Love, Sweet Love
2 Decisão
Notas iniciais
— Olha, Chat, eu não vou implorar para você ficar, pois sei que já tomou sua decisão. – Marinette se afastou, secando as lágrimas – Mas caso você tenha receio sobre a sua identidade, o que eu falei sobre não ligar para quem está por trás da máscara é sério. Você não está se aproveitando de mim porque eu também tenho os meus segredos. Também tenho uma parte da minha vida que você não conhece e não pode conhecer. E isso me impede de ter uma vida amorosa normal. – o loiro não sabia bem o que ela queria dizer, mas estava surpreso com as palavras de Marinette. Nunca imaginou que uma garota incrível como ela, tivesse problemas com a vida amorosa – Quando percebi que amava você, sabia que se nós tivéssemos algo, não seria fácil. Nunca esperei por isso. E foi perigoso quase ser akumatizada, mas... Eu só queria amar e ser amada.
— Ah, Marinette! – Chat Noir segurou as mãos dela, sentindo seu coração doer – Se houvesse uma maneira de fazer isso funcionar... – ele refletiu por alguns segundos e logo uma ideia veio em sua mente. Não era perfeita e com certeza seria melhor que os dois terminassem tudo ali, mas ele devia algo a Marinette – Fecha os olhos, por favor. – a garota se surpreendeu com o pedido, porém não hesitou e o fez – Você confia em mim?
— É claro.
— Ótimo! Porque eu confio que você não vai abrir os olhos.
— Como assim? O que voc...
— Plagg, claws in! – mesmo com os olhos fechados, Marinette pode sentir o clarão da transformação se desfazendo. Completamente em choque e sem entender o que o herói estava fazendo, ela permaneceu imóvel – Me dê um minuto, Plagg. – Adrien estendeu um camembert para o kwami, que se retirou para comer o queijo.
— Como quiser.
— Chat? O que você está fazendo? – a garota pensou em Alya em seu quarto e rezou em silêncio para que a melhor amiga não fosse procurar por ela. Já era perigoso que Alya soubesse a identidade de um super-herói e seria ainda pior se soubesse a de dois.
— Escuta, Marinette. Além de ser perigoso, eu não acho certo estar com você como Chat Noir. É errado eu estar sob a proteção da máscara, enquanto você não tem nada. Só que você também não pode saber quem eu sou, porque é ainda mais perigoso. – Adrien colocou as mãos sobre os ombros de Marinette, que estremeceu com o toque da pele do herói. Era esquisito sentir as mãos dele, sem as luvas. Apesar disso, ela continuou de olhos fechados – Então nós podemos tentar algo diferente. Algo ainda perigoso, porém nem tanto quanto as outras opções. Assim a gente pode se conhecer de verdade.
— E o que seria? Vai precisar me explicar melhor. – os dois riram e Adrien se aproximou mais.
— Posso te beijar? Agora sem a máscara. – Marinette ficou séria, sentindo seu coração bater mais rápido. Não era primeira vez que beijaria Chat Noir, mas fazer isso sem a máscara parecia ainda mais íntimo, mesmo que ela não soubesse a identidade dele.
— Pode.
O beijo foi diferente dessa vez. Ambos estavam tímidos com o fato de não haver disfarces entre eles. E mesmo assim, Adrien sentia que não era justo com Marinette, que permanecia de olhos fechados como prometera. Mas ele não podia arriscar, ao mesmo tempo que queria muito ficar com ela.
Para Marinette, o toque de Chat Noir durante o beijo, mesmo que sentisse a pele de suas mãos pela primeira vez, era familiar. E por alguns segundos, ocorreu a ela que talvez eles se conhecessem por trás das máscaras. Afinal, ele não pode ter passado a amar ela, como disse que amava, só nas poucas vezes que se encontraram. Esse também era o receio de Chat Noir ao dizer que estava se aproveitando de uma fã. Só que ele não sabia que Marinette não era apenas uma fã e convivia mais com ele, do que ele sequer imaginava.
Eles se separaram e Adrien encostou a testa na de Marinette.
— Eu sou uma pessoa horrível, porque não quero que isso aqui acabe, mesmo que seja mais seguro pra você que eu vá embora agora.
— Eu já disse que não espero que me proteja. – ela tateou procurando o rosto dele, o que foi um pouco difícil com os olhos fechados. Mas com uma ajudinha do herói, Marinette conseguiu acariciar a bochecha dele – Eu só quero que me beije. – disse o mais próximo dos lábios dele que conseguiu – Nem que eu precise ficar de olhos fechados todas vezes que você faz isso. – ela sentiu as bochechas esquentarem – Digo, se te deixa mais tranquilo estar sem o traje.
— Marinette, se quisermos ficar juntos, não vai ser fácil.
— Eu sei. Você não entende como, mas isso é tão difícil pra mim quanto é pra você. – Marinette sentiu ele encostar seus lábios nos dela e depois se afastar e suspirar.
— Acho que podemos dar um jeito. Ou ao menos tentar. Nós só precisamos pensar melhor. E já está tarde. – ela concordou com a cabeça, sentindo-se levemente perdida com os olhos fechados e sem o toque de Chat Noir para orienta-la – Plagg? – o kwami apareceu logo em seguida – Plagg, claws out! – Marinette sentiu o brilho verde da transformação e abriu os olhos, imaginando que já seria seguro fazer isso.
— Boa noite, Chat Noir. E obrigada pelo encontro, por mais conturbado que tenha sido. – ele riu e se aproximou.
— Nos vemos amanhã no mesmo horário? – ela assentiu. – Boa noite, Marinette. – o garoto a beijou tão afetuosamente quanto os beijos que trocaram naquela noite. E assim que se separaram ele piscou e saltou para fora da varanda com um sorriso delicado.
Marinette suspirou com a visão de Chat Noir indo embora e entrou de volta no seu quarto, onde Alya a encarava totalmente boquiaberta.
— Está tudo bem com você?
— Comigo? Você o Chat Noir... Vocês... – Marinette sentiu suas bochechas esquentarem. Sabia que Alya teria ouvido tudo, ou pelo menos boa parte da conversa, só que era constrangedor pensar em tudo que disseram com a melhor amiga logo ali – Assim, desculpa, eu não queria escutar. Mas vocês estavam falando bem ali na sua varanda.
— Tudo bem. Acho que o Chat Noir não sabia que você estava aqui, ou ao menos não se deu conta. – ela sentou no tapete, escorando-se no divã e abraçando os joelhos – Acha que eu fiz uma burrada não é? É perigoso demais tentar algo com o Chat Noir.
— Sim, isso é verdade. Só que eu ouvi vocês e Marinette... Uau! Vocês disseram coisas tão lindas! – Alya sentou ao lado da melhor amiga e passou o braço pelos ombros dela, a trazendo para perto de si – Tá, eu sei que vocês vão ter que tomar muito cuidado e tal, mas você não tem noção de como eu estou feliz por você, amiga!
— Sério? – Marinette ergueu o olhar para a melhor amiga e contra tudo que imaginava ver, Alya possuía um brilho nos olhos e um sorriso amigável.
— Seríssimo! Eu não devia ter duvidado dos seus sentimentos por ele. Você está certa, pode amar quem quiser.
— Você só estava tentando me proteger, como uma melhor amiga faria. – as duas trocaram um abraço apertado. – E você também estava certa, porque é perigoso. Eu quase fui akumatizada por causa disso. Preciso ter o dobro de cuidado agora e pensar muito sobre o que eu e o Chat Noir vamos fazer com isso.
— Não se preocupa, você tem sua melhor amiga, que agora, ao invés de te ajudar com os planos para confessar o que sente pelo Adrien, vai te ajudar com planos para ficar com o Chat Noir, fora de perigo. – as duas sorriram carinhosamente uma para a outra – Além disso, rolou muita coisa nessa noite! Como tudo isso aconteceu? Você me deve explicações!
— Pode deixar, eu vou contar.
— Acho bom mesmo. – Tikki surgiu ao lado das duas – Tive que aguentar o cheiro do queijo fedorento do Plagg logo antes de dormir.
As três riram e logo a garota começou a explicar tudo.
E ao contrário do que Marinette pensava, Chat Noir ainda não tinha ido embora completamente. Ele permaneceu alguns prédios a distância, encarando a varanda da casa de Marinette e refletindo sobre tudo que tinha acontecido entre os dois.
Adrien sabia que não tinha tomado a melhor decisão essa noite. Era errado e arriscado estar com Marinette como Chat Noir. Mas ele a amava tanto! E por mais que ainda acreditasse que ela poderia estar confundindo sua admiração pelo herói, com amor, estava disposto a tentar algo. E quem sabe ela se apaixonasse de verdade por ele? De novo. Porque uma vez Marinette amou Adrien Agreste, então ele estava confiante que a garota poderia se apaixonar de verdade novamente. Ele só precisava mostrar um pouco do amor que sentia por ela, o que já era uma quantidade bem grande de amor.
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