Love Story
205 Grávida Bipolar
Notas iniciais
— Eu estava aqui pensando… É triste o fato de Joanna e Bryan terem que morrer para ficarmos com a Abby.- Grissom comentou enquanto ele e Sara davam uma geral no quarto de Abby uns dias depois de irem ao enterro dos pais adotivos dela.
Não tiveram tanto trabalho, pois ela já tinha um quarto na casa deles, não precisaram mudar muita coisa.
— É verdade.- Sara lamentou. — Eu sempre achei que não era pra ser, sabe? As circunstâncias sempre faziam com que não pudéssemos ficar com ela. E do nada essa tragédia acontece… Não queria que tivesse sido assim.
— Eu também não.- Gil suspirou. — Abby não merecia perder mais duas pessoas importantes pra ela.
— Bom… Vamos continuar cuidando dela como sempre fizemos e tentar amenizar a dor dessa tragédia. Eles eram um casal incrível.
Suspiraram mais uma vez e continuaram a arrumação.
Foi até rápido. Limparam, passaram mais uma mão de tinta branca e pintaram uma única parede na cor salmão. Trocaram os lençóis para brancos estampados com poucas flores amarelas, o tapete, acrescentaram uma mesinha de estudos e um espelho atrás da porta.
Com tudo checado, tudo devidamente autorizado, Abby conseguiu se mudar pra nova casa, antes mesmo de Sara entrar no sétimo mês de gestação.
A menina estava triste com a morte de Joanna e Bryan, mas feliz por ir morar com Sara e Grissom. Daquela vez tinha que dar certo.
Ao ver seu quarto levemente reformado, mas ainda com as coisinhas que deixou lá, sorriu. Estava em casa!
— Ficou lindo!- disse admirada assim que Sara a abraçou por trás.
— Que bom que gostou.- Gil também sorriu.
— Terminei uns detalhes ontem quando Gil saiu pra universidade.
— E ele continua inspirado?
Os três riram com o “sim” fofinho que Sara respondeu. A morena então foi buscar para Abby ver.
“Eu te amo tanto e você sabe. Sou capaz de tudo se preciso, só pra ver brilhar a todo instante no seu rosto esse sorriso”
— Aww, sério, eu fico boba com vocês!- e mais uma vez ela se admirou.
— Confesso que eu também fico as vezes.- comentou Sara dando uma olhada rápida para Gil que beijou a lateral de sua testa.
— Eu comentei sobre isso com o Robert na aula. Despretensiosa mesmo. E advinha?!
— Ele te deu um bilhetinho?- Sara indagou surpresa.
— Aham!- respondeu feliz, mas ao mesmo tempo sem graça, e tirou do bolso o papelzinho. — Ele me deu muita força durante o luto. Sempre se preocupando em como estava minha saúde mental.- o casal sorriu com isso. — Eu sempre observei vocês dois e ficava imaginando se eu também ia encontrar o meu “senhor poeta”.- sorriram mais uma vez. — Eu acho que eu encontrei.- ela mesma sorriu e ao mesmo tempo entregou o papel para eles verem.
“Eu viajei no seu olhar, no teu sorriso, nos teus segredos. Eu descobri o que é amar pelo toque dos seus beijos”
— Que lindo!- exclamou a morena.
— Eu juro que não dei aula pra ele.- Gil fez as duas rirem.
— Acho que esse aqui é nato.- Sara também fez e logo em seguida foi abraçá-la. — Estou feliz por você, meu amor. Você merece alguém assim.
— Por que você não o convida pra jantar aqui? Ficaríamos felizes em conhecê-lo melhor.
— É uma boa ideia.- Sara concordou desfazendo o abraço.
— É sim, mas… eu tenho medo de parecer precipitada porque… nós não estamos namorando.
— Bom, então será só um jantar entre amigos.- Grissom sorriu. — Vai virar algo mais se os dois quiserem.
— Não há necessidade de apressar. Ele não vai te achar precipitada. Confie em nós, está bem?
Abby sorriu abertamente e abraçou os dois de uma vez fortemente.
O jantar foi maravilhoso e super descontraído. Robert adorou o casal e até levou flores para Sara como agradecimento pelo convite. Descobriram que ele adorava jogar xadrez igual a Grissom e que jogava com Abby as vezes, onde ela aplicava as aulas que o mesmo lhe deu. Ele era um tanto tímido, mas deu pra perceber que era divertido e muito atencioso. Ele olhava para Abby com carinho e tratava todos com muita educação e simpatia. Um menino de ouro, o completo oposto de Slade.
E sim! Robert a pediu em namoro apenas uns dias depois, com buquê, chocolate e até serenata, colocando seu aprendizado nas aulas de música em prática. Abby estava tão ansiosa por esse pedido que mal o deixou terminar de falar pra dizer “sim!”.
Sara era pura felicidade e agradeceu aos céus por Robert ser um menino tão bom. A família estava aumentando gradativamente, mas para Grissom era o extremo oposto. Nunca pensou que ganharia dois filhos e um genro tão rápido assim. Porém, não poderia estar mais feliz com isso.
~ ♥ ~
Sara chegou ao sétimo mês graciosamente e cem por cento bipolar, alternando entre emotiva, raivosa e atirada, de uma maneira que jamais pensou que ficaria.
— Nunca vi um ser humano mudar de humor tantas vezes em vinte e quatro horas, Catherine.- comentou Gil em um controlado desespero. — Eu juro que estou pensando mil vezes mais antes de falar alguma coisa com medo dela ficar triste ou extremamente brava. Eu quase nunca sei em que humor ela vai estar.
Catherine só não gargalhou em respeito ao desespero do amigo, mas tentou acalmá-lo mesmo querendo ter uma crise de riso.
— São hormônios de grávida, Gil, isso é normal.
— Foi o que a Rayle disse, mas eu não sei o que fazer. Cath, eu juro, esses dias ela começou a chorar porque eu DORMINDO, sem ter consciência, virei pro outro lado. Acordei, fui dar bom dia e ela veio com "você não me ama mais", eu fiquei…- Gil fez cara de perdido e confuso e a ruiva não resistiu ao riso.
— Deve ser hilário ver a Sara desse jeito.- comentou ainda rindo.
Até o momento estava engraçado, Gil não se importava com essas mudanças de humor e estava se acostumando, até Sara explodir com ele de uma forma que o magoou profundamente.
Gil sempre se preocupou muito com ela, sempre cuidou dela com muito carinho, e com a gravidez isso se intensificou, tamanha era seu temor de que algo ruim acontecesse. Então estava sempre no pé dela para que ela tomasse cuidado e não se esforçasse muito, principalmente depois do sexto mês, que sua barriga estava maior.
Estavam os três almoçando com um papo super descontraído, e ao finalizarem, era a vez de Sara lavar a louça, mas Gil interveio dizendo que não precisava.
— Amor, é a terceira vez essa semana que você lava a louça no meu lugar. Não tem problema eu lavar.
— Eu sei que não.
Sara levantou sem muita paciência e sem querer puxou a toalha da mesa derrubando um prato e sujando o chão
— Droga!
— Calma, cuidado com os cacos. Está tudo bem, eu cuido disso.
— Deixa, Gil!- ela exclamou num tom um pouco mais alto.
Abby se assustou e olhou para Grissom.
— Você não pode se esforçar, deixa que Abby e eu limpamos tudo.
— GILBERT!- gritou e até ele se assustou. — Já chega! Eu não vou perder o bebê se lavar uma louça! Ou varrer um chão! Estou de saco cheio disso! Eu estou grávida, não doente!- tentou respirar fundo e manter a calma. — Sei que se preocupa, mas isso já é demais! Você está insuportável!
Grissom, que ainda estava estático, arqueou as sobrancelhas por um momento e assentiu, tentando não parecer chateado.
— Entendi… eu… vou pro quarto ler então.
Abby observava calada. Ficou com dó de Grissom, mas entendia a raiva de Sara. Os dois tinham motivos racionais para agir como agiram.
— Olha, eu não quero te deixar mais nervosa, Sara, mas… não precisava ter falado assim.
Sara só lançou um olhar pra ela, sem dizer nada, e Abby já entendeu.
— Quer ajuda?
— Pode segurar a pá pra mim? Eu não consigo me abaixar direito.
— Claro.
Abby ajudou sua mãe — ainda era estranho pensar em Sara como sua mãe, estava tentando se acostumar. Ainda a chamava de Sara mesmo, talvez isso não mudaria —, e depois secou a louça que ela lavou.
Conforme estava arrumando a cozinha, foi batendo um arrependimento em Sara pelas coisas que disse. Foi muito dura com ele apesar de ser sincera. Podia ter dito de outra forma.
Tinha que pedir desculpas.
Assim que estava tudo pronto, Abby foi para seu quarto ler, justamente para deixar os dois à vontade na sala. Gil tinha ido pra lá assistir TV e distrair a cabeça, já que leitura não funcionou.
Sara se aproximou e a expressão dele estava normal.
— Hey…- ela se sentou do lado dele. — Tudo bem?
— Tudo.- ele disse simplesmente.
— Desculpa ter falado daquele jeito com você.
— Não tem problema.
Ele não estava sendo carinhoso, nem grosseiro, apenas… indiferente. Deu pra perceber que ele estava chateado, então ela mesma ficou chateada também.
— Amor, foi sem querer.
— Já disse que tudo bem, Sara.
A morena sentiu exatamente o que ele sentiu quando ela gritou com ele, mesmo que ele não tenha gritado agora. Ele não olhava pra ela em nenhum momento.
Um nó se formou em sua garganta e seus olhos encheram de lágrimas. Ela abaixou a cabeça, tocou a barriga e se encolheu. Gil nem percebeu que ela chorava até ela fungar.
— Ah, tinha esquecido disso.- ele suspirou e se virou pra ela. — Eu não estou chateado.
— Está sim.- ela choramingou. — Eu fui estúpida, eu sinto muito. É que…
— Eu estava sendo chato, eu reconheço. Não precisa chorar, meu amor, está tudo bem.
Ela ficou mais aliviada ao ouvir o "meu amor", mas não conseguiu conter as lágrimas mesmo assim.
— Não sei o que está acontecendo comigo.
— Você sabe sim.- sorriu e deu um beijo em sua testa. — Está desculpada, tá? Eu sei que foi sem querer.
Sara abraçou ele e não demorou muito pra parar de chorar.
— Não queria ter chorado, eu estou muito mole. Que ódio.
Grissom começou a rir.
— Vou tentar ser menos insuportável, ok?
— Não foi o que eu quis dizer, eu juro, eu amo você.
Grissom riu de novo com o desespero dela achando que ele ainda estava bravo com ela.
~ ♥ ~
Bom, dos três humores recorrentes de Sara, dois foram citados. O outro ficou mais recorrente no oitavo mês, mas esteve presente em TODOS eles.
Em determinado dia, quando Abby estava fora com Robert, Sara viu uma oportunidade de atacar seu gostoso marido.
— Oi vida…- entrou no quarto com o roupão dele, o único que lhe servia agora, depois de um banho renovador para suas pernas cansadas.
— Ooi!- Gil marcou o livro que lia, mas continuou a leitura.
— Chega de ler, mocinho.
— Ué, por que?- ele se fez de desentendido. — Ler é bom, sabia? Quando se tem tempo livre.
— Tem outra coisa que também é bom fazer quando se tem tempo livre, sabia?- disse indo devagarzinho até ele na cama.
— Safada!- riu.
— Lindo!- pegou o livro das mãos dele, pôs na mesinha de cabeceira e o pegou de jeito com um beijo de tirar o fôlego.
Por mais delicioso que estivesse, Sara estava com oito meses de gestação! Se atirando pra cima dele daquele jeito assanhado, ela podia se machucar.
Gil, com muita luta, conseguiu se desvencilhar de seus lábios saborosos.
— Honey, pelo amor de Deus, deixa isso pra depois que o bebê nascer ou eu vou ter um ataque cardíaco.- ele tentou não sorrir. Até carregando um bebê naquele balão de ar super sensível, Sara conseguia ficar irresistível. — Suzanne falou que é super normal a gestante ficar meio assanhada, mas você está descontrolada.
Sara deu risada.
— Sei que tem medo de me machucar ou de machucar o bebê, mas confia em mim, é só fazer do jeitinho certo e com cuidado. Por favor, amor, eu quero tanto você, eu estava me segurando de tesão o dia inteiro.
— Sara!- ele riu. — Agora entendo porque queria que Abby fosse logo encontrar o namorado.
A morena assentiu e novamente se atirou em seus braços.
— Está bem, está bem.- ele interrompeu o beijo. — Farei o que deseja se prometer se comportar. Você vai ficar deitada quietinha enquanto eu toco em você, ok?
— Prometo não me afobar e não tentar rolar na cama com você igual da ultima vez, eu prometo.
Grissom sorriu, balançou a cabeça e tomou seus lábios. Se demorou nas preliminares e só a possuiu encaixando-se por trás pra ser mais seguro. Tomou o máximo de cuidado com o bebê mesmo com sua pura excitação.
Mesmo com cautela, foi uma delícia, e durante esse período foi só assim que fizeram.
~ ♥ ~
Grissom estava dando graças a Deus que os desejos doidos de Sara — não os sexuais, os de grávida mesmo —, foram todos aceitáveis e em momentos em que ele conseguia dar um jeito de concedê-los e não passava nenhum tipo de vergonha. Até uma certa madrugada onde ele acordou assustado com um barulho na cozinha.
— Sara?
Ela apareceu no quarto acariciando a barriga.
— Te acordei, desculpe. Abby também acordou.- deu um sorriso amarelo. — Eu derrubei o pote de sorvete, quase quebrei o piso.
Grissom fez aquele barulhinho de riso na garganta.
— Mas você está bem?
— Estou sim.- se sentou ao lado dele. Ela pareceu hesitante, parecia querer dizer alguma coisa.
— O que foi?
— Está muito cansado?
— Depende pra que.- ele riu. — Quer alguma coisa?
— Não, deixa pra lá.
— Fala, amor.- ele pediu fazendo carinho em seus cabelos.
— É besteira.
— Não importa. Vou ficar chateado se não disser.
— Isso é chantagem!- deu um tapa nele e sorriu. — É só desejo.
— E o que você está desejando? Sou eu?- piscou pra ela.
Ela soltou uma gostosa gargalhada e ele também riu.
— Bobo! É milkshake.- disse ainda sorrindo.
Ele olhou pro relógio.
— Às três da manhã??
— Viu? Eu disse que era besteira.
— Tem um mercadinho 24h no final da rua, eu acho que lá vende milkshake.
— Não, amor. Não precisa ir lá. Eu tento bater o de creme mesmo, apesar de querer um de ovomaltine com calda de morango e pedaços de oreo.
— Meu Deus, eu não vou achar isso agora nem se eu quisesse. Vou dar meu jeito, aguenta aí.
— Não precisa, amor, é serio.- segurou o braço dele quando ele se levantou.
— Precisa sim. Eu não vou deixar minha mulher grávida com desejo de tomar milkshake de ovomaltine com morango e oreo às três da manhã, sem poder fazer nada. Eu vou lá.
Sara sorria o tempo todo.
— Teimoso!
Ele sorriu e lhe deu um beijo antes de sair.
— Volto em menos de vinte minutos.
— Está bem.- ela balançou a cabeça.
Como o amava!
Dito e feito, em menos de vinte minutos lá estava ele de volta e com um grande copo de milkshake de ovomaltine e uma sacola.
— Ai que delícia!- exclamou estendendo os braços.
— Calma, não está do jeito que você quer. Vou fazer uns ajustes.- Gil seguiu pra cozinha e Sara o seguiu, já ia correr até ouvir: — Sem correr, Sara!
Ela riu e foi devagar.
— O pessoal que estava lá me olhava com uma expressão tipo “milkshake essa hora? Que maluco!”.- comentou ele enquanto tirava um pacote de oreo da sacola e pegava a calda de morango na geladeira. — Eu quase falo sem perguntarem nada “É pra minha esposa com desejos estranhos, eu não sou doido”.
Ela deu risada.
— Não é tão estranho assim.
Grissom então colocou a calda e os pedaços de oreo que picou dentro do copo. Bateu de leve com um mixer.
— Só fico imaginando os outros desejos que você ainda vai ter em horários inapropriados.
Sara sorriu.
— E você vai realizar todos os meus desejos?
— Vou fazer o possível.
— Eu tenho o marido mais perfeito do mundo!- o abraçou forte e lhe deu um beijo na bochecha enquanto ele terminava seu milkshake especial.
— Você que é perfeita.- lhe deu outro beijo e lhe estendeu o copo que ela tanto desejava.
“Simplesmente a mais amada
Mais feliz, mais desejada
Tão bonita e tão prendada
A mulher da minha vida
Minha musa preferida
Meu lindo conto de fadas
Simplesmente a mais formosa
Mais incrível, mais gostosa
Simplesmente a gloriosa
Deusa da minha paixão
Simplesmente a mulher
Que o meu amor deseja e quer
A dona do meu coração” ― Rick e Renner
Sara sorriu com os olhos brilhantes e deu uma golada com vontade.
— Vai com calma, gulosinha.
— Isso está uma delícia!!
Ele riu, mas seu sorriso logo sumiu quando se deu conta de uma coisa.
— Ai meu Deus…
— O que foi?- ela se preocupou e imediatamente colocou o copo no balcão.
— Eu saí de pijama!
Ela olhou pra roupa dele e pra cara dele, repetidamente, e ambos começaram a gargalhar.
— Acho que não olharam estranho pra você por causa do milkshake às três da manhã.
E continuaram rindo até alguém aparecer na porta da cozinha esfregando os olhos.
— Por Deus! Digam que não vai virar rotina vocês rindo como hienas toda madrugada.
Gil e Sara olharam para a filha com dó, mas logo se olharam e voltaram a rir.
Abby balançou a cabeça e inevitavelmente também riu.
~ ♥ ~
Sara já havia entrado no nono mês e estava num dilema, uma guerra de sentimentos dentro de si já tinha alguns dias. Gil reparou que algo a incomodava mesmo que ela conseguisse manter tudo normal com a chegada de Rayle e Rebecca, Grissom a conhecia muito bem e sabia quando estava preocupada ou aflita.
Rayle estava com as meninas nos fundos da casa tirando fotos enquanto o casal se ocupava com outras coisas.
Sara regava as plantas na estufa quando Gil chegou de fininho lhe abraçando por trás e lhe dando um beijo na bochecha. Estava preparando o almoço e só faltava a batata no forno.
— Oi.- ela sorriu deixando o regador de lado e apertando seus braços em volta dela, o que era quase impossivel devido ao tamanho de sua barriga. Gil a acariciou.
— Vai me dizer o que está te incomodando?
Sara sorriu.
— Você sempre sabe, não é?- ele também sorriu com isso. — Eu só… estou meio insegura.
— Com o parto?
— Não…- ela se desprendeu dele e o puxou até as cadeiras. Sentaram-se frente a frente com as mãos unidas e Sara foi franca. — Acha que serei uma boa mãe?
— Por que não seria?- indagou confuso.
— Ah… é que… o exemplo maternal que eu tenho não é muito… extenso.- o sorriso que deu foi triste ao dizer isso. — Eu tive mãe presente por pouquíssimo tempo.
E Laura continuava pouco presente. Sara a visitava com mais frequencia agora que tinha tempo, mas sua mãe não tinha data prevista pra sair de onde estava. Mas apesar de Laura estar super feliz com a gravidez da filha e a adoção, ainda pareciam distantes. Betty os visitava mensalmente e também adorou ter Abby na família.
— Referência boa não falta, amor.- disse ele. — Cath, Lilly, Rayle, Joanna, Martha, minha mãe até… Além do mais, acho que você sempre teve instinto maternal, mesmo dizendo o contrário. Abby é a prova. Rebecca também.- Sara sorriu de forma doce agora. — Ninguém nasce sabendo cuidar de alguém, isso se aprende. Assim como tudo na vida.- ele então sorriu de lado ao finalizar seu discurso motivador.
— Sábio Grissom…- pensou alto. — Você sempre faz isso.
— O que?
— Me faz acreditar que eu sou capaz de fazer qualquer coisa, me incentiva a não desistir, me segura pra eu não cair…
— Estou aqui pra isso… sempre.- recebeu um beijo que correspondeu com ternura. — Você será uma mãe maravilhosa, meu amor.- completou depois do beijo acariciando seu rosto. — Confesso que eu também tenho medo, também perdi meu pai cedo, como você. Mas… nós vamos aprender juntos… Né?
— É…- ela sorriu e olhou pra ele do jeito mais apaixonado do mundo.
Em seguida trocaram o beijo mais fofo também.
— Passei a tarde toda ontem preparando tudo pra chegada do bebê. Sei que queria arrumar a bolsa comigo, mas não me contive.
Ele sorriu.
— Não tem problema, meu amor.
— Estou tão ansiosa e… com tanto medo… tenho pensado muito ultimamente como você bem percebeu.- sorriram. — Mas… sei que vai dar tudo certo.
— Vai dar sim.- ele pegou sua mão e beijou o dorso.
~ ♥ ~
Com a chegada da quadragésima semana, o bebê podia nascer a qualquer momento, Gil não queria perder isso, mas precisava ir ao mercado e estava adiando há dias. Rayle não podia ajudá-lo, nem ficar com Sara, pois tinha ido num evento de fotografia e não sabia que horas voltaria. Então, Gil combinou com as meninas que uma iria com ele e uma ficaria com Sara. Rebecca foi ajuda-lo com as compras e Abby, por ser mais velha, tomou conta de Sara.
— Meu celular está ligado. Ligue até se ela espirrar, ok?
Abby riu.
— Vai tranquilo, Warrick com certeza vai esperar você voltar.
~ ♥ ~
Quase uma hora se passou. Tudo tranquilo, tudo de boa. Gil e Rebecca já estavam colocando as compras no carro. Sara estava no quarto lendo e Abby lhe fazia companhia mexendo no notebook.
Tudo bem até Sara se levantar e ir até a cozinha beber um copo d'água.
Abby só ouviu o grito chamando seu nome. Saiu correndo até Sara e a encontrou apoiada no balcão com o vestido e o chão molhados.
— Minha bolsa estourou.
Abby entrou em desespero.
— Ai meu Deus! Ricky! Ricky, não era agora, era pra esperar o papai voltar. Ai, o que eu faço?
— Abby! Era pra eu estar em pânico.- Sara até achou engraçado e fofo.
— Desculpa… ãhn…
— Se acalma e liga pra ele, tá? Pega a bolsa no quarto do Ricky, eu consigo andar até lá fora.
— Tabom.- Abby respirou fundo e correu pra pegar o celular e a bolsa.
"O que???" foi o que Grissom disse em pânico quando Abby contou, também em pânico, que o bebê ia nascer.
Grissom apressou as coisas no estacionamento do mercado e correu o mais rápido que pôde com o carro.
Rebecca ligou pra mãe no caminho, e do jeito que gostava de adrenalina, adorou o tio Grissom dando uma de velozes e furiosos.
Já do lado de fora, Sara e Abby esperavam Grissom chegar.
— Tenta controlar a respiração, Sara.
— Eu ia te dizer a mesma coisa.- Sara riu depois da careta de dor. Estava tendo contrações leves, mas ainda assim dolorosas.
— Desculpa, é que… estou com medo.
Sara logo entendeu.
— Eu vou ficar bem. Vai dar tudo certo.- mesmo também estando com esse medo, Sara tentou não deixá-la mais nervosa.
Logo viram um carro frear com tudo em frente a casa e um homem sair desesperado de dentro dele.
— Warrick Sidle Grissom!! Isso é hora de querer nascer?? Fez de propósito, né? Danadinho!
Sara riu.
— Ele nem nasceu e você já está brigando com ele.
— Uma bronca saudável.- ele então lhe deu um beijo. — Consegue andar até o carro, amor?
— Consigo.- Sara se apoiou nele por segurança e foi andando até o banco do passageiro.
Enquanto Gil ajudava Sara, Abby ajudava Becca a tirar as compras do carro.
Sara tentava não se desesperar, tentava controlar a respiração, mas a dor estava ficando cada vez mais forte.
Gil pegou a bolsa do bebê, colocou no banco de trás e enquanto dava a volta, falava com as meninas.
— Vocês duas tomem cuidado. Guardem tudo e esperem a Rayle chegar, tá? Só saiam daqui com ela.
— Está bem. Vai devagar!- Abby ainda estava nervosa.
— Devagar?? Ela está em trabalho de parto.- disse Becca estranhando a frase.
— Quer dizer, vai rápido, mas devagar! Quer dizer, com cuidado, mas rápido… ãhn…
— Minha nossa… Eles já foram. Se acalma, criatura. Vem, vamos guardar as coisas. A tia Sara vai ficar bem.
~ ♥ ~
Grissom se sentia um inútil. Sara estava ali, no banco do passageiro quase se contorcendo de dor, tentando controlar as respirações por conta das contrações, pedindo pra ele ir rápido, e ele ali impotente, sem poder fazer nada pra aliviar a dor dela a não ser dirigir o mais rápido possível. Ligou para Suzanne no caminho e pediu que ela ficasse à espera deles na emergência do hospital já pronta pra fazer o parto de Sara.
Assim que estacionaram, Gil deu a volta rapidamente e tirou Sara do carro a pegando no colo e a levando até a cadeira de rodas que Suzanne levou pra ela.
Sara fazia o possível pra não se desesperar, mas chorava sem cerimônia. Quando Gil se separou dela, o desespero quase veio.
— Griss…- ela segurou seu braço.
— Calma, meu amor, eu só vou assinar sua entrada. Vai ficar tudo bem, eles vão te preparar e logo eu vou estar do seu lado, tabom?
Sara sentiu mais uma pontada e assentiu. Ele lhe deu um beijo na testa e os médicos a levaram pra sala de parto.
Não demorou muito para Gil estar pronto, de jaleco, touca, todo preparadinho ao lado dela segurando sua mão enquanto ela chorava e fazia força. Ela apertava sua mão e ele via o quanto ela estava se esforçando pra não demonstrar tanta dor.
— Tudo bem, honey, você consegue. Você consegue.- ele a confortava acariciando sua testa e cabelos suados.
Tudo indo normal até Suzanne dizer que estavam com um problema e que o cordão estava em volta do pescoço do bebê. Pediu que Sara parasse de empurrar.
— O que está acontecendo??- Sara perguntou chorando de agonia, ergueu as costas com os olhos fechados e a careta mais dolorosa que ele já a viu fazer.
O bebê estava sufocando e Sara parecia estar ficando inconsciente.
— Fica com a gente, Sara, você está quase lá. Só segura mais um pouquinho.
Sara nunca mais ia querer sentir uma dor daquela, seus olhos já estavam vermelhos e ela já não reconhecia a voz de ninguém. Olhava pro teto tentando manter a consciência. Ouviu pedirem pra fazer força de novo, e respirando fundo, ela fez isso mais uma vez, esgotando com suas forças.
Foi com muito esforço que eles conseguiram tirar o bebê a tempo, mas o alívio evaporou ao ouvirem o barulho do monitor cardíaco de Sara.
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