Love Portal
5 Capítulo 5 - Tell me, where are you?
Notas iniciais
Alguém quer bolo? -qqqqq
Continuando a partir do fogo do último capítulo: http://www.youtube.com/watch?v=dHYbnqI7cao - Do minuto 1:55 até 3:15. Nessa hora o Gerard vira pra um lado e o cara jogando vai pro outro.
E nos lugares onde o Gee vai tem foto, então vou colocar um link para as fotos de dois desses lugares, pra quem quiser ver, ok? É só clicar quando aparecer que tem link.
Boa leitura! :)
Senti lágrimas de desespero virem aos meus olhos, o calor começando a me sufocar. Tossi por causa da fumaça, mas ainda procurava uma saída. Tinha de existir uma saída, tinha de existir uma saída...
Tinha.
Em cima. À frente. Uma parede onde eu poderia jogar o portal. Ao lado, já sobre o fogo, eu também conseguiria jogar o portal.
Em um segundo, eu havia apertado o gatilho nos dois lugares e pulado, mal tendo consciência do que fazia, sentindo as labaredas me acariciarem e queimarem a parte inferior da minha roupa.
— O que você está fazendo? Pare com isso! Eu.... eu...
A voz acelerou. Eu respirava com dificuldade, sem acreditar que estava a salvo, mas sabia que ainda não acabara. A adrenalina ainda pulsava por todo o meu corpo enquanto eu procurava um lugar por onde fugir. Existia uma porta ao meu lado, mas vi logo que estava trancada.
Olhei para cima e captei um lugar onde eu poderia ir se voasse por portais. Foi o que fiz, sem hesitar, logo caindo em um lugar escuro, cheio de metais, bem acima do fogo que quase me matara.
— Nós estamos satisfeitos que você tenha passado pelo último teste, onde nós fingimos que iriamos te assassinar. Nós estamos muito, muito felizes pelo seu sucesso.
Olhei para os lados, procurando um local para ir, ignorando o tom controlado de tédio que GLaDOS usava. Aliás, agora eu estava decididamente disposto a ignorá-la. Ela tentou me matar uma vez. Vai tentar de novo.
— Nós estamos dando uma festa em honra do seu tremendo sucesso.
Andei por um corredor mal iluminado. Não eram mais câmaras de testes. Não era programado. Aquilo era real, era para valer.
— Coloque o Aparelho no chão e deite de bruços com os braços aos lados. Um associado aparecerá em breve para te levar para sua festa.
Ela realmente ainda estava tentando?
Prossegui com a caminhada, devagar, atento. Vi dois andróides e quase pulei para trás antes de perceber que estavam desligados. Continuei andando, subindo escadas e passando por portas.
— Não faça mais nenhuma tentativa de deixar a área de teste.
Tive que jogar portais em alguns lugares aonde eu não conseguiria passar, mas não parei.
— Assuma a posição de submissão ou você vai perder a festa.
Como eu queria que ela simplesmente calasse a boca!
Pensei por alguns momentos, analisando onde ir. Eu estava por minha conta agora; não existia uma porta de saída como objetivo. Existiam canos gigantes, e engrenagens, e ventoinhas, e tudo que fazia aquele laboratório funcionar. Eu estava enfiado nas entranhas da Aperture Science e não fazia ideia de como sair de lá, mas é bom não pensar nisso.
— Olá?
A voz da GLaDOS estava mais distante agora.
— Onde você está? Eu sei que você está aí, eu posso te sentir.
Xinguei-a mentalmente e continuei, portais em todo lugar que fosse possível, agradecendo por não existirem câmeras lá.
Acabei em um corredor, sem saber para que lado ir. De um, estava uma sala, e do outro, eu não podia ver se não fosse até lá. Fui para a sala.
Era como um escritório, muito grande... e destruído. Computadores com o símbolo da Aperture Science estava em prateleiras e mesas, caídos e jogados. Os monitores mostravam números e códigos muito rapidamente, e as cadeiras estavam também largadas em desorganização. Não havia ninguém.
Entrei por uma das portas lá dentro. Surpreendi-me ao me encontrar de frente para uma das câmaras de teste pela qual passei. Eu estava agora do outro lado do vidro, observando o local vazio.
Vi uma mesa ao meu lado e alguns papéis. Comecei a mexer entre eles, procurando alguma coisa útil, e não demorei a achar.
Em uma prancheta, estavam fichas de sujeitos de testes. O primeiro estava com um “FALHOU” enorme e vermelho estampado na frente, mas eu procurei ver o que estava escrito mesmo assim.
Sujeito de teste: 1010
Nome: Raymond Toro
Idade: 34
A ficha prosseguia com mais características. Eu senti um arrepio ao ver o nome, e o li novamente repetida vezes, tentando me lembrar de onde eu o conhecia. Mas percebi que talvez fosse melhor não lembrar. Ele havia falhado nos testes, e isso não podia significar algo bom. Senti um aperto incômodo no peito ao imaginar que ele estava morto, mesmo sem me lembrar dele, e engoli o nó que se formara na minha garganta.
Desgostoso, arranquei aquela folha e vi a ficha de baixo. O nome lá me deu uma sensação ainda pior. Era o sujeito de teste número 1011, e também estava com um carimbo de falha.
Michael Way.
Um rosto me veio à mente... tímido, bonito, um tanto delicado na expressão. Aquele aperto voltou, mais forte, e eu não precisava lembrar de tudo para entender porque; aquela pessoa tinha alguma relação comigo. O sobrenome era o mesmo. Eu balancei a cabeça, tentando expulsar os pensamentos e a dor. Ele também falhara. Eu... eu não podia perder tempo ali.
Fui para a próxima ficha, e era a minha. Não me importei em ler o que fora escrito sobre mim, pois eram só características gerais. Fui logo para a próxima, número 1013, e, mais uma vez, senti algo ao ler o nome.
Frank Iero.
Droga. Eu o conhecia, eu sabia que sim... eu o conhecia muito bem! Uma par de olhos castanho-esverdeados pipocou na minha cabeça, mas eu não conseguia lembrar de mais nada... Como eu o conhecia? Nós éramos amigos?
Eu estava frustado com a falta de memória. Mas então percebi que ela não importava tanto quanto outro detalhe... a ficha dele não dizia que ele havia falhado. Na verdade... ele nem devia ter começado. O número dele era posterior ao meu.
Ele estava lá. Em algum lugar. Olhei para a câmara de teste ao meu lado, pelo vidro, ainda vazia. Merda.
Eu iria tentar salvá-lo, não iria? É, iria. Ah, que droga.
A próxima ficha depois da dele era de uma tal de Chell, que não me lembrou de nada. Larguei a prancheta lá e voltei para o escritório.
Será que Frank estaria em um sono criogênico ou já teria começado os testes? GLaDOS podia estar falando com ele ao mesmo tempo em que me procurava.
Descobri outra porta dentro daquele mesmo escritório e também entrei por ela. Havia uma mesa com mais um computador e duas cadeiras. No canto estava um daqueles arquivos antigos, grandes e cinzas com algumas portas cheias de papéis. Mais ao lado, uma janela de vidro deixava à mostra outra das câmaras de testes pela qual eu passei.
Comecei a abrir as gavetas do arquivo e tirar de lá quaisquer papéis que achasse interessante. Existia muita coisa que eu não entendia, linguagem científica que mais pareciam símbolos. Fui jogando o que não me era útil no chão e procurando outras coisas, até que achei duas pastas que me chamaram a atenção. Uma tinha escrito, em letras grandes, “GLaDOS”, e a outra, “Testes com portais”.
Abri a da robô primeiro. Vi vários esboços que deviam ser a aparência dela, uma máquina enorme que, aparentemente, tinha o controle de todo o laboratório. Algumas anotações diziam que vários cientistas foram contra a criação dela, mas a maioria achou necessário. GLaDOS deveria ser criada, e foi. Um outro laboratório, chamado Black Mesa, estava trabalhando com a mesma tecnologia de portais, e a criação da robô era o que aceleraria o processo e faria a Aperture Science terminar o projeto primeiro. Mas as informações sobre ela paravam no papel que dizia que a ligariam pela primeira vez. Depois disso, tudo estava em branco.
Balancei a cabeça e joguei a pasta no chão. Eles não viam o que poderia acontecer... deram todo o controle do lugar à uma robô! E, pelo jeito, ninguém mais ficou para contar o que aconteceu depois que GLaDOS acordou. Tentei não pensar no que ela pode ter feito... mas lembrei que ela não se livrara de todos. Alguém escrevera aquelas coisas nas paredes, alguém sobrevivera nos fundos da Aperture Science exatamente como eu estava sobrevivendo agora.
Peguei a pasta sobre os testes e acabei descobrindo bastante coisa. Primeiramente, era que as paredes em que os portais funcionavam eram feitas de... pedra de lua. Cave Johnson, o fundador e dono da Aperture, usara praticamente todo o dinheiro que tinha, milhões de dólares, para conseguir essas coisas, e as colocou em quase todo lugar no laboratório na forma de paredes assim que descobriu que os portais funcionavam nelas; e só nelas. A tecnologia de portais eram tudo pelo o que eles estavam trabalhando e a última esperança da Aperture Science de sobreviver. Portanto, ele fez tudo o que podia.
Mas ninguém se preocupou com o que poderia acontecer às pessoas que eles usavam para testar os portais, os pobres cobaias. Tudo pela ciência. Muitos tiveram sequelas, e eu automaticamente entendi o que acontecera comigo.
Eu fora um desses cobaias. Fui colocado para “dormir” e só acordei porque GLaDOS está no comando e gosta de fazer testes perigosos com os sujeitos de teste que ainda estão no laboratório. Entre diversas sequelas, tanto provocadas pela exposição à rocha lunar — que era altamente tóxica, como Cave Johnson só descobriu tarde demais — e tanto pelo tempo em sono criogênico, estavam a perda da capacidade de fala e perda de memória. Era eu.
Atirei a pasta no chão, furioso. Não sei de que forma, eles haviam me arrancado da minha vida e me colocado ali, e agora eu jamais seria normal de novo. Eu devia estar precisando muito de dinheiro para ter aceitado participar daquilo tudo. Sejam quais forem os motivos que me levaram até lá, eu não poderia estar mais arrependido.
De repente, notei um movimento no canto do olho. Apontei a arma imediatamente para o lado, como se ela pudesse me proteger, e então paralisei com o que vi.
Um baixinho moreno estava na câmara atrás do vidro, olhando atentamente para o lugar, parecendo muito concentrado.
Ofeguei. Ele já havia começado. Frank estava ali... no mesmo caminho para a morte em que eu estava pouco tempo antes.
Notas finais
Esse arquivo com as coisas sobre a Aperture não existe, mas vocês tinham que descobrir sobre elas de algum jeito u_u Já a prancheta com a ficha escrito "FAILED" tem no jogo mesmo. Só não é a ficha do Ray nem do Mikey. Espero '-' -q
Mas a história da criação da GLaDOS e a Black Mesa também existem, li no Half-Life wiki (Half Life é um jogo onde você tá preso dentro da Black Mesa e tem que sair -q Estou jogando ele agora. É da mesma empresa, por isso Portal e Half Life tem certa conexão).
Espero que tenham gostado!
Beijos :*
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