Notas iniciais
capitulo cheio de linguiça, desculpem.

- Não acredito que você se assustou na parte mais idiota do filme!

- Não foi um susto, a pipoca ia cair da minha mão.

Tinhamos acabado de sair do cinema. Escolhemos um filme de terror, era legal ver esses filmes já que pra mim acabava sempre sendo engraçado e como Tony compartilhávamos a mesma opinião escolhemos esse. Entre tentar descobrir o que ia acontecer e rir da cara da pessoas ao nosso lado, o Anthony tomou um susto com a parte mais boba, ele foi o único a se assustar, eu não conseguia parar de rir.

Foi legal ter visto o filme com ele, descobri que ele era extremamente divertido, e eu estava bem a vontade com ele, como se nos conhecêssemos faz tempo.

- Sei que você tem aula amanhã cedo, mas topa ir para algum lugar? Tomar um sorvete algo do tipo.

- Pode ser. Mesmo eu tendo aula, eu nunca vou dormir cedo mesmo.

- Ótimo!

Fomos para a mesma sorveteria que fomos outro dia, mas o movimento estava totalmente diferente. Sentamo-nos mais ao fundo, e fizemos nossos pedidos.

- Como foi a aula?

- Boa, apresentei meu trabalho q parece que fui muito bem, mas ainda não tenho a nota.

- Isso é muito bom!

- Tinha que ser pelas horas que perdi nele.

- Já trabalhou nesse ramo?

Estava parecendo uma entrevista, mas ele estava se mostrando realmente curioso sobre o que eu fazia.

- Já trabalhei em algumas produtoras e agencias quando terminei a faculdade. Mas dei uma pausa para viajar e me aperfeiçoar em algumas áreas, e agora para dar mais atenção para a pós.

- Entendi.

- É melhor assim, esse trabalho existe muito de você, e a pós também.

- Você já viajou pra onde?

- Já morei um tempo em Londres, enquanto fazia alguns cursos. Depois voltei para NY, e trabalhei um tempo por lá.

- E não gostou de trabalhar lá?

- Gostei muito, era uma grande produtora, fiquei alguns meses lá, depois me transferiram para Califórnia. Ainda não era o que eu realmente queria, por isso comecei a me aperfeiçoar mais.

- Por isso está estudando.

- Exato.

-Interessante. E você sempre quis fazer isso.

- Para falar a verdade não, minha mãe queria que eu fosse uma famosa pianista ou bailarina, eu não queria, talvez por isso ela esteja colocando a Junne nesse caminho, enfim, demorei para descobrir o que eu queria. Fiz vários bicos em vários lugares, ai fui descobrindo coisas novas e me interessando nessa área.

- E a Junne gosta dessas coisas que tem que fazer.

- Gosta, impressionantemente ela adora.

- Você não?

- Não, eu só pensava de bagunçar em todo lugar que minha mãe me colocava. Nas aulas de piano, violino, ballet, flauta, eu era sempre a peste rebelde. O que eu queria era tocar bateria, mas ela nunca gostou dessa ideia.

- Mas depois por que você não aprendeu?

- Não sei, eu já tentei, mas depois que ganhei minha guitarra, achei mais legal.

- A guitarra então você aprendeu a tocar.

- Sim, não sou muito boa em teoria por que aprendi sozinha, mas posso dizer que sei tocar.

- Aprendeu sozinha é?! Precisa de muito interesse né.

- E falta do que fazer também. Mas e você o que faz? – percebi o quão obvio foi minha pergunta, então tratei logo de completar. – Quero dizer, anda trabalhando em algo novo?

- Sim. Um novo álbum.

- É?! Qual o nome?

- By The Way. Já temos algumas coisas prontas, depois te mostro. – Ele deu um gole em sua água. – Por falar nisso – eu esperava uma pergunta dentro do assunto, mas ele foi totalmente longe. – E a Junne? Contou alguma coisa?

- Não, nem uma palavra sobre o assunto.

- É, eu tenho esse poder sobre as mulheres, desde as mais novas. – falou com cara de convencido.

- Nossa Tony, com certeza! – dei uma risada de deboche.

- Você realmente acha que sua mãe não deixaria ela voltar.

- Conheço a mãe que tenho Anthony, e se ela fala que vai fazer algo, ela faz, por mais boba que for a causa.

- Ela deve ser bem rígida.

- Na verdade para você ter opinião sobre ela, tem que vê-la pessoalmente. Se eu te descrever o modo dela, você vai achar que ela é a mais chata e rigorosa do mundo, e quando você a conhece vê que é totalmente o contrario. Complicado...

- Interessante, espero um dia conhecer ela.

- Quem sabe.

- E seu pai? – percebi seu jeito meio fechado de me fazer essa pergunta, talvez porque eu ainda não tenha falado sobre ele.

- Eles são separados, ele é uma pessoa maravilhosa, incrível, mas não era o certo para minha mãe. Agora ele vive viajando, é difícil eu conseguir falar com ele, mas ele sempre dá um jeito de me ligar. Só com a minha irmã que as coisas são meias diferentes.

- Por quê?

- Eu cresci com meu pai, Junne não, eles se separaram ela mal tinha dois anos. Eles se falam mas, o relacionamento é bem mais distante do que comigo. Ele tenta de varias formas se aproximar dela, mas o trabalho dele e minha mãe não ajudam, então...

- É complicado esse negocio de separação, os meus também se separam quando eu era pequeno, minha mãe se casou com outro o Steve, ele era legal. Mas isso nem interferia muito em mim, já que fui morar com meu pai.

- Minha mãe já teve alguns casos, não os levou muito a sério.

- Ela não se importou quando você decidiu morar sozinha?

- Não, ela sabia que eu não queria mais depender das pessoas a minha volta, ela também era assim quando jovem, tanto que fugiu de casa, então conheceu meu pai e o resto da história você já sabe.

Perdi a noção da hora enquanto eu conversava com Anthony, ainda mais quando falávamos da nossa infância. Cada um voltou para sua casa. Eu fui tomar banho e dormir, torcendo para não me atrasar no dia seguinte.