Love Portal
12 Capítulo 12 - He loves you.
Notas iniciais
É, não demorei dessa vez, e metade do próximo está pronto o/ Mas odeio parar na metade de capítulos, por isso provavelmente vou reescrever tudo -q
Alguém sentiu falta do Companion Cube? ♥
Espero que gostem :)
Soltei um suspiro quando reconheci o teste. Segurei Frank gentilmente para que ele não ficasse sob o lugar onde o Cubo de Companhia cairia. Ele entendeu quando olhou para cima, mas quem disse que o cubo caiu?
— Estou em dúvida... — GLaDOS falou. — Talvez o Cubo de Companhia não seja necessário.
Bufei e joguei os braços para cima, olhando para a câmera. É claro que era necessário!
— Vocês são dois — ela continuou. — Um de vocês pode fazer o papel do cubo. Tenho certeza de que você não se importaria em dar ao Frank o mesmo fim que deu ao seu cubo, Gerard.
Baixei os braços e engoli em seco. Tudo bem, não era hora de irritá-la. Ela precisava nos entregar aquele cubo...
— Do que...? — Frank começou, mas eu fiz um gesto para que ele se calasse. Encarei a câmera com fervor, e sabia que GLaDOS estava entendendo minha súplica muda.
Ela ficou em silêncio por algum tempo. Frank observava com a testa franzida, sem entender. Finalmente, o Cubo de Companhia foi liberado.
Por mais que eu não quisesse, me senti na obrigação de agradecê-la. Ela podia ter simplesmente nos deixado sem nada, e um de nós teria que morrer. Olhei para a câmera com ainda mais intensidade.
— De nada — ela disse simplesmente, e eu me virei para começar o teste.
Frank parecia abismado com o que acontecera, mas não fez nenhum comentário. Só soltou um “ah” quando chegamos no lugar onde o Cubo nos protegeria de duas bolas de energia; Frank entendeu então porque precisávamos tanto dele.
— Apesar de não achar imprescindível — GLaDOS disse depois de alguns minutos. —, talvez seja bom reafirmar que o Cubo de Companhia não irá te ameaçar, te elogiar, ou falar com você de qualquer forma. A única coisa que ele irá fazer é te amar.
Revirei os olhos e Frank olhou para o Cubo, que estava em minhas mãos, com uma expressão curiosa e assustada. Ele se aproximou de mim e perguntou baixinho:
— Ele fala?
Ri e balancei a cabeça negativamente, percebendo que ele se envergonhara com isso. Mas eu não rira dele, até porque eu também fiquei nessa dúvida quando eu passei por ali.
Fui guiando Frank pela câmara e falando onde ele deveria jogar os portais, já que meu ombro ainda doía para carregar a arma, ainda que bem menos. Passamos pela primeira parte rápido, apesar de uma ligeira dificuldade que GLaDOS adicionou. Foi perigoso por causa das bolas de energia, mas depois dos andróides no último teste, aquilo foi simples.
GLaDOS havia colocado mais um problema para resolvermos, o que nos tomou alguns minutos, mas, depois de voar por portais e bater a cabeça em uma parede de vidro algumas vezes, conseguimos passar para a parte final do teste.
Pedi para Frank ficar sobre um botão e fui na frente, com o Cubo, pronto para jogá-lo no incinerador. Antes havia sido algo ruim porque eu estava sozinho, e a solidão já estava me deixando louco. Aquele cubo podia ser o meu único companheiro, afinal de contas. Mas agora eu tinha Frank, então que se dane.
Quando eu estava prestes a soltar o cubo, o incinerador fechou.
— Parece que você não nutre mais nenhum sentimento pelo Cubo de Companhia — GLaDOS disse, acusatória. — Mesmo ele tendo sido seu melhor amigo.
Arqueei as sobrancelhas para a câmera e lancei um olhar de esguelha à Frank.
— Ok, segundo melhor amigo. Ainda assim, é tenebroso que você o ache tão dispensável a ponto de nem sequer olhá-lo duas vezes.
Fitei o cubo em minhas mãos. Era uma pena ter que matá-lo, realmente, mas eu não iria me sentir culpado! GLaDOS não deve ter percebido que os momentos de esquizofrenia passaram assim que encontrei Frank.
— Bem, eu ainda tenho sentimentos — ela falou, e a porta para a saída se abriu. — Podem ir.
Olhei para Frank, desconfiado. Demos de ombros e fomos, o Cubo ainda nas minhas mãos. A porta atrás de nós se fechou e o elevador parou à nossa frente.
— É sério? — Frank perguntou, olhando para ima. — Você deixou a gente sair sem precisar jogar esse negócio no fogo?
— Esse negócio — GLaDOS tornou a falar, agressiva. — é a razão de vocês estarem vivos. Ou preferem que eu coloque os dois de volta no teste sem ele?
Frank negou freneticamente. Eu ri baixinho e vi de novo, meio hipnotizado, os corações ao redor do cubo. Frank se aproximou e olhou também, provavelmente pensando outra vez se ele não poderia realmente falar. Por um momento, tive uma visão bizarra em que eu e Frank estávamos casados e o cubo em meus braços se transformava em um bebê, nosso bebê, com um macacão branco cheio de coraçõezinhos rosas...
Ah, estou delirando de novo.
Sorri para Frank e caminhei para o elevador, pensando em como o cubo nos ajudaria no próximo teste. Mas meus pensamentos se dissiparam logo; diante de meus olhos, o cubo se desintegrou.
Frank pareceu abobado, sem entender nada. Então nos lembramos ao mesmo tempo: a Grade de Emancipação. Só nós dois e a arma de portais podia passar por ela. O Cubo de Companhia, mais uma vez, se foi.
— Pra que todo esse drama, então? — Frank perguntou, irritado.
— Porque foi divertido — GLaDOS respondeu. — Vocês não acharam realmente que eu me importava com um cubo, acharam?
Em silêncio, eu e Frank marchamos para dentro do elevador, emburrados. Que droga, eu achei mesmo que ficaríamos com ele... será que eu estava fazendo bico como o Frank estava? Espero que não, eu devo ficar ridículo assim, mas ele estava tão adorável...
A porta se fechou e eu fui despertado dos meus devaneios. Bem, ficar olhando os lábios de Frank sem disfarçar não devia ser tão pior do que nos imaginar casados, então não sei se valeria a pena eu me xingar por isso.
— Certo, então... — Frank disse, encostando-se na parede do elevador ao meu lado, seu ombro tocando o meu braço. — O que aconteceu? O Mikey e o Gee foram para o hospital?
Sorri com o apelido, mas ele não viu.
— Sim — GLaDOS confirmou, e eu me concentrei em sua voz. — Nada muito grave. Michael só precisou de alguns pontos no rosto e Gerard, principalmente, de um calmante.
— Calmante? — Frank perguntou, confuso.
— Sim. Eles foram para o hospital porque brigaram entre si.
— Eles...?
Frank olhou para mim e pôde ver na minha expressão que eu estava lembrando. Não de tudo, no início... só me lembrei da minha mão voando para o rosto de Mikey e de ele pulando sobre mim logo depois. Era um borrão de dor, tanto externa quanto interna; lembrei-me mais do que estava sentindo. Raiva, muita raiva, e uma vontade inexplicável de chorar... mas por quê?
— Não conseguem recordar o motivo? — GLaDOS questionou. Pela primeira vez me ocorreu que ela estava gostando de ter a nossa história completa. — Talvez ajude o fato de que vocês foram expulsos do hospital logo após Michael receber um rápido tratamento.
— Expulsos? — Frank repetiu, pasmo.
— Sim, e por sua causa.
— Minha...?
— Segundo um registro em vídeo, você começou a gritar com Gerard e Michael, e como eles já estavam alterados, os três tiveram de ser removidos para preservar o bem-estar de outros pacientes. Raymond ainda não sabia do ocorrido, portanto só vocês três estavam lá.
A situação ainda estava meio apagada para mim, apesar de eu ter conseguido identificar uma das coisas que eu estava sentindo ao atacar Mikey, e era... ciúme. Mas qual era o sentido disso?
Olhei para Frank e o vi encarando o chão. Cutuquei-o, mas ele não quis olhar para mim, o que só me deu a certeza de que ele havia lembrado. Coloquei-me a sua frente e levantei seu rosto, mas ainda assim ele desviou o olhar.
Eu sabia que ele estava fazendo isso para fingir não saber o que eu queria. Só poderíamos nos comunicar direito se ele fizesse um mínimo de leitura labial, e tudo que eu precisaria perguntar é “o quê?” para que ele entendesse que deveria contar o que aconteceu. Mas estava agindo como uma criança, fugindo da responsabilidade. O certo seria brigar com ele, mas eu não podia falar, então...
— EI! — ele reclamou, e eu sorri cinicamente. — Não precisa partir para agressão!
Revirei os olhos. Como se um tapinha daquele no rosto pudesse ser tão ruim. O que importa é que consegui captar sua atenção. Cruzei os braços e fiquei esperando que ele falasse. Ele suspirou e desviou o olhar de novo.
— Bom, eu... err, eu lembrei o que aconteceu.
— Isso nós já notamos — GLaDOS disse, e por um segundo fiquei com medo de que ela pudesse ter atrapalhado o momento, mas Frank continuou.
— Você e o Mikey brigaram porque.... porque...
Ele apertou os lábios e eu me impacientei. Bati de leve novamente, dessa vez em seu braço, e ele resmungou alguma coisa antes de terminar a frase:
— Vocês brigaram por minha causa.
Notas finais
Parei aí pra diferenciar dos outros, que sempre acabam só quando vai começar o próximo teste. E também porque sou um pouco mau -q
Até o próximo! ;D
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