–Não sei não, acho meio perigoso. – falei, olhando para Scorpius.

– Concordo, perigoso demais. – ele disse, ficando tenso.

– Ah qual é, não sejam medrosos, são grifinos ou não são? – Fred perguntou.

– Está bem, está bem. – Scorpius disse e eu assenti. – Mas sem subirmos, ok?

– Tá, eu só vou lá pegar minha garrafa. – Fred falou e logo saiu correndo. Alguns minutos depois ele voltou, com a garrafa da verdade.

– Já sabem que se mentirem ou não cumprirem o desafio, ela ficará vermelha até dizerem a verdade. – Fred comentou.

– Nós sabemos. – todos concordaram e começamos. Roxanne foi a primeira a girar, e caiu em Hugo.

– Huguinho... – Rox falou. – Verdade ou desafio?

– Verdade. – Hugo respondeu.

– É verdade que você fez xixi na cama até os onze anos? – Rox perguntou, e todos se seguraram para não rir.

– Ah, é... eu... não diria que fiz, mas também não diria que não, por isso é subjetivo então não conta como resposta. – Hugo respondeu.

– Assim não vale. – todos gritamos.

– Tá legal, tá legal, e verdade. Mas não era minha culpa. – Hugo finalmente respondeu. E todos rimos.

Fred era o próximo, ele girou a garrafa e caiu em mim.

– Verdade ou desafio, Black?

– Eu sou corajosa não sou? Desafio. – respondi. – Pode mandar ver, Fredinho. – falei o provocando.

– Pode deixar, Black. – ele falou. – Já que todos dizem que você beija tão bem, e muita gente está apaixonada por você, eu estou curioso para saber o porque...

Quando ele lançou o desafio, já sabia o que ele queria dizer com aquilo, e parece que eu não fui a única que entendi, Scorpius, James e Albus também pareciam ter entendido e não estavam nada felizes.

– Diga logo, Fredinho. – eu disse rindo. – Quer um beijo?

Confesso ter ficado com um pouco de medo, mas o beijei. Ele beijava muito bem, mas eu não sentia nada, não comparado aos outros três. O beijo não foi nada demais, nada além do comum, quando o beijo acabou Al, James e Sco ficaram irritados o resto do jogo todo.

– Sua vez, Black. – Fred falou. Eu girei a garrafa e caiu no James, e todos começamos a rir.

– Essa vai ser boa, verdade ou desafio, Potter? – perguntei e ele riu em seguida.

– Desafio, tenho coragem o suficiente para isso.

– Sei, claro, corajoso. – zombei. – Qualquer coisa, Potter?

– Manda a ver, Black.

– Faça xixi no lençol e leve para o seu pai ver, como uma criancinha. – desafiei-o e todos riram, James parecia irritado. Acho que ele esperava que eu o desafiasse a beijar alguém.

– Tá bem, Black.

Ele subiu, parou na escada e me olhou. Foi até o banheiro e fez xixi no lençol, dava para ver que era xixi porque estava meio amarelado. Que nojo. Ele subiu e todos fomos atrás, e rimos, mas rimos muito com a cara que o tio Harry fez.

Descemos e James já tinha pego outro lençol, e decidimos dormir, já eram quase duas da manhã e iríamos para Hogsmead pela manhã. Eu deitei ao lado de James e Albus não parecia nada feliz com isso, mas fingi que nem era comigo. James pediu para dormir ao meu lado, e ele não, o que eu podia fazer?

Quando acordei, percebi que estava agarrada a James, e ele me encarava.

– Você fica linda de qualquer jeito não é? – zombou. – Chega a dar raiva.

– Engraçadinho. – brinquei. – Mas você também.

Olhei em volta e ninguém tinha acordado ainda, olhei no relógio e eram oito e meia. Íamos sair logo depois do almoço, então podíamos ficar ali por mais algum tempo. Não conseguia explicar, me sentia confortável com ele, segura e protegida de tudo.

– Eu te amo Isa, e mesmo que você não sinta o mesmo, eu continuarei te amando. – ele falou e eu o encarei perplexa, não sabia o que dizer. – Não precisa falar nada, não quero te pressionar.

– Acho que... eu.. te... – comecei a falar mas ele me interrompeu, percebeu que era melhor não falar aqui agora, e me beijou.

Senti falta daquele beijo, e como senti, e foi então que percebi que nada tinha mudado desde aquele dia no trem. Ele me beijou lentamente, como se nunca fosse acabar e eu gostava daquilo, me sentia feliz com ele. Mas e tudo o que eu passei até agora, não posso simplesmente fingir que nada aconteceu. Ainda estava confusa, estava pirando.

Paramos de nos beijar e olhei para ver se alguém tinha acordado, mas não. Eu e James saímos em silêncio, subimos as escadas e a casa ainda estava vazia, sentamos no sofá e eu me deitei em sua perna. Era como se eu não tivesse mais nenhum problema e que eu nunca mais os teria, não parecia ter mais ninguém no mundo exceto nós dois, e gostei daquela sensação. Me levantei e o olhei nos olhos, aqueles lindos olhos castanhos esverdeados, e o beijei novamente. Dessa vez ele parecia mais o James que eu conheço, aquele por quem me apaixonei.

Seus lábios eram macios e quentes, ele me beijava com desejo, ele desceu uma de suas mãos até minha coxa, puxando-me para mais perto dele, eu fui sem pensar.

– Oh, eu estou atrapalhando algo? Me desculpem meninos, só vim beber um copo d’água. – falou o senhor Potter, enquanto descia as escadas.

– Tudo bem pai, pega a água e pode ir. – James falou e o senhor Potter começou a rir.

– O que você falou pra ele? – perguntei.

– Nada demais. Depois eu te explico, onde estávamos mesmo?

Senhor Potter subiu as escadas e eu fiquei encarando James, odiava quando ele não me respondia as coisas e me deixava curiosa.

– Com você me contando o que disse a ele sobre nós. – resmunguei e ele riu.

– Acho que não. – ele sorriu. – Me lembrei, estávamos aqui. – ele sussurrou e voltou a me beijar, me agarrou e aquilo estava indo para um lado ao qual eu não sabia se estava preparada.

– Jay, é melhor pararmos. – falei e ele me encarou e sorriu.

– Tudo bem, acho que exagerei. Eu só senti sua falta, precisava ficar ao seu lado, beijar e sentir você, saber que não se esqueceu de mim.

– Achou mesmo que eu tinha me esquecido?

– Claro que não, eu sou irresistível. Ninguém consegue me esquecer. – ele falou e eu ri.

– Pouco convencido você em.

– Que nada. – zombou ele, então eu comecei a rir.

A cena por si já era engraçada. Depois disso ele ficou me provocando com mordidinhas no pescoço, eu me segurei para não beijá-lo novamente, quando todos começaram a aparecer eu tive que dar um tapa nele para que ele parasse.

– Bom dia crianças. – disse a senhora Weasley.

– Bom dia vó – dissemos juntos.

Eu me levantei e dei um beijo e um abraço nela, fui ajudar ela a preparar o café. Enquanto estava abraçando-a Gina e Hermione apareceram.

– Bom dia minha futura nora. – tia Gina falou e eu corei imediatamente.

– Futura nora? Como assim? Vocês nem me contaram nada, mas que afilhada mais desnaturada essa minha. – tia Mione disse irritada, mas rindo.

– Não é nada disso. – falei gaguejando. – Eu não namoro com ele.

– Por isso eu disse futura, querida. – brincou Gina, me fazendo corar mais ainda.

– Qual deles? – perguntou Mione. – Olhe Gina, ela parece um pimentão.

Rose entrou na cozinha, junto com minha mãe.

– Amy, querida, já está sabendo que seremos parentes. – zombou Gina.

– Como assim parentes? – minha mãe perguntou sem entender nada.

– Isabella e James. – respondeu Gina.

– Ah, mas é claro que não podemos esquecer de Rose e Petter. – comentou Mione.

– Esses meus filhos não me contam nada mesmo. Como assim, Isabella e James? – perguntou minha mãe.

– Eu achei que ainda estava em dúvida amiga. – comentou Rose, me deixando nervosa.

– Eu estou, tio Harry me viu na sala conversando com James e tirou suas próprias conclusões, acho que comentou com tia Gina e ela desatou a falar.

– Não foi exatamente isso que ele disse que estavam fazendo, conversando. Quando ele me contou parecia que estavam fazendo bem mais do que conversar. – zombou Gina.

E todas começamos a rir, eu não conseguia parar de ficar vermelha, estava morrendo de vergonha daquela situação toda, era constrangedor.

– Como assim em duvida, querida? – perguntou minha avó.

– É que... digamos que estou confusa quanto aos meus sentimentos, e não só por ele, entendem? – respondi, meio relutante.

– Resumindo vovó, ela está confusa, em dúvida entre os Potter e o Malfoy.

Juro que quando Ro falou aquilo eu quase a matei, eu estava tentando amenizar a situação, e ela joga toda a merda na vassoura.

– É complicado querida, muito mesmo, mas pelo o que ouvi, você tem uma preferência sobre um deles não é? – perguntou vovó Molly.

– Eu não diria preferência, todos me fazem bem, James tem suas fases, mas quando ele resolve não se esconder, ele é incrível. – falei e todas me olharam e deram umas risadinhas. – Só não sei direito o que fazer, não quero magoar ninguém.

– Querida, você terá de magoar alguém, mas eles vão seguir em frente, é a vida. Tudo ficará bem. – Gina falou, para logo em seguida me abraçar.

– Obrigada pessoal, mas ainda assim eu não consigo saber quem terei de magoar ou não. – falei sorrindo e todas rimos novamente.

– Filha, tudo vai ficar bem. Eu prometo. – minha mãe falou em tom acolhedor.

Tio Rony e James entraram na cozinha.

– Estamos com fome, parem de rir e nos alimentem. – disseram os dois, fazendo-nos gargalhar.

Tio Rony sempre estava com fome, e eu nunca entendi de onde vinha tudo aquilo.

James se aproximou e colocou sua mão sobre meu ombro.

– Isa, não demore tá bem? Temos que terminar aquele assunto. – ele falou e me deu um selinho, na frente de todas. Eu fiquei instantaneamente vermelha.

– Tá, sai fora, eu já vou. – falei e todas ficaram nos olhando e rindo.

Ele e tio Rony saíram da cozinha, e todas continuaram a rir.

– Vocês formam um belo casal. – zombou tia Gina, e todas concordaram com a cabeça.

– Olá Astoria, bom dia. – disse tia Mione.

– Bom dia queridas. – ela respondeu. Me deu um beijo na testa e foi pegar as coisas para colocar na mesa.

– Também quero rir, estavam falando sobre o que?

– Pra ser sincera, de muita coisa, até seu filho foi incluído. – brincou Gina.

– Já até imagino do que se trata. – zombou Astoria. – Tinha algo haver com Isabella, não é?

– Como sabe? – eu perguntei, corando novamente.

– Ele me contou querida, disse que gosta de você, mas que não queria perder a amizade de Albus. Que é muito importante para ele, mas que ele não consegue mais ficar tão longe de você. – respondeu Astoria.

– Ah, pelo menos algum filho por aqui conta as coisas para os pais. – falou Gina, irritada.

Todas riram, e eu sai rapidamente da cozinha a procura de Scorpius. Procurei por cabelos platinados no porão, mas ele não estava mais por ali.

– O que está procurando? – perguntou James, e achei melhor ser sincera com ele.

– Scorpius.

– O que quer com ele? – ele gritou, nervoso.

– Ah, não fique nervoso, só preciso perguntar algo a ele. Não é nada demais.

– Sei. Tudo bem, ele está no jardim. – ele respondeu.

Sai em direção aos jardins, a procura de uma cabeleira loira. O encontrei recostado a uma árvore, parecia estar chorando, mas era impossível. Malfoy não chorava, eu só podia estar vendo coisas.

Ele sempre foi tão frio, seco com tudo. O que será que aconteceu para ele estar chorando?

– Sco, o que aconteceu?

– Ah, é você. – ele virou-se e enxugou suas lágrimas. – Não foi nada.

– Pode me contar, sabe que estou aqui por você. Odeio te ver assim.

– Não foi nada, estou falando sério. Me deixe em paz. – ele resmungou.

– Não precisa ser grosso comigo, só estou preocupada com você.

– Preocupada comigo? – ele berrou. – Me poupe Black, eu estou cansado de seus joguinhos.

– Cansou dos meus o que, Malfoy?

– Joguinhos Black. – ele gritou. – Você brinca com as pessoas como se elas fossem lixo, mas o único lixo por aqui é você que sai por ai pegando todo mundo na maior cara de pau, e diz que não quer magoar ninguém.

– Sínico. – falei e lhe dei um tapa bem dado na cara dele.

Tentei lhe dar outro, mas ele segurou meus braços.

– Você é só outra vadia, só isso. E acho que Albus concordará comigo quando eu contar o que houve aqui.

– Ele nunca faria isso, porque diferente de você, ele acredita em mim, confia em mim e sabe pelo o que eu estou passando. – resmunguei. – Sua doninha albina. – gritei, e ele continuou segurando meus braços.

– O que está acontecendo aqui? Solta ela Scorpius. – James gritou, enquanto corria pelo jardim ao nosso encontro. – Agora!

– Nada, eu já estava entrando. – ele me soltou, levantou-se e voltou para a toca.

– Você está bem? Ele te machucou? – James perguntou.

– Não, ele não é nem louco, mas eu sim, dei um belo tapa naquela cara de doninha maldita. Aquele trasgo idiota, nojento. Ele merece ser tratado como um elfo doméstico antes da guerra, aquele imbecil. – resmunguei.

– O que aconteceu? Vocês estavam tão bem, até diria que estava apaixonada por ele. – ele perguntou, sentamos perto da árvore e eu contei o que aconteceu.

– Como ele pôde falar isso pra você, e sair daquele jeito? Achando que estava certo, que tinha alguma moral. – Berrou James.

– Fica calmo, Jay, já passou. Não precisa surtar.

– Até parece que ele não sabe o que você está passando, ainda ontem a noite na cozinha ele foi dizer ao meu irmão o que sentia por você. Quanta cara de pau, vou azarar esse garoto.

– Não vai não, ainda mais fora de Hogwarts, pode ficar calmo ai.

– Até parece que ele não sabe o que você tá passando , ainda ontem a noite na cozinha ele foi dizer ao meu irmão o que sentia por você , quanta cara de pau . Vou azarar esse garoto .

– Não , não vai , ainda mais fora de Hogwarts . Fique calmo ai .

Nós ficamos sentados ali até o café da manhã estar pronto.

– Venham crianças, venham comer. – vovó Molly nos chamou.

E o tio Rony, é claro, foi o primeiro a pegar tudo o que podia para comer. É claro que eu e James demos boas risadas.

Não estava com muita vontade de comer, Jay por outro lado enchia o prato com várias panquecas. Meus olhos foram parar em Albus, que estava sentado na ponta da mesa, mexendo seu garfo sobre as panquecas sem se quer comê-las.

– Jay, vou chamar seu irmão para ir comer, está bem?

– Claro meu amor, vai lá.

– James, eu não sou seu amor. – falei nervosa e ele riu.

Fui andando até ele, ele olhou para cima e ficou me encarando, esperando que eu falasse algo.

– Oi. – ele falou.

– Olá. – falei e dei risada. – Não vai comer nada?

– Estou sem fome.

– Pois é, eu também.

Me sentei ao lado dele, me perguntando o que ele e Malfoy tinham conversado noite passada, e se isso teria algo a ver com o motivo dele estar assim.

– Você está legal?

– Eu tô bem, claro que não como uma firebolt 5000, mas bem. E você?

– Não sei, Malfoy me disse muitas coisas que não devia. Ou que devia, não sei direito. – comentei e ele me encarou confuso.

– Agora é Malfoy, o que aconteceu com Sco?

Eu expliquei tudo a ele, era estranho falar sobre isso com ele, mas tentei contar o máximo de detalhes possíveis.

– Ele só está com ciúme Isa. Conheço ele, ele é assim mesmo, é calmo, mas quando juntam coisas demais na cabeça dele, ainda mais quando envolve o coração, ele explode e destrói tudo o que tem pela frente.

– Será que é só isso mesmo, Al?

– Sim, eu tenho certeza. Não precisa se preocupar, mais cedo ou mais tarde ele virá te pedir desculpas, ele é orgulhoso, mas sabe quando erra feio. Eu também fiquei com ciúme quando vi você e James conversando, e rindo. Mas eu compreendo você, sempre disse que não queria me dar falsas esperanças.

– Al, você é meu melhor amigo, depois da Ro, é claro. E você sabe disso, eu conto tudo pra você, então lá vai. Ontem, o James disse que me ama, mas eu não pude responder, sabia que ele estava sendo sincero, e sei que ele sente mesmo isso, só não sei se eu sinto. Você, ele e Scorpius mechem muito comigo. Não quero ficar assim pra sempre.

– Isa, por favor, não chore. Eu estou aqui por você, não precisa chorar.

Logo depois, nos levantamos e fomos sentar perto de James, tentamos comer algo. James era totalmente o contrário, mais parecia um trasgo comendo de tão nojento. Quando olhei para o outro lado, Scorpius mal tocava na comida, nossos olhares se encontraram e ele se levantou e saiu, segundos depois seu pai foi atrás dele.

P.O.V Draco Malfoy .

Estávamos todos sentados a mesa tomando o café da manhã no jardim, o clima estava comunicativo, mas notava Scorpius afastado, não estava conversando com seus amigos, quieto, e mal tocava na comida. Ele jogou o garfo em cima das panquecas e levantou-se.

– Vou atrás dele. – falei para Astoria e me levantei em seguida.

Fui o seguindo, ele estava realmente estranho desde que chegamos aqui, não dava para entender, a última vez que o vi ele estava tão bem, tão animado.

– Filho, o que está acontecendo? Você mal tocou no café.

– Estou sem fome.

– Você está sem fome? Aconteceu alguma coisa?

– Coisas.

– Precisa ser mais especifico.

– Garotas, elas são um problema.

– Nesse assunto eu posso te ajudar. – zombei e ele sorriu.

– Na verdade, é uma garota só, não sei explicar como me sinto. É uma sensação completamente diferente, ela me deixa louco, mas no bom sentindo. Eu sempre tive controle sobre mim, sobre meus desejos e atitudes, mas fiquei tão maluco a ponto de agarrá-la na frente de todos. Mas é tudo tão mais complicado que isso.

– Tem que me contar um pouco mais, porque é mais complicado?

– Ela gosta de outro cara, ou melhor, de outros caras. E sei que depois do que fiz hoje, o que ela disse que sentia por mim deve ter sumido.

– Filho, aprenda, ninguém resiste ao charme dos Malfoy, aprenda com seu pai, quando você quer, você consegue.

– O problema pai, é que os Potter também tem o que você chama de charme.

– Potter? Como assim?

– Fala sério né, você não entendeu de quem eu estou falando ainda pai? — ele perguntou e eu fiz que não, não fazia a menor ideia de quem ele estava falando. – Estou falando da Isabella.

– Ah, sim. – fiz que sim com a cabeça, começando a entender tudo. – Mas ela é sua prima.

– De segundo grau, pai, segundo grau.

– Tudo bem, tudo bem. Mas exatamente o que os Potter tem a ver com isso? – perguntei e ele deu um tapa em sua cabeça, parecia indignado.

– Os dois garotos pai. – ele estava completamente perplexo por eu não ter entendido ainda. – como você é lento. São eles.

– Mas os dois? – perguntei sem entender nada.

– Sim, mas tenho certeza de que James tem mais chance.

– Mas e sua amizade com Albus?

– Assim que ela deixar ele de lado, eu irei atrás dela de verdade. Porque sei que ele não a ama, que só está confuso, ele pode até sentir atração por ela e ter uma paixonite, mas não a ama. – ele confirmou, parecia tão certo do que dizia, que convenceria até o próprio Albus se quisesse.

– E você a ama?

– Bom... é, digamos que sim. É né. – geralmente quando ele fala assim, eu fico confuso mas dessa vez eu entendi.

– Filho, se você a ama mesmo tem que fazer o que for possível para tê-la. Porque amor, é complicado demais para se sentir duas vezes.

– Pode deixar pai, assim que Albus perceber que o que ele sente não é amor, eu vou lutar de verdade.

P.O.V Isabella Black .

Os dias foram passando na Toca, e ao contrário do que Al me disse, Malfoy não pediu desculpas, nem sequer falou comigo, mal olhava para mim. Estou esperando que ele fale comigo quando voltarmos para Hogwarts, pois acho que ele espera que tenhamos mais privacidade ou algo do tipo. A maioria dos dias que passei aqui fiquei com Al e James, e por mais incrível que pareça estávamos quase sempre os três juntos, ás vezes eles até brigavam, mas muito menos do que antes.

Duas semanas já tinham se passado, o natal estava aí, como sempre faríamos um incrível jantar hoje, e um ótimo almoço amanhã. Mas partiremos daqui a uma semana. O porão nos deixou mais unidos do que nunca, Malfoy só evitava falar comigo e com James, mas conversava normalmente com todos. Eu fingi não me importar, achei que era melhor ignorar.

Eu, James, Albus e Rose estávamos conversando no porão, quando Petter desceu as escadas para juntar-se a nós.

– Acho melhor eu e Ro subirmos para ajudar com o jantar. – falei e ela concordou.

– Eu concordo, estou faminto e parece que vai demorar, quanto mais gente ajudar, mais rápido sai essa comida. – resmungou Jay.

– Você está sempre faminto James. – zombou Albus, e todos concordaram com a cabeça, rindo logo em seguida.

– Então vamos? – perguntei para Ro, ela se levantou e deu um beijo em Petter para se despedir.

Dei um selinho em Jay, e um em Al. Sei que parece estranho, mas concordamos em nos divertirmos durante as férias, sem pensar no que pudesse acontecer no futuro, porque eles não aguentavam mais brigar, e eu não aguentava mais vê-los brigar. No começo eles aceitaram, mas eu quase surtei.

FlashBack on .

Estava sentada na grama, encostada na árvore de sempre, esperando por Al. Quando ele finalmente apareceu, vejo que Jay está com ele, estranhei, pois os dois nunca ficavam juntos sem discutir.

– O que está acontecendo aqui, garotos? – perguntei, para logo depois me levantar.

– Queremos falar com você, tenho certeza que no começo não vai gostar nada, mas depois que entender, pode ficar mais tranquila. – James explicou.

– Tá, falem logo. Odeio quando me deixam curiosa. – resmunguei.

– Nós pensamos e conversamos muito sobre isso, e chegamos a uma conclusão. Nós cansamos de ficar brigando e discutindo toda hora porque queremos ficar com você. – Albus continuou.

– Então tivemos uma ideia, nós pensamos direitinho e achamos que aguentamos dividir você. Mas só durante as férias. – Jay falou e eu os olhei perplexa, não acreditava que eles estavam falando aquilo. – Assim que chegarmos em Hogwarts a batalha continua. O que você acha?

– Até que não é uma ideia ruim. – falei, e os dois olharam um para o outro e pareciam aliviados. – É uma ideia horrível, primeiro vocês falam em que dividir, depois em batalha. Tão achando que eu sou um troféu? Eu sou uma pessoa. – berrei, estava histérica, completamente furiosa e irritada.

– Isa, se acalma. Não achamos que você é nenhum tipo de prêmio. Só pensamos nisso para pararmos de brigar, antes que acabe estragando mais ainda o que nós temos. Não será fácil no começo, mas podemos nos acostumar. Só por enquanto, em Hogwarts você terá mais tempo para escolher, e acho que assim vai poder conhecer o melhor de nós dois. – Albus comentou.

– Até porque quando estamos brigando, acho que não mostramos nosso melhor lado, né maninho. – Jay brincou, dando soquinhos no ombro do irmão mais novo.

– Não vou dizer que não, mas de jeito nenhum direi que sim. Irei pensar no caso de vocês, não gosto da ideia, mas vou pensar. – falei e sai andando.

FlashBack off .

Foi assim que eu passei dois dias pensando, conversei com Rose e com Petter sobre o assunto e tomei minha decisão, mas eu não ficaria me agarrando com os dois nem nada do tipo, eram só beijinhos e conversar. Mas nada em público, e estava dando certo, mas as vezes eu pensava em como Malfoy estava. Sabia que não podia pensar nele, ele era um nojo, arrogante e mentiroso.

– No que está pensando querida? – perguntou tia Mione.

– Nada, nada demais. Nada importante. – falei e ela riu.

– Achei que já estava tudo bem entre você e os meninos.

– E está tia, é que briguei com Malfoy, e agora que tá tudo bem com o Al e o Jay, não sei mais como agir com relação a ele.

– Bem que eu reparei que algo estava errado entre vocês, me conte o que aconteceu.

– Ai mãe, é melhor nem falar disso com ela, ou ela vai começar a chorar de novo. – comentou Rose.

– Tudo bem então, depois nós conversamos.

– Vão se arrumar meninas, é natal. A comida estará pronta em um instante, os meninos já estão lá fora. Vão logo, se não vão se atrasar. – disse Astoria, entrando na cozinha.

Ela estava deslumbrante, com um lindo vestido azul marinho na altura do joelho, colado ao corpo e com pregas no busto, sapatos de salto nude, seu cabelo preso em um belo coque e sua maquiagem impecável.

Eu e Rose saímos da cozinha, encontramos Rox e Lily, que já tinham se arrumado e estavam indo para os jardins.

Todos já estavam lá fora, assim que vi Lorcan e Lys, eu corri para os abraçar. Eu os adorava, mas por serem de outras casas não nos falávamos muito em Hogwarts.

– Tia Luna, Tio Ralf. – os abracei logo em seguida. – Que bom ver vocês.

– É muito bom ver você também querida. – tia Luna cumprimentou-me.

– Que saudades, Isa. – Lorcan e Lys disseram enquanto me abraçavam.

– Bom, eu tenho que subir para me arrumar, vamos Ro? – perguntei a ela, que concordou.

– Vamos sim, tchau pessoal, até daqui a pouco. – despediu-se Rose.

Subimos as escadas até o quarto dos meus pais, e nos arrumamos juntas. Não demoramos muito, mas ficamos lindas.

– Vamos arrasar? – zombou Rose

– Como sempre. – brinquei e nós rimos.

Descemos as escadas e encontramos os três ao pé da escada, nos esperando.

– Vocês estão lindas, totalmente incríveis. – comentou Al.

– Tenho que concordar com isso irmãozinho. – brincou Jay.

– Como temos sorte. – suspirou Pett.

Rose terminou de descer os degraus, deu um beijo em Pett, pegou em seu braço e saiu até os jardins. Eu fiquei em duvida do que fazer, então peguei no braço dos dois e sai.

Tivemos um natal incrível, a semana que se seguiu passou tão rápido que nem senti, até o dia de voltar para Hogwarts foi tranquilo.

Mas assim que entramos no trem, tudo voltou ao seu estado normal.

Colapso.