Love Song
7 Parte VII
Notas iniciais
Nosso domingo até que estava bem tranquilo até agora. Acordamos tarde, nós três estávamos cansados afinal de contas. Nossos pais continuavam fora e eu sabia exatamente onde e o quê estavam fazendo. Resolvi não me preocupar com isso agora, quando eles voltavam era bem pior e decidi que hoje não sofreria por antecipação. Aproveitei para brincar com Alice e Aurora no quintal um pouco, tomar um sol e comer nosso delicioso almoço ao ar livre. Tivemos um bom dia, que passou bem rápido. É como dizem, o tempo voa quando estamos nos divertindo.
Logo uma nova semana iniciou e voltamos as nossas rotinas. Essa vai ser uma semana agitada na escola, será fácil evitar Laura. Eu ainda me sentia meio mexido com tudo que aconteceu no sábado, achei melhor não encarar ainda. Essa semana começariam os testes e as inscrições para as universidades. Teríamos até o início do próximo mês para reunirmos documentos, montar o portfólio da nossa vida escolar e enviar para onde gostaríamos de tentar uma vaga para o próximo ano.
Eu podia ser um merda, mas sabia que para continuar a cuidar das minhas irmãs do jeito certo, eu precisaria de mais do que bicos de fim de semana. Eu gostaria sim de ir à universidade, só não tinha um plano real de como faria isso acontecer. Tenho conversado com a orientadora da escola, ela vem ajudando a buscar universidades que ofereçam bolsas de estudos e as públicas. Mesmo sem ter certeza se vai dar certo e sem criar muitas expectativas, também faço parte do grupo que está buscando boas pontuações nos testes e organizar os papéis a tempo.
Não foi difícil fugir de Laura, afinal. Todas as vezes em que a vi na escola, ela estava correndo cheia de papéis e livros. Ela já tinha um plano para universidade e estava focada em coloca-lo em prática. Meu reduto, a biblioteca, estava apinhada de alunos então precisei procurar outro lugar para me esconder e estudar.
Os dias passaram voando. Fiz provas e mais provas. Coloquei minha casa ao avesso em busca de documentos que eu precisaria enviar. Mal tive tempo de dar atenção de verdade às gêmeas. Menos tempo ainda de pensar sobre – o que agora eu admitia – a enorme fascinação que eu acabei desenvolvendo por Laura.
Meus pais continuavam sumidos e se não fosse o meu real interesse em dar conta dos compromissos escolares desta semana, eu estaria nervoso e muito preocupado. Eu sabia os prováveis locais onde eles poderiam estar, poderia ir até lá, mas era perigoso demais e eu decidi algum tempo atrás que não me arriscaria mais desta forma.
Continuei minha vida como se nada demais estivesse acontecendo. Fiz todas as provas, montei meu portfólio... só faltava a coragem de finalmente me inscrever. Para não correr o risco com meus portfólios, a orientadora da escola os guardou pra mim.
Pensando que Laura continuava atarefada em seus próprios planos, dediquei os dias seguintes a observá-la de longe. Arranjava motivos para passar por ela nos corredores, voltei a ficar na biblioteca, ia até o refeitório na hora do almoço... só para vê-la passando. Um estúpido, sei disso.
Descobri que ela não estava tão focada assim, quando fui encurralado por ela no jardim dos fundos da escola, onde eu estava escondido lendo um livro.
“Qual é, Dominic, vai ficar fingindo que foge de mim até quando?”
“Oi... eu não estava fugindo. Só ocupado com as provas inscrições, que nem todo mundo.” Tentei dar uma desculpa, mas vi que não a convenceu muito.
“Fala sério... eu até acreditaria nisso semana passada, mas essa semana eu te vi por perto todos os dias. Vi você me olhando e mesmo assim você não se aproximou. O que houve?”
Ela perguntou e se sentou no chão de frente pra mim. Ela realmente parecia se importar em saber. Claro que eu não contaria meus assuntos pra ela, mas acho que posso ser um pouquinho sincero.
“Desculpe. Aconteceram muitas coisas esses dias. E pra falar a verdade, fiquei meio sem jeito de me aproximar depois daquele dia na sua casa.”
“Ah, Dom... que isso... ficar com as suas irmãs aquele dia foi só uma gentileza, não precisa se preocupar. E minha irmã gostou da companhia delas, até pediu para convidá-las de novo.”
“Não sou muito acostumado com isso. É sempre eu e as meninas, não costumamos interagir tanto com outras pessoas.”
“Não sai com amigos de vez em quando? Festas, cinema, lanchonete? É isso o que adolescentes normais fazem...”
“Acontece que eu não sou um adolescente normal.” Acabei aborrecido com rumo disso... eu só queria não ser rude com ela, mas agora ela está tentando tocar em assuntos delicados. E eu não quero falar disso.
“Ei, calma, não precisa ficar emburrado... eu já sei que você não é como todo mundo, mas não imaginei que fosse tão recluso.”
“Eu sempre trabalho nos fins de semana, estou juntando pra quando for pra universidade”. Falei como se já estivesse tudo certo, quando na verdade ainda nem havia me inscrito.
“Isso é ótimo, então. Por favor, não fique zangado comigo. Eu só fico curiosa. Você é sempre tão calado e está sempre fugindo. Por que se esconde tanto?”
“Desculpe, Laura, mas isso realmente é uma coisa minha. Não devia mais perguntar sobre isso.” Disse já me levantando e pegando minhas coisas para sair dali. Me esquivar de suas perguntas era mais difícil do que eu poderia imaginar.
“Espera, não vai ainda. Se eu parar de fazer perguntas você fica mais um pouco?”
“Pra que, Laura? Não temos muito o que conversar.”
“Eu gosto de você Dominic, de todos que conheci nessa escola e desde que me mudei, você é a pessoa de quem mais gosto. E a que mais foge de mim. Você não gosta de mim?”
Eu estou hiperventilando com certeza. Ela disse mesmo que gosta de mim? Claro que no sentido de amizade, né? Mas mesmo assim, minha cabeça vai explodir com isso. Preciso dar o fora daqui antes que toda essa situação saia ainda mais do meu controle.
“Não é isso, desculpe. Preciso ir. Nos vemos por aí!”
“Tudo bem, nos vemos por aí.” Ela já não parecia tão confiante quanto me respondeu isso, mas me surpreendeu quando colocou a mão no meu ombro, beijou minha bochecha e saiu correndo.
E eu que disse estar apressado para sair, fiquei plantado no lugar. Chocado demais para sair do lugar.
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