Love and Blood
15 Capítulo Quatorze
Notas iniciais
POV Dimitri Belikov
Viver com Victor Dashkov é sinônimo de esbaldar dinheiro. Sua mansão ficava em um bairro privilegiado, quase uma bolha de privacidade e perfeição na qual viviam os milionários, com seus carros de luxo, empregados e vários metros quadrados de espaço. Dashkov não economizava em nada. Comia as comidas mais caras, vestia as roupas mais famosas, até seus lençóis custavam mais do que o meu salário de um ano.
Rose parecia bem contente. O fato de termos dinheiro também a alegrava, embora não tanto quanto viver como uma madame junto à Lissa na mansão Dashkov. Mesmo que estivesse um tanto deslumbrada, eu podia ver a seriedade e profissionalismo em seus olhos. E diferentemente da nova amiga, embora o conforto fosse bem vindo, não gastava com supérfluos.
Apesar de Victor deixar claro de que estava contente conosco ali, nossa mudança para a casa que Hans havia arranjado estava marcada para uma semana. Seja lá o que meu chefe tenha feito para conseguir adiantar, seu trabalho havia sido bem feito e rápido. Só tínhamos mais alguns dias e então teríamos a privacidade que estávamos loucos para ter. Não apenas privacidade, mas também sossego. Passamos os quatro primeiros dias conhecendo amigos pessoais e profissionais de Victor. Gente que, segundo ele, deveríamos ter contato. Peguei-me indagando mais de uma vez quais e quantos desses amigos sabiam e participavam de suas atividades ilegais.
No final de semana que iríamos embora, Victor decidiu dar uma festa. Queria nos apresentar formalmente, não apenas ao seu círculo de conhecidos, mas também aos outros ricos das redondezas. Estabelecer contatos, fazer amigos, nos botar no mapa naquela sociedade exclusiva. Ele lembrou-me, não apenas uma vez, que agora éramos diferentes, Rose e eu. Tínhamos que nos relacionar com pessoas que fossem do nosso nível. Não precisávamos gostar de todas elas.
Rose estava animada com isso. A inauguração da galeria não contava como uma festa para ela. A ocasião no salão de festas de um dos cassinos de Victor seria mais formal, e ela estava louca para usar um dos vestidos e sapatos novos que havia ganhado.
Quanto a mim, só esperava sobreviver a ela. Rose sabia como ficar ainda mais deslumbrante que o usual.
Na noite em questão, Rose se retirou para começar a se arrumar duas horas antes do programado para a festa começar. Quando subi para o quarto que dividíamos– cuja cama era um objeto de tortura para mim, já que estava perfumada com seu cheiro e calor e eu falhava miseravelmente em tentar manter-me longe dela ali – faltando meia hora para o início da festa, Rose já havia saído do banho e se vestia no closet. A penteadeira tinha pinceis e maquiagens por todos os lados, indicando que Rose estava quase pronta.
Nada poderia me preparar quando sai do banho, com a toalha enrolada na cintura por cima da boxer que usava. A visão de Rose, à janela, era estonteante.
O vestido era de seda e verde escuro, cai em seu corpo como uma luva, um corte perfeito e realçando suas curvas sem deixa-la sexy demais ou vulgar. Era longo e possuía um decote suave em estilo canoa. Não podia ver seus pés direito, mas centímetros adicionados a sua altura indicavam que usava saltos. Seu cabelo estava escovado, mas ainda não estava pronto. Quando Rose se virou para me olhar (seu olhar surpreso com a minha falta de roupas), pude admira a maquiagem que usava: batom rosa claro, quase cor de pele, e olhos marcados com sombra escura. Rose parecia brilhar.
- Você vai fazer sucesso. – brincou Rose. O sorriso estava fácil em seu rosto, mas seus olhos escureceram um pouco e achei ter visto algo como desejo ali. – Os homens irão te matar e as mulheres amar.
Apertei as mãos ao redor da toalha e encolhi os ombros, procurando parecer descontraído e indiferente.
- Você está linda. – não era minha intenção elogia-la, eu iria retrucar seu comentário com outro irônico e sarcástico, mas minha mente não obedeceu.
- Obrigada. – Rose respondeu suavemente. Ela saiu da janela e veio até mim. – Pode me ajudar com o zíper, por favor?
Ela virou-se de costas para mim. O zíper subia da curva suave de sua cintura até o meio entre omoplatas. Minhas mãos tremeram de leve quando senti seu calor ao roçar sua pele.
- Está virando tradição. – comentei. Rose riu.
Ela se afastou quando terminei e foi em direção à penteadeira, observando seu cabelo, seu lindo cabelo escuro, que caia como uma cascata de chocolate em suas costas.
- Só arrumar o cabelo e estarei pronta.
Desviei o olhar dela e me dirigi ao closet. Precisava me vestir e parar de pensar em Rose. A visão dela, tão bela e outrora ignorante do efeito que tinha em mim mexia comigo. Eu me lembrava, muito bem, de como era o gosto de seus lábios e de como sua pele quente e macia respondia ao meu toque. A visão de seu corpo seminu e molhado povoava a minha mente, e não me ajudava em nada que, em meus sonhos, a cena que interrompi dias atrás tinha continuação.
Balancei a cabeça procurando espantar esses pensamentos que me torturavam. Era como um alcoólatra em remissão, tinha que evitar a tentação. Uma simples gota, e todo a resistência iria por água abaixo.
Odiava roupas sociais, então fiz meu melhor para ficar confortável: calças sociais, camisa branca e um blazer preto por cima. Ignorei as gravatas e, com muita dor no coração, minhas botas e guarda-pó que eram tão confortáveis e familiares. Penteei o cabelo e o prendi em um elástico na altura da nuca. Voltei para o quarto onde Rose me esperava pronta.
Ela sorriu e seu olhar me esquadrinhou.
- Você está ótimo. – aprovou ela. Suas sobrancelhas se franziram levemente e eu sabia que isso significava que ela estava considerando algo.
- O que foi?
Rose andou até mim e ergueu as mãos à altura do meu pescoço. Mesmo de salto, ela continuava mais baixa que eu.
- Com licença.
Seus dedos delicados e pequenos desabotoaram os primeiro botões da camisa e ajeitaram a lapela. Em seguida, ela se aproximou mais e precisei prender minha respiração para não me afogar em seu perfume. Uma de suas mãos apoiou-se em meu ombro e a outra foi até a minha nuca. Por um momento fugaz, cogitei que ela me beijaria – e por Deus, como eu gostaria que ela fizesse isso, nem que eu me afastasse em seguida. Senti seus dedos em meu cabelo e então ela liberava meu cabelo do elástico.
- Assim fica ainda melhor. – sussurrou ela. Senti seu hálito em meu rosto. Suas mãos ajeitaram as mechas em minha cabeça – Você tem um cabelo lindo. Gosto de quando o usa solto.
Eu amava sua massa de cabelos castanhos que caiam pesados em suas costas, tão brilhantes que capturavam meu olhar; meus dedos já se perderam naquelas mechas e foi uma sensação incrível. Não sabia, entretanto, que o meu cabelo era apreciado por ela. E, a julgar por seu olhar e a maneira que seus dedos deslizavam ente eles, sua admiração por ele poderia ser equiparada a minha pelo dela.
Os olhos de Rose desviaram para minha boca. Sem perceber, havia segurado em sua cintura. Estávamos tão perto. Se eu inclinasse a cabeça mais um pouco poderia alcança-la. Só um pouquinho...
- Eu borraria sua maquiagem. – desculpei-me afastando-me mais brusco do que eu gostaria.
- Sim... sim, claro. – o peso das palavras e motivos não ditos era palpável entre nós. Rose sorriu suavemente, mas seus olhos eram tristes – Depois da festa, camarada.
Essa relação de aparências me mataria.
Victor não teve que se preocupar com a decoração. O salão de festas do cassino – este ficava ao lado de um de seus hotéis – era magnífico por si só. Eu já o havia visto antes. Espaçoso, com um pequeno degrau onde ficavam os músicos, janelas grandes de vidro, chão de madeira envernizada e um grande bar com garrafas de bebidas de diversas cores, formas e tamanhos. Haviam acrescentado alguns vasos de flores e uma escultura de gelo em uma mesa junto às taças de champanhe.
Victor e nós tomamos carros diferentes, principalmente porque ele gostava de chegar mais cedo e monitorar montagem e desmontagem da festa. Combinava com toda a sua atitude controladora. Quando chegamos, Dashkov veio nos receber e circulamos pelo local. Perdi a conta de quantos nomes foram ditos, mãos apertadas e sorrisos lançados. Até Rose, que não se incomodava com atenção, pareceu cansada quando nos afastamos para o jardim adjacente – iluminado por luzinhas brancas e uma fonte.
- Não contava com tanta gente. – admitiu Rose com certo assombro – Minhas bochechas estão até dormentes de tanto sorrir. E acho que mais alguns apertos de mãos eu perderia meus dedos.
Sorri levemente com seu comentário e instintivamente, dei um passo em sua direção e ergui a mão para seu rosto, puxando uma mecha de cabelo que caia sobre o rosto para trás de sua orelha.
- Só mais algumas horas e podemos ir embora. – respondi, me permitindo descansar a mão na curva de seu pescoço. Dizia a mim mesmo que estávamos à vista, deveria agir como marido se medo de tocar a esposa – Amanhã de manhã temos que acordar cedo e arrumar nossas coisas. O carro irá nos buscar depois do almoço para nos levar até a nossa casa.
Rose sorriu com a ideia de mudar-se da casa de Victor. Ela abriu a boca pra dizer algo, mas antes que pudesse se pronunciar, fomos interrompidos.
- Desculpe atrapalhar o casal. – vire-me para a entrada e me deparei com Victor Dashkov e um sorriso peculiar – Há mais alguém que eu gostaria que conhecessem. Praticamente da família.
Lá vamos nós novamente. Sorri e segurei a mão de Rose enquanto o seguíamos de volta à festa.
O grupo ao qual Dashkov nos dirigiu era composto por dois casais: um mais velho e outro bem mais novo. Vasilisa era a única que eu conhecia. O casal mais velho tinha um ar elegante e o homem uma postura um tanto quanto arrogante. Mas foi o rapaz ao lado da sobrinha de Dashkov que me chamou a atenção. Seus olhos verdes eram fixos em Rose, de um jeito interessado e malicioso. Fiquei tenso imediatamente.
- Dimitri, Rose, estes são Nathan e Daniella Ivashkov e seu filho Adrian.
O casal nos encarou e não soube dizer se era bom ou ruim. Acenaram a cabeça e sorriram educadamente. Gostei mais da mulher, Daniella, que de seu marido. Ela parecia mais acessível que Nathan em seu pedestal.
- Tio, você não havia dito que Rose era tão nova e tão bela.
Eu sabia que Rose era bonita. Meu Deus, ela era incrivelmente bonita, e não apenas fisicamente. Mas que outros vissem e pontuasse essa beleza, principalmente da maneira que Adrian o fez me tirava do sério. Porém, meu ciúme foi encoberto pela surpresa e encarei Victor com curiosidade.
- Tio?
O homem deu nos ombros e abraçou a sobrinha que permanecia quieta, com um sorriso gentil nos lábios.
- Mais ou menos. Relações familiares confusas, em algum momento nossas famílias se encontraram. Somos todos tios e primos, embora não saibamos exatamente qual o grau.
- Uau, uma reunião de família deve ser o acontecimento do ano, imagino. – comentou Rose com diversão.
Ela soltou a minha mão e se aproximou de mim, abraçando minha cintura. Fique tenso novamente, mas em seguida relaxei com seu toque familiar e perfume. Meu braço a envolveu de volta e senti seus dedos me apertarem de leve. Só então entendi o que ela fazia. Não estava apenas se aproveitando da situação, estava me tranquilizando. Talvez meu ciúme não tivesse sido tão bem disfarçado. Ou talvez eu tenha e Rose simplesmente saiba me ler como ninguém mais.
Ainda abraçados, embarcamos numa conversa com Adrian e seus pais, contanto com ocasionais comentários de Lissa, que ia se soltando conforme Rose direcionava a conversa para algo que não fosse negócios ou política, de forma que todos pudessem participar.
Devo dizer que me senti extremamente orgulhoso de Rose. Ela lidou bem com a situação, expondo suas ideias, mas não exageradamente e respeitando as opiniões e visões dos outros. Bem, quase. Ela parecia repelir Nathan e o sentimento era mútuo.
Não percebi quando foi que Victor havia nos deixado. Vislumbrei sua cabeça coberta por fios escuros e brancos passando entre as pessoas e indo até a extremidade do salão. Ele conversou com seu guarda, Spiridon, e ambos se retiraram por uma porta quase escondida. Sabia que esta dava para um corredor que possuía apenas outra porta: seu escritório.
- Querida, aqueles não são os Zeklos? – Nathan comentou abruptamente interrompendo o que o filho dizia – Sim, são eles. Ainda não o cumprimentamos.
Aquela era, com certeza, uma desculpa para se retirar. Se afastar de nós. Honestamente, não me senti ofendido e sim aliviado. Sua esposa, entretanto, lhe lançou um olhar desagradável que não pareceu atingi-lo.
- Com licença, senhores. – Disse Nathan.
Antes de se afastar, Danielle virou-se para nós e sorrio.
- Foi um prazer conhece-los.
Após um momento de silêncio, Adrian bufou e terminou sua taça de champanhe com um gole, servindo-se de outra logo a seguir.
- Senhoras e senhores, meus amados pais.
Ele soou amargo e me perguntei até onde ele era parecido com os pais. Além da beleza que os três compartilhavam.
- Não seja tão rude, Adrian. – Vasilisa abraçou seu braço – Eles foram educados.
- Eles aguentarem dez minutos sem dizerem algo ofensivo. Deve ser um recorde.
A moça deu-lhe um beliscão no braço que segurava e Adrian arfou, esfregando a mão na região. A forma que os dois interagiam indicavam que era próximos. E Adrian definitivamente gostava da Dragomir. Seu olhar – diferentemente daquele que lançava a Rose – era fraternal e cheio de carinho.
Ignorando a nossa presença, os dois começaram a brigar em voz baixa. Brigar talvez não seja o termo correto. Discutir ou argumentar... perturbar um ao outro, como dois irmãos faziam. Rose aproveitou a distração deles e esticou corpo em minha direção, sua boca em direção ao meu ouvido. Inclinei-me para ouvir o que ela queria me dizer.
- Spiridon retirou três. – franzi a testa e olhei em volta. O guarda estava novamente no salão, desta vez falando com, nada mais nada menos, que Nathan Ivashkov. – Um de cada vez. Os levam até a outra porta.
Vi Nathan assentir para qualquer que fosse o que o outro lhe falava antes de se afastar. Sorriu para a esposa e lhe entregou a taça que carregava. Proferiu algumas palavras aos acompanhantes, desculpa para se retirar imagino, e foi até a porta por onde Victor saíra e Spiridon aguardava.
- Quatro.
Pensei rápido. Não havia visto as outras três pessoas que saíram e não era possível perguntar a Rose quem era ali ou mesmo em casa. Teria que esperar até amanhã. Porém, eu sabia que eles estavam no escritório de Victor. Poderia ir até lá e fingir estar o procurando. Quem sabe eu conseguia extrair alguma parte da conversa além de constatar quem estava com ele. O pior que poderia acontecer era ser nada, um acaso. Meu instinto dizia algo diferente. A movimentação fora sutil e discreta. Poderia ser qualquer coisa, mas nada não era.
Planejei rapidamente. Era um plano improvisado que poderia dar errado ou não. Mas era seguro que não iriam descobrir ou desconfiar dos meus verdadeiros objetivos.
- Está cansada? – murmurei para Rose, olhando-a nos olhos.
Seus olhos se abriram e pude ver a dúvida ali. Eu não tinha ouvido o que ela havia dito? Procurei mandar-lhe um olhar de aviso, indicando para que me seguisse. Mesmo que não entendesse de imediato o que eu estava fazendo, sabia que Rose e eu estávamos sempre em sintonia e que eventualmente tudo daria certo.
- Na verdade, estou. – continuou ela. Indiquei para que continuasse e um pouco insegura ela acrescentou: — Podemos ir embora?
- Mas já?
A voz de Adrian soou e mais uma vez me senti incomodado com sua presença. Porém, ele também era uma parte do plano.
- Dormimos pouco essa noite. – Rose explicou, e quase sorri com seu leve tom subentendido. – E amanhã estamos de mudança e nem comecei a organizar minhas coisas ainda.
- Peça para algum empregado. – Sugeriu Adrian – Tenho certeza que Lis não se importa em ceder-lhe alguns para fazer isso por você.
- Gostaria de alguém para ajudar, mas prefiro estar lá e fazer a minha parte. Na verdade, não tenho certeza se levarei tudo. Devo ter algumas peças que não desejo mais.
Adrian voltou a protestar e Vasilisa mediava os dois. Aquela conversa estava me atrasando e decidi que Rose poderia lidar com isso.
- Irei procurar Victor. – avise-lhes e olhei em volta como se o procurasse. – Eu o vi entrar no escritório há um tempo... deve estar lá ainda.
Foi Vasilisa quem suspirou de maneira cumplice e um sorriso de lado.
- Deve estar resolvendo algo do cassino. – explicou ela – Vira e mexe aparece algum engraçadinho achando que pode ser esperto. Nunca conseguem.
Rose sorriu e mudaram de assunto para falar sobre o cassino. Beijei sua têmpora e me afastei. Podia sentir seus olhos castanhos em minhas costas e algo me dizia que sua respiração ficaria em suspenso até eu retornar.
Spiridon não estava à vista. Quando ultrapassei a primeira porta, o corredor estava vazio e silencioso. Até demais. O escritório de Victor deveria se à prova de som. Cruzei o curto corredor e parei para tentar ouvir algo. Silêncio. Bati à porta e não teve resposta. Segundos depois abri.
E estava vazio. Nem sinal de que alguém havia estado ali. Mas não era possível. Há poucos minutos eu havia visto Nathan passar por aquela porta. Olhei em volta. A janela estava fechada e não havia outra saída. Dei uns passos à frente em direção à mesa de Victor. Não havia nada suspeito. Estava extremamente organizada, sem papeis ou pastas, nem um computador. Apenas um porta lápis, um porta retrato dele com uma mocinha de cabelos negros, que deveria ser sua filha, um telefone e uma pequena escultura sem forma definida, que deveria ser um peso de papel.
- Posso ajudar?
A voz me pegou de surpresa, mas me virei inexpressivo para encarar Spiridon que em encarava da porta. Ele estava sério e visivelmente irritado com a minha presença.
- Estou procurando por Victor. – informei. Meu coração havia acelerado, mas não apresentava meu desconforto – Eu e minha esposa estamos voltando pra casa e queria me despedir.
- Ele não está aqui.
Quase sorri.
- Posso ver. – ergui uma das sobrancelhas – Eu o vi entrar a uns minutos atrás. Deve ter saído e não vi.
Fiz menção de sair e por um momento achei que o homem não fosse me deixar passar. Ele me encarou desconfiado e procurei permanecer inabalável. Devo ter interpretado bem o meu papel, pois ele me deu passagem e me escoltou para fora, acompanhando-me pela festa.
- Victor está resolvendo uns imprevistos. Negócios. Mas eu o aviso que o senhor procurou por ele, senhor Belikov.
Seu tom de voz não transmitia nada. Ele parecia um robô.
- Obrigada, Spiridon.
- Irei buscar o seu carro.
Antes que eu pudesse dizer algo mais, Spiridon já não estava ao meu lado.
Encontrei Rose ainda na companhia de Adrian e Lissa. Os três pareciam bem enturmados e confortáveis. Adrian, especialmente. Tocava seu braço quando falava com ela e não desviava o olhar. Fechei as mãos em punhos, irritado com a visão e apressei para me juntar a eles.
Rose se virou em minha direção antes que eu chegasse. Seus olhos sorriram e ela suspirou. Estava aliviada. Tudo dera certo.
- E ai? – sua voz era ansiosa – Encontrou Victor?
Abracei-a pela cintura. Seu corpo quente me confortava. Era como voltar para casa após um grande período longe. A senti relaxar nos meus braços.
- Não, está ocupado. Mas amanhã podemos falar com ele. Vamos?
- Vamos. – ela se desvencilhou de mim e foi abraçar a amiga – Tem certeza que quer ficar aqui e esperar?
- Tenho sim. Qualquer coisa Adrian me leva para casa.
Adrian respondeu cm um aceno de cabeça e abriu os braços esperando o abraço de Rose com um sorriso. Era um absurdo, se me perguntassem. Rose é uma mulher casada, pelo amor de Deus. Será que Adrian não me via ali?
Rose riu, mas não o abraçou. Abaixou seus braços e beijou seu rosto.
- Boa noite, Adrian.
Voltei a envolver sua cintura, mas um pouco mais possesivamente. Rose riu e me abraçou de volta. Com certeza ela estava se divertindo com meu ciúme.
Quando entramos no carro e instrui o motorista a nos levar para casa, Rose se aproximou de mim.
- E ai? – murmurou ela – Você viu a...
Antes que ela pudesse conclui, eu a beijei. Pega pela surpresa, Rose demorou em me corresponder, mas logo seus braços subiram para meu pescoço e o mundo ao nosso redor se sumiu. Havia a beijado para cala-la, mas devia saber melhor as consequências. Poderia beija-la por horas seguidas. Sua língua tinha gosto de bebida e chocolate. A pele parecia mais macia que da última vez que a toquei como desejava.
Rápido demais, embora eu suspeitasse que só assim parecesse, quebramos o beijo, mas não nos afastamos. Minha mão tocou seu rosto e deslizei o polegar eu sua bochecha.
- Amanhã.
Ela pareceu confusa por um momento, ainda surpresa pelo beijo. Então seus olhos se abriram em entendimento e ela acenou a cabeça.
- Amanhã. — Ela repetiu em voz baixa.
Ainda abalado, não me contive e me inclinei novamente, tocando nossos lábios de leve. Fingir que ela não me abalava era quase impossível e eventualmente parei de tentar. Estava cada vez mais difícil resistir à tentação. Eu desejava Rose com todas as minhas forças.
Eu a amava. E gostaria que nós dois pudéssemos acontecer.
Notas finais
Espero que tenham gostado do capítulo e que eu não tenha perdido o jeito. Eu terminei e imediatamente postei, em consideração já à grande demora que estou tendo na fic. Então não pedi para ninguém revisar pra mim. Eu também estou um pouco doente, se tiver algo meio aloka por favor me avisem. hha
Beijinhos
Mary
@soufflebowtie
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