Love and Blood

12 Capítulo Onze


Notas iniciais
"- Eu gosto de festas, mas festas de despedidas são muito... sentei-me num dos bancos altos e Dimitri serviu um pedaço de pizza de pepperoni, a minha favorita Eu não gosto de despedidas."

- Rose o que você está fazendo?

A voz de Dimitri espelhava sua expressão atordoada ao entrar no meu quarto. Não podia criticar sua reação; realmente, ao olhar em volta, parecia que uma bomba havia explodido ali. Uma bomba de roupas e sapatos.

- Estou arrumando as malas.

- Parece que um tornado passou por aqui. – comentou, pulando entre um espaço vazio no chão e outro – Você sabe que não precisa levar tudo né? Vai ter um armário nos esperando por lá também.

- Eu sei, mas não vou ir de mãos abanando. Tem roupas muito boas aqui!

Ele fez um barulho engraçado parecendo um riso nasal e cruzou os braços.

- Meu Deus, você está deslumbrada.

Suas palavras me fizeram me levantar do chão de ímpeto e encará-lo com determinação e certa arrogância.

- Não estou deslumbrada! – ele me encarou com diversão em seus olhos. Revirei os meus e suspirei – Okay, talvez... só um pouquinho. Não é como se eu pudesse evitar, camarada! Que mulher não se derreteria com esses Jimmy Choos?

Disse estendendo a ele um par lindíssimo preto e vermelho, salto alto e tiras. Isso o fez sorrir e eu seria estúpida em mentir dizendo que não me afetou vê-lo sorrir. Mesmo que não seja aquele sorriso que era tão raro.

- Está nos genes, imagino. – rápido demais seu sorriso se foi, embora o ar relaxado e divertido permanecessem – Tente não levar todo o guarda roupa ou será necessário usar mais de um quarto para guardar tudo isso.

Pressionei os olhos, fuzilando-o com o olhar pela provocação. Ele deu nos ombros e saiu do quarto.

Mordi os lábios. Na última semana as coisas entre ele e eu haviam estado tranquilas. Sem mais brigas ou atritos. Talvez por estarmos ambos ocupados demais ajeitando nossa partida adiantada para a Itália e isso ocupasse nossas mentes e mãos o tempo suficiente para que não tivéssemos tempo de irritar um ao outro. Não havíamos nos distanciado, entretanto, com tantos afazeres. O que era bom. A cada dia que passava, percebi que éramos uma dupla imbatível. Tínhamos harmonia e sincronia, nossos pensamentos sempre andando juntos. Claro que Dimitri já deveria ter percebido isso antes de mim, pra variar.

Nossas diferenças diminuíam a cada dia e se restringiam apenas às nossas personalidades, iguais e diferentes ao mesmo tempo. Mas estava me esforçando para melhorar. Pensar mais antes de agir, principalmente antes de falar. Controlar minha língua afiada. Era complicado, mas ficava mais fácil.

Quando finalmente consegui separar tudo o que ia levar – três malas de roupas, sapatos e acessórios – já era noite. Dimitri havia decido para buscar a pizza que pedimos quando Mia me ligou.

- E ai, como vai sua amiga riquinha?

- Não a chame assim, Mia. – ri me jogando no sofá. Pude vê-la revirar os olhos do outro lado da linha.

- Que seja. – retrucou. Então sua voz assumiu um tom animado que me vez ficar atenta – Quando você e seu Deus Russo vão pra Itália?

- Daqui três dias. E ele não é meu. – bem que eu gostaria que fosse. – Por que, Mia Rinaldi?

- Eu falei com Eddie e ele falou com Mase, os dois acharam uma ótima ideia então mesmo que você e Dimitri não concordem, ainda seremos três contra dois.

- Mia...

- Vamos fazer um jantar de despedida pra vocês. E não se preocupem, podemos ir até o seu super hiper novo apartamento de ricos. Levamos tudo, só precisam abrir a porta.

- Ugh. Festa de despedida? Isso soa mórbido!

- Não é uma festa. Não está prestando atenção? Um jantar. Com os amigos antes de vocês irem viajar. Afinal, nem sei quando irei vê-los de novo. Vai que resolvem ficar por lá?

- Primeiro, desde quando o Dimitri é tão próximo de vocês assim? Segundo, sem drama, pelo amor de Deus, Mia! Claro que vamos voltar! – suspirei fundo quando ao mesmo tempo em que a porta se abria e Dimitri chegava com nosso jantar. – Mas já que não temos escolha aqui...

- Não! Vocês não tem! – chiou animada. Caramba, onde havia me metido – Amanhã a noite então, tudo bem pra vocês?

- Tudo bem. Mas a partir das 8, temos umas coisas pra resolver à tarde.

- Oito e meia, então, estaremos ai. Até, Rose!

Levantei-me do sofá preguiçosamente e me virie para a cozinha. Dimitri me encarou com curiosidade e uma sobrancelha erguida.

- Yey. Ganhamos um jantar de despedida. – Disse sem animo.

Ele torceu os lábios num meio e mínimo sorriso.

- Quanta animação.

- Eu gosto de festas, mas festas de despedidas são muito... – sentei-me num dos bancos altos e Dimitri serviu um pedaço de pizza de pepperoni, a minha favorita – Eu não gosto de despedidas.

- Então não veja como uma despedida – disse-me servindo seu prato e sorriu para mim – É um até logo.

Encarei-o pendendo a cabeça para o lado enquanto ele enchia dois copos com refrigerantes. Dimitri era cheio dessas frases profundas e “momentos zen”. O cara parecia lia aqueles livros de autoajuda e decorava as passagens que mais interessava. Eu sempre o provocava com isso, dizendo que ele deveria ser um guru ou algo assim, mas não dessa vez.

- Se você diz, eu acredito. – concordei sorrindo. – Agora vamos comer que estou faminta.

- Você está sempre faminta, Rose.

- Eu gasto muita energia, preciso repor apenas.

- Gastou muita energia arrumando as vinte malas?

Eu quase engasguei com a bebida com seu tom tão despreocupado e divertido, contrastando com sua expressão séria. Dimitri bem humorado era novo para mim.

***

Olhei-me no espelho pela enésima vez. Era um jantar de despedida – não, de até logo. Seria algo simples e com pouca gente, não precisava estar bonita e elegante. Ainda assim, nas últimas semanas havia me acostumado a andar melhor arrumada que o normal. Primeiro, porque meu guarda roupa tornava isso possível; segundo, era meio que meu dever anda assim, uma vez que agora era parte da nata da sociedade com meu marido rico de mentira e terceiro, e mais importante, queria estar sempre bem aos olhos de Dimitri.

Optara por uma saia jeans na metade das coxas e uma blusa branca de gola ‘V’. Uma combinação simples, mas os detalhes da confecção e a qualidade da roupa faziam toda a diferença no final. Prendi o cabelo num rabo de cavalo alto e deixei apenas uma mecha caída ao lado do rosto. Dimitri apareceu na porta do quarto quando vesti as botas beges de cano curto.

- Eles estão subindo, está pronta? – Assenti com a cabeça e me levantei. Não pude deixar de reparar que Dimitri me encarou mais tempo que o necessário – Okay, vou abrir o vinho. Você já vem?

- Vou descer com você.

Mia havia cumprido sua promessa. Ela, Mason e Eddie chegaram com comida o suficiente para um batalhão. Ou, bem, o suficiente para quatro agentes internacionais que comiam por um batalhão.

- Eu mesma que fiz tudo! – anunciou ela sorridente depositando as sacolas sobre a mesa.

- Claro, fez a ligação pedindo as coisas. – brincou Mason tirando os recipientes das sacolas. – Tem oriental, tailandesa e árabe.

- Eu fiz o peixe com batatas. – retrucou Mia com um olhar convencido – É para todos gostarem. Se não gostarem, finjam. Sei que todos vocês são bons atores.

Aposto que Mia havia bebido antes de vir para cá. Estava saidinha e animada, mais que o normal. Eddie, percebendo meu olhar, veio atrás de mim na cozinha, me ajudar a pegar pratos e talheres.

- Ela está preocupada – murmurou para mim – Ela sempre fica preocupada com você, mas desta vez ela está realmente preocupada. Quando fomos busca-la ela já estava assim. Acho que é a forma dela suportar essa noite.

- Engraçado... você sabia que quando nos conhecemos na escola a gente nem se dava bem. Talvez porque somos, ou éramos, muito parecidas. Mas hoje... ela é o que tenho mais próximo de uma família. – Dou um sorriso e bato meu ombro no dele – Ela e vocês.

- Vocês dois, chegam de segredinhos, vamos comer!

Eddie e eu trocamos olhares, mas dizemos nada enquanto nos dirigíamos para a mesa de jantar. E que a festa comece.

Apesar dos meus receios, tudo transcorreu muito bem. Mason nos fez rir, e Mia me embaraçou contando histórias da nossa adolescência. Não quis nem encarar Dimitri quando ela contou a noite que eu e meu último namorado decidimos transar pela primeira vez.

- O que ela não contava era com a mãe dela voltando mais cedo pra casa. – riu às minhas custas – Eu ouvi de casa o grito da Janine: “Rosemarie Hathaway, o que é isso?”. Foi demais.

- Ugh, o pior de tudo foi que no dia seguinte ele nem conseguia me encarar. Terminamos um mês depois.

- Cara, a Janine não dava trela... – suspirou Mason com ar saudoso – Cozinhava muito mal, mas fazia as melhores pipocas carameladas que já comi.

Oh-oh. Isso não era bom. Por favor, não comecem a contar histórias com a minha mãe. Era uma festa, não era hora para lembranças mórbidas de gente morta. Gente morta que eu nutria uma relação de amor e ódio mesmo pós-túmulo.

- Eddie, quando estivemos em Las Vegas você disse que ia que ia aprender a fazer nachos tão bons quanto àqueles que comemos no hotel. Teve sucesso?

Sutilmente, Dimitri havia desviado o foco para um tópico mais seguro. Se ele havia percebido – ou adivinhado – meu desconforto, não tinha como eu saber, mas seria eternamente grata por seu timing sempre perfeito.

Quando terminamos de jantar, o celular de Dimitri tocou e ele foi atender no escritório. Tiramos a mesa e surpreendi aos meus três amigos com uma sobremesa que havia comprado. Eles haviam se esquecido, em meio à confusão de preparativos em cima da hora, de pensar em trazer algum doce. Não os culpei, já haviam feito demais, de qualquer maneira.

Minutos depois Dimitri saiu do escritório e foi até a cozinha, pegar xícaras para o café que havia posto na cafeteira automática. Fui atrás dele.

- Está tudo bem? – indaguei pegando o açúcar.

- Sim, era apenas Hans. Ele teve que adiantar algumas coisas por causa dessa nossa viagem inesperada. A casa não é depende dele, mas acha que a consegue até semana que vem. Vai me manter informado. Os nossos equipamentos estão a caminho; você sabe, escutas, microfones, micro câmeras, armas, essas coisas. Ele alugou um galpão para nós.

- Espero que estejamos instalados logo em nossa casa. Dividir teto com o inimigo não é bem a minha praia. Ele me dá arrepios.

Alertado pelo meu tom de voz, Dimitri virou-se para mim e deixou os objetos sobre o balcão, apoiando as mãos em meus ombros e me olhando atentamente nos olhos.

- É só ficarmos de ouvidos e olhos atentos e não der bandeira nem fazer nada arriscado. Estaremos em desvantagem em território inimigo, mas vai ficar tudo bem, Rose, confie em mim.

- Eu confio em você. – afirmei encolhendo os ombros – É no Viktor que não confio. E com razão, eu sei. Mesmo assim, me sinto suja cada vez que ele me olha ou me toca. Tê-lo na minha cola por uma semana vai ser um inferno.

- Tome cuidado, Hathaway.

Sorri com a preocupação visível em sua voz e rosto.

- Eu sei me cuidar, camarada. Pode deixar.

Antes que Dimitri pudesse dizer mais alguma coisa, me desviei dele para ir até a cafeteira e pegar o bule cheio. Ele me seguiu com as xícaras até a sala onde os convidados descansavam no sofá.

- Esse apartamento é o máximo. – elogiou Eddie olhando a janela gigante – Da pra ver o bairro todo daqui! Seja lá quem esteja financiando vocês, está gastando a maior grana.

- Alguém com espírito de justiça. – comentei descasando o bule na mesinha de centro – Gostaria de saber onde Hans arranja essas pessoas.

- Nunca saberemos, ou então elas não seriam mais anônimas.

- Justo.

Mia escorregou no sofá e caiu no colo de Eddie – os dois ficaram juntos a noite toda, cheio de olhares e sorrisos. Tentamos fazê-la não beber muito, mas era impossível e chegou num momento que desistimos de tentar. Ela teria uma grande enxaqueca no dia seguinte se não fosse Dimitri insistindo para ela tomar água o tanto quanto ela ingeria álcool.

- Aqui, tome café. – disse enchendo uma xícara para ela, sem adicionar açúcar – Vai te fazer bem.

- Vou começar a beber sempre com vocês. Vocês são legais.

Sorrimos mas ninguém respondeu. Estávamos todos cheios de comida e cansados de mais dos nossos afazeres. Permanecemos em silêncio nos minutos seguintes, até que Mia começou a passar mal.

- Ah, não. – suspirei – Eddie, me ajude a leva-la pro meu quarto?

- Não! – gemeu Mia – Tenho um monte de coisas para fazer amanhã. Me leve pra casa e ficarei bem. O apartamento de vocês é longe.

Mordi o lábio e troquei um olhar cansado com Eddie. Ele deu nos ombros e acariciou os cachos rebeldes dela quando, novamente, caiu no colo dele.

- Vamos lá, Mia, eu te levo pra casa então. – disse ele.

Mason, que estava quase ressonando no sofá, aproveitou a deixa e se levantou. Todos nós o seguimos. Dimitri ofereceu-se para levar Mia e Eddie deixou, ela ficaria mais confortável e segura nos braços firmes e grandes de Dimitri, que era bem maior que ele. Mas Eddie o seguiu de perto.

- Você e Mia... – deixei a frase em aberto, sem saber o que exatamente perguntar.

- Eu e Mia estamos nos ajeitando. – Eddie a olhou pego por uma súbita insegurança – Espero.

- Cuide dela, okay?

Ele sabia que não me referia apenas àquela noite, mas no geral. Ele estava sempre lá por mim e gostaria que também estivesse por Mia.

- Nem precisa pedir. – respondeu com um sorriso ao chegarmos no saguão – Cuide-se, okay? Não faça nenhuma besteira, Rose.

Revirei os olhos. Estava ficando cansada de ouvir sempre isso.

- Pode deixar, Castile. Dimitri está de olho, ele não deixa passar nada.

- Bom mesmo. Ele é um cara legal.

- É, é sim.

- Boa noite. Quando chegarem na casa do ricaço mandem uma mensagem okay?

Antes que eu pudesse responder, Mason, que havia se afastado ajudar Dimitri a ajeitar Mia no carro, se aproximou de nós para se despedir. Ele e Eddie se despediram de mim com um forte abraço e um aperto de mim com Dimitri antes de partirem. De volta ao apartamento, estávamos cansados demais para fazer outra coisa se não dormir. Antes de me isolar no quarto – que nos últimos dias parecia grande e solitário demais – Dimitri me chamou.

- Gostou da noite?

Sorri de leve para ele.

- É... foi bem melhor do que eu imaginava.

- Na maioria das vezes é assim. – e lá estava mais uma lição zen. – Boa noite, Rose.

- Boa noite, Dimitri.

Gostaria que ele me tocasse. Que andasse os poucos passos que nos separavam e me abraçasse pelo menos. Melhor ainda seria que me beijasse. Mas ele não fez nada disso. Entretanto, seu olhar companheiro e caloroso foi bom e satisfatório. Podia ir dormir com ele.

Notas finais
Olááá minha gente! Sentiram a minha falta? Pois é, não estou morta e a fic não está pras traças! ;P

Primeiro: viram que estou postando fic nova (sim, pois é pois é) chama-se Enchanted e também é UA, só que focada - bem focada - em Romitri. Deem uma olhadinha e se interessar, boa leitura!
http://fanfiction.com.br/historia/381038/Enchanted/

E ai, o que acharam do capítulo? Eu sei, nada muito emocionante, apenas despedidas (opa, até logo's) e mostrando mais da interação da Rose com Dimitri amigos. Mas essa tranquilidade tem hora para acabar.... Como é que dizem... antes da tempestade vem a calmaria.
E ai, quais são suas expectativas, sugestões e, sei lá, o que tem para falar da fic até agora? ;)

O próximo capítulo JÁ está pronto e a dona Fernanda enlouqueceu com ele, só digo isso hehe. Vou aproveitar tentar não me atrasar mais e continuar na dianteira de pelo menos um capítulo para não torturar TANTO vocês (estou levando vocês em consideração. E vocês sabem quem estou me referindo u.u), afinal, não quero levar a fama de má. hahah Tá, só um pouquinho. Mas enfim, bom capítulo e até a próxima!!