Love Story

198 De Volta ao Lar


Notas iniciais
Hey pandinhaaas! Muito obrigada pelos comentários no capítulo anterior, fiquei muito feliz com a recepção dele ♥ Tava com saudade :') Espero que gostem de mais um ^^

Ficaram conversando sobre o que Grissom costumava fazer em alto mar e apreciavam a vista enquanto não chegavam em seu destino.

O trajeto foi longo, porém agradável. Quando não estavam conversando sobre natureza e trabalho, estavam ou matando a saudade de beijos ou matando a fome. Sara nunca tinha provado comida enlatada, parecia que estava num apocalipse zumbi.

— Nunca senti tanta falta da sua comida.- ela comentou.

Ele riu quase engasgando.

— Ah, para. Não é tão ruim.

“O passado já passou, estou pronto pra você agora

Admito que errei, mas quem é que nunca errou?!

Dá um beijo e diz pra mim que perdoou

Tudo o que é meu é teu, eu te entrego a minha vida

Toma conta desse amor agora

Eu não quero te perder, eu não quero mais brigar

Eu só quero te amar, te amar e te amar

Te magoei demais, me machuquei também

Descobri que nem igual e nem melhor do que você

Não tem ninguém” ― Rick e Renner

Foram longas horas, mas até que pra eles passou bem rápido. Foi praticamente o dia inteiro de viagem e eles foram chegar ao Porto de Panama City (Balboa) quando o sol já estava se pondo. Eles adoravam passear por uma cidade a noite pois gostavam das luzes, então eles foram se hospedar primeiro, e olhando o mapa, acharam o hotel mais próximo de onde ancoraram. Era uns sete minutos andando do Porto até o Radisson Hotel Panama Canal.

Só depois que Sara desceu do barco, foi que ela reparou direito no mesmo. Quando amarrou a corda para Gil que foi ver o nome estampado na traseira do barco.

— Ishmael? O barco tem um nome?

— Já o comprei assim. É um nome legal, eu acostumei a chamá-lo desse jeito.

— Espera, você… conversa com o Ishmael?- ela ergueu as sobrancelhas quase tirando sarro dele.

Ele até demorou pra que estava sendo zoado e desceu do barco também.

— Ah, o mar é meio solitário as vezes.

Sara tapou a boca ao dar risada.

— Desculpe Ishmael, que falta de educação a minha pisar em você sem nem dizer “oi” antes. Como vai?

— Sara!- ela estava lhe zoando mesmo??

Quando a ouviu rir mais uma vez, não resistiu e riu também. Sentiu falta até daquilo, Sara tirando uma com a sua cara.

— Tenho certeza que ele não ficou ofendido com isso.

— Com a noite de amor, talvez.- ela sussurrou para que ninguém os ouvisse. Grissom ficou vermelho como se tivesse engolido pimenta naqueles desenhos animados. — Não o julgo.- ela continuou. — Se um desconhecido viesse tomar essas liberdades comigo, eu também não ia gostar.

Grissom quase gargalhou.

— Boba!

E assim, deixaram Ishmael na marina e foram em direção ao hotel com o GPS.

O hotel era grande, tinha piscina, e o quarto que eles se hospedaram era simples, porém muito bonito e aconchegante. Tinha visão direta pro mar e os barcos. Normalmente pra se hospedar era entre 70 e 80 dólares e eles tiveram que pagar em média isso aí por uma noite.

Não conseguiram ver muita coisa por que a maioria dos pontos turísticas já estavam fechados quando chegaram, mas passearam pelas ruas da cidade do panamá mesmo assim. Foi nostálgico. Em um desses momentos andando de mãos dadas, coisas que eles sentiram uma felicidade extremamente grande ao senti-las juntas de novo assim, Gil ficou meio distante. Eles estavam observando os barcos no mar à caminho de volta do hotel, já era quasse nove da noite, andaram bastante. Resolveram parar pra observar um pouco o mar a noite e Sara notou que ele estava aéreo.

Parecia que tinham voltado ao início do relacionamento. Era aquele Grissom que ela via. Tímido, receoso, culpado por atitudes que a magoaram. Mas era o mesmo Grissom disposto a tentar, determinado a não errar mais. E o amor que ela via em seus olhos antes, ela ainda podia ver agora, e era por isso que lutava, pois se ele não a amasse, não valeria a pena.

Sara segurou forte a mão dele e sorriu para passar segurança, para matar qualquer dúvida que ele tivesse de que ela tinha feito sua escolha. Seu lugar era onde ele estivesse, conhecendo o mundo, viajando, compartilhando aventuras.

— Preocupado se eu vou gostar de viver no mar?- sorriu e ele retribuiu sem jeito.

— Ah… eu não sei…

— Relaxa, adoro novas experiências. Já fiquei num navio por mais de um mês, lembra? E eu sei que com você eu vou estar feliz em qualquer lugar.- ela tinha o dom de fazê-lo ficar sem jeito. — Além do mais, pelo que você me contou, é bem divertido o que você faz.

— O oficial que me prendeu em San Diego perguntou se agora eu sou um CSI do mar.- Sara sorriu surpresa com o relato. — É quase isso, então acho que você vai gostar sim.

— Mas olha só… eu não corro risco de ser mordida por um tubarão não, né?- quis brincar pra ver se o faria rir, e conseguiu. Sentiu tanta falta daquilo.

— Acho que não.

— Você acha??- riu e o fez rir mais uma vez. — Melhor voltarmos pro hotel.-o puxou pela mão que ainda segurava e voltaram pra lá.

Assim que chegaram do passeio, Sara foi tomar um banho enquanto Grissom foi pro telefone falar com um de seus amigos capitães.

Foi descoberto mais uma pesca ilegal de tubarões próximo a San Diego. Gil teve que explicar tudo o que houve já que não estava mais lá, e que demoraria alguns dias pra voltar a navegar por aqueles lados. Como estava à caminho do Atlântico Norte, demoraria um pouco para voltar ao Pacífico.

Quando Sara acabou, ele ainda estava falando ao telefone, então ela foi até a mala dele onde ele disse que tinha alguns livros. Achou um de vida marinha, pegou e foi pra cama.

Gil ficou alguns minutos no telefone e assim que desligou, foi se banhar. Antes de entrar, viu que Sara lia um de seus livros e sorriu com isso. Do jeito que ela amava animais, ia amar ainda mais conhecer todos os do mar.

Porém, seu momento de conhecimento não durou muito, pois quando saiu do banheiro a encontrou dormindo.

Grissom sorriu.

Foi até ela, tirou o livro de suas mãos com cuidado para não acordá-la, colocou em cima da mesinha de cabeceira e deu a volta para deitar-se ao lado dela.

Sara estava um pouco inclinada pela leitura, então Gil ajeitou com cuidado o travesseiro para que ela ficasse mais confortável. A cobriu e ficou apoiado no cotovelo observando-a dormir.

“Lembrei do quanto eu te magoei

Deu um nó na garganta e a lágrima caiu

[...] Eu sei que errar é humano

Mas me aceitar depois de tudo, é amor

O que é que você viu em mim?

Por que ainda me olha assim?

Tem tanta gente interessante

Por que eu sou tão importante?

O que é que você viu em mim?

Por que ainda me ama assim?

Ainda me beija como antes” — Marília Mendonça

Nem acreditava que ela estava ali, seu coração quase saiu pela boca quando a viu na marina de San Diego. Parecia um sonho, e lá estava ela, dormindo ao lado dele de novo.

Com cuidado e delicadeza, tocou o rosto dela com as pontas dos dedos, da testa até a bochecha. Ela parecia tranquila.

Sorriu ao apreciá-la. Havia ganhado uma segunda chance de fazê-la feliz e não ia desperdiçá-la.

Ficou daquele jeito olhando pra ela até também pegar no sono. Finalmente, agora e pra sempre, eles estavam de volta ao lar. Foi a primeira noite — na verdade a segunda — depois de anos, que eles dormiram bem.

~ ♥ ~

No dia seguinte, eles passearam um pouco mais na cidade de dia, pra verem melhor os lugares e visitar pelo menos um pouco dos pontos turísticos que queriam ver, mas que à noite não deu. Foram primeiro no mais longe, o Panamá Viejo que ficava a 22 minutos de carro do hotel e eles chegaram lá assim que abriu.

O Panamá Viejo são os restos da antiga Cidade do Panamá e antiga capital panamense. Situa-se nos arredores da Cidade do Panamá. Em conjunto com o Distrito Histórico do Panamá é um Patrimônio Mundial da Unesco desde 1997, e a área abrangida foi aumentada em 2003. Era um lugar legal de visitar, bem bonito até, mas não tinha muita coisa interessante pra ver lá. Em menos de meia hora eles estavam saindo de lá seguindo direto de volta, e resolveram conhecer a Plaza de Francia que ficava mais perto do hotel, uns 14 minutos de lá.

Era na Cidade Velha do Panamá (Casco Antiguo), a Plaza de Francia ficava no extremo sudeste. Esta praça pública é um testemunho às pessoas que trabalharam — e deram suas vidas — pelo Canal do Panamá. Construída em 1921 por Leonardo Villanueva Meyer, a principal atração da praça é um obelisco de 18 metros. O monumento traça a história do canal e homenageia os 22.000 trabalhadores e engenheiros que morreram, principalmente devido a doenças, durante a construção. Era uma praça linda e com história, um lugar pra se respeitar mesmo.

Ficaram tempo suficiente lá pra dar tempo do Biomuseo abrir. A sorte é que era bem na sexta-feira e eles só abrem de sexta a domingo. Em 16 minutos lá estavam eles pra conhecer o museu focado na história do Panamá, cujo istmo foi formado muito recentemente em tempo geológico, com grande impacto na ecologia do Hemisfério Ocidental, projetado pelo renomado arquiteto Frank Gehry.

Grissom disse que do outro lado do Panamá, atravessando a Puente de Las Américas, havia o Butterfly Haven, um Mariposario que ele queria muito conhecer e que ela também ia amar, mas que por ficar mais de duas horas dali, eles iam demorar mais ainda pra chegar em Paris. Sara ficou ansiosa, mas disse que eles poderiam voltar em outra oportunidade. E assim, quase meio dia, eles passaram no hotel pra pegar as pequenas bagagens e logo estavam de volta ao Ishmael para continuar a viagem.

Mais uma viagem super longa de um dia inteiro, mas dessa vez Gil mostrou alguns vídeos que mandaram pra ele das “travessuras” que fizeram em barcos alheios. Sara até brincou que ele tocava o terror no mar quando estava com os amigos marinheiros. Ele riu e não discordou. Foi como disse a Henry, eles legalmente não podiam fazer aquilo, mas era divertido.

Lá pro fim do dia, Gil e Sara estavam assistindo um documentário que Gil tinha baixado uns dias atrás e não teve tempo de ver, sobre tartarugas marinhas. Quando já estava lá pelo meio do documentário, foram interrompidos pelo celular de Sara.

— Ué! Aqui tem sinal?

— Estamos perto da civilização.- Gil apontou contente ao ver prédios ao longe. — Quem é?- ele perguntou antes dela atender.

Sara sorriu mostrando a tela do celular pra ele ver o nome de quem fazia a chamada.

— Está brincando!- Gil ficou em choque quando viu o nome de Rayle no visor.

Sara riu e atendeu.

— Oi maluquinha.

— Sarita, você está bem? Estou tentando te ligar há um tempão. Liguei pro laboratório e disseram que você largou o distintivo e foi embora. Eu já ia te dar os parabéns, o que houve? Onde você está?

— Calma, Ray, eu estou bem.- Sara riu do desespero dela. — Estou com o Grissom.

— Com o Grissom???

— Oi Rayle!- o ex supervisor a cumprimentou assim que a ouviu pronunciar seu nome.

— “Oi Rayle” é o cacete, Grissom! Eu vou te arregaçar! O que está fazendo com ele, Sara??

Gil arregalou os olhos e Sara caiu na gargalhada.

— Amiga, calma…- Sara tentou parar de rir. — É uma longa história, eu vou te contar tudo.

Gil observou enquanto Sara relatava todo o caso de Heather e a volta de Grissom em Vegas, inclusive as patadas que deu nele. Rayle adorou essas partes. Quando ouviu que Grissom não conseguiu falar com Sara e foi falar com Heather, Rayle quis xingar o amigo.

— Olha, eu já conheci muitos homens complicados, mas puta que pariu, o Grissom supera todos eles!

— Quem sou eu pra discordar?!- comentou ele.

— Escuta bem o que eu vou te dizer, Grissom.- Gil nunca ouviu a doce Rayle falar naquele tom de voz. Pela primeira vez deu graças a Deus por estar longe dela. — Se eu sonhar que você fez a Sara sofrer 0,1% de novo, você vai levar um murro nessa sua cara bonita, nem que eu tenha que atravessar o pacífico nadando! Entendeu??

Sara se segurava pra não rir da cara de assustado do amado.

— E-entendi.

— Não cometa os mesmos erros, é sério. Você teve outra chance, não jogue fora com inseguranças estúpidas. Sara sempre foi louca por você e sempre vai ser. Você entende isso agora né?

— S-sim, com certeza.- Gil engoliu a seco olhando para Sara.

— Ótimo. Rayle então respirou fundo e sua voz voltou ao normal depois que a ira se foi. — Mas me contem, pra onde estão indo?

— Paris.- Sara respondeu sorrindo ainda pelo ataque de fúria da amiga pelo telefone. — Gil e eu precisamos resolver algumas coisas antes de partir na nossa aventura.- sorriu pra ele que retribuiu. — E como estão as coisas por aí?

— Ah... está... está tudo bem. Só muito trabalho.

— Está mentindo pra mim.- Sara se preocupou. — O que houve?

Rayle não queria contar pra não envolvê-la, mas não sabia mais como resolver.

— Sara, ele está me perseguindo, eu sei que está. Mas ele não ultrapassa os limites, sabe? Ele sabe exatamente até onde ele pode ir. Não posso denunciar.

— Ray, faz o seguinte: finge que vai fugir dele de novo. Que vai largar São Francisco como largou o México pra ficar longe dele. Finge que vai se mudar pra Vegas e vai pra minha casa. Ele vai te seguir, eu sei que vai. E quando ele fizer isso… Deixa comigo! Quando consegue me encontrar em Vegas?

— Eu tenho sete ensaios essa semana, está bem corrido. Só semana que vem.

— Semana que vem está ótimo.

Gil estava mais perdido que cego em tiroteio e surdo no bingo com toda aquela história.

— Gil está aqui do meu lado com uma interrogação na cara.

— Explica tudo pra ele, eu tenho que buscar a Becca na quadra, ela não está se sentindo bem, mandou mensagem aqui.

— Tabom, manda um beijo e melhoras pra ela. Depois me liga dando notícias.

— Pode deixar. Beijo. Tchau, Complicação!

Sara deu risada de como Rayle chamou Grissom e nem ele resistiu ao riso.

— Tchau Ray.

Sara desligou ainda rindo e Grissom balançou a cabeça.

— Continua maluca, né?- sorriu e Sara assentiu. — Mesmo com as ameaças, foi bom falar com ela. Quando se reencontraram? Como foi?

Sara contou tudinho pra ele. Sem assunto eles não ficaram até chegarem em Paris. Inclusive, Grissom ficou pasmo que Rayle tinha uma filha adolescente e indignado com o que Renê fez com a fotógrafa.

Sara contou tudinho que Rayle havia contado pra ela. Falou da sogra desgraçada, da formatura, da criação de Rebecca, e essas duas últimas falou com todo orgulho. Até Gil sentiu-se orgulhoso da jovem mãe e já estava ansioso pra conhecer Rebecca. Sara rasgou-se de elogios pras duas, seus amores!

~ ♥ ~

Finalmente chegaram ao Sena, já era um sábado 3 de outubro e seguiram nele até chegar ao centro da cidade. Passaram pela Torre Eiffel, pelo Museu do Louvre e pela Catedral de Notre Dame até o Porto do Arsenal.

Assim que ancoraram lá, Gil e Sara pegaram um táxi pra casa. A morena suspirou ao pisar novamente na cidade luz. Normalmente levariam dezoito minutos pra chegar em casa, mas como já era manhã, quase nove, eles resolveram passar no Café Constant pra matar a fome de um pãozinho e um café, e a saudade também.

— Caramba!- exclamou Sara. — Faz um tempão que não venho aqui. Mudou bastante.

— Verdade. Parece até outro lugar.

— Ah, mas manteve a essência.- Sara sorriu e acenou pra mulher que trabalhava no balcão, ela sim estava parecendo outra pessoa. Cinco anos passaram voando.

Se acomodaram, tomaram café e do nada o assunto morreu. Não tinham o que falar, ficaram em silêncio o tempo inteiro, mas vez ou outra sorriam quando se olhavam. Ali não precisavam falar nada.

Cada um ficou perdido em seu próprio pensamento enquanto saboreavam o café francês. E depois disso, resolveram ir pra casa.

Durante o trajeto as lembranças rondavam, e assim que chegaram em casa só mais lembranças vieram. Suspiraram. Mas logo tossiram, pois a poeira que estava ali era gritante.

— Algo me diz que antes de tomarmos qualquer decisão sobre a casa, vamos ter que faxinar ela toda antes.- Sara riu ainda tossindo.

— Quantas teias de aranha será que vamos encontrar?

— Aranhas é até tranquilo, já me acostumei. Mas e fantasmas?

Grissom deu risada, pois sabia que ela não acreditava em fantasmas e novamente só estava querendo fazer graça. Sempre funcionava.

Notas finais
"Oi Rayle" é o cacete HSUAHSUAHSJAS desculpa, mas essa é minha parte favorita Espero que vocês tenham gostado do capítulo ^^ Saiu tarde, mas saiu shashajsh Abraço de urso quentinho e até o próximo :3 obs: teve link q não deu pra clicar, então vai estar aqui embaixo caso vocês quiserem ver igual os caps da Europa ;) • Panamá Viejo https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4d/Catedral_Panam%C3%A1_Viejo.jpg • Biomuseo https://pt.wikiarquitectura.com/wp-content/uploads/2018/03/Biomuseo-panama-22.jpg • Puente de Las Américas https://media-cdn.sygictraveldata.com/media/800x600/612664395a40232133447d33247d383332353033313332 • Butterfly Haven https://www.thetinytravelogue.com/wp-content/uploads/2019/01/P1213138-1440x1920.jpg