Love The Way You Lie

1 You ever love somebody so much?


Notas iniciais
Well, eu não sou fã da Rihanna nem do Eminem, mas esse MV, a história, seila, eu me simpatizei com ela. O que posso fazer? Então, com a idéia principal do MV, adicionando toques a mais, eu criei a minha oneshot (com uma ajudinha de uma amiga minha pro final. lala). Bom, espero que gostem, porque eu fiquei realmente deprimida escrevendo isso (LOL, JSIAJISOAJ, ignorem)

Ouvi a porta bater. Ele havia chegado, tarde como sempre. Entrou no quarto com uma garrafa de vodca na mão, e se jogou ao meu lado na cama. Eu não disse nada, apenas larguei o livro que estava lendo, e virei de lado para dormir. Na mesma hora senti suas mãos passando por minhas costas. Me encolhi no canto da cama, mesmo assim ele segurou o meu braço com força e me virou.

- Não. – disse, mas de nada adiantou, pois ele estava bêbado e nunca iria me escutar.

Arrancava as minhas roupas com força, e depois de muitos gritos meus e xingamentos dele, acabou por conseguir o que queria. Eu era fraca.

Ele mentia, bebia, apostava todo o dinheiro em jogos, e volta e meia estava com uma garota em seus braços. Eu? Não fazia nada. Não conseguia deixa-lo. Pois o amava. Amava o jeito como mentia. O que me irritava mais era quando ele sorria, pois esquecia que estava brava com ele.
Eu chorava o tempo inteiro, e quando ele chegava em casa, me trancava no banheiro, com medo. Uma vez ele arrombou a porta para me tirar dali a força. Sempre dizia que iria abandona-lo, mas ele respondia “Não, você não vai! Volta aqui!” E eu voltava, mesmo que às vezes apenas por ser arrastada de volta.

Um dia, quando ele saiu para passar a noite em um bar, nos jogos e nas mulheres, eu resolvi sair também, dar uma volta. Apenas andava pelas ruas da cidade, sem um propósito ou lugar para ir. Até que eu esbarrei em um estranho, que virou pedindo mil desculpas. Como eu fiquei em silencio, o estranho perguntou se estava tudo bem. Não sei se foi o jeito como ele sorriu preocupado para mim, ou como falou comigo, mas sei que no segundo seguinte, me joguei em cima dele e chorei. Chorei até não poder mais. E ele não foi embora assustado, ou me chamando de maluca. Ficou lá. Me confortando. Sentamos em um banco, e eu contei tudo a ele, a um estranho.

- Calma, vamos dar uma volta, para você relaxar. – disse depois de ouvir toda a história, e quando eu não tinha mais lagrimas para soltar.

Fomos a um parque de diversões que estava na cidade, e por mais que não esperasse, eu me diverti como não me divertia a muito. Um sorriso que eu achava que nunca mais apareceria, desabrochou no meu rosto aquela noite.

- Viu? Uma mulher linda como você não precisa ficar chorando o tempo inteiro. Principalmente por um homem que não a merece. – disse, passando mão pela minha bochecha, gentilmente. — A verdade é que todos irão te fazer sofrer, mas cabe a você decidir por quem realmente vale a pena chorar.

Depois daquela noite, eu passei a encontra-lo sempre. Ele tinha passado de um estranho, para o Outro. Toda vez que Ele saía para os seus bares, eu ia encontrar o Outro. Nunca tinha sido tão respeitada, tratada como se valesse alguma coisa por alguém, e aquele cara me fazia sentir bem. Aquilo tudo era magico e novo para mim. Isso fez com que eu suportasse mais quando Ele chegava bêbado em casa, com cheiro de outras mulheres. Algumas vezes até o encarei, batendo e respondendo de volta. Mas depois corria para me trancar no quarto, enquanto ele quebrava tudo pela casa.

Se existe alguém que pode machucar você, existe alguém que pode curar suas feridas. Era com esse pensamento que eu continuava a viver. A coragem nascia em mim aos poucos. Estávamos abraçados na cama, eu e Ele, dessa vez sem nenhuma garrafa a sua volta. De repente, vi um numero com um nome feminino em cima, escrito em sua mão. O empurrei para longe na mesma hora, acertando-o com um travesseiro. Ele me jogou na parede, e gritamos um com outro. Cuspi em sua cara, e na mesma hora ele puxou o braço para trás. Fechei os olhos, esperando o golpe. Mas ele não veio. Quando os abri, ele acertou o soco na parede, fazendo um pequeno buraco nela. No final, acabamos por nos beijar e ele me agarrar, selvagem e brutalmente. E eu gostava. No dia seguinte Ele chegou com um ursinho, junto com uma flor. Fiquei o dia inteiro agarrada com ele. Eu o amava. Como amava o Outro também.

- Eu te amo. – disseram os dois numa mesma noite, um, horas depois do outro.

Eu me sentia viva, algo que não sentia há anos. Estava um dia em um bar qualquer, bem longe de onde morava, junto com o estranho, que não me era mais estranho há muito. Conversávamos e riamos, e eu pensava seriamente em ficar com ele, apenas com ele. Isso acontecia toda vez que estava ao seu lado. De repente, Ele apareceu. Com uma garrafa na mão, acertou na cabeça do meu amante. O socou e chutou, até ficar roxo. Eu gritava, implorava para ele parar, mas apenas saiu de cima do Outro quando o dono do bar e mais uns homens o tiraram dali a força.

Ele me arrastou para casa, e tivemos a pior das nossas brigas. Gritamos, batemos, quebramos tudo em volta. E finalmente, o mandei ir embora. Disse que iria abandona-lo, para ficar somente com o outro. Ele juntou suas coisas, mas quando já estava na porta, tentou me beijar, como se se despedisse. E eu desviei. Não devia ter desviado, porque no segundo seguinte ele jogou a mala de lado, e correu atrás de mim. Tentei fugir para o banheiro, mas ele me agarrou pelos cabelos.

- Me solta! Vai embora! Melhor, VOCÊ fica aqui. EU vou embora! – o chutei e corri para porta.

- Não, eu NÃO vou deixar você correr para os braços daquele outro. Você é só MINHA, e de ninguém mais. Nem que eu a amarre nessa casa e queime tudo!

Então, realmente me trancou na casa, e com ele dentro, pôs fogo em tudo. Primeiro, gritei desesperadamente, queria sair dali a todo custo. Mas depois, percebi que não fazia sentido gritar, nem espernear. Tudo ia ficar bem agora. Agradeci finalmente por a morte estar vindo me acolher. Corri na direção Dele, e nos beijamos como nunca beijamos antes. Com socos, tapas, gritos e xingamentos, nos agarrávamos com uma vontade avassaladora. Senti o fogo tocar em mim, queimando a minha pele. Ele estava certo, eu não seria de mais ninguém. Minha vida acabaria ali, junto com a dele. Estava caída no chão, no meio da sala, e quando olhei para o lado, vi que o fogo já o tinha consumido. Ele foi antes de mim, não me esperou. Que injusto. Olhei para o teto, e senti as minhas ultimas lagrimas rolarem. Eu podia ter tido uma vida. Podia ter casado, tido filhos, um trabalho, um lar, e ter sido feliz. Mas o destino não me escolheu isso. Então eu apenas chorava a beira da morte, jogada em um tapete. Gritei quando o fogo tocou a minha face, mas gostava do jeito como doía. Depois de alguns minutos de agonia, senti a escuridão chegando.

- Finalmente... – sussurrei.

Com um ultimo suspiro aliviado, fechei os olhos, sorrindo, sentindo a minha vida de sofrimentos e perdas se esvair do meu corpo. Não. Um grito me despertou de repente, e acordei do meu leito de morte. O fogo não estava mais em mim, e me senti sendo carregada. Algo estava errado. Os bombeiros haviam chegado, e eu era levada para a ambulância. Não, eu pensei, eu não quero viver.

Acordei em uma cama de hospital, e de súbito revivi tudo o que passei nas horas anteriores. Revivi o meu sofrimento, mas como uma espectadora, não como atriz da minha própria vida. Revivi o único momento em que senti que tinha achado o meu destino.

Um tubo estava ligado no meu rosto me dando oxigênio. Meu coração só continuava a bater por causa daquele pequeno objeto médico. No meu único momento de lucidez, desde que tinha ido parar naquele lugar, eu fiz aquilo que queria. Com um pouco de dificuldade levantei minha mão e coloquei no tubo. Vi que ela estava toda queimada, feia, e sem pele. Dei uma risada, que mais parecia um engasgo. Achava aquilo tudo hilário e desnecessário. Eu não iria ficar aqui por muito mais tempo. Não era justo Ele ir e eu não. Num ultimo momento repassei em um segundo todas as minhas lembranças com Ele, mas com uma certeza... seria a ultima vez. O passado não importava mais. Pensando nisso, arranquei o tubo e fui rumo a minha felicidade.

Notas finais
É, então foi isso. Não é uma de minhas fics preferidas, mas acho que o resultado ficou bom :). Enjoy !
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!