Love Story
223 CSI:Vegas ❥ Voltando à Rotina
Catherine chegou naquela mesma noite, às dez, pois o voo havia sido longo, mais da metade de um dia. Ela e as meninas estavam exaustas, então foram direto pra casa.
Gil e Sara, assim que voltaram do passeio, basicamente no mesmo horário, foram pro Eclipse pegar suas coisas. Gil teve outra crise da doença por conta dos giros da montanha russa, então eles preferiram ir só uma vez. Assim que chegaram no hotel, Sara o fez tomar um comprimido e foi fazer as malas enquanto ele descansava.
Iam pra casa já direto, mas Gil puxou a esposa quando ela foi pegar as malas prontas no chão pra levar pra porta.
Sara riu com o susto.
— O que foi?- o olhou de relance, já que ele a abraçou por trás.
— Vamos aproveitar a última noite, passamos mais tempo no laboratório do que aqui.
Ela sorriu.
— É verdade. Mas você já está bem?
— Estou sim.
Gil lhe deu um beijo no pescoço e ela fechou os olhos. Ele então a virou pra ele e tirou uma mecha de cabelo do rosto dela, acariciando a bochecha dela em seguida.
— Você me fez tão feliz hoje que deu uma vontade danada de retribuir.
Sara não conseguiu conter o sorriso enorme e mexeu em um cachinho dele que estava caindo na testa.
— É? E o que vai fazer por mim hoje?
— O que você quiser.
— Você bem que podia me fazer massagem, né? Eu preciso tanto disso.
— Claro que eu faço. Onde você quer?
— No corpo todo.
Sorriram.
— Anotado. O que mais?
— Depois quero que você beije todos os lugares que tiver feito massagem.
— Acabo de colocar clitóris na lista.
A gargalhada que ela soltou compensou todas as vezes que a viu mal naqueles quarenta e nove dias mal dormidos e difíceis de lidar. Sara simplesmente demorou um pouco pra conseguir parar de rir. E ele não conseguia tirar o sorriso do rosto com isso.
— Mais alguma coisa?
— Não, acho que só isso.- ela respondeu dando uma última risada.
— Tem certeza que não quer pedir mais nada? Depois que eu beijar seu corpo inteiro, eu vou deitar e dormir.
— Duvido.
Gil semicerrou os olhos e abriu levemente a boca com a afronta.
— Nunca diga isso a um homem.- Sara sorriu. — Eu sou forte, aceito o desafio.- com isso ela riu mais uma vez e recebeu um beijo. — Vamos lá, melhor começar pelas costas.- ele a virou e a conduziu até a cama, tirando suas blusas. — Mas olha só, sempre que eu te faço massagem, você acaba tirando um cochilo. Você está proibida de fazer isso.
— Droga, é mesmo, é tão gostoso que dá soninho.- Sara fez careta, pois ia ser difícil ficar acordada recebendo massagem, já que estava tão cansada. — Mas beleza, os dois tem que resistir à tentação, acho justo.
Grissom piscou e a fez deitar de bruços quando já estava nua na parte superior. Pegou um dos olinhos que tinha na suíte próprio pra isso, depois subiu em cima dela e tratou de começar seu trabalho.
— Ai que delícia.- ela suspirou, e suspirava quase o tempo todo com seus músculos relaxando.
Assim que Gil terminou de massagear toda a parte superior de seu corpo, incluindo os braços e as mãos dela — sempre prestando atenção se ela estava dormindo ou não —, ele desceu da cama e pediu pra ela virar. Quando ela fez isso, tirou suas peças inferiores.
— Bem acordada, abelhinha?
— Se eu não estiver, certeza que vou acordar agora.
Ele riu e começou pelos pés, subindo pelas pernas, até chegar no item que ele acrescentou na lista. Começou a massagear ali como se fosse qualquer outra parte do corpo, como se não estivesse super excitado com aquilo. Sara suspirando de prazer não estava ajudando em seu desafio de parar e ir dormir. E ainda faltava os beijos, ele de fato não conseguiria.
Se concentrou neles. Começou a beijar de baixo pra cima e quando fez que ia beijar seus ombros, Sara disse pra ele esquecer isso e voltar pra baixo.
Era só pra beijar e parar, mas nem o ser mais poderoso do mundo resistiria àquilo. A fez chegar ao clímax, tirou suas próprias roupas e ficou por cima dela.
— Dane-se o desafio. Eu sou fraco e eu assumo.
Sara riu e o trouxe pra mais perto dela, o incitando a possuí-la, e assim ele fez.
~ ♥ ~
Na manhã seguinte, o casal apareceu em casa na maior cara de pau. Seus filhos já estavam lá para recebê-los e não teve recepção mais gostosa.
— Mamãe! Papai!- eles gritaram e correram até eles. O casal agachou e abraçou os dois ao mesmo tempo.
Abby e Robert os observavam sorrindo.
— Ah, meus amores!- Gil exclamou ao sentir o abraço dos filhos.
— Que saudade dos meus bebês!- Sara disse querendo chorar, e fez isso ao ouvir Warrick baixinho. — Oh meu amor, está chorando?- seus olhos marejaram igual aos dele quando se separou um pouquinho pra ver seu rostinho. — Sentiu muita saudade da mamãe e do papai?- ele só assentiu e voltou a abraçá-los.
Sara não aguentou e também deixou cair algumas lágrimas o abraçando mais forte.
— Já passou, agora estamos juntos de novo.- disse Gil acariciando o cabelo do filho enquanto ainda abraçava Maggie.
— Achei que iam voltar pra cá ontem.- Rayle falou com os braços cruzados, mas curiosa. — As crianças chegaram cedo.
— E eu te acordei com flores. Não esqueça.- Nick veio da cozinha com uma xícara de café, e deu um beijo na bochecha de Rayle, que sorriu.
— Houve um imprevisto.- Grissom levantou levando Maggie junto e a colocando no colo. Ela se agarrou a ele. — Bom te ver, Pancho.- sorriu.
— Bom ver vocês também.- o texano sorriu de volta. — Problemas no hotel?
— Não exatamente.- Grissom não tirou o sorriso do rosto e o amigo entendeu na hora.
— Sara disse que ia te levar em algum lugar, mas não disse onde.- Rayle comentou ao observar a amiga fazer o mesmo que Gil, levantar e colocar Warrick no colo. — Foi lá que deu problema?
— Amor, o que deu foi outra coisa.- Nick falou tentando ser delicado.
Rayle, com seu raciocínio lento, demorou pra entender, e quando entendeu, abriu a boca demorando até pra reagir.
A turma riu.
— Sara, sua sem vergonha.
— Por que a mamãe não tem vergonha?- Maggie perguntou.
Sara corou um pouco com a saia justa, mas riu da pergunta. Abby quem a livrou.
— Não é nada, florzinha. Coisa de adulto.
— Você tem vergonha, Abby? Ou é igual a mamãe?
O barulho de riso preso na garganta foi ouvido por todos os membros da família ali presentes.
— Por essa você não esperava, anjo.- Robert comentou sem esconder o quanto estava se divertindo.
— E-eu acho que é minha vez de abraçar os dois… vocês não acham?- ela disse com uma risada sem graça.
Rebecca e Amy rachavam o bico sentadas no sofá.
O casal colocou os pimpolhos no chão e Abby os abraçou forte de uma só vez, sendo retribuída na mesma intensidade.
— Foi quase, filhota.- Gil comentou ainda achando graça.
Sara gostou de ouvi-lo chamá-la assim, foi fofo demais.
— “Aja naturalmente”, não é isso que dizem?- os três riram. — Senti saudade.
— Nós também, pequena.- Sara ainda não conseguia parar de chamá-la assim.
Após abraçarem os filhos, Gil e Sara foram cumprimentar os amigos. Nick, Greg e Morgan foram passar a ação de graças, mas só Nick ia ficar o fim de semana todo. Quatro dias longe de San Diego. Nick tinha vantagem por ser chefe, já Greg e Morgan teriam que voltar. As férias de Greg tinham acabado, as de Morgan começaram, mas não ia deixá-lo lá sozinho, então ia com ele. Depois do primeiro livro, Greg havia publicado mais três e estava escrevendo o quinto. Sucesso de vendas. Foi disso que falaram por um tempo.
Marcaram o jantar de ação de graças para começar às 18h, mas Catherine e suas meninas também foram pra lá logo pela manhã. Mais ou menos uma hora depois de Gil e Sara chegarem, elas chegaram. Catherine levou os ingredientes para fazer a sobremesa lá mesmo e já ia se arrumar lá também. Estava morrendo de saudades deles.
E todos estavam ansiosos para conhecer Hannah, que estava com seus dois aninhos e meio. Com a pandemia, ninguém conseguiu vê-la, só por fotos e vídeos que a vovó coruja mandava.
Helena e Maria haviam crescido bastante. Lindsey não parecia mais tão cansada como o primeiro ano de maternidade, e Catherine, radiante como sempre segurando Hannah no colo. Uma gracinha, seus fios eram mais puxados pro loiro do que pro ruivo, do jeitinho de Lindsey quando era pequenininha.
— Oi titios! Eu sou a Hannah!- Catherine imitou voz de criança, e balbuciando quase igual, ela repetiu.
Eles quase morreram de amores. Quando Sara a pegou no colo, Hannah simplesmente amou brincar com o cabelo da morena. Ficava toda hora mexendo nele e pulando em seu colo. Era incrivelmente inquieta, bem mais que Warrick.
— E eu achando que Ricky era um furacão.
— “Menina é mais tranquila” eles disseram.- Lindsey disse com sarcasmo e todos riram indo cumprimentá-la depois de babar em sua pequena.
— E aí, Linds, vai voltar pro CSI?
Ela ficou meio sem graça.
— Acho que não. Agora com a Hannah, eu… vou arrumar outra coisa pra fazer.
Catherine tentou disfarçar a chateação. Achou mesmo que ela seguiria seus passos.
Hannah se enturmou fácil com as crianças e quando Joshua chegou foi uma festa. Mesmo sendo um pouquinho mais velho, ele gostava de brincar com Ricky e Maggie, e adorou conhecer Hannah pois ela era muito fofa.
Helena tinha agora uns 13 e se enturmava bem com os mais velhos junto com sua irmã que agora estava com 17.
Enquanto Lindsey conversava com Morgan, Rayle, David e a esposa na sala de jantar, os cinco amigos mais antigos pararam um do lado do outro e observaram a família linda e enorme que eles tinham agora. As crianças estavam todas na sala, os maiores no sofá batendo papo, e os menores no tapete brincando. Eles olhavam Abby, Robert, Rebecca, Amy, Maria, Helena, Joshua, Maggie, Ricky e Hannah, com Morgan, Linds, Ray e Dave ao fundo, e pensavam: Caraca! Olha o que a gente tem!
Tinham certeza que de onde quer que Warrick estivesse, ele estaria pensando a mesma coisa. E se ele estivesse ali com eles, do lado deles, também iria observar aquela imagem, acrescentando Eli e Tina nela, e ia suspirar como eles suspiraram naquele momento.
Jim chegou às 18h certinho. Tinha pedido um uber, pois não quis que ninguém fosse buscá-lo. Disse que ainda não era um inválido, conseguia enxergar pouco, mas ainda dava pro gasto. Ninguém quis discutir.
Hodges apareceu lá com Emma às 19h, mas iam ficar pouco, pois Emma tinha recebido alta pela manhã e precisava ficar de repouso. Tinham ido porque o convite era irrecusável e o ex técnico queria que conhecessem seu primogênito, e claro, sua esposa.
Adoraram Emma e ficaram o tempo todo babando em Cooper. Ele era muito precioso.
Lá pras 20h eles começaram a comer e umas 21h30 a família Hodges foi embora.
Às 23h, todas as crianças simplesmente tinham capotado no sofá e no tapete, até os mais velhos tiraram um cochilo encostados um no outro. Os únicos acordados eram Abby e Robert. Helena capotou no colo de Maria que cochilou encostada no braço de Rebecca que dormiu no ombro de Amy. Warrick dormiu com a cabeça nas costas de Maggie que estava de bruços com a cara enfiada na barriga de um ursinho. Joshua desmaiou no sofá e Hannah simplesmente dormiu sentada.
Os adultos olharam aquela cena e acharam a coisa mais linda e cômica.
Linds pegou Hannah no colo, Catherine teve que acordar Maria e Helena, pois nem com a força de dez homens conseguiria pegar as duas no colo pra levar pra casa. Dave pegou Joshua e se despediu junto com a esposa. Rayle também teve que acordar suas adolescentes para irem pra cama, mas Sara e Gil ainda conseguiam carregar seus pimpolhos. Gil pegou Ricky primeiro para tirá-lo de cima de Maggie, e Sara a pegou em seguida.
Greg e Morgan se despediram também e deixaram Jim em casa antes de voltarem pra San Diego. Greg deu um beijo em seu afilhado antes de ir, assim como Catherine.
~ ♥ ~
Era uma da manhã. A casa estava silenciosa e Gil andava como se estivesse pisando em ovos para não acordar ninguém, à procura da esposa.
Sara estava nos fundos da casa, no jardim, sentada na escada apreciando o pouco que conseguia ver com a única luz que acendeu.
— Honey… O que faz aqui fora?
Sara olhou pra cima e sorriu ao vê-lo. Eles sempre acordavam quando o outro não estava na cama.
— Estou sem sono. Estava aqui pensando.
Ele então sentou ao lado dela.
— Os últimos dias foram difíceis, né?
— É… Você viu a reação do Ricky quando viu a gente?- a carinha dela de emoção voltou.
— Vi, tadinho. Não foi fácil ficar longe deles.
— Foi horrível. Nunca mais quero fazer isso.
Grissom sorriu e a trouxe pra perto abraçando seu ombro. Beijou a lateral de sua testa em seguida.
— Depois de tudo isso, ver "todos" juntos hoje aqueceu o coração. Depois de dois anos de pandemia, conseguir reunir pelo menos metade da família foi muito bom.
Sara sorriu. Gil Grissom, um cara família! Quem diria.
— Foi sim.
— Se eu já achava irreal eu ter uma família dessa um dia, hoje foi mais surreal ainda. Foi bom observá-los.- Sara o olhou com os olhinhos brilhantes e recebeu um selinho. — Sabe o que foi bom também?
— O que?
— Ver você se empanturrar de comida depois de um mês e meio sem comer direito. Tenho certeza que essa aliança não cai mais do seu dedo.
Sara deu risada, mas tapou a boca com medo de acordar alguém. Grissom também riu e a puxou para o seu colo, abraçando sua cintura. Ela lhe beijou, sorrindo.
“Somente você pode me fazer feliz
É o ar que eu respiro, é tudo que eu sempre quis
Adoro os seus carinhos, adoro os seus beijos
Só você pra avivar os meus desejos
No mundo não tem outra igual
Aguenta meus defeitos, faz tudo pra me agradar
É minha mulher, esposa, amante pra variar
É você, menina, que me faz sonhar
É você que me ensinou o que é amar” — Raça Negra
Ficaram mais umas meia hora do lado de fora conversando e depois foram deitar. Iam almoçar na casa de Robbins naquela sexta junto com Catherine e Lindsey. Helena e Maria quiseram ficar com Rebecca e Amy, Robert foi pra casa, e os três Sidle Grissom não quiseram largar os pais, então foram junto.
Foi ótimo rever o doutor e a esposa dele. Jim também foi, e claro que fez piada de sua deficiência.
Aproveitaram ao máximo o fim de semana pra tentar ver quem eles conseguissem antes de voltarem pro oceano. Até levaram as crianças para conhecer Max e a equipe.
Gil não aguentava mais ficar em terra, mas prometeram voltar no natal dali um mês. Não contou da doença pra ninguém e Jim com certeza o chamaria de hipócrita por julgá-lo quando fez o mesmo.
Grissom esperava que voltando ao mar, aquilo não seria mais problema.
~ ♥ ~
Um ano se passou e eles mantinham contato via satélite sempre que podiam, não só com a família, mas também com os amigos novos que fizeram.
O casal estava agora no frio do Círculo Ártico com seus pimpolhos menores. Maggie estava com quase sete anos e Warrick com seus cinco de pura esperteza. Continuavam a educá-los eles mesmos e Abby estava finalizando o segundo ano na faculdade. Estava indo super bem nos estudos e trabalhando na mercearia com o namorado e o sogro.
A vida deles não podia estar melhor, já a de Catherine… estava de cabeça pra baixo.
A última vez que falaram com ela, a ruiva confidenciou que estava pensando em voltar ao CSI, que não estava pronta pra se aposentar, que tinha se equivocado nisso. Gil e Sara acharam isso super estranho. Eles sabiam que ela tinha virado mentora de jovens estudantes da Universidade de Las Vegas, todas interessadas em carreiras na ciência forense. Ela contou que tinha meio que apadrinhado uma delas.
A tal jovem era Grace Huang. Ela era dançarina, como ela antigamente, e começou a ter aulas na universidade. Foi como ela e Catherine se conheceram. Ela queria muito ser CSI, mas era nova em Vegas, sem dinheiro, então Catherine conseguiu um emprego pra ela no Eclipse. O problema, que ela não contou pra ninguém de início, foi que Grace estava desaparecida há três semanas. Não houve nenhuma investigação e foi por isso que ela voltou. Ela perguntou a muitas pessoas onde Grace estava. Ninguém sabia, e ninguém no Eclipse parecia se importar. Sem aviso, o conselho convocou uma votação e ela foi expulsa do Eclipse, mesmo tendo direito e parte da herança.
Catherine só contou isso pra eles depois de contar para Max. Tinha que fazer tudo na encolha. Mas eles sabiam que o problema não era só o sumiço de Grace e a perda do Eclipse. Já tinha um tempo que ela não falava de Lindsey.
Foi divertido quando ela contou como foi a conversa com Max para que ela voltasse pra equipe. Catherine mencionou que Grissom contou que eles precisavam de pessoal, e Max disse que não ajudou nada ele roubar a esposa dele de volta pro mar.
Gil e Sara deram risada quando ela contou. Max queria muito que Sara ficasse, mas como a morena disse a Allie: não podia estar em dois lugares ao mesmo tempo.
Alguns dias se passaram e eles receberam um e-mail de Penny avisando que Max tinha sido atacada numa cena de crime. Eles levaram o barco pra um lugar que pegasse melhor o sinal e que pudessem fazer uma ligação via skype com ela, pois ficaram preocupados.
Assim que a viram, toda xoxa, capenga, manca, anêmica, frágil e inconsistente na cama do hospital, com uma tipóia no braço e os cabelos levemente bagunçados, ficaram com muita vontade de abraçá-la e protegê-la do mundo.
— Max…- Sara disse com pesar. — Penny disse que você foi atacada. O que aconteceu?
Folsom, que estava com ela e se sentindo super culpado, explicou tudo. Voltaram até a cena do crime e golpearam Max na cabeça.
— Qual foi o diagnóstico?- Gil indagou.
— Concussão de grau 2. Quebrou a clavícula também, mas já arrumaram.
— Meu Deus… Desejamos melhoras, Max.
— Obrigada.- ela agradeceu sorrindo, ainda fraca.
Uma semana se passou e Catherine ligou para Sara. A morena estava preocupada e mandou uma mensagem perguntando o que estava acontecendo, e que tudo bem se ela não quisesse conversar, mas que Sara sabia que tinha coisa errada. Quando ela a viu, quis abraçá-la. Estava com o rosto vermelho, como se tivesse chorado por muito tempo. Não questionou isso, quis esperar até ela estar pronta.
— Como foi a semana?
— Complicada.- ela respondeu. Sara respirou fundo, conseguiu captar que foi mesmo. — Um caso muito difícil, uma família inteira morta. A pobrezinha da Penny…
— O que houve com ela?- Sara se preocupou.
Catherine sorriu.
— Max me disse que você e Gil adotaram Penny e Chris.
— Espero que esteja cuidando bem dos nossos protegidos.
Catherine sorriu novamente e respondeu a pergunta anterior.
— Eles são ótimos peritos. Penny não conseguiu controlar as emoções, ela me lembra um pouco você, sabia? A diferença é que você fica puta, quebrando tudo. A Penny chora.
Sara ficou com dó, triste por saber que ela chorou.
— Não aguentou ver tufo aquilo, foi vomitar do lado de fora. Se desesperou, disse que ia desistir, que não conseguia fazer aquilo. Ela não parava de tremer.
— Pobrezinha…
— É, eu disse que tremer era normal, que até eu ainda tremo. Que ela fica daquele jeito porque é humana, porque se importa. Ela é muita esperta, seguiu uma pista que eu achava boba, e sem querer a magoei com isso. No final, ela estava certa.
— Você magoou meu prodígio, Catherine???
Sara fez isso só para ela rir, e conseguiu. Mas a palavra “magoou” pesou pra ela mesmo assim, e Sara percebeu. Não podia mais ignorar, mas ela ignorou.
— Como você está?
— Estou ótima.
— Está toda empacotada.- riu por Sara estar de moletom, touca e cachecol.
— Está um frio danado aqui.-Sara também riu. — Eu vim pra fora porque o sinal é melhor.
— Cadê o Gil?
— Com as crianças lá dentro. Estão jogando damas. Logo, logo passam pro xadrez.
Catherine sorriu novamente, admirando a forma como a amiga falava da família.
— Estão na melhor fase né?
Sara assentiu com todo amor do mundo.
— É… mas acho que a melhor fase foi quando estavam os três aqui comigo. Sinto falta da Abby.
— É… eu sei como é isso…
Sara sentiu a dor de novo.
— Ruiva… o que foi?
Catherine suspirou e fungou.
— A Lindsey…- Sara fez uma cara como quem confirma o que já sabia. — Tinha me bloqueado, não retornava minhas ligações, nem visualizava minhas mensagens. Quando decidiu me encontrar… Ai…- suspirou de novo. — Ela está vendendo o corpo na internet.- Sara fez cara de chocada. — Diz que ganha dez vezes mais em um mês do que em um ano coletando digitais e perseguindo babacas.- Sara ouvia tudo com atenção e pesar. — Jogou na minha cara que eu sou uma hipócrita em julgá-la, já que eu fazia o mesmo.
— Cath, mas você não tinha escolha. Ela tem.
— Foi o que eu disse, mas você acha que ela me escuta? Eu quis que ela vivesse o meu sonho, Sara. Ela não entrou pro CSI porque quis, foi por minha causa. É sempre assim, eu a machuco, ela me machuca de volta. E eu nem percebi que fazia isso. Eu só quero o melhor pra ela e o melhor pra Hannah…- abaixou a cabeça por um tempo, e Sara respeitou esse momento. — Eu preciso de terapia. Veio tudo de uma vez, a Lindsey, a Grace, o Eclipse… É muita coisa pra eu aguentar sozinha.
— Sabe que pode vir morar com gente no barco, não sabe?
Quis fazê-la rir e conseguiu de novo.
— Você me imagina morando num barco?
— Não.- ambas riram, mas Sara voltou ao assunto.
— Você se acertaram?
— Quando eu falei com ela…- Catherine fez o possível pra não chorar. — Ela não conseguiu falar as três palavras, disse pra mim que não conseguia me dizer mais isso, que não tinha coragem. Doeu tanto, sabe…- Sara quis mais ainda abraçar a amiga. — Mas no fim do caso, eu recebi uma mensagem dela.
— Ela disse “eu te amo”?
Catherine assentiu sem conseguir segurar as lágrimas.
— Disse… Eu… eu acho que a gente vai ficar bem.
Sara sorriu querendo muito, muito, muito mais abraçá-la.
— Vão sim. É só uma fase ruim. Vai ficar tudo bem.
— Obrigada por me ouvir, Sara… por se preocupar.
— Quem diria né?- sorriu.
— Pois é, quem diria.- Catherine também sorriu.
— Não precisa agradecer.
~ ♥ ~
Ficou tudo bem até Catherine ficar de babá da Hannah e ser chamada pra um caso. Catherine não conseguiu ninguém pra ficar com a neta e a levou para uma cena de crime. Lógico que Hannah comentou com a mãe alguma coisa, afinal, era só uma criança, e Lindsey ficou puta com ela. Mas Catherine insistiu nas desculpas e todas elas foram pro Hawaii tirar umas férias. Queria que meus problemas terminassem assim.
Catherine atualizou Sara que estava tudo bem por Vegas, Nick atualizou que estava tudo bem em San Diego e Rayle atualizou que estava tudo bem em São Francisco. Tudo certo com a família inteira.
Mas, enquanto as Willows estavam na areia e no sol da Hawaii, os Grissom’s estavam no mar e na tempestade que caiu próximo à Rússia.
Eles até tinham equipamentos de navegação avançados para monitorar as condições do tempo constantemente e evitar riscos à segurança, ainda mais porque tinham duas crianças à bordo. Mas a tempestade veio quando estavam dormindo, nem a perceberam chegar. Acordaram com o tranco do barco, quase os jogaram pra fora da cama. O Ishmael estava sendo atacado por um vento barulhento, chuva forte e mar nem um pouco calmo.
O casal levantou correndo e assim que abriram a porta, deram de cara com os filhos chorando.
— O que é isso?- Maggie indagou tentando conter as lágrimas.
— O barco vai afundar?- Ricky perguntou ainda mais desesperado, agarrando-se à mãe.
— Não, meu amor, é só chuva.
— Honey, fica com eles, aqui no quarto em segurança. Eu vou subir.
— Não, papai!- Ricky o segurou e eles quase tombaram pro lado. Estavam tentando se manter de pé segurando nas paredes. — Você vai se afogar.
Grissom sorriu com a preocupação do filho, deu um beijo em sua cabeça e disse que ia ficar tudo bem.
— Fiquem aqui com a mamãe. Papai vai tentar levar o barco pra longe da tempestade, tá?
Gil saiu do quarto e correu pra navegação. Estava escuro, mas com o monitoramento e o radar, ele conseguiu saber que direção tomar.
Foi difícil controlar os solavancos, a chuva estava muito forte e até rachou um dos vidros. Enquanto controlava, seus filhos estavam assustados dentro da cabine, na cama com Sara.
— Mamãe, eu tô com medo…
— O papai tá lá fora sozinho.- Maggie expressou após a fala do irmão. — Não podemos ajudar?
— Não precisam ter medo. O mar fica um pouco violento quando a chuva é muito forte. Papai já fez isso muitas vezes, ele vai ficar bem. Óh, viu? Os solavancos já diminuíram.
Os dois se agarraram mais a ela e esperaram, preocupados. Sara ficou fazendo carinho em suas cabeças e por chorarem muito, acabaram cochilando com o balançar, agora mais leve, do barco.
Gil voltou até o quarto para ver como eles estavam, e pra mostrar a eles que estava bem. Mas quando chegou, seus pimpolhos estavam dormindo agarrados em sua esposa. Sara continuava acordada olhando pra porta até ele aparecer.
Sorriu e olhou de relance para os filhos.
— Eles estavam com medo, queriam sair pra te ajudar.
Grissom quem sorriu, eles eram corajosos, mesmo com medo.
— Eles são uns amores. Vou tirar essa roupa molhada e já deito aí com vocês.
— Está tudo bem lá fora? O mar ainda parece revolto.
— Ainda estamos perto, mas já no caminho pra longe. Coloquei o barco pra ir na direção do vento, ele está ajudando.
Assim que estava seco, Gil chegou perto deles e deu um beijo na cabeça de cada um, na de Sara também.
— Volta a dormir, honey, eu fico de olho até estarmos completamente seguros. Não quero acordar com outro solavanco.- riu baixinho.
— Vou ficar acordada com você.- aconchegou-se nele com cuidado para não acordar as crianças, mas ambos sabiam que ela não ia conseguir ficar acordada. — O Ishmael está bem?
Grissom sorriu.
— De manhã a gente vê.
~ ♥ ~
Quem também surpreendeu a todos foi Greg, que também voltou à Las Vegas para fazer parte da equipe de Max. Ele só tinha conversado de seus planos com Morgan, pois dividia tudo com ela. Max precisava de alguém pra ficar no lugar da supervisora noturna que entrou em licença maternidade, e lá foi Greg!
Ele estava animado e de primeira se deu super bem com Penny.
Estava pensando em voltar ao CSI no período integral, mas tinha outra vontade. Morgan super apoiou e Greg pediu a opinião de Catherine também, já que estavam trabalhando juntos de novo.
Depois de elogiarem o cabelo um do outro, Greg disse adora compartilhar o que sabe e que depois de ter escrito cinco livros, teve vontade de ter uma terceira carreira. Além de perito criminal e escritor, ele estava querendo ser professor. Ele até falou em voz alta pra ela, pra sentir o peso daquele nome: Dr. Gregory Hojem Sanders.
Catherine deu um super apoio. Ele quis ter alunos, como Grissom teve. E ia ser um professor incrível. Os novatos do laboratório já estavam adorando aprender com ele.
A licença maternidade da supervisora da noite acabou e Greg ia voltar pra San Diego, mas Max tinha adorado a forma como ele cuidou daquele turno e enfatizou que ele deu outra cara pra ele.
Greg lhe deu muita força, não só assumindo o turno da noite por um tempo, mas como um amigo, e a diretora quis fazer o mesmo por ele. Lhe deu uma recomendação para um amigo da Universidade Northwestern, em Chi-Town, Illinois. Tinha uma vaga perfeita pra ele começar a carreira de professor. Greg agradeceu muito e resolveu pensar. Cidade nova, vida nova. Tinha muito o que decidir antes de aceitar, afinal, tinha sua família.
Quando Gil e Sara souberam de seus planos, ficaram muito orgulhosos e o apoiariam no que quer que ele decidisse.
Afinal, família que ama, apoia seus sonhos.
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