Love and Blood

13 Capítulo Doze


Notas iniciais
"- Você é homem demais, Dimitri. É exatamente esse o problema. Falta uma mulher em sua vida, quem sabe assim seria menos...
(...)
- Continue, Rose. Eu seria menos...?"

O celular vibrou insistentemente sob meu travesseiro avisando-me que era hora de acordar. Eram raras as vezes que acordava cedo sem miar. Mas havia um dia especial do ano em que eu acordava cedo praticamente sozinha. Aquele era o dia. E não era porque iriamos partir para a Europa daqui algumas horas.

Levantei-me da cama totalmente desperta e fui ao banheiro me arrumar. Ia tomar um banho, mas não queria me arriscar a acordar Dimitri. Se ele já não estivesse acordado.

Para minha sorte, não estava. Com um vestido e sapato pretos, desci as escadas em silêncio. Pela grande janela podia ver o dia clarear atrás da cidade. Saí de casa sem fazer ruído após vestir um sobretudo preto. Não deixei nenhum bilhete. Não queria ninguém me ligando ou atrás de mim. Só queria ficar sozinha, por enquanto. Se Dimitri me procurasse, acabaria ligando para Mia, e ela sabia sobre a importância daquele dia para mim, portanto sabia que deveria ficar quieta.

- Bom dia, senhorita Hathaway.

- Bom dia, Ernie.

O caseiro já me conhecia. Nos últimos anos eu me apresentava sem erro duas vezes por ano, na frente daquele mesmo portão, mais ou menos no mesmo horário. Isso sem contar com a minha primeira visita ao local: passei a noite chorando. Ele foi um amor de pessoa comigo, me ajudou e me apoiou em minhas crises durante aquele ano. Seria sempre grata.

- A senhorita madruga, mas mesmo assim, alguém sempre chega primeiro.

Eu sorri de leve andando com ele.

- O lírio está lá?

- Sim. – afirmou com um balançar de cabeça – Como todos os anos.

- E nenhuma pista de quem seja?

- Não senhora.

- Um dia quem sabe...

- É ... agora, com licença, senhorita. – disse-me ele virando-se para dar meia volta – Creio que vai gostar de paz com seus sentimentos e pensamentos.

- Obrigada, Ernie.

Ele acenou a cabeça e saiu. Virei-me então para a sepultura.

- Bom dia, mamãe.

Hoje fazia exatos quatro anos. Quatro anos desde que minha mãe morrera. Eu e ela nunca fomos muito amigas. Sempre estava trabalhando demais e ficando de menos comigo. Mas ela era minha mãe. Apesar dos pesares eu a amava e ela também me amava.

Todos os anos em seu aniversário e no dia do acidente, eu ia visita-la de manhã. E sempre havia um lírio sobre seu túmulo. Nunca viram o rosto de quem o colocava. E sempre chegava antes de mim. Era um mistério que não me importava em não ser resolvido. Era alguém que se importava com a minha mãe, diminuía minha sensação de abandono.

Geralmente, eu passava grande parte do dia no cemitério. Eu conversava com ela, lhe dizia como foi meu ano e tudo o que se passava. Em parte era culpa, por nunca termos sido próximas a este nível. Em parte por que sentia necessidade em conversar com alguém.

Mas desta vez, Dimitri me esperava em casa e não poderia demorar muito, ou começariam a surgir perguntas demais e não estava a fim de interrogatório. De qualquer modo, ficar lá alguns minutos ou algumas horas me fazia bem. Como se eu tivesse no ensino infantil e tivesse ganhado uma estrelinha por bom comportamento. Não que alguma vez tenha ganhado uma.

Devo ter ficado umas duas horas por lá. Era tempo suficiente para a desculpa que acordei cedo e resolvi andar pela cidade e me distrai no Starbucks. Dimitri era capaz de engolir.

Quando cheguei, a casa estava um silêncio danado. Cheguei a pensar se ainda estava dormindo, o que era incomum para Dimitri. Mas assim que bati a porta me surpreendi ao ouvir a voz de Mia vindo da sala.

- Chegou um pacote pra você. Está em sua cama.

Bom dia pra você também, amiga. Adentrei o apartamento e me deparei com sua silhueta contra a janela. Não me olhou e imaginei que, talvez, estivesse emocionada com a despedida.

- Okay.

No caminho do quarto, encontrei-me com Dimitri saindo do seu. Não o olhei, mas ele não me ignorou.

- Já tomou café?

- Não. – disse da porta – Mas não estou com fome.

- Onde você foi?

- Caminhar um pouco, andar pelas ruas sem rumo. É bom, sabia?

Sem esperar resposta, fechei a porta do quarto para não ser incomodada. Não sabia o que era, mas poderia ser algo... sigiloso.

Nos últimos dois anos assim que superei o trauma do acidente e da morte de minha mãe, comecei a investigar. Eu sabia que aquilo não havia sido apenas um acidente. Foi planejado minimamente. Mas a Agencia estava fazendo um ótimo trabalho me deixando de fora disso.

Só que, infelizmente, não era o que eu esperava. Era uma caixa comprida e fina, daquelas que floriculturas usam para enviar flores. Franzi a testa. Mason teria mudado de estratégia para uma mais direta? Não havia cartão algum que me indicasse de quem era.

Troquei o vestido por algo mais confortável, shorts e uma camiseta, e então eu abri a caixa. E o que vi em seu conteúdo fez meu coração parar.

Era um buque de rosas. Mas suas pétalas estavam murchas e mortas, soltas do caule. Algumas estavam pintadas com spray em preto. Isso era um péssimo sinal.

- Mia! – gritei fechando a caixa e saindo do quarto, levando-a comigo inconscientemente – Onde está o cartão? Eu sei que tem um cartão.

Cheguei à sala e ela estava na sala, virada de frente para mim. Seus braços estavam cruzados e sua expressão era mortífera.

- Onde está?

- Você disse que havia parado.

Ignorei sua acusação.

- O cartão. Mia!

- Você mentiu pra mim. Quanto tempo faz que voltou?

- Mia Rinaldi. Não me provoque. O cartão.

- O que mais você esconde de mim, hã?

- Mia! Onde está a merda do cartão?

- Hans sabe disso? Você contou pra alguém?

- Isso não é da sua conta. Nem da de ninguém!

- Quietas! As duas!

A voz de trovão de Dimitri nos calou, mas Mia e eu não desviávamos o olhar.

- O que está acontecendo aqui? – ele exigiu saber. Nem eu nem Mia respondemos. – Agora não vão falar?

- Mia. – alertei-a novamente – É meu. Me devolva.

Dimitri suspirou.

- Alguém pode me explicar?

Mia me olhou com raiva e frustração. Ela ia contar.

- Não, Mia. Isso não é...

- Você sabia que Rose recebe cartas anônimas, Dimitri? – ela me interrompeu olhando para ele – Algumas vezes ao ano? Junto com flores?

Dimitri franziu a testa, não entendendo onde Mia queria chegar. Fechei os olhos. Merda.

- Ameças, Dimitri. Desde o acidente de carro. Ou antes, não sei. – ela virou-se para mim – Não sei mais o que ela esconde de mim.

- Cartas de ameaça? – a voz de Dimitri ficou preocupada na hora, mas não tive coragem de olha-lo. – Rose. Rose, olhe para mim e me conte.

- Ela não tem coragem, Dimitri. Mas pode deixar que eu conto. Aliás, por que você mesmo não abre a caixa e vê por si mesmo?

Dimitri tirou a caixa de minha mão, e não consegui oferecer resistência. Ele arfou ao revelar seu conteúdo.

- Hans tem ciência disso? – sua voz era baixa e ameaçadora. Sua mão segurou meu braço para me obrigar a olha-lo – Me responda!

- Não. – nunca havia visto Dimitri tão grande e poderoso como estava agora. E tinha medo dele. – Hans não sabe. E nem vai saber.

Mia bufou e recuperou sua bolsa do sofá.

- Não há mais nada que eu possa fazer aqui. – disse se dirigindo a mim e entregando-me um envelope preto – Boa viagem e boa sorte. Para os dois. Mas especialmente a você, Rose.

Deixei Mia ir. Sem dizer nada ou me virar. Estava magoada e me sentido traída. Ela abriu minhas coisas e me expôs em frente à Dimitri. Quem ela pensava que era?

Abri o envelope, com cuidado e nas pontas dos dedos. Mas sabia que não haveria nenhuma evidencia, nenhuma prova ali. Nunca havia. A letra, como sempre, impecável e inclinada, vermelha como sangue.

“Querida Rose,

Já se passaram quatro anos. Feliz liberdade! Estou com saudades e decepcionado com você. Quando iremos, finalmente, nos encontrar?

Com amor,

Seu Admirador Secreto”

- Rose, eu mereço uma explicação.

Dimitri, eu sabia, havia lido o cartão por cima de meu ombro. E, é. Ele merecia uma explicação agora, já que todas as cartas estavam na mesa.

- Desde o acidente de carro eu tenho recebido cartões e flores.

- Flores mortas? — Assenti com a cabeça e Dimitri falou algo em russo, que tinah certeza de que era um palavrão – E os cartões?

- Sempre em envelopes pretos e tinta vermelha. Não dá pra rastrear. E todas são assinadas como ‘Seu Admirador Secreto’. Todas fazem alusão ao acidente e ao tempo que passou.

- Então o acidente... não foi um acidente. – ele arfou surpreso. Bom. Pelo menos sabia que ele não andava escondendo informação de mim também.

Eu ri. Ri da situação ridícula e da obviedade.

- É Dimitri, ficou meio claro isso na primeira carta quando ele disse que meu presente de aniversário era a liberdade, mas que esperava que eu o perdoasse por que não esperava que eu estivesse no carro.

Permanecemos em silêncio. Dimitri tinha aquele ar prático e sabia que sua mente estava trabalhando. Seus olhos tinham um fogo de ódio que se intensificava ao olhar a carta ou a caixa.

- Eu vou matar ele. – me ouvi dizendo. – Assim que eu por minhas mãos sobre ele, será um homem morto.

- Não devia falar assim.

- Não devia falar assim? – exclamei exasperada – Dimitri, você sabe como é ver sua vida se desmoronar na sua frente? Ver o carro de sua mãe explodir e não ter nada para fazer pra impedir? Não, você não sabe. Sabe como é ter que se mudar seis vezes em quatro anos fugindo de alguém que não sabe nada, mas que sabe tudo de você? Não, você não sabe. Ele tem rido da minha cara faz anos. Ele se vangloria da morte da minha mãe! Não me venha dizer que não deveria falar assim, que é exatamente o que eu vou fazer.

- Você tem é jovem e uma vida inteira pela frente, não deveria gastar planejando vingança.

- Você faria a mesma coisa, Dimitri. E não me venha dizer que é mentira. Está estampado em sua cara. Você o odeia também. Só não tanto quanto eu. Se ele estivesse aqui e agora você o mataria. Eu posso ver seu conflito interno, camarada. Você quer muito me dizer que não, mas estaria mentindo para mim e para você mesmo. Você odeia esse tipo de gente.

- É diferente. Eu tenho quase trinta anos, já vi, ouvi e vivi muita coisa. Eu...

- Me poupe o discurso! – interrompi. Estávamos com as vozes alteradas e nem ligávamos – Não me venha com ‘eu sou mais velho que você’, por que isso não tem valor pra mim. Nós somos iguais, Dimitri. Por baixo dessa sua pose de zen há um homem cheio de vontade de matar os vilões desse mundo. Você mataria todos com suas próprias mãos. Assim como eu.

- Sim, Rose. Somos iguais! – Dimitri me segurou pelos braços e me olhou firme – Eu queria matar todos os idiotas que há neste mundo. Mas sabe a diferença entre mim e você? Eu aprendi a me controlar. Eu estou fazendo diferença no mundo.

- Só vai fazer diferença quando eles estiverem mortos e queimados! – gritei tentando me soltar de suas mãos – Quando eu o encontrar, irei fazer se arrepender de ter nascido! Ele vai sofrer tanto que vai implorar por sua morte. E quando eu cansar, eu vou proporcionar a morte mais longa e dolorosa da vida dele! — Dimitri me olhou assustado, mas não me soltou. – Você quer me soltar? Me larga!

- Rose... – sua voz estava estrangulada, como se fosse emoção demais para se falar algo.

Consegui me soltar e corri para as escadas, subindo até meu quarto. Dimitri foi atrás de mim. Joguei a carta sobre a cama e meu pulso foi agarrado por um aperto forte.

- Já disse pra me soltar! – avancei irritada contra ele – Nada que você me disser irá me fazer mudar de ideia, Dimitri.

Dimitri me jogou sobre seus ombros sem pestanejar, ignorando meus gritos. Parecia que não fazia diferença se eu batia nas suas costas ou não, ele nem ao menos se contraia. Era como se eu não estivesse batendo nele.

- Dimitri Belikov, me ponha no chão já! — Ele me ignorou e marchou pelo quarto, indo até o banheiro – O que você está fazendo? Dimitri!

Ele me ignorou e me pôs no chão apenas quando estávamos dentro do box do banheiro. Estava irritada demais para pensar no que ele estava fazendo e antes que pudesse formular alguma resposta ofensiva pra ele, ele ligou o chuveiro.

Eu gritei quando a água gelada tocou minha pele. Pareciam pequenas agulhas por todo o meu corpo, encharcando minhas roupas em poucos segundos. Meu consolo era que Dimitri não fora salvo da água, mas estava consideravelmente mais seco que eu.

- Mas que merda! – gritei pulando com o toque da água — Está um gelo! Dimitri!

- Quem sabe assim esfria essa sua cabeça quente?

Eu o empurrei e tentei sair do box, mas Dimitri me segurou pelos ombros e me obrigou a ficar debaixo da água fria.

- Me deixe em paz! Mas que merda! Qual é o seu problema?

- Meu problema? Você quer saber o meu problema?

Dimitri, agora, estava tão molhado quando eu, e me olhava com descrença. Mas embora ambos gritássemos, no fundo de seus olhos via uma preocupação evidente que me desarmou.

- Meu problema é que minha parceira está com instintos assassinos e se recusa a perceber na tremenda encrenca que vai se meter se continuar com isso!

- Isso não tem nada a ver com você, Dimitri. Não se preocupe, não vou te envolver em nada, seu traseiro vai ficar fora da linha de ataque!

- Eu não estou preocupado comigo, pelo amor de Deus, Rose! É você quem me preocupa! Você e essa sua... insistência na vingança.

- Esse é problema meu, não seu! Me-deixa-em-paz!

Empurrei-o novamente, mas suas mãos eram firmes e não saímos do lugar. Minha respiração era ofegante e ele me olhava com tanta intensidade que era difícil olhar para ele.

- Você age como se não tivesse ninguém no mundo para se preocupar com você. Você age como se estivesse sozinha.

- Eu estou sozinha. Lide com isso. Olhe a minha volta!

- Cale a boca! – a fúria com que Dimitri me dirigiu as palavras era tanta que me deixou sem ação. – Não diga isso, Rose. Você não está sozinha. Você tem Mia. Tem Mason e Eddie. Por Deus, Rose! – ele se aproximou e segurou meu rosto em suas mãos quentes e sussurrou para mim, seu hálito fresco tocando meu rosto – Você tem a mim.

Sem que pudesse me parar, avancei para ele, mas Dimitri também havia se inclinado para mim. O beijo que se seguiu foi totalmente diferente dos que havíamos trocados. Era igualmente quente e me tirava o ar, yeah. Mas era mais profundo e... sei lá, apenas... diferente. Talvez fosse a raiva que eu sentia e o desespero de Dimitri que tenha intensificado tudo.

Sua boca avançou contra e minha com fome e Dimitri inspirou fundo, inalando meu cheiro. Sua língua praticamente violentou minha boca, exigindo passagem, seus lábios saboreando os meus. Dimitri me prensou contra a parede de azulejo e me levantou para que enrolasse as pernas ao seu redor. Apesar do inicial surto de raiva, senti que no instante em que nossas bocas se tocaram isso havia passado e que ele não queria me provar nenhum ponto. Mas apenas confirmava o que Mia havia me dito uma: que um não sobreviveria ao outro afinal, seja para o bem ou para o mal.

Suas mãos desceram para as minhas coxas, apertando de leve enquanto as deslizava pela minha pele deixando uma trilha de fogo no caminho. Enrolei os dedos por entre seus cabelos molhados e puxei seu rosto mais para mim. Sua língua explorava cada canto da minha boca, de uma forma ainda melhor de quando me beijou pela primeira vez.

Mas ele não parou por ai. Dimitri subiu as mãos para a barra da minha blusa e a tirou com um movimento rápido jogando-a para o lado. Seus lábios desceram para meu colo exposto e eu arfei quando sua boca chegou a meus seios cobertos pelo sutiã. Nossa respiração era pesada e entre gemidos e não sentia mais com frio por conta da água. Verdade seja dita, estava é com calor. Muito calor, subindo entre o ventre, fazendo-me abraçar Dimitri com mais força com as pernas para satisfazer o mínimo de prazer que eu realmente queria. O fato de sentir sua ereção sob suas calças não ajudava em nada.

Eu o queria. Jesus, eu queria aquele homem demais, e não era apenas sexo. Bem, imediatamente, era apenas sexo, mas meu coração doía por ele há algum tempo e a forma como ele me beijava e me tocava só intensificava meus sentimentos.

Eu estava me apaixonando por ele. Não. Não, não estava me apaixonando. Eu já estava apaixonada por Dimitri. E podia apostar que ele sentia o mesmo por mim. Ou pelo menos parecia. Suas palavras, a forma como ele estava sempre cuidando de mim e o como eu o pegava me olhando às vezes, quando achava que eu não via. Não, Dimitri me tratava como amiga, mas ele queria mais, assim como eu.

Sem fôlego, ele levantou a cabeça, sem se afastar de mim, encostando nossas testas e me olhando com fogo nos olhos. Ficamos assim por um tempo antes dele começar a falar.

- Você me disse para escolher. Se eu queria ser seu parceiro, seu amigo, ou nada disso. A verdade, Roza, é que não quero ser seu parceiro. E não quero me contentar em ser apenas seu amigo. Eu quero mais que isso.

Dimitri, então, voltou a tomar meus lábios nos seus com ferocidade, pressionando seu corpo no meu e me fazendo perder o ar rapidamente. Arranquei sua camisa sem me preocupar em desabotoar os botões e deslizei minhas unhas sobre sua pele exposta, quente e macia. Ele enroscou os dedos em meu cabelo na altura da nuca enquanto eu descia as mãos para sua calça, desabotoando o cinto.

Não queria parar. Tínhamos algum tempo antes de Lissa e Viktor chegarem, com certeza poderíamos pelo menos aplacar o fogo que sentíamos e diminuir essa ânsia que me matava por dentro. Mas Dimitri diminuiu o ritmo pouco tempo depois que meu short e sua calça iam ao chão.

Ele parou e eu o encarei.

As respirações ofegantes em uníssono. Olho no olho. Sem vergonha alguma.

- Temos que nos arrumar. – Ele encostou a testa na minha de novo e me encarou pelo o que pareceu uma eternidade – Logo virão nos buscar e estaremos...

Ele não completou, mas não precisava. Obviamente, o tempo livre que tínhamos não seria o suficiente, não seria o bastante para nenhum dos dois, por mais que tentasse me convencer que sim.

Sua testa deslizou em meu rosto e ele encaixou a cabeça entre meu ombro e pescoço, deslizando os lábios e nariz em minha pele.

- Eu não também não quero apenas sua amizade, Dimitri.

Puxei sua cabeça para cima e beijei-o novamente, suas mãos voltaram a segurar meu rosto.

- Isso não está certo, você sabe.

- Sim, eu sei. – respondi com tristeza.

Soltei-me dele e o abracei. Seu braço esticou-se por trás de mim e o chuveiro foi desligado. Eu não queria sair dali, do lado dele. Queria joga-lo na cama e terminar o que havíamos começado. Mas ele estava certo. Não podíamos nos atrasar.

- A jovem Dragomir virá nos buscar mais cedo. – disse Dimitri me apertando brevemente em seus braços antes de esticar um deles e pegar uma pendurada do lado de fora do boxe, abrindo-a em meus ombros – Viktor estará nos esperando e ele tem uma pontualidade maior que a dos britânicos. Não demore pra se arrumar.

- Hey! Eu sou pontual com meus compromissos.

- Claro que é. – zombou apertando meus ombros. – Não se atrase.

Revirei os olhos, fazendo-o quase sorrir.

- Em quinze minutos estou pronta.

Dimitri pegou outra toalha para ele e enrolou na cintura. Ele me lançou um breve olhar e beijou minha testa antes de se retirar do banheiro

O que havia acabado de acontecer ali?

Dimitri, em meio ao meu ataque de histeria, me deu um banho de agua fria, literalmente. Mas e depois? Beijou-me e tirou minha roupa com um gostinho de quero mais, e eu nem precisei provoca-lo para isso. Então ele saiu andando como se fosse a coisa mais normal do mundo, voltando a sua pose de agente – um pouco menos bruta, verdade – e mandando-me não atrasar. Quero dizer, o que tudo isso significou então?

Afastei os pensamentos de Dimitri e seu corpo, lábios, calor... Enfim, precisei dar uma surra mental em mim mesma para me focar em me arrumar. Precisava me secar e por minha cabeça no lugar. Era por isso que não deveríamos nos envolver, para não haver distração.

Optei por um conjunto comportado, que eu poderia até usar para trabalhar: jeans azul escuro, blusa regata branca e um colete preto por cima, de decote em ‘v’ e dois botões na altura do umbigo. Bonito, porém jovial demais para se usar num ambiente como a Agência, a não ser que você queira levar olhares reprovadores onde quer que passe. Não que me importe com isso, mas algo que aprendi – a bruto modo – era ser discreta.

Calcei ankle boots pretas e fiz uma maquiagem leve: lápis, rímel e blush, apenas. Deixei os cabelos soltos, e sequei-os na toalha, amassando-os de cima para baixo, assim eles ficaria com as pontas mais onduladas. Eu estava finalizando o batom cor de boca quando Dimitri bate à porta, me chamando.

- Estou pronta. – disse pegando minha bolsa e óculos de sol – Eu disse que ficaria pronta.

Ele não me respondeu, mas mexeu a sobrancelha daquela maneira legal que eu não sabia fazer. Então notou os óculos na minha mão.

- Para que óculos se vamos estar dentro do carro e depois dentro do avião?

- Ei, devo estar preparada para tudo. E quando chegarmos à Itália?

- Já estará escuro, ou razoavelmente escuro. – rebateu recostando-se no batente. Ficava extremamente sexy com essa pose.

- Ai, não complica, camarada. – retruquei deixando o quarto com ele atrás de mim – É só um óculos de sol. É um adorno, como se fosse um brinco.

- Mulheres...

Seu tom me fez sorrir.

- Você é homem demais, Dimitri. É exatamente esse o problema. Falta uma mulher em sua vida, quem sabe assim seria menos...

Interrompi-me. Dimitri já havia levado nossas bagagens para o andar de baixo e as ajeitado próximas à porta. Estávamos levando bastantes coisas.

- Continue, Rose. Eu seria menos...?

- Durão. – encolhi os ombros – Quero dizer... é que você é todo assim, distante sabe? As pessoas têm meio que medo de você. É uma presença forte e amedrontadora.

- Isso é bom.

- É, em certos casos. Você acaba ficando meio sozinho por isso, não acha? Isolado.

- Rose, eu sei me cuidar, posso muito bem ficar sozinho.

- Ser sozinho é diferente de ser solitário, Dimitri...

Vesti o casaco esperando que ele rebatesse, mas ficou estranhamente quieto. Pelo canto do olho, observei-o. Estava pensativo. Se isso era bom ou ruim, não tinha como eu saber.

— Não estou me sentindo solitário. – respondeu algum tempo depois – Não mais.

Ele não precisou dizer mais nada, pois seu olhar era claro o bastante, e perigoso. Se tomássemos esse caminho, não teria mais volta. Mas as vidas de muitas pessoas dependiam do sucesso da nossa investigação – inclusive a nossa.

- Dimitri, o que vamos fazer? – indaguei angustiada sentando-me no sofá – Não é como se pudéssemos ignorar.

Ele veio para perto de mim e sentou-se na mesinha de centro. Suas mãos seguraram as minhas com firmeza e ele me olhou com determinação. Gostava daquele olhar, pois parecia sempre tão firme e independente de tudo. Parecia que tinha tudo sobre controle, e isso me acalmava um pouco.

- Tentaremos ignorar. Não vai ser fácil, mas... – ele suspirou e seus olhos encontraram os meus – Roza... eu gostaria de... Temos que ser profissionais. Não podemos, simplesmente não podemos. É errado.

- Eu sei. Mas te ver todos os dias, te tocar, te beijar na frente das pessoas. Vai ser uma tortura nos restringir a esses momentos. Dizer a mim mesma que não é nada...

- Rose, você está preparada para isso? Para essa responsabilidade e altruísmo?

- Eu tenho que estar, não é? Não há mais volta.

Dimitri me olhou com compaixão e pressionou seus lábios em minha testa.

- Não, não há. Para nenhum de nós dois e para nenhum dos dois caminhos. Pelo bem maior, Rose, não posso me permitir amar você, pois, se me permitir, não estarei pensando no bem da missão, mas sim no seu.

Era a primeira vez que falávamos de amor em voz alta. Dimitri me amava. Ou, pelo menos, queria me amar e não devia. Isso não me passou despercebido, nem a ele. Porém, antes que pudesse dizer alguma coisa, o interfone anuncia a chegada de alguém que só poderia ser Lissa.

E estávamos de volta ao compromisso que nos trouxera juntos. Era hora de prender alguns caras maus.

Notas finais
Capítulo doze para acalmar o fogo de vocês!!
Eu sei que não é BEM o que vocês desejavam (suas danadas) mas já é um começo, não é, não é? :D

Romitri apaixonado, Itália, Lissa, ameaças. E agora? Quais são as suas expectativas e teorias? Gostaram dessa pessoa ameaçando Rose? Foi inesperado? Eu disse que as coisas não seriam fáceis.....

Eu não tenho muito para dizer hoje, apenas que... o próximo capítulo será de descobertas. Acho que vocês irão gostar, apesar de não ser cheio de ação... ;)

Beijinhos!