Love Story

177 Forget Me Not - Parte II


Notas iniciais
Hey pandinhas! Tudo bem com vocês? Feliz 2021! ♥ Que esse ano seja melhor pq olha, não foi fácil 2020, viu. Cá estamos com a parte final de Forget Me Not e eu espero que gostem do que eu acrescentei aqui ♥ Esse também ficou grande, desculpaa Boa leitura :')

E lá estava ela, descalça em cima de uma folha branca diante de Julie que estava ali para processá-la como suspeita.

Finn não precisou dizer nada porque Sara já sabia o procedimento e o que teria que fazer, mas em sua expressão era nítido que não queria fazer aquilo, que sentia muito por Sara estar passando por um momento daquele.

A loira penteou o cabelo dela e coletou amostra das unhas como diz o procedimento. Depois pegou um saco marrom de provas e Sara soube que era pra colocar sua blusa ali, então, meio desconfortável e sem escolha, ela tirou a peça pelos braços e colocou no saco. Finn então pegou um maior pra calça que Sara também teve que tirar e colocar no saco.

A morena ficou só de roupa íntima para a amiga CSI poder tirar as fotos, palmas da mão pra frente e pra trás. Sara nunca passou por uma situação tão constrangedora e injusta na vida. Não disse uma palavra. Finn, morrendo de dó, pegou aquela roupa laranja/vermelha horrorosa de criminosa e deu pra ela colocar. Sara vestiu sem dar um pio e Finn, sem poder ter contato com ela, só a conduziu até a sala de interrogatório dizendo que sentia muito por aquilo.

Sara teve que ficar lá sentada esperando alguém ir falar com ela.

Assim que souberam que policiais foram até a casa de Sara para prendê-la, Nick e Greg foram correndo pra delegacia.

— Olha ele ali.- disse Nick assim que viu o detetive no corredor. — Crawford! Cadê ela?

O detetive apontou pra sala onde Sara estava e os amigos a viram com aquela roupa.

— Você a processou??- perguntou Greg indignado.

— Eu precisei.- respondeu ele. — Ela foi pega na câmera dessa vez.

— Como assim?

Crawford então mostrou o vídeo a eles.

Depois disso, Nick foi falar com Basderic, que na cara de pau, disse que Sara estava desorientada e confusa e o acusou de algo que ele não fez, que quando ele pegou o celular pra ligar pra policia ela o atacou. Enquanto Nick pegava o depoimento dele, Greg foi até Sara.

Assim que o viu, Sara levantou desesperada pra contar ao amigo que era inocente.

— Greg, eu não toquei nele, isso é armação! Ele armou pra mim no hotel e está armando pra mim agora!

Greg não disse nada e só mostrou a filmagem da câmera de segurança. Era ela conversando com Basderic no estacionamento.

— O que você foi fazer lá? O Russell te mandou ir pra casa e você foi atrás do Basderic??

— Eu sei, e-eu estraguei tudo né?!

— É!

— Mas foi o Basderic que armou pra mim, tá? Ele deixou o colar da Edie porque ele queria que eu soubesse que foi ele!

Greg olhou pro vídeo e naquele momento Sara bateu no celular, empurrou Basderic no chão e foi indo pra cima dele enquanto ele se arrastava pra longe dela. A câmera não pegou mais nada.

— Cadê o resto do vídeo?

— Só tem isso, é só uma câmera. Mas Sara, é o suficiente pra promotoria te incriminar, você obviamente agrediu ele.

— Não, olha isso!- mais desespero. — Não! Ele sabia exatamente onde a câmera estava, e-ele me atraiu pra esse lugar! O único contato físico que eu tive com o Basderic está aí nesse vídeo!

— Então como é que ele se machucou tanto?

Sara franziu o cenho não acreditando no que estava ouvindo.

— Greg, há quanto tempo me conhece? Você sabe que eu não fiz isso!- Greg suspirou e não respondeu. Sara se sentiu da pior maneira com a possibilidade de Greg também ficar contra ela. — Acha que eu seria capaz de agredir alguém assim? De matar?

— Não!- ele tratou de afastar essa impressão. — Não, eu não acho. Eu só…

Sara se sentou novamente, apoiou as mãos na testa e pediu pra ele sair.

Greg deixou ela sozinha como pediu e foi se encontrar com Nick. Conversaram sobre o depoimento dos dois e voltaram para o laboratório para saber mais, foi quando encontraram com Finn que perguntou como Sara estava.

— Olha, na boa, eu estou preocupado.- respondeu o mais novo.

— Com certeza a Sara está sofrendo muito com a separação e não está querendo falar, por isso que ela se afastou da gente.- acrescentou Nick.

— É, aí ela foi e espancou o Basderic?

— Bom, ela disse que não foi ela.

— E as roupas dela confirmam, eu examinei elas. E não achei nenhum vestígio, nenhum sinal de transferência.

— Não faz sentido.- disse Greg. — Com a surra que ele tomou isso seria impossível.

— É, então Basderic está mentindo.

— Ele deve ter batido nele mesmo.- disse Nick.

— A Sara acha que o Basderic assassinou o Taylor, que foi tudo uma armação dele contra ela.

— Do que ele precisaria pra fazer isso?- Finn tentou juntar informações.

— Se o Basderic armou tudo isso, matou o Taylor e depois culpou a Sara, como é que ele fez isso?

— Ele teria que saber que Sara estaria no hotel.- começou a loira.

Nick continuou.

— Bom, isso não seria difícil, ela fez uma reserva online algumas semanas atrás. Ele só teria que hackear o e-mail dela.

— E ele teria que sair da casa dela e do quarto do hotel com ela lá dentro.- acrescentou Finn com Nick logo em seguida:

— E ele teria que fazer a vítima ir pro mesmo hotel.

— Tabom, se o Basderic tirou aquelas fotos…- lembrou Greg.— Ele sabia do encontro deles.

— É, a chacina do restaurante foi há meses atrás, ele planejou a vingança toda.

— E quem melhor que um sociopata obsessivo pra fazer isso?

Finn finalizou.

— Ele armou pra ela. Deve haver alguma prova!

— A gente só tem que achar.

~ ♥ ~

Na delegacia, Sara assinava os papeis pra ser livre. Imaginou que Russell quem tinha dado um jeito de tirá-la de lá, mas estava enganada.

Seu supervisor foi até ela, e ela agradeceu.

— Obrigada… por qualquer pauzinho que mexeu pra me tirar daqui.

— Não fui eu. Agradeça a Basderic.- Sara riu tipo “quê?” — Ele não prestou queixa, mas mandou isso aqui pra você.- tirou um papel do casaco e deu a ela.

— Ordem de restrição? É brincadeira!!

— Sara, você saiu, agradeça. Agora pega e fica longe dele. E isso aqui…- ele pegou sua arma e identificação. —… fica comigo. Você está de licença até o departamento decidir o que fazer com você.- Sara escutava enquanto pegava seu celular, um monte de mensagem chegava. — E Sara, da próxima vez que tiver algum problema, seja o que for, fala comigo. É importante pra nós dois você saber que pode fazer isso.- e as mensagens apitando. Ela teve que olhar.

— Desculpe, Russell, é que eu estou recebendo um monte de mensagem da instituição que cuida da minha mãe.

— Em São Francisco?

— Não, não, a mudei pra cá há seis meses. Embora, não a veja com mais frequência do que quando ela estava no norte.- começou a ler. — Ah, que ótimo.- ironizou. — Ela conseguiu uma garrafa de álcool e está no hospital. Tudo o que eu precisava!- reclamou e saiu da delegacia.

Russell suspirou. Era problema demais pra uma pessoa só.

Ao chegar no hospital, Sara procurou pela mãe e entrou no quarto onde ela estava dormindo. Um dos responsáveis por ela estava lá, Sara deu uma bronca nele enfatizando que Laura não podia beber e que eles tinham que ficar de olho nela. Foi informada de que não aconteceria mais e que ela estava estável. O cara saiu, Sara suspirou e sentou na cadeira ao lado da cama.

Sua mãe não estava dormindo, apenas descansava com os olhos fechados. Ao sentir sua presença, Laura abriu os olhos e sorriu ao vê-la.

— Sara…

— Oi mãe.

— Ah, querida…- ela já fez cara de arrependimento e quase começou a chorar. — Eu sinto muito.

— Mãe, você não pode beber…- Laura suspirou tentando falar que sabia disso, mas Sara continuou. — Você sabe o que acontece quando você bebe, não pode beber assim...

— Me desculpe, me desculpe…- ela interrompeu quase implorando. — Sinto muito de verdade.

— Eu sei.- era sempre assim. Sempre que a mãe se desculpava por algo que não tinha culpa, Sara sentia seu coração doer. — Sei que sente.

— Eu rezo e rezo por você, o tempo todo…- Sara quase revirou os olhos. —... para que não acabe como eu.

— Mãe…- tratou de tirar essa ideia absurda da cabeça dela. — Eu estou bem, tá? Só… só descanse. Tenta descansar agora.

Laura balançava a cabeça.

— Mas e aquele homem?

Sara franziu o cenho.

— Que homem?

— Do hotel. Você o matou. Você o esfaqueou.- Sara estava de boca aberta que ela sabia de Taylor. Como ela sabia? E por que ela achava que ela o tinha matado sendo que não matou? — Exatamente como eu matei seu pai.

— Quem te falou isso?? Com quem você falou?

A voz de Sara ficou um pouco trêmula. Tiveram a coragem de envolver a mãe dela nisso? Ela já tinha muita coisa pra se culpar e ainda por cima colocaram na cabeça dela que a filha era uma assassina? Quem foi? A resposta a deixou fervendo de ódio.

— Seu amigo. Ronald. Ele é muito legal, tão doce.

Sara sentiu o sangue ferver de raiva. Aquele maldito além de infernizar sua vida ainda foi atrás de sua mãe doente? Essa foi a gota d´água.

— Esse desgraçado não é meu amigo, mãe! Ele que matou o homem do hotel!- Sara se levantou furiosa. — Eu não acredito que ele veio atrás de você contar esse monte de mentiras!

— Então não foi você?- Laura duvidava um pouco disso, pois achava que Sara tinha “herdado” as coisas ruins dela.

— Claro que não! Eu nunca mataria ninguém. Mãe, presta atenção…- sentou-se novamente e segurou a mão dela. — Não fui eu. E eu quero que me prometa que não vai falar com ninguém que você não conheça. Pessoas como Ronald são mal intencionadas. Promete ?- Laura ainda estava com dúvidas e olhava de um lado pro outro no quarto. — Mãe, olha pra mim.- ela o fez. — Eu não fiz nada de errado, eu não matei ninguém... Você acredita em mim… não é?- Sara estava quase chorando, implorando pelo apoio da mãe que pensava que ela era uma assassina.

Laura apertou a mão dela e viu nos olhos da filha que ela estava falando a verdade. Sara nunca mentiu pra ela. Não seria agora.

— Acredito. Mas Ronald…- Sara interrompeu.

— Ronald é um psicopata doente, mãe. Se ele vier atrás de você de novo quando eu sair daqui, chama a polícia, tá? Não confia em ninguém até eu te tirar daqui. Promete pra mim?

— Prometo.

Sara deu um beijo na testa dela.

— Eu vou resolver isso.

Com a mesma fúria que sentiu ao saber que Ronald fez a cabeça de sua mãe, Sara foi pra casa, entrou correndo, digitou o código, largou a bolsa no chão e foi até sua arma reserva. Bateu o pente contra ela. Estava decidida a matá-lo e não estava nem aí pras consequências disso. O filho da mãe tinha que pagar por tudo o que fez, e se dependesse dela, ele pagaria.

Enquanto Sara era liberada da delegacia, ia atrás de sua mãe e depois ia pra casa furiosa, a equipe dava tudo de si no caso e conseguiam êxito nas provas. Morgan e Greg conseguiram explicar como tinha cabelo de Sara no quarto de Taylor sendo que ela não tinha tomado banho lá e conseguiram provar que Ronald estava no hotel quando o assassinato ocorreu. Nick e Finn provaram que o quarto de Sara foi invadido e que ela não poderia ter saído e entrado no quarto enquanto estava dormindo porque o leitor do cartão foi hackeado e Hodges conseguiu provar que os compridos dela tinham sido alterados. Sara foi dopada, por isso não lembrava de nada, nem do assassinato que ela não cometeu, nem da ligação pra vítima, nem de ter saído do quarto. Armaram mesmo pra ela, e muito bem. Só tinham que provar que foi Basderic. Estavam reunidos na sala de descanso debatendo sobre isso.

— A pergunta é: O que ele quer?- indagou Nick. — Quer dizer, por que planejar tudo assim?

— Ah, ele está obcecado pela Sara.- respondeu Morgan. — Quer dar o troco nela por menosprezá-lo por perseguir Edie.

— Ok, mas qual é o objetivo dele? Se fosse pra culpar a Sara pelo crime, ele podia ter deixado a faca com sangue na casa dela.

— Mas ele lavou a faca.- comentou Finn. — Por quê?

— Pelo mesmo motivo dele não ter prestado queixa.- respondeu Greg. — Ele não quer ela na cadeia, quer ela solta.

— Então ele ainda não acabou com ela.

Greg então se tocou.

— Eu acho que sei o porquê. No caso Frank Steiner, Sara e eu descobrimos um processo antigo envolvendo Basderic. Ação civil… Recolhia indenização depois que o agrediram. Só que o fato é que Basderic atraiu o cara, ele assediou e perseguiu a mulher dele até que o cara finalmente reagiu, e o Basderic atirou nele alegando legítima defesa. Então prestem atenção, a Sara já tem uma ordem de restrição e foi fichada por agredir ele. Se ela for atrás dele agora, ele pode atirar nela e se safar.

— Essa é a vingança dele.- disse Finn assustada. — Matá-la.

— Temos que avisá-la.- disse Morgan também assustada.

— Vou ligar pra ela.- avisou Greg já saindo da sala. — Enquanto isso vocês bolem um plano pra pegar Basderic antes que ele a machuque. Eu vou repassar tudo isso pro Russell.

E assim eles fizeram. Nick teve uma ideia e já avisou Crawford e enquanto fazia isso, Greg terminava de explicar tudo para o chefe.

— E onde está Sara agora?- perguntou Russell.

— Eu não sei.- respondeu Greg. — Ela não atende o celular.

Greg tentou ligar quando saiu da sala de descanso, ligou duas vezes e nada dela atender. Então depois que falou com Russell tentou de novo.

Em seu carro, em frente a casa de Basderic — à espreita —, Sara mais uma vez olhava para o celular tocando e não atendia. Até que Greg mandou uma mensagem que ela conseguiu visualizar sem abrir: “Eu sei que foi atrás do Basderic, mas espera, a gente tem um plano. Atende o telefone”.

Ele ligou de novo e Sara atendeu.

— Que plano é esse?

— Pegou sua arma reserva, não pegou? Checa a munição.

Sara franziu o cenho. Sara sabia que tinha munição nela, não tinha porque checar.

— O que? Por quê?

— Checa, Sara.

Sara o fez e ficou em choque. Não tinha balas.

— Não tem nada.

— Viu? Ia entrar desarmada e ele ia acabar com você. Presta atenção... Se ele entrou na sua casa, com certeza mexeu na sua arma. Ele sabe que você vai atrás dele, Sara, é isso que ele quer. Lembra do caso Frank Steiner?

Tudo então fez sentido pra ela. Ele ia matá-la e sair livre. Como pôde cair nessa?

— Nick e Crawford já foram atrás dele pra trocar as balas por festim. Você só tem que fingir que não sabe que a arma está sem munição, finge que foi pra matá-lo mesmo como você ia fazer. Segue o plano dele e faz ele confessar. Tem algum gravador aí?

— Tenho.- Sara suspirou nervosa e ansiosa. Ele fez com ela tudinho o que fez com aquele cara e ela nem percebeu.

— Ok, entra lá e espera ele chegar. E por favor, toma cuidado. Basderic é um psicopata.

— Tabom, deixa comigo. Vai dar certo.

— Boa sorte.- ela conseguiu ouvir Morgan dizer e sorriu.

Desligou o celular e entrou na casa pra esperar por Ronald.

Enquanto isso, Nick e Crawford “encurralavam” Basderic no estacionamento do trabalho dele. Nick fez questão de ir junto com o detetive fazer a troca, pois não deixaria aquele psicopata doente triscar um dedo em sua irmã.

— Outra emboscada dos heróis de Las Vegas?- perguntou ao ver os dois agentes se aproximando dele.

— Não, a gente só quer bater um papo com você, Ronald.- respondeu Nick.

— Isso aí é uma arma?- indagou Crawford ao ver o coldre de Basderic.

— A arma é registrada, tenho permissão para carregá-la.

— Eu vou ter que ficar com ela mesmo assim.- respondeu Nick, autoritário.

Ronald não gostou. Crawford explicou.

— Só enquanto conversamos. Pra garantir que nada dê errado e ninguém se machuque.

Nick pegou a arma, tirou a munição e entregou a Crawford que as guardou no bolso.

— Sabemos que você estava no hotel.- disse o texano.

Ele se fingiu de desentendido.

— Isso é muito vago. Posso saber do que está falando?

— Você sabe do que eu estou falando. Ontem à noite quando você matou Taylor Wynard.

— E você tem provas disso?- ele quase sorriu. — Ou espera que eu simplesmente confesse? Foi por isso que vieram?

— Não. Eu vim pra te dar um aviso.- Nick estava super sério com uma expressão pra botar medo. — Se machucar a Sara…

— Ela me atacou!- Ronald o interrompeu. — Eu que tenho que me preocupar!

— Podemos te prender.- disse Crawford debochado. — Para a sua própria segurança.

— Não será necessário. Da próxima vez…- ele olhou para Nick. — Se houver uma próxima vez… Estarei pronto.

Nick o puxou pela gola com força.

— A próxima vez vai ser comigo.

Ronald tremeu na base.

— Será que eu posso ir agora?

— Nick…- Crawford segurou no ombro dele meio que pedindo pra ele soltar o cara. Nick soltou, mas deixou claro:

— Não vou deixar você machucá-la.

Nick deu as costas e voltou pro carro.

Ronald pediu a arma de volta e foi nessa hora que Crawford trocou a munição. Basderic nem percebeu, as dele estavam no outro bolso do detetive.

— Tome cuidado com isso.- devolveu a arma e foi embora.

Sem que Ronald soubesse, eles o seguiram. Sara já estava dentro da casa quando o desgraçado chegou. Ele ia acender a luz, mas ouviu a voz dela. Era tudo o que ele queria, ela tinha caído direitinho em seu jogo.

— Deixa a luz apagada.

— O que você quer?

— O que eu quero?? Quero parar você!- Sara estava com a arma apontada pra ele, do outro lado da sala. — Eu não queria isso, eu não queria vir aqui. Mas você me forçou, Ronald. Você tirou meu crédito no trabalho, me fez ser presa… Você foi atrás da minha mãe!!!

— Sabe que não vai se safar dessa.

— Eu não me importo!!- quase gritou. — Alguém precisa parar você. Você arruinou tantas vidas, agora eu vou arruinar a sua.- apontou direito a arma pra ele e puxou o gatilho. O tiro não aconteceu, como ela já esperava, mas fingiu estar assustada por isso, e checou a arma que já sabia estar sem balas.

— Não se dê ao trabalho.- ele tirou a própria arma do coldre. — Eu tirei o percutor quando fui na sua casa.

O gravador estava em seu bolso, captando tudo o que ele falava, a confissão estava quase aí.

— Não se preocupe, eu devolvo. Depois.

— Era exatamente isso que você queria, né? Você planejou tudo até esse exato minuto.

Sara merecia um Oscar por melhor atriz de drama. Ela sabia todo o plano dele e fingir que descobriu tudo naquele momento não foi tão difícil. Difícil foi ouvi-lo confessar cada coisinha que fez pra chegar até ali, confessar todo o inferno que a fez passar. Aquilo sim foi ruim de ouvir.

— Pelo menos agora pode ver o que eu passei. Os meses de planejamento, a atenção aos detalhes. Ao menos notou as facadas?- Sara sentiu seus olhos arderem. As facadas? — Eu dei sete golpes nele como a sua mãe fez com o seu pai.

Sara sentiu as lágrimas quentes querendo escorrer. Olhava pra ele aterrorizada e isso não era atuação. Estava horrorizada com tudo o que ele fez.

— Você é doente, Ronald.

— Eu te observei, Sara…- ele falava como se fosse um fantasma assombrando alguém, era doentio. — Li seus e-mails… testemunhei sua pegação adolescente no bar…

As lágrimas de Sara só desciam enquanto seus olhos se arregalavam com cada confissão perturbadora.

— Sabia que eu paguei o Taylor pra ir te encontrar no hotel? Eu disse que nós éramos amigos e que eu não queria que passasse seu aniversário sozinha, eu que fiz o pedido da sobremesa.

Sara não conseguia dizer nada. Seu coração era pura dor. Taylor caiu na conversa dele e agora estava morto. Ele não merecia morrer. Por que foi para aquele bar? Por que ficou com ele lá? A culpa era toda sua.

— E agora eu vou te matar.

Sara foi consumida pela raiva mais que a tristeza e quase foi pra cima dele.

— Mata logo!

Ronald disparou, mas para sua infelicidade, eram balas vazias.

Sara então tirou o gravador do bolso, ainda chorando, mas com raiva, e disse que estava tudo acabado.

A luz se ascendeu e Nick surgiu de um lado e Crawford do outro.

— O que foi que eu te disse, Ronald?- o babaca estava todo confuso. — Eu disse que não ia deixar você machucá-la.

— Festim. Você trocou minhas balas.

— Não, foi ele.- Nick arrancou a arma dele e o detetive o prendeu.

Ronald e Sara se fuzilaram antes de Crawford o arrastar pra fora.

Nick olhou pra amiga, a cara fechada vendo Ronald ser levado, mas o rosto molhado pelas lágrimas e nos ombros um peso tirado. Ela finalmente conseguiria respirar.

— Hey, vem cá.- Nick deu aquele abraço que ela precisava e Sara suspirou aliviada. — Acabou. Você vai ficar bem.

Sara não conseguiu segurar e chorou um pouco nos braços dele sendo acalentada pelo mesmo.

— Disse mesmo aquilo pra ele?- sua voz estava um pouco embargada pelo choro.

— O que?- ele desfez o abraço.

— Que não deixaria ele me machucar?

— Disse e enfatizei. Tenho que cumprir bem o meu papel de irmão protetor.- ele então secou suas lágrimas.

Sara sorriu e o abraçou de novo.

~ ♥ ~

Com o caso fechado, Sara foi tirar sua mãe do hospital, pois ela já tinha recebido alta. Chegou no quarto com uma cadeira de rodas e Laura reclamou.

— Ah não, não preciso dessa maldita cadeira. Ainda posso andar.

— Eu sei, mãe, mas é regra do hospital.

Sua mãe sorriu.

— E desde quando você segue regras?

Sara riu.

— O que você costumava dizer? “Se alguém quer te ajudar, por que atrapalhar?”.

— Eu dizia isso, né?- Laura sorriu.

— O tempo todo.- Sara também sorriu. — Você dava bons conselhos.

— Que pena que eu não segui nenhum né.- sua mãe tinha um senso de humor que ela gostava as vezes. Laura sentou na cadeira e colocou a bolsa no colo.

Sara agachou para ajeitar os pés dela na cadeira e Laura interrompeu seus movimentos pegando em sua mão. Sara se surpreendeu, mas prestou atenção.

— Há muitas coisas que eu queria ter feito diferente, mas a maioria… eu não posso mais mudar.- ela lamentou e Sara ficou triste com a culpa que sua mãe carregava. Sara segurou forte a mão dela, mas dessa vez, sem machucar. — Mas uma coisa que eu queria tentar mudar...é como as coisas são entre a gente.- Sara sorriu, aquele sorriso triste, comovido pelo que ela dizia, pelo esforço dela em concertar as coisas. — Talvez pudéssemos… visitar uma a outra de vez em quando.- Sara sorriu de novo com aquela carinha triste. — Eu só quero que você fique bem.

Sua mãe batia o pé dizendo que ela não estava bem, e ok, era verdade, mas não queria que ela se preocupasse. Não adiantava, podia passar quantos anos fossem, sua mãe sempre sabia quando ela estava triste e sofrendo, mesmo ficando tanto tempo longe.

— Eu estou bem.- insistiu e garantiu. — Estou ótima.- sorriu, se levantou e conduziu a cadeira de rodas até o lado de fora.

Levou Laura de volta pra instituição, ficou um pouco lá com ela conversando. Queria poupá-la de tudo o que estava passando, mas ela insistiu tanto que Sara contasse o que estava acontecendo que não teve escolha. Contou o que aconteceu nos últimos dias e falou também de seu divórcio, mas reforçou a Laura que estava bem e que ela não tinha com o que se preocupar.

Trocaram um abraço, Sara foi pra casa, tomou um banho, chorou tudo o que não deu pra chorar antes, e quando deu a hora, foi pro laboratório.

Foi direto até a sala de Russell pegar sua credencial e arma de volta. Mas antes de chegar lá, passou em frente a sala de Hodges e ele chamou por ela. A morena o olhou surpresa, mas com raiva.

— Ah, eu existo agora?- a mágoa era clara em sua voz. — Não vai contaminar sua sala se eu entrar aí?

A cara de Hodges era de pura culpa e arrependimento, estava sem jeito. Ouvira boatos — verdadeiros — de que Sara estava divorciada de Grissom quando se encontrou com aquele cara e ele deu uma de advogado do ex supervisor achando que tinha esse direito. Reconheceu que foi um erro, bastava Sara perdoá-lo. Mas não seria fácil assim.

— Olha, eu sinto muito. Tenta… tenta entender o meu lado…

— Que lado, Hodges?? Você não tem lado nenhum!!- Sara tentava não se alterar por conta da raiva, mas percebeu que alguns técnicos prestavam atenção na conversa e ela fez questão que eles ouvissem, sem perder a classe. — Não tinha nem que se meter nisso! Muito menos me tratar daquele jeito.

Hodges nunca viu Sara tão furiosa e calma ao mesmo tempo. Ela não gritava com ele, mas seu tom de voz era de dar medo.

— Eu sei que está com raiva, mas se coloca no meu lugar…

— Se coloca você no meu lugar! Anda por aí com todo mundo te olhando e te julgando, insinuando infidelidade, adultério, sem dar a mínima pelo que eu estava passando ou sentindo.

Hodges estava pianinho, escutando ela desabafar.

— Fui presa injustamente, tratada como uma criminosa, perseguida, quase morta, mas todo mundo aqui só pensava em “coitado do Grissom, não merecia ser traído”.- Sara engoliu a seco, a mágoa era muita. — Não que seja da conta de vocês, mas eu nunca trairia aquele idiota. Eu o amo e você sabe disso, Hodges!

— Eu sei, eu… por favor, Sara… Sinto muito, de verdade.- Sara revirou os olhos. — Eu errei, não devia ter te tratado daquele jeito.

— Que bom que reconheceu seu erro.- disse isso e simplesmente deu as costas, indo pra onde tinha que ir.

Hodges suspirou derrotado. É, agora aguenta.

~ ♥ ~

— Acho que todos iriam entender se quisesse se afastar por um tempo.- disse Russell assim que ela chegou pedindo suas coisas de volta, sem parecer mais nervosa como estava antes. Estava tranquila.

— Não, eu prefiro voltar logo.- ela pensou na possibilidade de se afastar, mas… o que faria? Mesmo assim ficou feliz por ele se importar com isso e sorriu.

— Tem certeza?

— Pra onde mais eu iria?!- estava mesmo tranquila, e Russell assentiu.

Estava orgulhoso dela, da força e persistência que ela tinha, que mesmo sofrendo tanto, continuava em pé.

Sara saiu da sala dele e foi pra de descanso. Colocou um pouco de café numa xícara e quando se virou, deu de cara com seus amigos entrando e fechando a porta.

— É um pouco tarde pra uma intervenção, não acham?- ela sorriu.

Eles também.

— Eu só... eu só achei...

— Nós.- Greg interrompeu.

— Nós…- Nick corrigiu. — Só achamos que seria uma boa ideia conversar com você.

— Ou escutar. O que preferir.- Greg concluiu com uma expressão fofa.

Bom, tinha que ter feito isso antes. Talvez se não tivesse se isolado não teria doído tanto, mas tinha seus motivos, e eles entenderiam.

Sara pediu pra eles sentarem e eles fizeram isso, ansiosos. Ela também sentou e respirou fundo antes de começar.

— Eu não queria ter gelado vocês.- ela pediu desculpas. — Eu não contei sobre o Grissom e eu porque… nem eu mesma acreditei.- eles conseguiram sentir a dor nas palavras dela. Ambos sabiam o quanto ela o amava. — Fizemos a reserva pra jantar juntos antes de terminarmos e… enquanto eu estava lá sozinha naquele restaurante…- sua garganta deu um nó. —… Honestamente, esperava que ele aparecesse.- ela lamentou o fato dele não ter ido, pois tudo seria diferente. O olhar dela era distante enquanto confessava isso a eles, distante e triste.

— Acho que todos nós gostamos da ideia... de vocês dois juntos.- Nick comentou. Nunca tinha falado sobre isso com ela. Sara assentiu, já sentindo os olhos arderem. Ultimamente estava sendo assim sempre. — E talvez, essa tenha sido a nossa maneira de tê-lo por perto um pouco, sabe?- sorriu e ela também, mas discretamente, segurando o choro. — Mas se acabou… acabou.

— Não pode sentar e ficar esperando pra sempre.- Greg aconselhou.

Sara balançou a cabeça fazendo um esforço enorme pra não chorar com aquilo tudo. E percebendo isso, Nick não deixou.

— E você sempre terá a gente.- deu um sorriso forçado muito engraçado que a fez dar risada.

— Goste ou não.- Greg completou, também sorrindo.

— Obrigada.- ela respondeu, tocada com o fato deles não terem ficado contra ela, de terem feito o máximo que podiam para protegê-la dos outros e por estarem sempre ali pra lhe dar suporte. — Obrigada por não desistirem de mim.

— Isso nunca vai acontecer.- Nick garantiu.

— Uma coisa boa que Grissom fez foi trazer você pra gente.

— É, Greg teve a cara de pau de dar em cima de você antes, mas já passou né.- Nick comentou só pra fazer Sara rir mais uma vez, e ela riu comentando:

— É, agora o interesse dele é outro.- provocou fazendo ele ficar vermelho e esmurrar o ombro de Nick que começou com aquele assunto.

Nick e Sara deram um high five.

— Olha só, podem parar. Estávamos falando do Grissom. Inclusive, quero dar um pontapé nele depois disso tudo.

— Você não é o único.- respondeu Sara.

— Nele e no Hodges né?

— Falando nele.- Sara revirou os olhos vendo o técnico entrar na sala.

— E chegou o fiel defensor de Gil Grissom!

— Não enche, Nick!

— Já pediu desculpas, Hodges?

— Já, inclusive, ela não aceitou.

— Esperava o quê?- Greg tomou a palavra. — Que ela dissesse “Não, Hodges, tudo bem, você se meteu na minha vida, me tratou mal, insinuou que eu fosse infiel e assassina, mas tudo bem, não tem problema”. — Greg dizia tudo na ironia enquanto Sara se abstinha de comentar.

— Olha só, já reconheci e já me desculpei, ok?

— É, simples assim.- Sara falou sem olhar pra ele. Como se fosse fácil estar na situação dela.

— Caramba, Sara, quer que eu me ajoelhe?

— Não seria má ideia.- Nick comentou segurando o riso junto com Greg e Sara.

— Se fosse o Grissom que tivesse que te desculpar, você beijaria os pés dele que eu sei.- comentou Greg.

— Não é pra tanto.

— Olha, não é necessário se ajoelhar, eles só estão brincando.- Sara ouviu Nick e Greg lamentarem e ignorou. — Eu posso até perdoar o que fez, Hodges, mas não vou esquecer.

Hodges assentiu, abaixou a cabeça e saiu da sala.

— Eu só quero ver a cara do Jim quando souber.- comentou o texano.

— Ele volta amanhã, não é?- Sara indagou vendo os amigos assentirem. — Grissom vai ouvir tanto dele, não quero nem ver.

— Acha que o Brass ligaria pro Grissom pra dar uma bronca pelo divórcio?- Greg duvidava, mas Sara não.

— Acho. Mas vou pedir pra ele não fazer. Não vai adiantar nada.

— Ele vai ficar chateado por não ter participado do caso e apoiado você.

— Bom, o que importa é que está tudo bem.- Sara tentaria esquecer toda aquela história o mais rápido possível.

— Fico imaginando o que o Grissom faria se soubesse o que houve com você nesses últimos dias.

Sara suspirou e lembrou da mensagem que ele lhe enviou pegando-a totalmente de surpresa no quarto de Taylor. Seu coração doeu mais uma vez. As mensagens de texto que ele lhe mandava sempre vinha com um “eu te amo” no final. Essa não.

“Sei que devia ter ido, ultimamente tenho quebrado algumas promessas e sei que pode nunca me perdoar… mas não esqueci.

Espero que esteja bem e que tenha aproveitado seu dia.

Feliz aniversário, honey.”

Seria a mesma coisa que Hodges? Perdoar, mas não esquecer? Ou nunca perdoar?

“Seja forte, seja forte agora

Muitos, muitos problemas [...]

Ela quer ir para casa, mas não há ninguém em casa

É aqui onde ela deita, destruída por dentro

Sem nenhum lugar para ir

Nenhum lugar para ir para secar suas lágrimas

Destruída por dentro” ― Avril Lavigne

Notas finais
Digam aqui o que acharam tabom? ^^ Doeu demais escrever esse episódio, mas foi muito satisfatório colocar o Hodges escutando tudo isso da Sara. Foi até pouco na verdade. Nos vemos no próximo. Vamo que vamo, que esse ano seja maravilhoso pra todo mundo e pra Sara também pq coitada, só sofre Abraço de urso :3