Love, Rock and Girls
5 Chapter Five
Notas iniciais
IX – Sweet Things
“Foi realmente lindo”, eu digo a Quinn.
Ela tosse de novo. Parece estar engolindo o sorriso que tenta despontar em seus lábios.
“Obrigada”, ela retribui com gentileza. As crianças estão se dispersando. Quinn está à minha frente, com esse sorriso indestrutível, meio tímido. Parece um sorriso muito especial.
“Hey, ahn...”, ela começa. Então para, observando a garotinha loira correr pela sala com um coração de pelúcia. Ela corre atrás dos meninos, enquanto eles gritam. Meninos, tão estúpidos já nessa idade. “O quê? Diga”, me balanço no mesmo lugar, ansiosa. Ela foca de novo em mim. “Queria te propor uma parceria. Você canta, então acho que poderíamos nos dar bem nisso”, ela me diz súbita e muito superficialmente. “Em quê?”, retruco. Estou tão ansiosa. Aquelas luzes coloridas devem ter provocado algum tipo de dano no meu cérebro. “Toda noite de sábado eu gravo um vídeo no nosso canal do Youtube e, se você concordar, poderia ser a participação especial de hoje”, Quinn me responde. “Eu? Mas...”, tento ser sensata: quem eu sou para cantar com ela? Quinn, no entanto, dispensa minhas palavras com um gesto com a mão. “Você, sim. Sua voz deve ser ótima. Afinal, você está na NYADA”.
Ainda assim, é insano. Não é?
Assinto meio avoada. Então quer dizer que estarei no Youtube? Para todo mundo assistir? Isso me deixa, repentinamente, em pânico. Noite passada foi uma das noites mais esquisitas e loucas da minha vida, tomei um porre e acordei muito mal. Não posso aparecer no Youtube depois desses acontecimentos que me afetaram psicologicamente tanto quanto todas as brincadeirinhas de Santana. Ai, meu Deus. A Santana. Meus amigos. Eles devem achar que estou desaparecida, que me sequestraram, que estou numa sala de necrotério de um hospital qualquer. Ai, meu Deus.
“Rachel?”.
Estou enjoada demais.
“Eu preciso ligar para meus amigos”, respondi. “Para quê? Para pedir autorização a eles para participar do meu vídeo?”, suas sobrancelhas claras se franzem. “Você não está entendendo. Eles devem pensar que estou desaparecida. Não acho que alguém tenha me visto sair com você, ontem à noite”, respondo. “Preciso ligar para Sant, ou para Finn. Já venho”, digo. De repente, estou desesperada. Meu coração está na boca. Há um telefone público há alguns metros do tal recinto. Preciso caminhar até ele, pois noto que estou sem meu celular. Onde o deixei? Não sei, não me recordo.
“AimeuDeusRachel!”, é como Santana me atende. Ainda bem que sei o telefone dela de cor. Caso contrário eu estaria encrencada. Esqueci o Kurt. Mas ele não ficaria chateado, eu acho. “Onde você está?”, ela quer saber. “Oi, Sant”, respondi cautelosa. “Estou com a banda”.
“Que banda?”, ela é ríspida.
“A banda, a Foxwood. Da minha festa”, explico.
“AIMEUDEUS, O QUÊ?”, ela berra. “Tipo assim, onde você está? Vou buscá-la!”.
“Não sei onde estou, é tipo... um retiro para crianças”, fazendo o possível para explicar digo. Na verdade, isso não ajuda muito. Na verdade, não ajuda nada. “Sei, e onde é isso? Vamos lá, olhe em volta. Algum ponto chamativo? Uma igreja, uma praça? Rachel, você está ouvindo?”.
A ligação cai. Não tenho mais moedas.
Mas ok. Ela sabe que estou viva. É isso que importa.
“Hey?”, ouço a voz de Quinn. Viro-me, pensando vê-la muito longe de mim, mas ela está disposta a apenas alguns metros de mim. “Ah, oi”, digo. “Alguém vem buscá-la?”, ela pergunta. Seus braços estão cruzados, e ela assume uma postura estranha. “Não, a ligação caiu. Mas não quero ir embora”, confesso. Não sei se ela quer mesmo que eu vá embora, mas faço questão de expressar o quanto estou aproveitando desse dia sem bebida. “Estou gostando muito desse sábado”. Ela me sorri e coloca uma mecha do cabelo atrás da orelha. “Bem, nesse caso, há muito mais coisas para fazermos. Que tal continuar?”, ela me oferece a mão, num gesto amigável. Seu braço está estendido, e sua mão está ansiando pela minha. Vacilo por um momento. Então caminho até ela e pego sua mão. “Gosto disso”, isso escapa sem querer. Não sei a que realmente me refiro, mas não consigo consertar o que já disse. “Eu também”, ela responde. Ela está olhando para nossas mãos juntas.
Não sei como me portar. Há pessoas transitando pela calçada, sem dar a mínima para nós. Fico um pouco incomodada. Nossas mãos se encaixam como se fossem uma. Gosto do calor que elas emanam juntas e da sensação que esse calor provoca em mim. Largo sua mão num átimo e cruzo os braços. Quinn me olha como se estivesse examinando minha alma. Sei que quer saber por que fiz isso. Não digo nada, continuamos a caminhar até a entrada do retiro.
O casal responsável pelas crianças está dizendo algo a Puck. Beth está em seu colo, brincando com seu moicano. “Você fica engraçado assim”, ela diz a ele. “Que tal brincar de esconde-esconde, Beth?”, a mulher ruiva lhe pergunta. “Quero ir com eles”, a menina responde. “Você quer tirar o meu lugar na banda?”, Quinn entra na conversa, apertando o nariz da criança. É um gesto muito fofo. Ela seria uma boa mãe. Elas se parecem demais. “Eu sei cantar, tá?”, Beth diz. “Não sei, não”, Quinn fala. “Venha, Beth”, o tal do Sr. Schue diz, estendendo os braços, pronto para pegá-la. Ela é passada para o colo dele, enquanto ela reclama. “Você vai voltar, né, Kim?”, a criança pergunta. “Estarei sempre aqui, Beth”, Quinn replica com um sorriso. Eles se despedem com carinho. O casal e a criança desaparecem dentro da casa.
Quinn vira para mim e coloca um dos braços em meus ombros.
“Então, garota Hobbit? E a sua participação especial?”, ela quer saber.
“Parece uma coisa legal de se fazer”, reflito alto.
X – Only You
“Posso?”, Quinn me pergunta.
Estou de banho tomado, assim como ela, maquiada e com uma roupa emprestada. É um vestido preto com caveirinhas brancas. É mais curto que os que habitualmente uso, mas serve. Minha maquiagem é leve, Quinn que me maquiou. A sua, em contra partida, está pesada como na noite passada. Seus olhos parecem estar carregando nuvens negras acima deles. Sua boca está da cor de cereja. Ela fez questão de aplicar o mesmo batom em mim.
Faço um aceno, permitindo que ela aperte o botão para que o vídeo comece a ser gravado. Estamos sentadas de pernas cruzadas em cima de sua cama. Estou um pouco nervosa, pois não sei se irei fazer tudo com perfeição. Aqui o teto não é abobadado, possibilitando que minha voz se propague com maior técnica. Minha voz pode estar uma porcaria agora, depois de tanta bebida alcóolica que ingeri. Mesmo que Quinn tenha dito, enquanto aquecíamos, que meu timbre é ótimo, ainda me sinto despreparada.
Ela aperta o botão. Fico sorrindo, estática para a câmera.
“Olá, pessoal. Hoje eu tenho aqui uma amiga que vai me ajudar nesse vídeo”, ela diz e olha para mim. Ela faz uma careta quase imperceptível que diz fale-alguma-coisa-pelo-amor-de-Deus. “O-oi!”, gaguejo. Ah, não! Estou gaguejando! Droga! “M-meu nome é Rachel Berry”, finalizo muito rápido. Sinto a minha voz tremida e ansiosa. “Rachel e eu iremos cantar Signal Fire, do Snow Patrol”, Quinn fala com muita desenvoltura.
A escolha da canção, agora, parece ridícula. Não se parece nada com as músicas da banda de Quinn. A princípio, fiquei apreensiva quando lhe disse que adoraria cantar Signal Fire e achei que ela logo a vetaria, mas aconteceu uma coisa esquisita: Quinn sorriu e exclamou: “Adoro essa música também!”. Na hora, fiquei agradecida. Mas agora... Agora, parece que fiz a escolha errada. Não sei se sou capaz de cantá-la. Ela parece tão pessoal, tão doce, tão linda para se dividir com o mundo inteiro...
O violão começa, e logo em seguida a voz sexy de Quinn diz, quase cantando: the perfect words never acrossed my mind, cause there was nothing in there but you.
Ela termina a primeira estrofe, e eu inspiro com rapidez. É minha vez. Minha voz parece rasgada, rouca demais e quebrada no começo. Tento melhorá-la, inserindo um pouco mais de sussurros, como Quinn fez. Não sei se adianta. Termino dizendo, meio sussurrante: I could be stuck here for a thousand years without your arms to drag me out.
A próxima estrofe cantamos juntas.
Here you are, standing right in front of me
All this fear falls away to leave me naked
Hold me close, cause I need you to guide me to safety.
Minha confiança está recuperada. Nossas vozes juntas, dançando pelo quarto, é uma coisa mágica. Estamos em sintonia. Canto com paixão, exalando toda a minha essência: sou Rachel Berry de novo, a cantora que não tem medo de errar e de se expor para o mundo. Estou observando o semblante iluminado de Quinn, sustentando um sorriso que se plantou nos meus lábios com muita facilidade, enquanto sussurro junto a ela o último verso, repetidas vezes: no, I won’t wait forever.
Quinn bate palmas, sorrindo para mim. Seu rosto está agradecido e expressando um tipo de sentimento que identifico como afabilidade. Retribuo, ainda sorrindo. Não consigo imaginar o que Santana, Kurt e Finn dirão quando virem isso. Estou tão feliz, tão realizada diante da câmera que detecta cada piscada minha. E que é capaz, também, de registrar o meu rubor que atinge meu rosto quando Quinn se inclina para perto de mim e planta um beijo na minha bochecha. Assim, bem diante do mundo inteiro. Quase esqueço-me de respirar. Sei que é ridículo, afinal a conheço em menos de 24 horas, mas é isso que penso: ‘Esqueci-me de como se respira’. E, afinal, ela não é minha amiga, nem nada assim. Ou será que já é? Será que já sou capaz de senti-la em meu coração como uma amiga próxima?
Faço uma busca mental. Já me senti assim por conta de um abraço de Sant, ou de um beijo na bochecha que Finn me colocou? Não, com certeza não. Nunca me importei para os abraços e beijos que já me deram.
Então... Então por que coro quando Quinn o faz? Bem diante de todo mundo?
Será que tem como gravarmos de novo, sem essa parte? Ou será que ela poderia editar o vídeo sem esse beijo?
Não pergunto a ela. Não pergunto, porque fico envergonhada de estar tão envergonhada. E, convenhamos, seria ridículo. Não quero que ela pense que eu não aprovo que ela queira ser minha amiga.
“Se vocês gostaram do vídeo e querem mais participações da Rachel, não deixem de entupir a in box dela com mensagens!”, Quinn finaliza. Ela se levanta, pausa a imagem e depois pega a câmera. Volta a se acomodar ao meu lado.
Fico olhando para ela, surpresa e calada. Ela nota a minha reação. Ou talvez a minha falta de reação. Será que ainda estou muito corada? Toco minhas bochechas com as pontas dos dedos. “O que foi?”, Quinn me questiona, lançando-me um olhar de soslaio rapidamente. “Você acha que vamos nos ver depois disso?”, pergunto, dando de ombros, desconfortável. Será mesmo que ela quer ser minha amiga, mesmo de somente ter passado menos de 24 horas comigo? Ela me viu em péssimo estado, completamente alterada, sem roupa e vomitando em seu vaso na noite passada. Ainda não faz sentido. Por que alguém como Quinn, e você sabe de que estou falando, quereria ser minha amiga? Já que eu sou apenas mais uma e tudo mais? Não dá pra entender. “Você não quer mais me ver?”, Quinn inquire. “Não foi isso que perguntei, responda minha pergunta”, insisto, um pouco impaciente. “Eu quero te ver depois disso”, Quinn me diz. “Adorei cantar com você, de verdade. Você é incrível. Nossas vozes ficaram lindas juntas. Quer ver?”, ela apontou para a câmera. “Você gosta mesmo de garotas, ou isso é apenas uma resposta conveniente para fugir de todos?”, não sei por quê, mas a pergunta apareceu como num click na minha mente. Não pude contê-la, infelizmente. Sei que é uma mudança drástica de assunto, mas ainda assim ela me encara, comprimindo os lábios cor de cereja. “Eu não me escondo do mundo, ok? E, sim, eu amo garotas da mesma forma que você ama garotos. Satisfeita?”, seu tom é ofendido, agora. Olha-me com a testa franzida, aborrecida. “Eu já transei vezes demais com o Puck para ter a certeza de que não é desse tipo de coisa que eu gosto”, ela completa. Entendo o que ela quer dizer e fico calada.
Um tempo se passa, ela ainda está brincando com a câmera em suas mãos. “Olha, me desculpa”, ela acaba dizendo. “Não fiquei tão aborrecida assim. É que parece que... Bem, parece que...”, ela para de falar e suspira. Parece difícil para ela se expressar agora. Não entendo. “Parece que o quê, Quinn?”, minha voz está sussurrada, como na canção. “Eu não sei, tá legal?”, ela responde, com os olhos abaixados. “Eu sei o que parece”, digo. Não tenho receio de dizer. Ela me lança um olhar. É apenas um olhar isente de qualquer sentimento. Ela precisa que eu explique para ela como se sente, eu acho. Se ela não é capaz de fazê-lo, talvez eu seja. “Parece que o mundo está contra você. Mas eu não estou. Eu nunca disse que estava”, minha resposta aparece segundos depois, muito segura. “Você pode segurar a minha mão quanto quiser, ainda não estarei contra você”, continuo. Ela parece estar se recuperando, aos poucos. Seu rosto volta a ficar mais expressivo e mais iluminado. “Na verdade, tenho amigas e amigos gays. E eles são ótimos. São pessoas realmente fabulosas. Você não é menos pessoa ou menina por conta disso, sabe?”.
Quinn assente. “Estou sabendo agora”.
“Então... Eu posso assistir a gravação?”, pergunto. Ela sorri.
Depois disso, somos engolfadas em conversas intermináveis. Ficamos deitadas na cama, bebericando um licor de chocolate que ela roubou da mãe. Ela me conta sobre ela, sobre sua mãe:
“Ela coordena toda uma área hospitalar importante no Mount Sinai. Mas é tão miserável. Não financeiramente, mas como pessoa. Apenas me lembro de brigarmos quando morávamos juntas. E então ela começou a colocar homens dentro de casa, um diferente a cada semana. Era horrível. Nunca me disse quem é meu pai, diz que não preciso saber, já que tudo o que tenho é ela”.
Gastamos um tempo rindo e falando sobre Puck. Ela me conta como o conheceu – em um bar, onde ele estava tocando com os meninos – e então diz: “Ele sempre esteve lá, e quando você se sente ignorada por tempo suficiente, é bom se sentir especial de vez em quando”. Diz também que ele é o melhor amigo dela. Apesar do sexo entrar com regularidade na relação deles, isso nunca os afastou como os filmes retratam com tanto melodrama. “Sexo com ele é apenas um bônus. Não que seja ruim”. Finalizo seu pensamento: “Mas você prefere meninas”. Ela assente, bebericando mais licor. “É muito mais doce”, ela diz. Não sei se se refere às meninas ou ao licor, que também é doce.
“Então Puck é o seu único?”.
“De certo modo”, ela diz. “Quer dizer, claro que tiveram outros, mas nunca foram muito longe. Alguns beijos e só. Lembro como achava que tinha algo errado quando eles me beijavam e tudo o que eu pensava era que não gostava das línguas deles dentro da minha boca. Ou talvez a técnica dos que beijei seja horrível”, ela acaba rindo. Rio com ela. Acho que estou ficando um pouco bêbada. “E você?”, ela vira para mim. “Minha experiência com garotas?”, inclino a cabeça, rindo. É, estou bêbada. “Não, com o seu antigo namorado”, ela elucida. “Gostava dele, gostava de beijá-lo. Mas não era, também, como se eu pudesse comparar. Nunca beijei ninguém mais além de Jesse”, confessei a ela. “Ah, meu Deus, o quê?!”, Quinn está às gargalhadas agora. Não me sinto inibida diante a isso, por isso a sigo no riso. É, parece mesmo muito ridículo. “Você é tão inocente, Rachel!”, ela me diz. “Sou inacreditável, uh?”, colido meu ombro com o dela. “Demais, garota”, ela afirma. Acabamos sorrindo. Estamos bêbadas mais uma vez.
A noite está silenciosa. Não sei que horas são. Não sei onde está meu celular. Não me importo com nada disso. Sinto-me ótima, acolhida e segura aqui. É como se nada pudesse me magoar junto a Quinn.
Ficamos em silêncio.
De tempos em tempos, Signal Fire retorna à minha mente e eu a cantarolo. Quinn pesca o que murmuro e me segue. De repente, estamos entoando, quase que infinitamente: no, I won’t wait forever. Nossas vozes se confundem e se fundem uma na outra, como uma. Gosto do som.
Ficamos em silêncio mais uma vez. O verso ecoa no meu cérebro, continuamente.
A mão de Quinn procura a minha. Não sinto a necessidade de me afastar dela, agora. Estamos sós aqui em seu mini-loft. Ninguém pode nos ver. Gosto da quentura dela. “Gosto disso”, ela me diz. Está dizendo o que eu lhe disse antes, na rua. Ela confirma o que já espero: “Eu também”. Nossas mãos ficam entrelaçadas uma na outra por muito tempo, enquanto somos engolidas pelo silêncio. Estou quase se entregando ao sono, quando Quinn diz: “Obrigada por estar aqui”. Sorrio para o teto. “Adoro estar aqui”, digo. “Você não é apenas mais uma nesse mundo. Me desculpe por aquilo, ontem”, sua voz está muito baixa quando me olha e me diz isso. “Está tudo bem. Eu não me importo. Acho que mereci naquela hora. Fui uma idiota com você”, respondo.
“Mas ainda me acha uma vadia”, seu riso se espalha pelo recinto.
“Não sei. A cada hora descubro uma parte desconhecida de você que não tem nada de vadia”, retruco.
“Obrigada por aquilo. Eu não sei por que me sinto tão atacada quando as pessoas desconfiam dos motivos pelos quais eu gosto de garotas”.
“Você tem o direito de amar quem quiser. É a sua liberdade”.
“Obrigada”.
Sorrio para ela. Ela me sorri de volta. É uma coisa meio boba. Meio mágica. Estamos bêbadas e tudo isso parece tão fácil, tão aconchegante. Por isso, quando me movo para o vão que nos separa e deposito um selinho nela, a situação ainda é suportável. Ainda me sinto querida. Necessária. Sinto-me um pouco especial. Ela me olha com olhos duvidosos. Não diz nada. Minha boca procura a dela mais uma vez. Não há selinho mais. Estou beijando Quinn de verdade. Embora meus olhos estejam fechados, estão duvidosos também.
Estamos bêbadas e isso é divertido. Não estar bêbada, mas beijar Quinn. Nunca beijei uma garota antes, e a experiência é diferente. De início, não sei se aprecio o gesto; acho que estou um pouco apreensiva, mas depois acabo me soltando, porque Quinn cai na cama de costas e me leva junto. Encaixo minhas pernas nas dela e tento não soltar meu peso inteiro sobre ela. Nossas barrigas estão coladas, nossas pernas nuas se enroscam, e uma de minhas mãos está acariciando a curva pálida de seu pescoço. A situação fica um pouco mais excitante quando Quinn introduz sua língua por entre meus lábios, fazendo com que o gosto do licor de chocolate se acentue ainda mais em minha boca. Sua língua encontra a minha, e um gemido escapa de minha parte. Suas mãos, que estão nas minhas costas, por cima da camiseta, me comprimem ainda mais contra seu corpo. Estou gostando disso. Ela morde meu lábio inferior. Ah, estou gostando por demais disso...
Quebro o beijo abruptamente. Estou um pouco sem fôlego.
“Podemos descansar um pouco?”, é a única pergunta que sai da minha boca.
Ela não responde. Está me olhando, mas suas palavras ficam represadas na mente. Deito-me ao seu lado, de costas para ela. Isso faz com que eu me sinta melhor. Minhas costas é a muralha que nos separa. Que me impede de olhá-la e desejar outro beijo avassalador. Ela continua silenciosa.
Fale com o autor