isso com Dimitri. E quando ele me elogiava, ficava ainda mais difícil.
– Obrigada.
Ele assentiu e seus olhos brilharam antes de fechar a porta.
– Rose!
– Já vai, já vai.
– Rose, vamos logo!
– Calma! Estou indo!
Passei uma ultima camada de rímel nos olhos e olhei o resultado final. Fazia algum tempo que não me arrumava pra valer. Um bom tempo. Havia até me esquecido como era me sentir linda e poderosa. Mesmo usando aquelas roupas todas formais e tudo o mais, eu ainda sim chamava a atenção. Mas era algo completamente diferente quando me maquiava e me vestia para arrasar. As pessoas não apenas me olhavam duas vezes como também continuavam olhando.
– Não sei por que elas demoram tanto. – escutei Mason reclamar com Dimitri na porta – Sério. Qual o problema de vestirem uma roupa e prenderem o cabelo?
Tudo bem, eu nos havia atrasado meia hora. Mas foi por uma boa causa: minha autoestima. Nós, mulheres, precisamos nos sentir bonitas e atraentes, não?
– Acontece, Mason, que eu tomei banho, lavei o cabelo, tive que escolher uma roupa apropriada, me maquiar e pentear os cabelos. – respondi entrando em seu campo de visão – Não basta vestir a primeira coisa que você ver e deixar o cabelo despenteado. Não me confunda com você, Mase.
Brinquei enquanto colocava o casaco e, bem sutilmente, analisei suas feições.
Mason não tinha problemas em mostrar sua aprovação. Sorria com a boca aberta, parecendo um cachorrinho. Faltava apenas um rabinho ali atrás abanando. Seus olhos percorreram meu corpo, admirados, e juro que o vi arfar. Agora... Dimitri eram outros quinhentos.
Era visível, pelo menos para mim, seu conflito interno. Vi seus olhos brilharem e abrirem, bem pouco, mas ainda sim era uma reação. Seus punhos se fecharam e ele ficou tenso. Não disse ou fez nada. Apenas me olhava. E por mais que ele empenhasse para manter a máscara de seriedade, eu via a admiração — talvez desejo? — por trás de seus olhos negros.
Mason assoviou.
– Rose, fazia tempo que não te via assim... arrumada. – eu ri e ele veio até mim, pegando minha mão e me fazendo girar – Linda você é sempre, claro. Mas assim, você fica estonteante. Dimitri, é bom você cuidar bem dela lá na Itália, viu!
Ele me abraçou de lado e me deixei relaxar em seus braços. Mason era um ótimo amigo. E não era feio. Mesmo. Seria mais fácil se eu gostasse dele. Pelo menos não teria todo esse problema de ‘temos que ser profissionais’, já que ele não é Agente de campo. Por enquanto.
– Podemos ir, ou a Srta. Hathaway tem mais alguma coisa para fazer? – Dimitri indagou. Era impressão minha ou ele parecia... irritado? – Castile está lá embaixo esperando.
– Cara, pode nos chamar de Mason e Eddie. Sério. Sem formalidades. – disse Mason com um sorriso, sem me largar – E pode chama-la de Rose. Tenho certeza de que ela não se importa.
Dimitri não respondeu e virou-se para mim novamente com a sobrancelha erguida.
– Podemos ir, Rose?
– O que ainda estamos fazendo aqui?
Respondi com um sorriso. Mas Dimitri, aparentemente, encarou minha resposta como uma afronta, e saiu marchando do apartamento.
– Credo, que mal humor. – murmurou Mason, finalmente me soltando para que pudesse pegar as chaves e minha bolsa – Tudo bem que já sabia que o cara era antissocial, trabalhei um tempo com ele. Mas mesmo assim... O que você fez pra ele, Rose?
– Eu? Nada! Desencana Mase. Você logo se acostuma. – respondi em mesmo tom baixo encaixando a chave na porta, já do lado de fora. – Ele é só... Incompreendido, digamos assim.
Eu observei seu perfil, esperando o elevador, e Mase riu.
– Incompreendido? Pra mim tudo isso é falta de sexo.
– Tudo pra você é falta de sexo, Mason. – disse revirando os olhos e guardando as chaves na bolsa.
– Claro! Uma vida sexual ativa é sinônimo de bem estar e saúde.
– Hm, te ouvindo falar assim, até parece que você é o pegador.
– Não me subestime, Rosemarie Hathaway. – respondeu ele ainda com graça quando nos juntamos a Dimitri. – Você só não me tem por que não quer.
Por um momento, achei ter visto Dimitri estarrecido.Mas deve ter sido somente minha imaginação.
– Mason, apague esse fogo, por favor. Temos trabalho a fazer.
Eu estava quase indo pra cima da Mia. Sério. Estava impossível ficar perto dela! Ficava rindo baixinho e me lançando olhares irônicos e, em certo ponto, debochados. É lógico que eu estava acostumada a recebê-los uma vez que eu era a número um em utilizá-los, mas nas atuais circunstâncias e vindo de Mia eles só conseguiam aumentar meu constrangimento. É claro que meus olhares de reprovação em resposta só conseguiam fazê-la adorar ainda mais toda a situação.
– Eu acho bom você tirar esse sorrisinho idiota da cara, Mia Rinaldi.
– Eu só estou feliz pela minha amiga.
Revirei os olhos.
Com o meu atraso em me arrumar, perdi a parte que Hans decidiu trazer Mia para uma espécie de galpão, super equipado com dois andares subterrâneos que pertencia à unidade. Segundo ele, como ela era minha melhor amiga, e único contato na América, era inevitável que acabasse falando nela, e o fato de não ter uma foto dela comigo poderia levantar suspeita. E, bem, talvez eu tivesse uma parcela de culpa, pois não contara a ela a parte que eu e Dimitri havíamos assinado um papel oficializando nossa união.
– Mia... Estou falando sério. Para! – estávamos esperando o meu guarda-roupa chegar numa sala onde eu iria trocar de roupa (mais de uma vez) – Não estou vendo graça.
– Sendo o fato que a minha melhor amiga, me disse uma vez que nunca iria casar e que preferia usar um colar de espinhos a uma aliança, eu estou achando muito engraçado.
– Primeiramente, eu tinha quinze anos quando te disse isso, Mia. E em segundo lugar, apesar de estarmos casando de verdade, é um casamento de fachada. Assim que acabar essa droga de missão, ele será cancelado.
– Se você diz... – eu não respondi, mas suspirei resignada – Se não tivesse dó de você, eu apostaria.
– Apostar? Mia! Eu...
Minha resposta a esse absurdo foi interrompido quando Hans entrou na sala sendo seguido por uma mulher nos seus trinta anos que puxava uma arara cheia de roupas.
– Okay. – Hans voltou-se profissional para nós – Está tudo acertado. Vamos começar?
Acho que não me expliquei bem quando disse que era um casamento de verdade. Não era apenas ir lá e assinar os papéis e usar uma aliança. Tínhamos que tirar fotos como se tivesse havido um casamento de verdade; fotos como se Dimitri e eu tivéssemos tido um romance de verdade: piqueniques, festas, jantares e tudo o que manda o figurino.
Ouvi Mia arfar quando saímos do cômodo, já vestidas. Era a primeira vez que ela se metia em algo desta dimensão. E, pra ser honesta, eu também estava bem impressionada. Nunca havia visto ou feito tanta preparação desse tipo para uma missão antes. Eram painéis para um lado, decoração para outro e muita gente e aparelhagem.
– Caramba. Vamos ter um dia longo hoje.
Suspirei seguindo os rapazes com Mia ao meu encalço. Dimitri retardou o passo para ficar ao meu lado.
– E provavelmente não acabaremos hoje. Esse é um trabalho para, talvez, dois dias.
Respirei fundo, olhando e absorvendo tudo o que podia.
É. Seria uma longa semana.
Notas finais
Obrigada pelos reviews, gente. Eu leio todos com MUITO carinho viu! :D
Em agradecimento, um pequeno spoiler do próximo:
"Segurei o zíper e ele não se mexeu. Tudo o que eu não queria exatamente por querer demais era toca-la, mas seria necessário. Segurei sua cintura com uma mão, e puxei o zíper com pouco mais de força, fazendo-o deslizar até um pouco abaixo do quadril."
UUFAAA nossa, já estão no bem bom? Será? ;p Não percam o próximo cap, eu amei escrevê-lo! :D
Bjks
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