Love Story
182 Relacionamentos XXXIV - Na Amizade Ela Encontrou Força
Notas iniciais
Um mês se passou. Era fim do expediente e, Finn, Morgan e Sara estavam prontas pra encarar o fim de semana.
— Uh!- suspirou Sara sentada no banco do locker em frente seu armário. — Eu vou pra casa, abrir uma garrafa de vinho, e ver uns filmes do Tracy e da Hepburn.
— Ai quem me dera!- lamentou Finn. — Tenho que ir pra casa pra lavar um monte de roupa.- Sara fez careta. — Vai fazer o que, Morgan?
— Ah, na verdade, eu estou indo pra Reno. A minha mãe me deu um vale massagem num spa lá.- ela então leu num cartão. — Tem tratamentos à base de minerais, eu vou fazer a massagem Ametista. Parece que acalma os nervos e… absorve a energia negativa.
— Eu estou precisando disso.- disse Sara se levantando e encostando-se em seu armário segurando sua bolsa.
— É, eu também.- falou a loira mais velha.
— Deviam ir comigo. Eu tenho uma suíte. Tem espaço.
— Ah, eu… não quero atrapalhar seu fim de semana.
Morgan riu.
— Está brincando! Eu ia adorar! Detesto beber sozinha.
Finn olhou para Sara sorrindo.
— Massagem… Bebidinha… Eu topo.
Sara então sorriu também: — Eu topo.
— Eba!- Morgan comemorou. — Tá, a gente vai pra casa, troca de roupa e se encontra em uma hora.
— Beleza.- disseram as outras duas.
E lá estavam elas se encontrando uma hora depois. Finn sugeriu que fossem no carro dela pra viagem ser mais rápida e mais divertida. Divertida de fato foi. O carro era sem teto, Morgan ia no carona e Sara no banco de trás sentada no meio. Uma farra danada no carro pela estrada deserta, elas iam ouvindo música, cantando, balançando os cabelos, Morgan até ficou em pé no banco e levantou a blusa. Pareciam três adolescentes bêbadas. Mas a alegria delas acabou quando o carro de Finn morreu na beira da estrada.
— Ah, sério?- ela reclamou e bufou.
Sara e Morgan lamentaram desabando no banco.
Finn saiu e abriu o capô, subiu tanta fumaça na cara dela que as outras duas caíram na risada.
— Vamos ter que chamar um guincho pra tentar arrumar.
Levou alguns minutos pra ele chegar e enquanto isso não acontecia elas ficaram lá na beira da estrada com seus óculos escuros, torrando no sol.
Finn não perdeu a oportunidade de flertar com o dito cujo que o dirigia.
— É muita potência.- ele falou do carro ao abri-lo e ver o motor.
— Ah, mas eu dou conta.- disse ela mexendo nos cabelos que o vento tirava do lugar.
Morgan riu sem emitir som.
— E aí, Derryl?- Sara leu o nome no crachá. — Qual o problema, afinal? Dá pra concertar?
— Dá. É só a bomba d'água. Dá pra concertar em uma hora. Agora, se… eu pedir a peça hoje, chega até amanhã ao meio dia.
As três lamentaram.
— Ah, então vai ser uma esfoliação à luz da lua.- Morgan forçou um sorriso.
— Eu posso levar vocês até Larkston. Lá não tem spa, mas tem um hotel bem legal. E também, é noite de karaokê no cactus.- sorriu e foi pro lado do motorista.
— Legal!- Sara fez cara de derrota e um sinal de rock n roll com a mão direita. Era a única coisa que não tinha em festa de karaokê. As músicas que ela gostava. Só modão.
Finn e Morgan deram risada.
— Ah, qual é! A gente bebe, come… vai ser legal.- deu um falso murro no ombro de dela.
Finn fez o mesmo rindo da cara dela e a empurrando pra ela descruzar os braços e se animar.
— Tenta não mostrar tanta felicidade, por favor?!
Finn gargalhou. Já tinha começado tudo errado, mas estava com suas amigas. O que podia piorar?
Elas então subiram no guincho e Derryl as levou até Larkston. As três se hospedaram num pequeno hotel que tinha lá, aquele que ele falou, conheceram a cidade toda e quando anoiteceu, o que não demorou muito, elas trocaram de roupa e foram pro bar ver a tal noite de karaokê que Derryl disse que teria. Sara foi empolgadíssima. Só que não.
As três sentaram numa mesa e pediram algumas doses de tequila. Finn não perdeu tempo e já se atirou no mecânico, foi a que ficou animadinha mais rápido.
Sara era acostumada a beber, então só ficava fora de si quando ultrapassava muito os limites. Isso nunca acontecia. Tinha bebido o mesmo que elas e estava bem sóbria. Em certo momento foi Morgan quem subiu no palco pra cantar. Sara se surpreendeu. Ficou sozinha na mesa quando isso aconteceu, pois Finn foi dançar com Derryl. Ficou apenas ela e a cerveja enquanto Morgan cantava Piece Of My Heart da Janis Joplin e o povo ia à loucura.
Quando Morgan acabou todo mundo incluindo Sara gritou "uhuuu" e bateram muitas palmas.
Finn voltou pra mesa com Morgan, e Sara tratou de demonstrar sua admiração e choque.
— O que foi isso?? Alguns shots de tequila e você vira a Janis Joplin??
— É, eu acho que você não seguiu sua vocação!!- disse Finn dando uns tapinhas no braço dela. — Arrasou lá, gata!
— Bom, eu fiz duas graduações, química e canto, e escolhi química. Mas eu fui cantora numa banda no The Roxy por um ano.- contou ela contente e animada.
— Eu não acredito que não sabia dessa sua faceta.- comentou Sara.
— É… por falar em segredo…- ela olhou para Finlay. — Não sabia que gostava de mecânicos.
— É, parece que você e o Derryl estão curtindo a companhia um do outro né.- Sara sorriu.
— Ah, ele é bem legal.- ela comentou, excepcionalmente sóbria. — Ele é… bem inteligente.
— Hmmm.- disse as duas.
Finn começou a rir muito fazendo Morgan rir também. Eu disse, excepcionalmente sóbria.
— E ele é engraçado. Sabe tudo de carro.
— Ai, pena que ele não é muito atraente.- Morgan zombou olhando pra Sara que riu. Por consequência, Finn também.
O barman foi até a mesa levar mais uma dose pra cada uma dizendo ser por conta de Derryl. Elas agradeceram e viraram juntas, de uma vez, brincando ao fim de semana entre amigas.
Finn forçou a careta pra ser engraçada, Morgan e Sara beberam de boa.
Nesse mesmo momento, Derryl passou por elas e Finn levantou pegando o casaco dizendo que ia voltar pro hotel.
— Ah não, espera, eu escolhi uma música da Beyoncé pra gente cantar juntas.
Sara arregalou o olho. O que? Ela não cantava em público! Não, não!
— Eu vou com você.- tentou fugir e Morgan a repreendeu com um “hey!”.
— Não, fica e aproveita.- Finn disse para a morena que a olhou fazendo um sinal com olhos, alternando entre ela e Morgan do tipo "ela vai me fazer cantar, me tira daqui!". — O Derryl vai me acompanhar, é que… a gente tem que terminar uma conversinha.
— Aham… Claro, entendi.- disseram as duas.
Finn riu e disse um "até mais" bem sugestivo. Saiu com Derryl, e Sara virou para Morgan:
— Quem é Beyoncé?
Morgan a olhou com uma interrogação enorme na cara. Como assim ela não sabia quem era Beyoncé?
— Está falando sério?
Sara fez uma cara tipo "eu deveria saber?"
— Só uma das maiores e mais talentosas cantoras pop do mundo. Nunca ouviu Halo?- Sara balançou a cabeça. — Crazy in Love? Single Ladies?- Sara continuava com uma cara tipo "do que você esta falando?" — Eu não acredito, Sara! Você deve ter ouvido falar.
— Desculpa se eu vivo só na minha bolha de The Beatles e Frank Sinatra.- Sara deu risada tomando mais um gole de cerveja.
Morgan também riu e disse que ia mostrar todas as músicas dela que conhecia pra ela não passar mais essa vergonha com ninguém. Só tinha três minutos no máximo que Finn tinha saído com Derryl e elas levantaram pra sair também.
Quando estavam quase deixando a mesa, Finn voltou pro bar. Ela estava um pouco descabelada, com a roupa amassada e o braço cortado pingando sangue.
— Finn, o que houve?- Sara perguntou preocupada.
— Meu Deus, você está sangrando!
— Enfaqueei ele.- ela disse desorientada.
— O que?? Como assim??- perguntaram pasmas.
Ela estava quase chorando: — Ele me atacou. Acho que ele está morto.
Sara tentou fazê-la se concentrar enquanto a galera ao redor se alarmava e o dono do bar chamava o sheriff. Morgan tentava parar o sangramento do braço dela com guardanapos.
— Finn, o que aconteceu?- Sara perguntou mais uma vez.
— Eu não sei.- ela estava em choque.
Sara olhou para Morgan de boca aberta sem entender nada.
— Tá, a gente tem que ir pro hospital. Precisa levar pontos.
— Eu não quero ir pro hospital.
— Cadê o Derryl?- perguntou a morena.
— Ele... ele está logo ali.
— Mostra pra gente…
As duas a seguiram até os fundos do bar onde Derryl tentou estuprá-la depois dela dizer "não" pra ele ao descobrir que ele era casado.
Tinha bastante sangue no chão, mas nenhum corpo.
— O corpo dele estava aqui. Pra onde ele foi?- indagou assustada.
— Vou lá dentro.- Morgan saiu correndo deixando as duas sozinhas. Sara ligou a lanterna do celular.
— Quantas facadas você deu?- Sara perguntou.
— Eu dei duas.
— E fez o que com a faca?
— Eu… eu joguei a faca do lado do corpo dele.
— Pode não ter matado ele. Vai ver ele não morreu. Checou o pulso?
Ela estava desesperada.
— Não, não! Eu só queria fugir. Eu… eu tenho certeza que ele não estava se mexendo.- Finn cobria os braços com as mãos, ainda muito assustada.
Sara acariciou o braço dela e disse que ia ficar tudo bem. Morgan voltou com os copinhos de tequila que acendiam luzes neon. Era o melhor marcador de provas que tinha no momento.
— É difícil saber se perdeu muito sangue. A terra sugou.- disse Sara.
Morgan marcou o chão com os copinhos e notas de um dólar, gotas de sangue, marcas de pegadas, de pneu, e tirou fotos de tudo.
Instintivamente elas analisaram a cena com seus olhares e observações de peritas profissionais. Até ouvirem uma sirene de policia e o sheriff chegar acusando-as de mexerem numa cena de crime que não deveriam e acusar Finlay de homicídio.
Ele separou as três, manteve Finn presa no hotel e a interrogou enquanto o médico dava os pontos.
A investigação então começou. Acharam um depósito onde Derryl trabalhava, haviam várias plantas, leia-se maconha, e carros no local. Em um dos porta-malas, Sara achou um corpo já decomposto, só esqueleto quase totalmente sem carne e ainda com roupas.
Derryl e pelo menos mais dois caras estupravam e matavam garotas. Foram encontrados os carros de três delas no local.
Sara então pediu um, na verdade dois, favores ao sheriff mal humorado de Larkston.
— Sheriff, eu gostaria muito que a CSI Finlay ajudasse nesse caso. Não tem motivo para mantê-la trancada naquele hotel.
— Mas ela esfaqueou o Derryl.
— Em legítima defesa. Mas ela não tem nada a ver com essa cena, e sinceramente, ela pode nos ajudar.
— Certo.- disse insatisfeito. — Revogo a prisão domiciliar, mas ela não sai da cidade.- ele já ia saindo.
— Só mais uma coisa.
Ele suspirou impaciente: — Já te disseram que é teimosa?
Sara riu. Muita gente já lhe dissera isso. Quem mais lhe dizia era seu ex marido.
— Eu preciso de uma amostra de DNA de todo mundo aqui, pra fins de eliminação.
— Acha que alguém aqui está envolvido??
— É o protocolo.
Depois de pegar as amostras e enviar pra Las Vegas, Sara foi com o sheriff e o vice sheriff até o carro de Derryl que estava abandonado na estrada.
Estacionaram um pouco longe e o os dois policiais de Larkston se aproximaram do veículo, Sara permaneceu onde estava, em frente da viatura do Sheriff apontando também sua arma para o carro, caso algo desse errado.
Eles verificaram o veículo e estava vazio. Sara recebeu um telefonema de Henry, guardou a arma no coldre e deu as costas pra eles pra poder atender. Ele estava com o resultado dos DNA's dos sêmen que acharam da garota do porta-malas. O nome que Henry deu fez Sara paralisar.
— Tem certeza?- ela perguntou. Henry garantiu. Ela desligou.
Respirou fundo, guardou o celular e num movimento rápido e preciso, tirou a arma do coldre e deu uma viradinha maravilhosa apontando a arma pra eles.
— O que está fazendo?- indagou o sheriff mal humorado.
— Larguem as armas!!- eles ficaram parados. — Sheriff, se afasta do vice sheriff Willis.
— Não saio daqui até me dizer o que está havendo!
Sara disse que saiu o resultado do DNA do sêmen, que tinha material de dois homens.
— Tem dois homens envolvidos na morte da mulher??
— Derryl e o vice sheriff Willis.
— O que? Isso é ridículo!- disse Willis.
— Ora, deve haver algum engano.
Sara explicou que Henry comparou com o DNA que ela recolheu deles e que não tinha erro.
O sheriff ficou horrorizado e perguntou ao colega se realmente estava envolvido naquilo. Willis negou, mas o sheriff não acreditou e pediu com cautela para que ele largasse a arma.
Willis não se moveu, ficou olhando pra ele e para Sara, pensando no que fazer.
Sara sentiu a tensão daquele momento. Um piso em falso e podiam acabar os três baleados. Ela respirou fundo, com medo do pior, mas manteve a postura firme ainda com a arma muito bem apontada e na mira.
O pior aconteceu. Willis atirou no sheriff e se virou para atirar em Sara. Ela foi rápida e meteu uma bala no meio da testa dele, bem certeira. Mas ele também foi rápido e sua mira foi a mesma.
Sara sentiu o impacto na testa e caiu no chão. Sentiu queimar e levou a mão ao local. Estava doendo muito e sangrando. Foi como se tivesse caído e levado uma pancada muito forte na cabeça numa quina de mesa com brasa. A sorte foi que o tiro pegou de raspão, caso contrário não sentiria nada.
Seu rosto queimava pelo sol, mas ela não conseguia levantar por conta da dor. Pegou o celular e fez a chamada do chão mesmo. A primeira pessoa que lhe veio à cabeça foi Morgan.
Avisou que tinha se envolvido em um tiroteio, que havia matado Willis porque ele tinha atirado no sheriff. Pediu uma ambulância, pois ele e ela estavam feridos.
Morgan ficou desesperada achando que ela tinha sido atingida, até mesmo por sua voz de quem estava dolorida. Sara não conseguiu tranquilizá-la pois o sinal caiu.
As ambulâncias chegaram rápido, Sara e o sheriff foram atendidos, e o paramédico disse que o corte foi feio e ia demorar um pouco pra cicatrizar, mas que ela tinha tido sorte.
Nick e Russell chegaram de helicóptero e foram rapidamente até ela.
— Sara, 48h difíceis hein. Você está bem?- perguntou o texano.
— Estou bem.-ela respondeu retirando a bolsa de gelo da cabeça. — O tiro foi de raspão.
— E a Finlay? Sabe onde ela está?
— Não, eu não sei. Ela não está atendendo o celular. E se ele foi atrás dela?
— Bom... Temos que achá-la.
Nick olhou bem para Sara depois. O rostinho franzido pelo sol e pela dor do ferimento, com um paninho em cima do mesmo pra parar o sangramento antes de fazer o curativo.
— Gosta de me dar susto né, maninha?- parou do lado esquerdo dela e passou o braço por seus ombros embalando-a num abraço.
Sara sorriu.
— Não prometo que será a última vez.
Nick riu e beijou o lado de sua testa que não estava machucado.
— Jim está vindo pra pegar seu depoimento.
— Está bem.- sorriu de lado e Nick deu mais um beijo em sua testa antes de se afastar pra ela poder finalizar o atendimento.
O paramédico fez o curativo no corte dela e depois Sara foi até Russell.
— Os médicos já te liberaram. Brass vai colher o seu depoimento na sala no sheriff em Larkston.
— Tá, eu vou assim que acharmos a Finlay.
— Não, não. Me escuta, por favor. Vai ter muitas perguntas sobre o que aconteceu nos últimos dois dias. Eu preciso que vá agora, por favor. Nick e eu vamos ficar aqui até achar a Finlay, eu prometo. Tabom?
Triste por não poder ajudar na busca, Sara assentiu.
— Vem cá.- Russell abriu os braços para abraçá-la e Sara retribuiu pousando o queixo no ombro dele. — Fico feliz que esteja bem.- desfez o abraço e Sara agradeceu.
Apesar de tudo o que passou depois de seu divórcio, Sara se sentia aliviada por ainda ter gente que se preocupava com ela. Ela encontrava forças ali, nos braços de seus amigos.
Ela então foi até onde Brass esperava por ela. O detetive pediu que ela esperasse sentada um pouco e logo depois voltou com um café.
— Trouxe pra você, vau te fazer bem.- ela agradeceu. — Como você está?
— Foram dois longos dias.
— Olha, eu sei que ainda deve estar tudo muito confuso, mas... nós precisamos de um depoimento oficial pra saber o que aconteceu.
— Eu sei como é.- sorriu de lado vendo o gravador na mão dele. Brass o iniciou.
— Bom, vamos do começo, o que você e as CSI's Finlay e Brody faziam em Larkston?
— Larkston não estava no plano. A gente só queria se divertir, tipo... A gente quase não tem folga no fim de semana.
Sara contou como foi a conversa delas no locker.
— Mas vocês não chegaram à Reno. Por que não?
— A Finlay disse que no carro dela a gente ia chegar bem mais rápido. Acontece que foi um erro.
Sara então começou a relatar tudo, desde o guincho na beira da estrada, até o momento em que se envolveu num tiroteio e foi atingida.
— Sorte que passou de raspão.- disse ele.
— É... Eu consegui ligar pra Morgan e... logo depois a ajuda apareceu.
— Você salvou a vida do Sheriff, recebi uma mensagem que ele saiu da cirurgia. A versão dos fatos dele bate com a sua.
— Então acabou?
— Acabou, vou só preencher a papelada, aí eles é quem determinam, mas não se preocupe.
Sara assentiu e olhou pra ele: — Obrigada por vir.- claramente não se sentiria a vontade se outra pessoa a interrogasse desse jeito. Sentia-se grata por Jim ir ate lá só pra fazer isso.
— De nada.- ele respondeu de seu jeito doce. — Às ordens.
Sara pegou seu celular e se levantou pra ir embora.
— Sara!- ele queria muito abraçá-la, mas tinha que ser profissional.
— Oi!- ela se virou.
— Me avise quando souber da Finlay.
— Claro.
Ela então saiu e as buscas continuaram.
Não demoraram tanto pra achá-la. Foi encontrada na beira da estrada inconsciente. A levaram para o hospital o mais rápido possível.
Finn rompeu o basso, quebrou duas costelas e sofreu uma concussão. Lesões compatíveis com atropelamento. E como Derryl e Willis estavam mortos — sim, Derryl morreu — restava pegar o terceiro cara que foi o que atropelou Finlay. E para a surpresa de todos, era o médico de Larkston.
Quando Finn acordou, toda arrebentada, e viu Russell ao lado dela, começou a rir. Ele também riu.
— Como está? Quer mais um remedinho?
— Está bom do jeito que está.
Ele ficou sério por um instante.
— Por um minuto eu pensei que íamos te perder.- ela suavizou a expressão. Ele voltou a brincar. — Já tinha começado a entrevistar os substitutos.
— É? Achou que ia ser fácil se livrar de mim?
— Enquanto há vida, há esperança.
Morgan e Sara chegaram com uma cesta perguntando se ela podia receber mais visitas. Russell deu espaço a elas e saiu.
— Oii!- Sara a saudou feliz por vê-la viva.
— Bom, como a gente não chegou até o spa, trouxemos o spa até você.- Morgan colocou a cesta cheia de coisa sobre a cama.
Finn sorriu e agradeceu.
— Já tem planos pro fim de semana?
Finn olhou para Morgan depois da pergunta de Sara. Morgan fez cara de "que tal?" e as três começaram a rir.
Não iam sair pra mais um fim de semana aventureiro nem tão cedo.
Assim que tudo acabou, Jim finalmente pôde ir até Sara e lhe dar o abraço que queria ter dado antes. A encontrou saindo do hospital com Morgan, ele também tinha ido visitar Finlay e era um bom momento pra falar com Sara sobre o que houve.
— Hey!
— Jim!- ela sorriu ao vê-lo e foi até ele.
Ele não precisou dizer nada, Sara só correu para os braços do pai postiço. Morgan sorriu ao ver a cena e foi para seu carro esperar Sara lá.
— Ôh minha garotinha corajosa…- Sara sorriu com o que foi dito e o abraçou mais forte. — Não sabe o alívio que me dá em vê-la ilesa.
— Não tão ilesa.- ela desfez o abraço e apontou para a linda marca que ganhou na testa.
Ambos sorriram.
— O que é um arranhão comparado a tudo o que já passou, não é?- Sara deu um sorriso triste e assentiu. Realmente aquilo não era nada. — Lembre-se que pode passar por qualquer coisa, filha.- disse ele acariciando seu rosto com carinho.
Foi a primeira vez que ele a chamou de filha assim, com todas as letras.
Sara não resistiu ao impulso de abraçá-lo mais uma vez.
— Obrigada por tudo.
Nada poderia pagar aquilo, aquele momento, aquela união e conexão. Sara o amava e sabia que sempre a protegeria onde quer que estivesse. Até mesmo quando Grissom quem fazia esse papel, Jim estava lá do mesmo jeito.
Depois despediram-se, pois o horário de visitas estava acabando e Morgan a deixou em casa.
Quando Sara apareceu na chamada de vídeo com a testa machucada, Rayle quis logo saber o que aconteceu e Sara teve que contar tudinho. A amiga quase teve um infarto ao saber do tiro.
~ ♥ ~
O tempo foi passando. A cicatriz de Sara cicatrizou e a vida seguiu.
Tudo ia bem, só Abby que ainda não havia dado as caras. Isso até o outro fim de semana, que Rayle e Rebecca estavam em sua casa, e ela teve uma surpresa.
Abby chegou na recepção do laboratório de criminalística de Las Vegas e perguntou de Sara.
— Oi. Eu queria falar com Sara Sidle.
— Ah, desculpe, eu acho que ela já foi pra casa.- respondeu a recepcionista. Nesse momento Nick passou por elas pra também ir embora. — Ah. Nick!- o texano logo voltou-se para Juddy. — Essa mocinha está procurando a Sara.
— Abby?- ele logo a reconheceu.
— Oi Nick.- ela sorriu tímida.
— Caramba, você cresceu! Faz um tempo que não te vejo.
— É.- sorriu novamente.
— A Sara já foi já tem um tempo, mas eu posso te dar uma carona até a casa dela se quiser.
— Se não for incomodar.
— Imagina! Vamos lá.
— Tchau Juddy, obrigada.- Abby se despediu e a recepcionista sorriu.
Nick tentou puxar assunto com Abby durante o trajeto. Mesmo ela sendo bastante tímida, conseguiram conversar.
Nick a deixou em frente a casa e foi embora, mas só depois de certificar-se de que Sara ia atender a porta. Quando a morena apareceu, ele se foi.
Sara ficou surpresa em vê-la.
— Abby!?
— Oi.- ela sorriu tímida e culpada. Sentia-se envergonhada por tudo o que fez.
— O que faz aqui? Luanna sabe que...
— Sabe.- interrompeu. — Eu avisei pra onde ia dessa vez.
— E o que aconteceu?
Abby não respondeu e atirou-se nos braços dela. A abraçou pela cintura e esperou que ela retribuísse. Mesmo surpresa, Sara correspondeu. Sentiu tanta falta!
— Me desculpa.- a menina sussurrou.
Sara sorriu e a abraçou mais forte. Rayle e Rebecca observavam e interação das duas do sofá. Já tinham conhecimento de quem Abby era, pois Sara havia contado.
— Está tudo bem.- disse a morena acariciando os cabelos loiros da menor. — Mas o que te fez mudar de ideia?
— Tudo aquilo que me disse no beco.- desfez o abraço. — Eu pensei muito sobre aquilo e... exagerei. Não sei o que estava tentando provar.
Sara sorriu de lado.
— Jovens são assim mesmo. E o Slade?
— Terminei com ele.
— Garota esperta!- a puxou mais uma vez para um abraço. — Não vai acreditar em quem eu reencontrei.
— Quem?- desfez o abraço mais uma vez e Sara saiu da frente da porta. Abby pôde ver duas loiras na sala e reconheceu uma delas. — Aquela é sua amiga fotógrafa?
— É.- Sara sorriu lindamente.
— Oii!- Rayle cumprimentou e Becca também acenou.
— Oi!- Abby respondeu timidamente, nem tinha percebido que Sara estava com visitas.
Sara apresentou as três e Rayle como sempre deixou o papo mais descontraído. Lá estava Sara, cercada de loiras.
Rayle sugeriu que as duas meninas fossem dar uma volta ou conversar lá fora enquanto as adultas batiam papo. Abby era apenas dois anos mais velha que Rebecca, não era muita diferença.
A mais nova perguntou se Abby sabia andar de skate e ao receber uma resposta negativa, ficou empolgada em ensiná-la Abby aceitou de boa. Mais tarde ela e Sara conversariam melhor.
Aquele fim de semana não podia ter sido mais agradável. As meninas se tornaram amigas, trocaram telefone e no fim do dia quando as visitas foram embora de volta pra São Francisco, Abby e Sara foram francas uma com a outra.
A menina pediu que Sara explicasse as coisas que disse sobre Grissom, e também esclareceu suas tentativas de suicídio. E como deviam ter feito antes, ajudaram a cicatrizar as feridas uma da outra.
“Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era ainda criança e o medo era motivo de choro
Desculpa para um abraço ou consolo
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo” ― Cazuza
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