Love Story
82 Perigo à Sete Palmos - Parte II
Notas iniciais
Sara enfim estacionou o carro em frente o lugar ao som das sirenes que vinham atrás. Assim que abriu a porta pra sair do veículo, Grissom estava saindo do galpão com respingos de sangue em seu rosto, o sangue do terrorista.
— Griss!!!
Sara não se importou com Greg observando e os carros chegando, correu até ele e o abraçou forte. Gil retribuiu o abraço, mesmo com algumas dores.
— Meu Deus! Você está bem? Se machucou? — ela se separou dele e o olhou.
— Estou bem, mas sua voz está meio distante.
— Foi o barulho da explosão. Você precisa ir pro hospital.
— Eu estou bem, Sara, tem um paramédico vindo. Aliás, está todo mundo vindo. Afasta. — ele sussurrou a última palavra.
Sara só então percebeu que podia entregar tudo o que eles tinham com aquela preocupação e intimidade toda, então tratou de se afastar.
— Grissom! — dessa vez foi Catherine que correu até ele e o abraçou. _ Você está bem? — separou-se ao perguntar.
— Estou sim, Cath.
— Greg, pega o macacão, vamos entrar. — Sara disse ao amigo indo em direção ao carro para vestirem os macacões.
Grissom foi para a ambulância fazer uma checagem enquanto Sara, Greg, Catherine, Warrick e mais outros peritos entraram pra analisar o local. Todo o dinheiro havia voado junto com o sangue, ou seja, o lugar estava banhado em sangue e dinheiro. Quando Catherine entrou, uma nota grudou na sacola de seu pé. Ela pediu para coletarem o dinheiro e pra ninguém bancar o espertinho, em seguida murmurou para si mesma:
— Tanto trabalho pra conseguir o dinheiro e pra quê? — suspirou.
(Hsuahsahsa eu ri, desculpa)
Sara estava agachada com David que estava examinando o que sobrou do corpo. A morena em seguida se levantou começou a andar pelo local até que encontrou um polegar. Massa! Podia tirar uma digital dali e saber quem era o sequestrador de Nick.
Assim que voltaram ao laboratório, Warrick ficou assustado, pois Nick deu a impressão de que ia se matar, mas ele só pegou a arma pra atirar na luz tinha dentro do caixão, pois estava ligado a um ventilador que o sequestrador colocou lá debaixo da terra pra Nick ter mais tempo de ar no caixão. Quando a luz desligava e eles perdiam o sinal lá, o ventilador girava mais rápido, quando ascendia e a transmissão voltava, o ventilador girava mais devagar. Nick estava soando já e usou sua arma pra atirar na luz – colocou chiclete nos ouvidos antes pra não sofrer nenhum dano nos tímpanos.
Warrick, depois desse susto, chamou Grissom para ficar com Archie e ser colocado a par de tudo, e foi até o locker esfriar a cabeça. Já Sara estava nervosa por não ter conseguido nada com aquele polegar. Ela tirou a digital do dedo, escaneou, passou pelo banco de dados e nada! Nenhum resultado! Levou para Mia tentar descobrir algo e foi também esfriar a cabeça do lado de fora da sala.
A morena estava passando a mão pelas temporadas em frente o bebedouro olhando pra água que saia do mesmo quando Mia a chamou.
— Sara! O polegar deu um resultado!
Sara correu pra sala de Mia para descobrir o que tinha sido.
— Quando a digital não de em nada, eu fiz uma busca pelo DNA pro caso dele estar no sistema por causa de um caso aberto ou uma condenação anterior. Eu não achei uma combinação exata, mas...
— Uma combinação parcial com o DNA de Kelly Gordon.
— Sim. Sete alelos em comum em comum, e com base na idade, eu diria que é a filha dele.
— Bom trabalho, Mia! — disse Sara saindo de lá rapidamente pra buscar informações sobre a moça e logo em seguida pra ir atrás de Grissom.
Com o caso de Kelly Gordon em mãos – sim, ela estava na prisão – Gil e Sara debatiam sobre sentados frente a frente na sala do supervisor.
— Kelly Gordon está atualmente na penitenciária estadual cumprindo o terceiro ano de uma pena de cinco, como cúmplice de homicídio. — Grissom a olhou sem dizer nada. Sara voltou a olhar as folhas e ele fez o mesmo. _ O endereço do crime é Viking Circle 625. — eles se olharam novamente. _ O mesmo endereço onde o mensageiro pegou o pacote. Não foi aleatório.
Grissom deu mais uma olhada na folha do caso que estava com ele e percebeu que foi achado como evidência nesse crime, um copo de isopor.
— O copo de isopor também não.
— Sério?
— Uhum. — ele murmurou.
— Eu vou com o Jim falar com ela.
— Certo. Depois vem me contar.
— Tabom.
...
— No julgamento você disse que foi com seu namorado visitar um amigo dele, e quando entraram na casa seu namorado matou o sujeito!?
— Ele não era meu namorado. — respondeu Kelly. _ Conheci o cara duas semanas antes. Por que estou aqui?
Sara respondeu.
— Um copo de isopor com o seu DNA foi encontrado naquela casa. Você alega... que o largou ao fugir da cena.
— Minha palavra contra um copo. E agora faz cinco anos que sou trocada por cigarros pela minha colega de sela. — eles nada disseram. _ Vocês... não vão reabrir meu caso... O que vocês querem?
— O seu pai nunca se conformou.
— Ele era um engenheiro aeroespacial, certo? — perguntou o capitão. _ Era bom com explosivos?
— Então... isso tem a ver com o meu pai?!
— Temos a sua relação de visitas. O seu pai parou de visitar você seis semanas após sua prisão.
— Ver sua filha transformada na escrava sexual de uma bandida lésbica não deve ser fácil. — ela respondeu.
Sara então se inclinou na mesa e manteve sua expressão séria.
— Por que ele te visitou na semana passada? Sabia o que ele planejava fazer?
Confusa, Kelly respondeu com outra pergunta:
— Eu não sei. O que ele fez?
— Ele sequestrou um amigo meu. — disse o capitão. _ Um investigador. E depois se explodiu. Tentou levar alguns policiais junto.
Kelly ficou uns segundos em silêncio e perguntou em seguida:
— Quantos ele conseguiu pegar?
— Estamos todos aqui. — Jim respondeu ironicamente.
— Com exceção do Nick.
— Quem é Nick?
— O perito que desapareceu!!- Sara ficou nervosa. _ Você sabe onde ele está!
Kelly riu em deboche.
— É engraçado vocês não conseguirem encontrar alguém.
Sara já estava querendo bater naquela cara cínica dela, mas conteve.
— Olha, se você colaborar...- Brass prosseguiu. _ ... podemos reduzir a sua sentença.
Ela não ligou.
— Sabe o que fazia antes disso? Quando eu estava viva... eu plantava coisas ao ar livre. Eu estudava horticultura, eu amava flores. Minha colega de sela, Trich, me deu uma de dia dos namorados. — ele mostrou a palma da mão esquerda e tinha uma flor tatuada de um jeito meio diferente. _ Quer cheirar? – a morena se manteve séria sem ligar pro deboche dela, até que... _ Tomara que seu amigo morra!
Sara a fuzilou com o olhar e já ia falar poucas e boas pra ela quando Brass a impediu.
— Hey! Sara! Vamos embora! Vem, não vale a pena. — Brass pegou Sara pelo braço e a tirou da sala.
Depois de tomar uma água e se acalmar aos cuidados de Jim, Sara voltou ao laboratório e encontrou seu namorado com Archie na sala de áudio e vídeo. Ficou lá com eles.
Longe dali, Catherine, Warrick e Greg examinavam o galpão abandonado em busca de evidências. Warrick perdeu a calma, se descontrolou, foi meio grosso com Greg que só estava tentando ajudar e quase discutiu com Catherine que foi tentar acalmá-lo. Estava com medo de perder o amigo e com raiva por não estarem chegando a lugar nenhum.
Mas sua raiva serviu pra alguma coisa, quando respondeu Greg com impaciência, o moreno chutou um garrafão em direção ao mais novo que derramou no chão. Ao fazer isso, a terra sugou o líquido, indicando que tinha alguma coisa enterrada ali.
Esperançosos, os três começaram a cavar gritando por Nick. No escuro do caixão, Nick ouvia barulhos e começou a achar que tinham encontrado ele e que ele ia sair daquele lugar. Gritou pelos amigos e até começou a cantar uma de suas músicas favoritas para que eles ouvissem. Mas quando tiraram toda a terra de cima do caixão de vidro, quem estava dentro não era Nick e sim um cachorro. Ficaram não só decepcionados como putos! Achavam que tinham achado o amigo e não acharam. Decidiram então levar o caixão do cachorro pro laboratório pra ver se descobriam algo com ele. Mas e Nick? E os barulhos que ele ouviu? Bom, o barulho não foi de pessoas cavando, foi o vidro do caixão trincando por todos os quatro lados. O desespero de Nick só aumentou.
Convencido de que era o fim, o texano pegou o gravador e resolveu gravar uma mensagem de adeus.
— Meu nome é Nick Stokes. Se alguém encontrar essa fita entregue a polícia de Las Vegas. Deve haver alguma recompensa. Mãe... Cisco...- ele não conseguiu conter o choro, mas continuou gravando. _ Eu sei que é horrível me despedir assim, mas não tem outro jeito... Eu te amo, você me criou direito. E eu vou sentir sua falta. Quanto ao resto de vocês... eu sei que vocês fizeram o possível pra me achar...
No áudio e vídeo, Gil, Sara e Archie o observavam, e já que Grissom lia lábios, ele foi o único que conseguiu entender tudo o que o amigo disse. Se Nick tinha mais alguma coisa a dizer, ele não pôde, pois foi interrompido e começou a gritar e se mexer em parar.
Os amigos ficaram preocupados e confusos, mas Sara estava morrendo de medo do que podia estar acontecendo.
— Ele está se debatendo. Tem alguma coisa errada! — ela disse a Grissom que estava distante dela, sozinho numa mesa atrás da dela com Archie. _ O que está acontecendo? — temerosa ela perguntou.
— Calma... Espera um pouco...- disse Grissom dando zoom na tela, pois percebeu algo estranho. A expressão de medo e susto de sua namorada passou a ser a dele também ao ver o que era. _ Formigas. Meu Deus! Ele está sendo comido vivo.
— O que??- Sara se apavorou. _ Griss, a gente tem que achar ele, não podemos ficar aqui.
— Eu acho que sei como, Sara. Só preciso identificar que espécie de formigas são.
Grissom esperou que alguma das formigas passassem pela câmera. Sara se colocou atrás dele e observou. Estava sendo doloroso demais ver Nick naquele vídeo, naquele caixão, naquela situação. Se não conseguissem resgatá-lo daquele buraco, seu coração doeria pro resto da vida.
Não demorou muito para uma formiguinha passar pela câmera fazendo com que Grissom pausasse o vídeo para capturar a imagem dela.
— Peguei! Sara, chama todo mundo pra cá, eu vou pra minha sala procurar nos livros.
— Tá. — Sara correu pra pegar seu celular e ligar para os amigos.
Em minutos estavam na sala de evidências e Grissom explicou que espécie era.
— São lava-pés vermelhas, muito raras em Nevada, não gostam do solo, só são encontradas perto de Vegas em viveiros de plantas e árvores.
— Existem onze viveiros na área da grande Las Vegas. — disse Catherine.
Com o mapa sobre a mesa, Archie foi o seguinte a falar.
— Legal. O sinal da webcam está vindo daqui. — ele fez um círculo no mapa com o canetão preto.
— E os dados do furgão do Walter Gordon nos deu um raio de ação de 37km. — disse Greg fazendo mais um círculo com um canetão vermelho, passando por cima de uma parte o círculo feito por Archie.
— Muito bem. — Warrick foi o seguinte. _ Nós temos dois viveiros na interseção. Aqui e aqui. — ele fez dois “x” com um canetão azul nas áreas correspondentes.
— Espera, espera, espera, a Kelly Gordon trabalhava com plantas. — Sara se lembrou disso e tinha certeza que um dos dois lugares estava na ficha do caso. _ Calma aí. — ela saiu correndo da sala em direção à sala de Grissom. Pegou a ficha em cima da mesa, olhou e voltou correndo pra sala de evidências. _ Gente! O Nick está aqui! — apontou para um dos “x”.
— Tem certeza? — perguntou a ruiva.
— Absoluta!
...
Só o que se ouvia eram as sirenes chegando no local, estava escuro e seria um pouco mais difícil procurar à noite, mas com vários policiais ajudando foi mais fácil. Catherine estava com um sensor que captava o sinal da webcam e foi fácil achar o lugar onde Nick estava enterrado. O difícil seria tirá-lo de lá a tempo.
Medo e aflição era o que todos ali sentiam ao cavarem em busca do amigo CSI.
Naquela altura as formigas já tinham picado Nick eles estava cheio de caroços e bolhas pelo corpo. Ele não aguentava mais. Quando pegou a arma decidido a atirar em sua cabeça, ele viu Warrick que repetia que o acharam e que era pra ele abaixar a arma que iam tirá-lo dali.
Greg correu para pegar o extintor de incêndio pra poder matar as formigas. Levantaram a lateral do caixão o bastante para o gás entrar e matar os insetos, somente. Assim que as formigas foram executadas, Greg saiu do buraco e levou o extintor de volta enquanto Sara entrava no mesmo para ajudar Warrick a abrir a tampa do caixão.
Catherine havia recebido um telefonema de Hodges e foi correndo pra perto do buraco gritando:
— Todo mundo fora do buraco! O caixão pode explodir!
— É sério??- perguntou Warrick. Mais isso agora?
— Saiam daí, agora!
Todos que estavam lá saíram com exceção de Warrick.
— Eu não vou sair sem o Nick!
— Tem explosivos embaixo do caixão!
— Eu não vou sair sem ele!
Grissom teve uma ideia e tentou convencer o amigo a sair dali.
— Warrick, a Catherine está certa, saia do buraco agora. Eu sei o que fazer, confia em mim!
Sem restar alternativas, Warrick saiu do buraco e Nick se desesperou mais uma vez gritando por socorro. Ele não ouvia nada nem ninguém, só queria que tirassem ele dali.
Grissom falou o mais alto que pôde pra todo mundo conseguir ouvi-lo.
— Eu preciso de 100kg de terra aqui agora e vamos usar aquela escavadeira para jogar. — vários policiais correram até a escavadeira. Grissom então entrou dentro do buraco para explicar o que tinham que fazer antes de tirá-lo de lá.
— Nick! Está me ouvindo? — Nick não parava de gritar e não se concentrava. _ Vamos levar um minuto pra te tirar daí, tabom? Nick?! — Nick não respondeu e continuou chorando e batendo no vidro. Grissom então o chamou de outro jeito. _ Pancho!!- Nick parou. _ Tenta me ouvir. Põe a sua mão na minha mão. — Nick fez o que ele pediu. Só o que separavam as palmas de ambos era o vidro do caixão. _ Isso. Agora escuta. Pode haver explosivos sob a caixa. Devem estar ligados a gatilhos de pressão. Temos que equalizar o seu peso corporal antes de você sair daí, tabom? Pancho, balance a cabeça se você me entendeu.
Nick assentiu.
Grissom se levantou e se comunicou com a galera ao seu redor.
— Tabom, vamos usar a terra da escavadeira pra equalizar o peso dele. Eu preciso de uma corda e de um mosquetão. — Sara que saiu correndo pra buscar. Grissom voltou a falar com Nick. _ Muito bem, Pancho... vamos abrir a tampa e te tirar daí, mas eu preciso que você continue deitado, tabom? Senão vamos todos explodir. — Nick assentiu. _ Você entendeu? Você promete? — Nick assentiu mais uma vez. _ Pancho, diga “eu prometo”.
— Eu prometo.
Grissom se posicionou junto com Warrick para abrir a tampa e mais uma vez pediu para Nick não se mexer.
Foi com alivio que Nick sentiu o ar contra seu rosto e o toque das mãos de seus amigos, e voltou a chorar. Pediram para ele ficar calmo e assim que Sara trouxe a corda e o mosquetão, Grissom prendeu o mesmo no cinto de Nick.
— Vamos lá, Pancho. Eu quero que feche os olhos e prenda a respiração. — Nick assentiu e Grissom gritou dando permissão para despejarem a terra dentro do caixão. _ Prontos? — ele perguntou para Warrick, Jim, Catherine, Sara, Greg e mais dois policias que seguravam a corda com ele. _ Já! — ele gritou e todos puxaram Nick pela corda. Nesse mesmo instante aconteceu a explosão levando a terra para os ares.
Nick foi resgatado e levado pro hospital na ambulância, na companhia de Catherine e Warrick, a equipe dele.
Conrad, Grissom, Sara, Jim e Greg – nessa ordem – ficaram olhando a ambulância partir.
O supervisor suspirou.
— Eu quero minha equipe de volta.
Ecklie nada disse, mas sentiu que eles eram importantes para Grissom, e depois do que houve, talvez fosse uma boa ideia voltar a ser como era. Ele e Brass se afastaram indo direto para seus carros, e deixando apenas os três CSI’s ali.
Sara então abraçou o braço de Grissom e apoiou o queixo em seu ombro. Greg fez a mesma coisa com Sara, e os três permaneceram ali por alguns segundos olhando pro lugar onde a ambulância já tinha sumido de suas vistas.
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