Love, Rose.
1 01. Caro Scorpius.
Notas iniciais
Caro Scorpius,
Não que seja da sua conta, mas reparei que parecia perdido hoje. Não fisicamente, mas emocionalmente, é claro. Parecia triste. Pude ver nos seus olhos cinzentos. Eles estavam diferentes, vazios de uma forma que eu nunca havia visto. Opacos. Nublado.
Estavam avermelhados, a ponto de eu ousar pensar que você tenha chorado. A certo ponto, isso me incomoda. Talvez eu me importe com você mais do que imagina, e mais do que eu mesma desejo. Contudo, não podemos controlar o que sentimos e ainda não inventaram uma poção que tenha êxito para isso. Então eu sigo aqui, escrevendo cartas sem nenhuma pretensão de que sejam enviadas algum dia. E eu sinto muito que tenha que ser assim, porque tudo o que eu queria era poder te ajudar nesse momento difícil.
Por mais que não acredite, eu te entendo. O peso de um sobrenome conhecido possui dois lados, e lamento que tenha sido um fardo tão negativo em sua vida. Você é implicante, um chato, e certamente um grande idiota, mas eu consigo ver através dos muros que construiu e sei que existem qualidades que, por algum motivo estúpido, prefere esconder.
Soube da sua mãe, que ela falecera durante o último verão e que, desde então, os rumores na escola tem se tornado mais fortes e frequentes. É uma pena que as pessoas sejam tão estúpidas a ponto de acreditarem em tais asneiras. Gostaria de poder fazer algo por você, mas meu orgulho enorme e o muro que você carrega em volta de si mesmo nos impede de qualquer coisa.
Pode não acreditar, Malfoy, mas por incrível que pareça, eu realmente o compreendo. Espero que perceba um dia que não precisa se fechar para o mundo. Você não é como seu pai um dia já fora, ou como os seus avós paternos, é mais que isso, eu posso te garantir. Certamente não deve nada a ninguém, e também não merece passar por isso. Não precisa pagar pelos pecados de um passado que não é seu, como anda fazendo.
Por mais que cisme em ser essa criatura arrogante e extremamente convencida, ainda sim eu consigo ver a bondade que está em você. Seja na amizade que construiu com o Albus, ou por ter me ajudado naquela aula de poções, mesmo reclamando tanto. Eu poderia criar uma lista de motivos que provam que você é exatamente o contrário do que busca aparentar ser, mas, para isso, precisaria escrever uma outra carta.
Desculpe-me se eu acabei com a sua encenação, entenderei se algum dia sentir raiva. Enquanto isso, continuarei com esse segredo para mim mesma e, presa em meu egoísmo, serei a única que te enxerga como você realmente é.
Sinto muito que as coisas tenham que acontecer dessa forma. Espero que algum dia seja capaz de retirar a venda que o impede de perceber que eu ainda estou aqui, como sempre estive, e você nunca percebeu. Desculpe-me por ser uma covarde.
Espero que perceba os meus sentimentos algum dia, até lá, estarei, como sempre, impacientemente esperando por você.
Com amor,
Rose.
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