Love They Say
4 Capítulo 4 - FINAL
Toudou recuperou-se totalmente depois de uma semana.
A animação e a energia eram sentidas dia após dias, até que não havia mais nenhum resquício de convalescência. Ele retornou às aulas na segunda-feira e Makishima despediu-se com um pouco de tristeza de sua função provisória como enfermeiro. Aquela foi a primeira vez que o rapaz de cabelos esverdeados cuidou de outra pessoa e o amante mostrou-se um paciente fácil de lidar e extremamente obediente. A certeza da recuperação, porém, só foi confirmada quando, no final da semana, o moreno o seduziu e o que começou como uma inocente sessão de filmes terminou com sexo sobre o tapete da sala.
Pouco a pouco a vida retornou ao normal e o mesmo poderia ser dito sobre suas rotinas. Os dois iam juntos à universidade, pedalando na ciclovia; no entanto, por atenderem cursos diferentes, a despedida acontecia no estacionamento e depois de lacrarem as bicicletas. O discreto aceno trocado antes que cada um seguisse seu caminho era sem dúvidas a pior parte do dia e Makishima tinha certeza de que jamais se acostumaria àquele momentâneo adeus.
O reencontro acontecia às vezes no horário do almoço, embora eles raramente estivessem sozinhos. Cada um possuía seu próprio grupo de amigos e era um pouco difícil encontrar espaço na mesa de Toudou, visto que as garotas chegavam a disputar um local próximo ao ídolo. Makishima preferia assisti-lo ao longe, sentado com seus colegas e alheio às investidas das fãs. Ele não era do tipo ciumento e conhecia-o bem demais para saber que traição era algo que não passava sequer por sua cabeça, contudo, era um pouco doloroso vê-lo cercado por tantas garotas bonitas e que poderiam estar facilmente em seu lugar.
Era uma quinta-feira quando o rapaz de cabelos esverdeados recebeu a notícia de que não teria a última aula do período vespertino. A novidade foi recebida por um suspiro, e ele espreguiçou-se na carteira, fechando a revista e agradecendo mentalmente por algumas horas extras de descanso. Como qualquer outro aluno do primeiro ano de Moda, Makishima estava ocupado com os trabalhos e na noite anterior ficou até tarde assistindo a um documentário cuja resenha deveria ser entregue naquele dia. Toudou fará o jantar esta noite, então eu terei algum tempo livre.
A única parada antes de casa seria a biblioteca. Ele estava há dias atrás de um livro específico e na manhã anterior recebeu um aviso de que o exemplar estava disponível. A calmaria e tranquilidade daquela área sempre o agradavam, além da possibilidade de conhecer títulos novos. A seção dedicada ao curso ficava em uma ponta da biblioteca e Makishima caminhou sem dar muita importância para o entorno. O headphone em sua cabeça e a agradável música omitiam as conversas e ele sentiu-se entrar em outro mundo ao começar a ler os títulos dos livros nas prateleiras.
A busca não levou muito tempo, mas o rapaz de cabelos esverdeados permaneceu alguns minutos perambulando pelos corredores. É estranho. Por mais que eu ame o silêncio é como se eu estivesse a todo instante esperando que ele aparecesse. O pensamento o fez sorrir e ele parou de andar ao notar que tinha companhia. Eu já vi essa pessoa antes. A garota que estava ao seu lado era uma das muitas que andavam com Toudou, ainda que seu nome lhe fosse desconhecido.
"Desculpe atrapalhá-lo." Sua voz era energética.
"Está tudo bem." Makishima pousou os fones no pescoço.
"Makishima-san, certo? O colega de quarto de Toudou-san."
"S-Sim, sou eu." O termo colega de quarto quase o fez rir.
"Eu sou Matsumoto Rumi e estou na mesma sala que Toudo-san, é um prazer finalmente conhecê-lo."
"Finalmente?"
"Toudou-san fala muito sobre você. Na verdade, você é provavelmente o assunto mais comentado."
"Ah..."
Ele fez o possível para não deixar que aquele pedaço de informação o afetasse, entretanto foi difícil. Makishima coçou a nuca e pareceu desconcertado e sem saber o que responder. O que eu farei com ele? As introduções terminaram e os dois se encararam em silêncio até a garota colocar a franja atrás da orelha e dizer em voz baixa que aquele encontro não fora acidental.
"E-Eu gostaria de falar com você... em particular."
Oh... O rapaz de cabelos esverdeados engoliu seco e seus lábios se tornaram uma fina linha.
Ele sabia do que aquilo se tratava. Não era a primeira vez que uma garota bonita havia ido até sua pessoa atrás de informações sobre como conquistar o moreno, pois o viam como uma espécie de "melhor amigo". É um pouco enervante precisar ouvir certas coisas direcionadas ao seu amante. Sua resposta foi positiva e ambos deixaram a biblioteca em silêncio.
Não havia nada a ser dito durante o caminho e Makishima não forçou nenhuma conversa. Quantas vezes ele não havia vivido aquela situação? Quantas fãs de Toudou, até aquele dia, não o usaram como ponte, um meio de se aproximar do ídolo e sem a menor ideia da relação que tinham? Uma parte dele entendia aquela atitude. Não eram raras as situações em Makishima se colocava no lugar das garotas, todavia, de nada adiantaria sentir simpatia, já que, no final, ele mesmo seria o causador do inevitável sofrimento.
Os dois deixaram o prédio principal e caminharam até o jardim do lado direito, que era cortado pelo caminho de pedra batida que levava à calçada. O ponto final foi um dos bancos espalhados embaixo das árvores e o rapaz de cabelos esverdeados coçou a nuca quando sua companhia virou-se e encarou-o com seriedade. Aqui vamos nós...
Ele sabia exatamente o que seria dito, como um roteiro. Ela vai dizer que Toudou fala muito sobre mim e perguntará se é mesmo verdade que ele tem uma namorada. Eu direi que sim e então a conversa terminará ou precisarei ouvir meia dúzia de absurdos, como amantes, 'outras' e derivados. A pessoa à sua frente parecia nervosa e Makishima não sabia o que fazer. Tentar acalmar aquela que tinha interesse em seu amante era sem dúvidas um nível de bondade que ele não possuía.
"Toudou-san fala muito sobre você..."
"Hm..." Eu sabia...
"Ele me disse que você tem alguém..." Makishima ergueu os olhos, parcialmente surpreso. Aquela parte não estava nos roteiros.
"E-Eu tenho?"
"É sério? D-Digo, quando perguntei a Toudou-san ele desconversou e disse que sua namorada é belíssima, além de ter uma excelente personalidade, ser humilde e prestativa, mas se recusou a tocar no assunto, então eu decidi ir direto à fonte, porque..." A garota mordeu o lábio inferior e corou. "E-Eu gosto de você, Makishima-san, e eu gostaria de uma chance."
Ele já havia recebido declarações anteriores, mas as ocasiões foram diferentes, e todas acabavam se apaixonando por Toudou assim que o viam. Aquilo nunca o incomodou, na verdade. Relacionamentos nunca foram prioridade em sua vida e o único ponto que o cansava era ouvir palavras doces e românticas direcionadas ao namorado. Qualquer pessoa em sua situação provavelmente seria paranoica com fidelidade por ter um amante como Toudou, mas não ele. Makishima confiava no moreno e o inferno congelaria antes que ele pensasse em traí-lo. Mas saber que alguém prefere a mim é um pouco... reconfortante, eu diria?
"Eu sinto muito, Rumi-san," ele pôde ver a rejeição refletida nos olhos castanhos e aquilo o fez sentir-se mal, "mas eu estou em um relacionamento sério, daqueles que duram a vida toda. Eu amo aquela pessoa e ela é única para mim. Eu agradeço seus sentimentos, mas infelizmente não posso aceitá-los."
Rumi manteve-se em silêncio e apertou a alça da bolsa que estava em seu ombro direito. Seus cabelos eram longos e negros e refletiam a claridade do dia quase como um espelho.
"Não é como se eu não soubesse. Toudou-san me avisou sobre isso, mas resolvi arriscar. Obrigada pela sinceridade, Makishima-san, e sua namorada é uma garota de sorte. Eu espero que ela saiba o quanto é amada por você."
Na verdade, ele não sabe. O meio sorriso tremeu em seus lábios e foi impossível responder. Ele gostaria de dizer que sim, que seu amante tinha plena consciência de seus sentimentos, porém, isso seria uma grande mentira. Em três anos de relacionamento era possível contar nos dedos as vezes em que sua afeição fora compartilhada. O moreno não tinha problemas em expor suas emoções, no entanto, Makishima era outra história... Seus sentimentos só eram ditos em situações extremamente especiais ou enquanto Toudou dormia profundamente.
Ouvir a confissão da garota fez seu ego sentir-se bem, contudo, seu coração tornou-se pesado. Eu quero vê-lo... Makishima desculpou-se novamente por não poder retribuir aqueles sentimentos e os dois se despediram com um breve aceno. Ele apressou-se a deixar a universidade, decidido a fazer uma segunda parada antes de voltar para casa. Hoje é dia de Toudou cozinhar, então eu levarei a sobremesa.
Nenhum deles era aficionado por doces e sabiam que não poderiam guardar guloseimas na geladeira, principalmente quando Shinkai e Arakita apareciam para jantar — o que, diga-se de passagem, acontecia com mais frequência do que ele gostaria. Entretanto, aquela quinta-feira seria definitivamente uma exceção e o rapaz de cabelos esverdeados não se importou em gastar um pouco mais em uma caixa contendo meia dúzia de pudins. A confeitaria era famosa na cidade e, apesar dos preços altos, não haveria problemas em alguns mimos vez ou outra, não?
O sol já havia se posto quando Makishima retornou para o apartamento. As luzes estavam acessas e a voz do moreno soou alta de algum cômodo, desejando boas-vindas animadas. Seu coração tornou-se aquecido, acostumado àquela saudação e especialmente àquela vida. A mochila foi colocada sobre o sofá e ele seguiu até a cozinha, certo de que o encontraria; e, como esperado, Toudou estava em frente à pia cortando alguma coisa e vestindo o avental preto.
Aquela cena sempre o fazia lembrar-se do dia em que, ao sair do banho, ele entrou naquele mesmo cômodo atrás de alguma coisa para mastigar antes do jantar. O que encontrou foi um moreno nu, com exceção do avental preto. Ele disse que aquele era um fetiche conhecido, desfilou na minha frente e perguntou se eu havia gostado. Como um ser humano pode ter tanta falta de decoro? Todavia, não houve jantar naquela noite e Makishima entendeu os “poderes” de um mero avental enquanto faziam sexo na sala.
"Você está atrasado, Maki-chan!" Toudou despejou as cenouras dentro da panela. "Está frio, então eu decidi fazer uma sopa."
"Hm... cheira bem..."
Os pudins foram para a geladeira e ele aproximou-se devagar.
"Eu trouxe a sobremesa, pudim."
"Oh! Obrigado, Maki-chan!"
Seus pés o levaram até a pia e os olhos verdes fitaram a figura à sua frente. O moreno tinha a sua altura, mas era mais encorpado. Daquele ângulo era possível ver uma parte do pescoço, mesmo quase omitido pela grossa blusa de moletom. Suas mãos tremeram levemente, incertas sobre aquela atitude. Muitas vezes Makishima precisava se policiar, porque a vontade de tocá-lo era muito forte. Eu geralmente faço isso quando ele está dormindo e não pode me ver. É um pouco embaraçoso...
Porém, aquele dia seria diferente A conversa com a garota retornou em sua memória e seus braços envolveram Toudou, abraçando-o por trás e juntando os corpos. O moreno riu e sorriu, aprovando o gesto, mas sem parar o que fazia. Ele cheira tão bem... Nenhum deles disse nada por alguns segundos e o silêncio só foi quebrado quando uma inusitada e inesperada pergunta cortou o ar:
"Rumi-chan... ela falou com você, não?"
Makishima sentiu todos os músculos de seu corpo se tornarem rígidos.
"S-Sim... Eu já estava indo embora."
"Eu sei," Toudou não parecia chateado ou irritado e seu tom de voz saiu estranhamente normal, "eu estava na biblioteca quando os vi sair."
"Eu não vi você." Ele sentia como se houvesse uma bola em sua garganta. Aquela conversa o fazia parecer tão infiel.
"Eu sei, meu grupo estava nas mesas próximas à janela." O moreno parou de cortar os legumes e pareceu usar aquele tempo para pensar. "Ela chorou?"
"Não, mas disse que já sabia que seria rejeitada. Você falou com ela sobre mim?"
"Um pouco, mas eu avisei que seria perda de tempo. Eu disse que você era comprometido, mas ao menos agora ela tem certeza."
O rapaz de cabelos esverdeados não sabia o que responder, então optou pela melhor resposta: o silêncio. Seus braços tornaram-se mais apertados e ele só se desvencilhou quando sua presença ali pareceu mais atrapalhar do que ajudar.
"Existe alguma coisa que eu possa fazer?”
"Agradeço a intenção, mas eu já estou terminando, Maki-chan. Tome um banho e prometo que quando sair o jantar estará pronto."
Makishima afastou-se, lançando um último olhar na direção da cozinha antes de se retirar. Ele não se virou ou olhou diretamente para mim uma única vez. Aquela atitude chamou sua atenção, uma vez que Toudou era uma pessoa bastante energética e raramente o recebia sem beijos e abraços. Talvez ele tenha ficado chateado... eu vou perguntar quando surgir a oportunidade.
A chance, no entanto, não aconteceu. O banho foi rápido, o suficiente para que seu corpo esquecesse a caminhada gelada e pudesse se aquecer dentro da banheira de água quente. A mesinha de centro fora arrumada e o moreno o esperava enquanto assistia televisão, um cotovelo sobre a peça de madeira e o corpo basicamente virado na direção da grande tela. Ele definitivamente está chateado!
A sopa possuía pedaços reais de carne e Makishima sentiu-se afortunado por poder degustá-la. Ele ainda tinha muito que aprender, culinariamente falando, e infelizmente ainda não conseguia preparar pratos que exigiam certo nível de habilidades. Toudou perguntou se a comida estava boa, oferecendo um satisfeito sorriso ao ouvir o elogio. Seus olhos azuis pareciam brincalhões, contudo, havia alguma coisa diferente... algo que o rapaz de cabelos esverdeados não saberia definir, mas que tornava aquela refeição não tão apetitosa.
Toudou era a pessoa mais transparente que ele conhecia. Seus pensamentos sempre encontravam uma maneira de se transformarem em palavras e por esse motivo Makishima demorou a entender como lidar com aquele garoto. No começo ele realmente me irritava. Egoísta, narcisista e espaçoso... eu detestava tudo naquela pessoa. Ele não sabia ao certo quando aquela aversão transformou-se em admiração e, consequentemente, amor, entretanto, tinha plena consciência de que seus sentimentos eram reais.
“Eu espero que ela saiba o quanto é amada por você.” Makishima ergueu os olhos do prato, impossibilitado de continuar a comer enquanto aquele estranho clima pairasse sobre eles, e não o surpreendeu ao perceber que estava sendo observado sem resguardo.
"O que você está fazendo?"
"Eu estou te admirando comer, Maki-chan." Ele sorriu e levou uma colherada aos lábios. "Você sempre come com entusiasmo. É revigorante cozinhar para você."
O sorriso o fez sentir-se menos incomodado e serviu para afastar um pouco as nuvens de seu coração, retornando à comida, todavia, mantendo-se atento. A atenção do amante não estava totalmente no jantar e às vezes ele parecia mexer na sopa sem muita animação. Talvez o pudim funcione...
Makishima ajudou a retirar a mesa, mas Toudou recusou auxílio para lavar a louça, colocando-a na pia e afirmando que cuidaria disso outra hora. Os dois retornaram para a sala trazendo um potinho de pudim cada um. Ele sentou-se no tapete, recostando-se ao sofá e afastando as pernas quando o moreno fez sinal de que sentaria justamente ali.
"Oi, você ficará desconfortável nessa posição." Makishima sentiu mais uma vez o agravável cheiro do shampoo quando os fios negros fizeram cócegas em seu nariz.
"Eu estou bem, Maki-chan. E este é o melhor lugar da casa."
O humor de Toudou pareceu melhorar assim que o pudim começou a ser degustado. O rapaz de cabelos esverdeados não se importava muito com sobremesas, mas sentiu-se feliz ao vê-lo tão contente. Seu pote foi pousado no chão, ainda contendo metade do pudim, e seus braços tornaram-se apertados ao redor daquele corpo. O amante surpreendeu-se, pois parou de se mover e conservou-se quieto. Daquela posição Makishima não conseguia ver qual expressão ele vestia em seu belo rosto, porém, imaginou que a animação dera lugar à seriedade.
"Se você não me disser o que te incomoda eu jamais saberei, Jinpachi."
"É melhor que você não saiba, Maki-chan. É bobagem, de verdade."
"É a garota?"
A suspeita confirmou-se quando Toudou tremeu àquela menção. O som vindo da televisão era o único ouvido, além de suas próprias respirações. Makishima não afrouxou seu abraço e ficou na mesma posição sem se importar de parecer um pouco inconveniente. Eram raros os momentos em que sua companhia deixava de sorrir e essas ocasiões sempre o preocupavam. Depois do incidente com o celular perdido, o rapaz de cabelos esverdeados tornou-se mais observador e a conversa com a garota naquele fim de tarde apenas serviu para lembrá-lo de que, por sua personalidade, ele estava suscetível a provocar mal-entendidos que um dia poderiam não ser tão fáceis de serem resolvidos.
"Nós não temos essas conversas com frequência." Ele enterrou o rosto na nuca à sua frente enquanto falava.
"Eu sei..."
"E eu, na maioria das vezes, posso parecer alheio aos seus sentimentos..."
"Você está errado, Maki-chan, porque eu sei como você se sente."
"Eu me importo com você."
"Eu sei, mas não é prec—"
"Eu... realmente te amo, Jinpachi..."
"Eu s—"
Toudou encolheu-se momentaneamente e o silêncio durou até o instante em que ele pousou seu potinho vazio sobre o tapete e tocou os braços que o envolviam. Makishima afrouxou o abraço e ele virou-se devagar, escalando-o e sem encará-lo uma única vez e posicionando-se sobre seu colo com um joelho de cada lado.
"Jin—" As pontas dos dedos tocaram seus lábios antes que pudesse continuar.
"Eu não estou bravo, Maki-chan." Não havia realmente sinal de irritação, no entanto, suas bochechas estavam absurdas rubras e os olhos azuis brilhavam em lágrimas. "Mas até mesmo eu me sinto incomodado com certas coisas. Eu sabia que aquela garota falaria com você hoje, e foi horrível vê-los deixando a biblioteca juntos. Eu não pude fazer nada, então vim para casa e comecei a limpar e dobrar as roupas, mas nada me fez esquecer aquela cena."
"Mas eu não aceitei a garota..."
"Eu sei disso! Claro que eu sei que você não a aceitaria, mas mesmo assim... pensar em você ouvindo aquelas coisas... O meu Maki-chan escutando palavras bonitas de uma garota me deixa furioso." Toudou deu de ombros e naquele momento pareceu mais um menino do que um jovem homem. "Você é meu! Eu sou o único que pode dizer aquelas coisas!"
"Quem diria que Toudou Jinpachi se sentiria inseguro por causa de uma garota aleatória." Ele não conseguiu evitar a provocação. "Eu não achei que viveria para ver tal coisa!"
"Maki-chan!" As bochechas tornaram-se mais vermelhas. "Estamos tendo um momento aqui!"
"Eu sei, mas é um pouco divertido te ver desse jeito. E eu achei que fosse o único a me sentir dessa maneira."
"O que você quer dizer? De que maneira você está falando?"
"Quantas garotas já se confessaram a você?"
"Muitas!"
Makishima recusou-se a continuar e sua resposta foi o modo como seus olhos desviaram-se para o tapete.
"Você está falando sério, Maki-chan?" Toudou o segurou pelo rosto, forçando-o a encará-lo. "Você se sentiu inseguro quando as garotas se confessaram?"
"Talvez... um pouco." Sua própria face enrubescia dessa vez.
"Você chorou, Maki-chan?"
"N-Não!" Ele balançou a cabeça e desvencilhou-se. Por isso eu odeio essas conversas. Elas são diretas demais.
"Então eu fico feliz." O moreno suspirou aliviado. "Eu jamais me perdoaria por te fazer chorar.” A mão direita tocou uma de suas bochechas. "Eu também te amo e obrigado por se preocupar, Yuusuke."
Makishima nunca sabia ao certo como sair daquele tipo de situação. Quando não havia mais nada a ser dito e os problemas haviam sido solucionados, o que restava fazer? As mãos ao redor da cintura de Toudou tornaram-se mais firmes e o amante sorriu, pegando o pote de pudim e deixando que a colher segurasse uma boa quantidade.
"Diga Ahhhh~, Maki-chan."
"E-Eu consigo me alimentar sozinho... obrigado." Ele virou o rosto e corou bruscamente. Aquilo já era demais!
"Eu sei, mas desse jeito terminaremos mais rápido." O moreno comeu aquela colherada e inclinou-se um pouco, o suficiente para encostar seus lábios na orelha direita. "O pudim não será a sua única sobremesa esta noite, Yuusuke..."
O rapaz de cabelos esverdeados fechou os olhos e precisou respirar fundo. Ele nunca foi forte o bastante para lutar contra as investidas de Toudou e geralmente não era preciso muito para deixá-lo excitado. O amante possuía algo, uma espécie de charme natural que o fazia perder a razão e desejá-lo com todas as suas forças. Ele sempre se aproveitou disso. Toudou sabe que eu não consigo resistir e não perde a oportunidade de me fazer passar por situações constrangedoras.
Aquilo não acontecia com qualquer pessoa. Dependendo do dia ele poderia assistir o mais erótico dos filmes e não sentir nada, contudo, era somente Toudou olhá-lo com aqueles grandes e ferinos olhos azuis que seu sangue subia, seu corpo arrepiava-se e era preciso muita força de vontade para não atacá-lo ou deixar-se atacar. O cheiro, o gosto, a sensação de sentir aquele corpo... o pensamento já era suficiente para fazê-lo esquecer o bom senso.
Makishima aceitou a colherada de pudim, entretanto, permaneceu em silêncio. O moreno comeu o restante, pousando o pote vazio sobre a mesinha e retirando as duas blusas que vestia em um único movimento. A franja negra caiu-lhe sobre os olhos e por um instante ele engoliu seco, esticando a mão e tocando aquela face tão bela. Ele é irritantemente bonito... quantas garotas não dariam o mundo para estar literalmente na minha posição?
"O quê?" Toudou sorriu após alguns segundos de silêncio. "É raro te ver me admirando, Maki-chan."
Não, não é. A diferença é que você nunca está acordado para perceber isso. Makishima havia feito daquilo um hábito. Ele normalmente era o primeiro a acordar e passava um bom tempo admirando aquele que dormia ao seu lado. Os cabelos bagunçados, os lábios entreabertos e uma expressão de paz e serenidade. Às vezes Toudou falava sozinho e em seus devaneios inconscientes o nome do amante era uma constante. Ele está sempre pensando em mim, mesmo em sonhos.
O moreno aproximou-se e o olhar trocado só cessou quando os lábios se tocaram. Os beijos eram na maioria das vezes extravagantes e profundos, deixando-o sem ar. Aquele não seria uma exceção e Makishima viu-se completamente perdido na carícia, movendo a língua e tentando manter o mesmo ritmo. Uma gentil mão tocou sua nuca, afagando os cabelos e brincando com os fios. O gesto o relaxou e por um tempo que pareceu quase infinito nenhum deles fez ou disse nada e o diálogo travado por suas bocas não precisava de palavras.
"Alguém está animado..." Toudou afastou os lábios por um instante e moveu seu quadril. Makishima corou, esquecendo-se por completo a posição em que estavam. "Quer ficar por cima esta noite? Eu não me importo..."
O rapaz de cabelos esverdeados engoliu seco e tentou não deixar que aquela pergunta trouxesse uma onda de lembranças. Nós sempre decidimos essas coisas com corridas, embora soe extremamente patético. A troca de posições poderia parecer estranha para a maioria das pessoas, todavia, não para eles. Foi através das experiências que ambos descobriram o corpo um do outro e isso incluía não somente as posições ocupadas na cama, mas como agradar ao parceiro.
Makishima gostava quando Toudou tomava a iniciativa, porque isso significava que ele poderia simplesmente relaxar e deixar-se mimar. O moreno era bom e atencioso, preocupando-se a todo o instante; porém, ele mentiria se dissesse que ser ativo não tinha suas vantagens e elas não eram relacionadas com orgulho masculino, pelo contrário. É ele. Quando ele fica por baixo eu esqueço toda a vergonha e timidez e não existe nada que eu queira mais do que satisfazê-lo.
A falta de pudor natural do amante tornava-se ainda mais intensa quando ele estava por baixo. As posições mais sórdidas e os pedidos mais absurdos sempre aconteciam quando Toudou perdia uma corrida ou sugeria displicentemente que Makishima ficasse por cima. Não havia segredo. O moreno era uma pessoa sexual e aproveitava qualquer posição para obter prazer.
As íntimas reflexões foram interrompidas por um novo beijo, um pouco mais ousado que o anterior. Toudou passou a mover o quadril devagar e suspirando entre a carícia. O rapaz de cabelos esverdeados sentiu a pele tornar-se arrepiada e aquelas investidas começavam a surtir efeito. Uma de suas mãos desceu pelas costas, traçando um perigoso caminho e encarando os grandes olhos azuis. Sua companhia ofereceu um meio sorriso e levou a própria mão até a calça, retirando a ereção e passando a masturbá-la.
Makishima tentava manter-se concentrado no beijo, no entanto, era difícil. Seus olhos estavam fixos na cena que acontecia literalmente à sua frente, observando os lentos movimentos e desejando que fosse ele a tocá-lo tão intimamente, sentindo a pele diretamente contra a sua.
“Eu não posso me divertir sozinho, Maki-chan. É contra as regras.”
A voz o fez mover os olhos e sua mão retirou a própria ereção de dentro da calça com rapidez. Toudou sorriu, pendendo um pouco mais para frente e juntando-as. Dois pares de mãos tocavam os membros enquanto as línguas se envolviam outra vez, trocando beijos eróticos e que serviam para aliviar as incríveis sensações que viam de baixo.
"Maki-chan..." A voz rouca entrou por seu ouvido e foi seguida por uma furtiva língua. "Vamos para o quarto... o tapete vai machucar minhas costas."
Ele abriu os olhos, encarando o teto de sua sala de estar e concordando com aquela ideia, já que da última vez que usaram o tapete foram justamente suas costas que ficaram doloridas. Toudou levantou-se primeiro, livrando-se da calça e roupa de baixo e empurrando-as com os pés. O rapaz de cabelos esverdeados engoliu seco, tentando desviar os olhos, contudo, notando que tal tarefa era impossível. O que eu farei com ele?
Makishima ergueu-se devagar e corou enquanto retirava as roupas. Ele estava extremamente excitado, mas em momentos como aquele era impossível não sentir pelo menos um pouco de pudor. O moreno sorriu satisfeito ao vê-lo desnudado, aproximando-se e passando os braços ao redor de seu pescoço.
Nenhum deles disse nada, perdidos em um silêncio íntimo e comprometedor. As mãos de Makishima desceram pelos ombros, sentindo os músculos do abdômen e apertando a cintura. Os corpos se encontram e o beijo continuou como se fosse a atitude mais natural naquele instante. Os pés se misturavam, passando pela mesinha e pisando no piso de madeira. Da sala ao quarto não era necessária uma longa caminhada, entretanto, nenhum deles parecia disposto a prestar muita atenção no entorno.
O rapaz de cabelos esverdeados encostou-o contra a parede do corredor, deixando que seus lábios descessem pelo pescoço, beijando a pele e sugando-a em vários locais. Toudou gemia baixo, segurando uma das mãos do amante e levando-a diretamente até sua ereção. Os dedos envolveram o membro, masturbando-o algumas vezes e sentindo o pré-orgasmo tornar o ato mais fácil.
Sair daquele pequeno local foi muito mais difícil do parecia e por um momento ele cogitou simplesmente prepará-lo e devorá-lo no corredor. A porta do quarto foi aberta com pressa e Makishima sentiu-se puxado na direção da cama, caindo sobre o moreno.
“Sem preservativo hoje.” Toudou adiantou-se ao pegar o tubo de lubrificante que estava debaixo da cama. Geralmente ele ficava guardado dentro do guarda-roupa, mas a noite anterior havia sido produtiva e nenhum deles lembrou-se de guardá-lo.
Ele realmente é pervertido. Makishima encarou o tubo de lubrificante, todavia, manteve-o fechado sobre a cama. A mão direita fez um rápido gesto e os olhos azuis brilharam antes que o moreno se virasse. Não que eu tenha moral para criticá-lo. Ele inclinou-se sobre sua companhia, beijando a nuca e sugando a pele o suficiente para deixar marcas visíveis, que foram recebidas com risadas baixas. A língua desceu pelas costas, sentindo a pele e a embriagante mistura da colônia com o cheiro natural.
A risada abafada deu lugar a um convidativo gemido. O rapaz de cabelos esverdeados pediu que ele erguesse um pouco mais o quadril, apenas para tornar mais fácil o que seu corpo ansiava por fazer. A língua tocou a entrada, umedecendo-a antes de invadi-la. O moreno deixou escapar outro gemido, puxando a roupa de cama e divertindo Makishima, que nunca se cansaria de vê-lo reagir daquela forma. Às vezes eu gosto de imaginar o que suas fãs fariam se soubessem sobre suas preferências na cama, Jinpachi-chan~
Ele mesmo precisaria reconhecer que sexo entre dois homens tinha suas vantagens, principalmente com relação a posições. Para Makishima, não havia muita diferença entre ser ativo ou passivo, desde que seu parceiro fosse Toudou. O jeito que aquela pessoa o fazia sentir tornava as posições na cama totalmente irrelevantes; porém, parte dele tinha verdadeiro fascínio por ver as reações que o amante tinha quando era sua vez de ficar por baixo. O moreno era exigente e não se reprimia com relação ao que gostava e onde gostava.
Desde o começo Toudou tratava o assunto com extrema naturalidade. Makishima sabia que sua companhia havia contado para os antigos colegas de clube sobre o relacionamento que tinham, mas ele precisou de mais de um ano até ter coragem de fazer qualquer comentário com Kinjou e Tadokoro. E nenhum deles ficou surpreso. Eles disseram que já desconfiavam e o único comentário que recebi foi Tadokorocchi perguntando se havia alguma diferença entre fazer sexo com um garoto e uma garota. Eu nunca pude responder, visto que Toudou foi meu primeiro...
O rapaz de cabelos esverdeados jamais esqueceria a primeira vez que eles se permitiram aquela intimidade. Foi em sua casa, em uma noite em que seus pais estavam fora. Nós estávamos saindo há uns três meses e percebemos que beijos já não eram suficientes. Nenhum de nós combinou nada, mas sabíamos que seria naquela noite. Eu estava nervoso, mas Toudou chegou a sentar-se na cama, pois suas pernas tremiam. O sempre ousado e sensual aluno do colégio Hakone estava sentado seminu na beirada da cama, apoiando os cotovelos nas pernas e respirando com dificuldade. Ele pediu alguns segundos, dizendo que agora que seu sonho estava prestes a se transformar em realidade era difícil não se emocionar.
O nervosismo do moreno só passou quando Makishima arrastou-se até ele, ajoelhando-se entre suas pernas e ajudando-o, bem, a liberar um pouco da tensão. Foi a primeira vez que fiz aquilo. Nem em meus sonhos mais estranhos eu me vi recebendo outro garoto em minha boca. Toudou era quem o favorecia com aquele tipo de coisa e uma parte nele sempre foi curiosa em saber se conseguiria se excitar fazendo aquilo. A resposta veio em poucos segundos e, mesmo que fosse prazeroso vê-lo gemer daquela maneira, nada superaria o instante em o amante o invadiu e eles se tornaram um. O calor da pele, a pessoa entre suas pernas e as reações entraram para sua lista de melhores momentos.
Depois daquela noite, sexo tornou-se uma constante naquele relacionamento. Não havia um encontro que não terminasse na cama ou em algum banheiro, e isso somente porque eles costumavam se encontrar esporadicamente. Agora que moramos juntos é como se todo dia fosse um encontro. Ter Toudou em qualquer oportunidade e sem precisar se preocupar com lugares ou pessoas era simplesmente extasiante. Não havia cômodo naquele apartamento que não houvesse sido usado como cama e muitas vezes a excitação era tão grande que os dois paravam o que faziam para se perderem um nos braços do outro.
Makishima ainda portava-se timidamente quando o assunto era sexo, por isso era tão difícil para ele tomar a iniciativa. Mas eu também sou um homem e é difícil ver a pessoa que você ama completamente despida e somente esperando para ser tocada. Uma parte nele se questionava se algum dia sua sexualidade seria tão natural quanto a de Toudou ou se ele sempre seria o lado racional e que os impedia de perder a compostura quando estavam fora de casa, uma vez que desejo não era um problema.
Os gemidos tornaram-se constantes depois dos minutos iniciais, mas o coro só aconteceu quando o rapaz de cabelos esverdeados abriu o lubrificante e despejou uma quantidade razoável em seus dedos. Dois deles entraram sem muitas dificuldades e o corpo que estava sobre a cama tremeu. Daquele ângulo ele viu quando sua companhia mordeu as costas da mão, corada e trêmula. Os movimentos começaram vagarosos, procurando acostumá-la àquelas sensações.
Quando três dedos foram adicionados, no entanto, o que começou parcialmente comportado deu lugar a gemidos altos e pedidos que levavam cor às suas bochechas. Toudou chamava seu nome todas as vezes que seu ponto especial era tocado e Makishima arrepiava-se ao imaginar que muito em breve estaria invadindo aquele restrito espaço. A preparação durou o tempo que ele achou necessário, contudo, quando seus joelhos finalmente tocaram a cama ele percebeu que tremia de excitação.
Toudou virou o rosto, chamando sua atenção. O sorriso que estampou aquele rosto foi largo e provocante, e o rapaz de cabelos esverdeados apenas suspirou, entendendo o que aconteceria em seguida. E ele me disse que eu ficaria por cima... tecnicamente falando. O moreno arrastou-se para cima, fazendo-o deitar na cama e posicionando-se sobre seu colo com um joelho de cada lado. A franja negra foi colocada para trás e ele despejou um pouco do lubrificante sobre a ereção do amante, masturbando-a vigorosamente por alguns instantes antes de posicioná-la na direção de sua entrada.
O membro entrou devagar conforme Toudou se sentava. Seu corpo arqueou-se um pouco para trás e, quando estava completamente preenchido, ele fechou os olhos e apoiou as palmas das mãos sobre o pálido abdômen que estava por baixo. Os dois se entreolharam e o moreno passou a língua sensualmente pelos lábios antes de erguer-se. O movimento arrancou um suspiro por entre os lábios de Makishima, entretanto, nada se compararia ao gemido rouco que deixou sua garganta quando seu amante voltou a se sentar.
Aquela visão jamais deixaria de encher-lhe os olhos. Se Toudou era magnético quando estava muito bem vestido, era até mesmo injusto mencionar sua beleza ao desnudar-se. Naquele começo de noite, todavia, ele parecia ainda mais apetitoso, principalmente ao começar a se mover. O quarto estava levemente escuro, mas daquele ângulo Makishima conseguia ver o necessário: a pele brilhando com suor, os cabelos jogados para trás e a ereção que demonstrava claramente sua excitação. E ele é meu. Tudo e todo... meu.
Os sons que ecoavam pelo quarto eram uma mistura imprópria de saliva e gemidos. Algumas vezes um gemido soava abafado, porém, era omitido pelos barulhos do ato. A ereção entrava quase por completo e o rapaz de cabelos esverdeados havia desistido de conter suas reações, gemendo todas as vezes que seu membro invadia-o. Certos movimentos conseguiam reações mais fortes e ele passou a empenhar-se, assim poderia ouvir a voz do moreno perdendo-se em luxúria.
Os gemidos misturaram-se ao ranger da cama e aos pedidos eróticos de Toudou. O pré-orgasmo tocava o abdômen de Makishima, denunciando que seu amante estava muito próximo do clímax. Do meu ponto de vista parece que tenho o controle, mas, na verdade, ele me tem na palma da mão. Tudo o que ele precisa é um olhar e um meio sorriso e eu reajo como um adolescente cheio de hormônios... o que eu ainda sou, diga-se de passagem.
Era difícil assumir aquela pequena fraqueza. Toudou era franco, fosse com seus pensamentos ou sentimentos, mas não ele. O rapaz de cabelos esverdeados procurava sempre vestir a expressão branca, dissimulando expressões e vestindo uma espécie de máscara. Os amigos de Sohoku conseguiam ver através de seus artifícios e com eles era muito difícil não agir naturalmente. No entanto, se havia alguém naquele mundo que conseguia enxergá-lo totalmente era Toudou. Ele parece um idiota, mas no fundo é bastante observador.
Desde o começo aquela pessoa o fascinou, ainda que tal admiração não fosse totalmente positiva. A personalidade exuberante, o excesso de confiança, o narcisismo descontrolado... aquele garoto era tudo o que ele detestava e, quando o moreno começou a segui-lo até o colégio, Makishima pensou que vivia a pior época de sua vida. Portanto, o que mudou? Qual foi o grande evento que transformou tamanha aversão em admiração, amizade e eventualmente amor? Suas costas. Quando Toudou passou por mim naquela subida eu me esqueci totalmente do garoto inconveniente que me esperava no portão do colégio para irmos juntos à sorveteria. O Deus da Montanha, hm?
Os olhos se fecharam com força e o som que deixou sua garganta foi estranho, já que ele não se lembrava de ser capaz de emitir gemido tão sensual. Os pelos de seus braços se arrepiaram e sua cabeça inclinou-se para trás, deixando que o gemido soasse mais alto. Cada músculo de seu corpo tremia e aquela conhecida sensação de pura satisfação pós-orgasmo foi responsável por fazê-lo perder-se no momento, ignorando totalmente sua dignidade.
Ele precisou de alguns segundos de recuperação, que foram respeitados. Toudou havia parado de se mover, respirando com dificuldade enquanto descansava. Os olhos esmeraldas se ergueram e Makishima decidiu que era um pouco tarde para ataque de pudores.
Ele gostava de fazer amor, embora nunca houvesse confidenciado tal coisa. O calor das peles, os suores que se misturavam, os beijos, toques e carícias... certas sensações eram impossíveis de serem obtidas sozinho e, todas as vezes que sonhava ou fantasiava com aquelas intimidades, não havia outra pessoa em sua mente além de Toudou.
Por um tempo o rapaz de cabelos esverdeados acreditou que esse monopólio por parte do amante era decorrente das circunstâncias. Ele roubou meu primeiro beijo durante uma tarde de primavera. Eu jamais tive a chance de fazer comparações. Por nunca ter experimentado aquelas intimidades com outras pessoas, em uma ocasião, no passado, ele chegou a pensar que mudaria de opinião se tivesse mais experiência. A prova, contudo, veio na forma de um goukon organizado por Kanzaki-san, antigo capitão do clube de ciclismo de Sohoku. Eu fiquei sentado por mais de uma hora ouvindo conversas desinteressantes e música ruim.
Ele deixou o local usando a desculpa de que precisava tomar um pouco de ar. Uma das garotas, que passou aquele tempo tentando chamar sua atenção, ofereceu-se para acompanhá-lo, entretanto, o pedido foi negado. E, para sua surpresa, o moreno estava recostado à mureta da calçada, enfiado em um cachecol xadrez e não parecendo surpreso ao vê-lo ali. Ele ligou para minha casa e minha mãe passou o telefone de Kinjou, que disse onde eu estava.
Toudou nada disse e os dois apenas se entreolharam e seguiram lado a lado pela rua. O goukon, as garotas e suas dúvidas desapareceram durante aquela caminhada. Ele não sabia qual era o destino que o amante tinha em mente, todavia, seu braço puxou-o para dentro do primeiro Motel que cruzou seu caminho. Makishima foi até a recepção, pagando por um quarto e subindo sem dizer uma única palavra. Aquela foi a primeira vez que senti as vantagens de se ter dinheiro. Ninguém pediu minha identidade ou perguntou minha idade.
Naquela noite, o rapaz de cabelos esverdeados foi amado tão ardentemente que não percebeu o dia clarear. Toudou fez amor comigo por horas e na manhã seguinte eu mal conseguia me mover. Porém, foi fácil sentir os sentimentos por trás daquele ato. Ele estava bravo e arrastou-se para fora da cama, sentando-se na beirada e me oferecendo as costas. Eu sabia que ele estava chorando.
"Desculpe..." Foi tudo o que ele conseguiu dizer. Sua mão esticou-se, tocando aquelas costas tão conhecidas e sentindo-as quentes e úmidas com suor.
"Você obteve a resposta que procurava?" A voz rouca denunciava o choro.
"Sim..."
Makishima moveu-se na cama, arrastando-se e abraçando-o por trás. Seu corpo inteiro estava dolorido, mas nada era mais importante do que apaziguar a dor daquela pessoa. A partir daquele dia não houve mais questionamentos ou convites para goukon, pois, não importava o quão belas fossem suas companhias, no final, ele sempre voltaria para aqueles braços. Há muito tempo não passamos a noite fazendo amor...
"M-Maki-chan..."
Os cabelos negros estavam para trás e daquele ângulo era possível observá-lo totalmente. Ele é realmente bonito. Como eu odeio isso... Makishima mordeu o lábio inferior quando o moreno ergueu-se um pouco, saindo de cima e acomodando-se ao lado. Seu corpo então se moveu automaticamente, virando-se e ficando por cima. O amante o segurou pelo rosto com ambas as mãos, oferecendo um cansado meio sorriso, que foi respondido com um profundo e longo beijo.
A mão desceu pelo abdômen, tocando a ereção, mas negligenciando-a. Seu objetivo estava um pouco mais embaixo e três de seus dedos invadiram a entrada sem nenhuma restrição. Toudou gemeu entre seus lábios, intensificando o beijo e movendo um pouco o quadril para incentivá-lo a penetrá-lo mais fundo.
"A-Ah... Yuusuke... u-um pouco mais..."
Makishima sorriu, afastando os lábios e descendo-os pelo pescoço. O moreno inclinou a nuca para trás, apertando-o pelo braço e chamando seu nome várias vezes seguidas. O ponto especial foi facilmente encontrado e ele tocou-o com insistência e arrepiou-se com os gemidos próximos ao seu ouvido. As reações se tornaram mais audíveis e o orgasmo foi anunciado com um erótico gemido ao arquear as costas do colchão.
O ranger da cama deu lugar ao silêncio. Os olhos esmeraldas fitavam aquele que estava por baixo, esperando-o recuperar-se para que pudessem continuar. Toudou o encarou após alguns instantes, exibindo um cansado e satisfeito meio sorriso, que foi acompanhado por um puxão e então ele sentiu as costas tocarem o colchão quando as posições foram invertidas. Os lábios beijaram seu pescoço, mordendo-o e lambendo-o com possessividade. Suas próprias mãos o abraçaram, apertando a pele e perdendo-se naquela carícia.
O beijo não foi comportado e o rapaz de cabelos esverdeados sentiu seus dedos correrem entre os fios escuros, puxando-os de leve conforme seu corpo começava a reagir àquelas sensações. Por alguns minutos tudo o que ele fez foi sentir o amante, seu amor e carinho. Toudou realmente é um adolescente cheio de hormônios! Makishima gemeu ao notar os dedos em sua entrada. A sensação arrepiou-o e aquele detalhe pareceu agradar ao moreno, que ofereceu um largo sorriso ao notar a nova ereção.
"Eu vou amá-lo a noite inteira, Maki-chan, e amanhã de manhã não existirá nada em seu coração além de mim."
Ele juntou as sobrancelhas e soltou um baixo suspiro. Suas mãos esticaram-se, segurando aquele belo rosto e não conseguindo omitir um meio sorriso. Você é um tolo, Jinpachi. O beijo espontâneo pareceu tirar o chão de Toudou, pois suas bochechas se tornaram rubras e ele tentou dizer alguma coisa antes de ter sua boca completamente invadida pela língua de Makishima. Você sempre foi o único em meu coração.
– FIM.
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