Love Story
212 Pandemia? Tentaram Matar Jim Brass?
Notas iniciais
Nunca viram uma criança tão entusiasmada e falante como Maggie quando entrou em casa. Ela ficou encantada com a estufa e o quintal, e adorou o jeito que deixaram o quarto de Ricky pra ela também. Tiveram que colocar o berço num cantinho — justamente o que estava no Ishmael e eles desmontaram pra levar de volta ao quarto.
— "Posso mesmo dividir o quaito com você, né?"
Ricky assentiu, pegou a mão dela e a puxou pro quarto pra mostrar todos os brinquedos que tinha. Inclusive, Maggie amou o tubarão de pelúcia que Warrick ganhou dos pais, e ele, bondoso e levemente desapegado como era, deu o tubarão pra ela.
Gil e Sara estavam no céu com aquela fofura. Ricky nem sequer questionou por que sua nova irmã não tinha a cor da pele igual a dele, pois pra ele não fazia diferença. E não devia fazer diferença pra ninguém. Betty questionou esse fato, mas não faltou com respeito em nenhum momento.
Voltaram ao Ishmael depois que Maggie se acostumou com todo mundo, cerca de uma semana depois da adoção. Despediram-se de Abby que prometeu cuidar da casa e mandar notícias de como estavam indo as coisas.
Nick e Rayle conseguiram ir ver a afilhada dois dias antes deles partirem de volta ao mar.
— Aaaa!- Rayle gritou, animada. — Eu tenho a afilhada mais linda do mundo todinho!
Maggie sorriu sem jeito, mas correu para abraçá-la. Warrick era um pouco mais tímido que ela, nisso ele era igualzinho ao pai. Maggie se enturmava com mais facilidade, talvez pelo fato de ser um ano mais velha, ou só por ser assim mesmo, falante e sociável.
O jovem casal levou presentes pra ela e a tratou com o maior amor. Rebecca e Amy também a adoraram.
Maggie não poderia querer uma família melhor que aquela.
— Vocês moram no mar também?
— Aham!- Grissom a pegou no colo, que sorriu entusiasmada com a revelação. — O que acha de morar num barco também?
— Um só pra mim?
O casal riu.
— Talvez um dia você tenha um só seu. Quer conhecer lá dentro?
— Quero! Quero!
— Dá "tchau" pros dindos primeiro, aí a gente vai.- a colocou no chão e ela correu pro colo de Nick.
— Tchau, florzinha. Espero te ver logo, logo. E óh.- ele fingiu contar um segredo. — Deixa seu pai com mais cabelo branco do que ele já tem.
Maggie deu risada e recebeu um beijo na bochecha antes de ser colocada de volta no chão.
— Não incentiva, amor.- Rayle fingiu brigar, mas logo sussurrou também. — Deixa sua mãe de cabelo branco também.
Os três riram com isso.
— O que estão tramando?
— Nada.- responderam Sara, e Maggie abraçou Rayle correndo para o colo da mãe adotiva em seguida.
Deram tchau e partiram no Ishmael. Maggie adorou a casa no mar e nem sentiu medo, foi o que ela se orgulhou em dizer.
Apenas alguns dias depois que partiram pro mar, Catherine anunciou que ia se aposentar. Todos ficaram surpresos com isso, mas ela achou que tinha chegado a hora de sossegar.
Investigadores antigos iam e novos chegavam. Catherine sentiu que a dinâmica não era a mesma, sentiu falta do que tinha antes e aquilo estava deixando-a triste. Não que não gostasse de conhecer pessoas novas e, não só ensinar como aprender junto com outros profissionais, mas nada como algo com que já está acostumada, com pessoas que aprendeu a amar profundamente.
Enfim… Fizeram uma festa de despedida pra ela e o cargo foi passado adiante.
Em pouco tempo, Maggie e Ricky ficaram inseparáveis, um protegia o outro com unhas e dentes. E por falar em dentes, quando o primeiro de Maggie caiu, foi um fuzuê. Ricky ficou com medo do dele cair também e caiu no choro.
Foi então que falaram pra ele da fada do dente. Que ela ia visitá-lo quando o dentinho dele caísse e que se ele fosse corajoso, ganharia uma surpresa em troca.
Quando viu que Maggie ganhou um dólar pelo dela, aí ele acreditou.
~ ♥ ~
Passaram o fim de ano com a família em Vegas e com o início de 2020 parecia tudo tranquilo, até chegar março, o mês do aniversário de Maggie, e também o mês em que o medo se alastrou pelo mundo inteiro junto com uma pandemia.
Um novo vírus mortal foi detectado na Ásia e se espalhou pelo mundo inteiro.
A Covid 19 (coronavírus) foi um marco em todos os países, e na história, e era passada pelo toque e pelo ar. Máscaras começaram a ser obrigatórias, o uso de álcool em gel para tentar se manter seguro de bactérias e não se infectar por outras pessoas passou a ser rotina, a quarentena também foi obrigatória. Milhares de mortes espalhadas, pessoas perdendo emprego, gente que nem sequer podia enterrar seus familiares por conta da contaminação, a ansiedade por uma vacina que ajudasse a salvar as pessoas.
Países seguindo regras de prevenção e proteção, conseguindo conter a contaminação e o surto, enquanto outros achavam que era só uma gripezinha, se recusando a garantir a vacina para a população que lutava por um leito no hospital. Um desses países comandado por um genocida que disse não ser coveiro, enquanto tanta gente morria.
Uma catástrofe literal.
Todos da família CSI conseguiram tomar a vacina, e nenhum deles se recusou a isso, cada um na sua vez, dos mais velhos pros mais novos. Todos com o dobro de cuidado, não só no trabalho — que ao contrário de outros e como muitos outros também, não pôde parar — como em casa também.
Durante a pandemia, estudos já demonstraram que o lixo plástico cresceu enormemente com a questão do isolamento social porque as pessoas estavam solicitando mais serviços de entrega e usando mais produtos descartáveis, além do descarte de máscaras e luvas. O mar não se livrou disso. Então eles ainda tinham o que fazer fora da terra.
Foram tempos difíceis e eles ficaram muito tempo sem se ver, longe uns dos outros, sem poder ter nenhum contato físico.
Henry pegou, Archie pegou, Sofia, Ecklie, a mãe de Hodges, até Nick pegou, deixando Rayle em completo desespero. A maioria deles foi assintomático, mas por estarem vacinados, isso impediu que eles tivessem sequelas graves e até que morressem.
Infelizmente, Betty não resistiu ao vírus, assim como milhares e milhares de pessoas.
Estavam isolados no mar, pertinho da civilização. De um hospital caso desse ruim, e de um supermercado caso acabasse alguma coisa.
As crianças estavam seguras e Abby garantiu que ela e Robert também estavam.
Foi quando Gil recebeu uma mensagem da melhor amiga de sua mãe, dizendo que Betty faleceu no hospital depois de ter algumas crises respiratórias. Ela não sabia que estava com a doença até fazer o teste.
O pior de tudo isso, é que Grissom não pôde sair de onde ele estava pra ir ver sua mãe, ele nem sequer teria autorização se conseguisse ir. Isso, além da perda da mãe, era o que mais lhe doía.
A última vez que a viu foi no natal, e a última vez que falou com ela foi dias atrás por mensagem. Ela sempre perguntava como eles estavam. A última coisa que disse a ela foi "Obrigado por checar se Laura está bem. Te amo, mãe. Boa noite".
Grissom desmoronou. Chorou tanto quanto chorou pela morte de Warrick nos braços de Sara depois do funeral.
A morena não sabia o que dizer a ele, nem o que fazer por ele. Só chorou junto enquanto o acolhia em seu abraço. Ele precisava dela mais do que nunca agora.
Ricky e Maggie também choraram pela vovó. Sara teve que amparar mais dois em seu colo.
Aquela era uma dor que nunca passava, e era uma coisa que nenhum deles e nenhum de nós pode fugir: a morte e a dor que ela causa.
Foram dois longos anos de pandemia. Nesse tempo, Lindsey teve um bebê, Robbins também se aposentou e, Greg e Morgan foram trabalhar com Nick em San Diego. E Maggie, Ricky e Abby só não tiveram aniversários tristes, pois seus pais se esforçaram para que não fossem dias comuns e rotineiros como os outros. Foram dias regados de brincadeiras — no caso de Abby, conversas descontraídas e jogos pelo computador — e aprendizados, já que obviamente não podiam ir pra escola.
O EAD não funcionou com os pequenos, pois nem sequer tinham entrado na escola ainda. Seus pais os ensinavam em casa até terem idade pra entrar.
O surto diminuiu no final de 2021. Estava longe de acabar, as pessoas ainda precisavam tomar cuidado, mas a quarentena acabou nesse período.
Warrick estava com quatro anos e quatro meses, Maggie com cinco anos e sete meses, Abby com vinte e dois anos, Grissom com sessenta e cinco e Sara com seus recém completados cinqüenta anos, quando acharam que a paz finalmente tinha voltado a reinar.
O último dia normal em meses foi na primeira semana de outubro. Manhã fria, as crianças dormiam como pedras e seus pais estavam mais acesos que fogueira em São João.
Acordaram doidos pra namorar, por algum motivo, e assim fizeram.
— Já tem um tempo que não nos beijamos tanto assim.- Sara comentou depois de finalizarem um de centenas.
— Verdade.- ele lhe deu uma bitoca ao concordar. — Meus lábios estão inchados?- fez bico.
Sara deu risada.
— Só um pouquinho.- voltou a beijá-lo e depois de recuperarem o fôlego mais uma vez, Sara parou para admirá-lo. — Amo seu cabelo e sua barba do jeito que estão agora.- ela passou os dedos pelos fios macios completamente brancos como neve e, pasmem, o cavanhaque — não a barba — também branco.
— Consegui ficar mais charmoso?
— E fofo.- ele sorriu. — Já eu, o que tenho de atraente agora?
— Tudo, sua boba. Está mais linda do que há 20 anos.
— Está dizendo isso só pra não magoar sua querida esposa né?
Ele negou, sorriu e a puxou para mais um beijo. Ao finalizarem esse, ele quem a admirou. Gil olhou para os cabelos dela com mais atenção e viu um amiguinho lá. Na verdade, vários amiguinhos.
— Olha só onde alguns fios brancos vieram parar!- sorriu.
— Está zoando?!!- ela o olhou e viu quando ele negou com a cabeça, sorrindo. — Não brinca!- levantou correndo e foi até o espelho que tinham atrás da porta. — Que droga! Bem… que bom que não dá pra ver logo de cara, não preciso me preocupar em pintar ainda.
— Ah, para. Vai me dizer que não sabia que cabelos grisalhos são muito atraentes.- não resistiu em dizer aquilo, o que a fez sorrir.
— Minha própria frase contra mim? Qual é!- voltou a deitar com ele e lhe deu um leve soco no braço.
— Ai.- ele riu.
— Chato!- riu também e lhe deu outro beijo que logo ele interrompeu.
— Vamos deixar uma coisa bem clara, sra. Grissom.- abraçou sua cintura. — Com ou sem cabelos brancos você sempre será atraente, linda, fofa…- chegou perto de seu ouvido pra sussurrar a última palavra. —... e gostosa.
— Uh!- ela sorriu e mordeu o lábio, amando cada palavra daquela frase que a fez se sentir a mulher mais linda do mundo.
Grissom não resistiu e lhe deu mais um beijo profundo.
— A gente vai mesmo pro Panamá, né?- Sara perguntou ao se afastar um pouquinho depois de alguns minutos.
— Vamos sim, só preciso abastecer.
— Maggie está ansiosa. Só vai parar de falar em pegar amostras de águas vivas quando enfim pegar amostras de águas vivas.
— Desde que eles viram aquele show de luzes à noite que mostramos a Abby uma vez, ela tem amado tocar no assunto "água viva".
Sorriram, pois seus corações mais moles que marias moles se aqueceram. Amavam seus pimpolhos.
Por falar neles, vez ou outra "discutiam" o título de filho favorito.
Quando Maggie disse ao irmão, que estava chorando porque cortou o dedo, que ele tinha que ser corajoso e forte, mas que tudo bem não ser de vez em quando, Sara sentiu tanto orgulho que a puxou para seu colo e lhe deu vários beijinhos.
Sempre tentavam descontrair quando o ciúme batia em um deles.
Maggie riu com os beijinhos.
— Coisa linda da mamãe!- fez cócegas em sua barriguinha.
— Ei!- Warrick a repreendeu. — Coisa linda da mamãe sou eu.
— Mas espera aí... Está com ciúmes?
— Eu não.
— Está sim.- riu, colocou Maggie no chão e pegou Ricky caindo com ele no tapete que colocaram do lado de fora do barco onde estavam.
Deram risada e Sara começou a fazer cócegas nele. Ricky gargalhava sem parar.
— Meu ciumento lindo!!
Grissom resolveu brincar.
— E Maggie e papai se preparam para pular.
Sara o olhou com os olhos arregalados, seria maldade se ele pulasse em cima dela.
Grissom riu.
— Vai lá, filha. Pula em cima da mamãe.
Maggie correu e pulou em cima de Sara, rindo.
— Agora é minha vez!
Claro que Gil não pulou, apenas ficou por cima dos três.
Riram.
— Vamos brincar de esconde-esconde?- Ricky sugeriu, mesmo que dentro do Ishmael não fosse tão grande.
Grissom sentou e tapou os olhos com uma das mãos.
— E o bicho vai contar até três.- engrossou a voz. — Um…- Warrick e Maggie gritaram e saíram correndo. Quando Sara ia fazer o mesmo… — Dois, três!!- ele contou os outros dois números rápido e a segurou pelas pernas.
— Ah!- ela gritou rindo.
— E a mamãe foi lenta demais!- riu, agora agarrando sua cintura.
— Isso não vale!- virou-se pra ele.
Ele a fitou sorrindo.
— Perdeu, coroa!
— Olha quem fala. Idoso!
— Mas o quê?- mordeu seu pescoço.
— Ai!! Caramba, Griss! Sem morder!
— A culpa foi sua. Rum!
— Chato!
— Besta!
Riram e se beijaram.
— Papai!!- gritaram dos outros cômodos da casa. — Papaaai!
Grissom e Sara riram.
— Já vou, meus pequenos, já vou!- deu mais um beijo em Sara antes de correr atrás deles para procurá-los.
Sara balançou a cabeça sorrindo. Ele se tornou um excelente pai, tinha muito orgulho da família que haviam construído.
Até à noite, estava naquele clima, tudo tranquilo e feliz. Foi quando Sara recebeu a ligação. A ligação de seu pai postiço.
Ele parecia calmo para alguém que ao que parece quase morreu.
Admirava isso nele ao mesmo tempo que odiava. Mas não podia culpá-lo já que ela era igualzinha.
Ele não deu muito detalhe, mas disse o bastante para que ela se preocupasse a ponto de parar tudo o que estava fazendo para ir ajudá-lo.
Grissom ficou preocupado com a expressão dela, e ficou mais alarmado ainda quando ela planejou tudo o que iam fazer, mas sem contar logo o porquê.
— Vamos fazer o seguinte, você vai pro Panamá sem mim, e leva só a Maggie já que ela está tão ansiosa pra ir. Eu levo o Ricky comigo pra você não ter que cuidar dos dois sozinho.- a cara de Gil era de completa confusão. — Vou ligar pro Greg e ver se ele consegue ficar com o Ricky enquanto eu tento resolver já que a Catherine está em Dublin com a Lindsey e a bebê. Eu juro que vou te ligar pra te manter a par.
— Honey, pelo amor de Shakespeare, a par de quê??
— Tentaram matar o Jim.
To Be Continued…
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