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4 CAPÍTULO 4- FANTASMA
Notas iniciais
2- Estou revisando o capítulo antes de postar, sempre faço mas ás vezes escapam erros não exitem em advertir.
3- Obrigado pelos comentários, adoro ler as reações, expectativas, elogios e críticas de vocês.
4- Alterei a capa da Fanfiction, aquela era apenas provisória, espero que tenham gostado.
5- Seria interessante, vocês escutarem a música ( Liz Phair - Explain It To Me) durante a leitora do capítulo, gosto de por soundtrack mas fica á escolha de vocês!
5- Vamos ao capítulo,apreciem.
'' Pessoas são más, ríspidas, elas nos fazem acreditar em suas verdades apenas para depois, nos presentearem com um coração partido,não nos deixando nada além de uma lembrança do que éramos, um fantasma preso ao nosso corpo.''
Há um barulho crescendo dentro de minha cabeça, meu corpo está presente ali mas meu pensamento está tão distante, não consigo reconhecer aonde estou, se é que estou em algum lugar, pareço estar fora de mim, algo inexplicável. Um milésimo de segundo, desta vez posso ver, estou lá, o lugar aonde tinha estado há tão pouco tempo, estaria eu condenado a lembrar disso? Posso ver seu rosto pálido, os olhos estreitos, ele está tão diferente do que costuma ser e as lágrimas escorrem pela face enquanto posso ver seu corpo se diluindo na imensidão.
Abro os olhos, agora posso ver, foi apenas um sonho, uma recordação. Incrivelmente já é segunda-feira, o final de semana passou tão rápido como um piscar de olhos, lembro-me apenas do episódio da festa, de estar na casa de Toro jogando video-game e de passar o domingo todo desenhando enquanto chovia incessávelmente lá fora. Ainda eram cinco e meio da manhã, o que indicava que eu ainda tinha muito tempo até ter de ir para escola, eu poderia tentar voltar a dormir mas seria em vão pois não estava com sono, surpreendentemente, então me pus de pé e andei com os olhos ainda entreabertos até o banheiro, tomei meu banho habitual e depois fiquei enrolando certo tempo para me trocar contudo o fiz. Deitei sobre a cama e liguei a televisão em um canal de desenho qualquer, depois disso tive de procurar minha mochila umas três ou quatro vezes pelo quarto, até a achar no meio da bagunça de pilha de roupa e alguns pápeis de rascunhos de desenho, a coloquei em minha escrivaninha e voltei para cama. Um emaranhado de pensamentos se passavam por minha cabeça, tentei dispersá-los prestando uma atenção mais acentuada ao desenho, não obtive um bom resultado. Algo latejava em minha cabeça e eu sabia o que era , eu sabia o por que mas nunca me permitiria ir tão baixo assim, eu não faria aquilo nem que fosse condenado a pensar nisso todos os dias. Fiquei até as seis e vinte vendo desenho e ás vezes dando uma cochilada, levantei e desci para ver se o café já estaria pronto, o que era muito provável pois Doroti era adiantada e preocupada com o horário das refeições e eu estava certo.Para minha surpresa, meus pais estavam na mesa, eu até esquecia que eles também tomavam café-da-manhã , era muito difícil vê-los.
– O que aconteceu , Gerard ? — Minha mãe perguntou arqueando as sobrancelhas e abaixando a taça com suco.
– Como? — Perguntei ainda meio desnorteado.
– Você está acordado as seis e vinte da manhã? Então aconteceu algo e não é bom. — Argumentou me encarando.
– Não aconteceu nada, apenas perdi o sono hoje e decidi levantar mais cedo. — Respondi e me aproximei da mesa.
– Isto é ótimo, menino! Assim você não se atrasa para o colégio e tem mais tempo para o café-da-manhã . — Doroti falou enquanto sorriu trazendo uma bandeija de panquecas com mel.
– Perdeu o sono? Oh, estou vivo para ver isso acontecer. — Mikey debochou enquanto ria.
– Cala boca tapadinho.- Retruquei e me sentei na mesa.
Era o mesmo cenário de dois anos atrás, quando eu tomava café-da-manhã todos os dias com ele, minha mãe reclamando sobre o dia exaustivo que iria ter, meu pai lendo o jornal e reclamando que os negócios estão sempre muito complicados, meu irmão era a única coisa que salvava toda aquela farsa, ele sempre dava um jeito de me divertir até quando fazia suas brincadeiras idiotas.
– Então Ge, você nunca mais me mostrou um desenho seu, você parou de desenhar ou o quê? — Mikey comentou enquanto comia duas panquecas de uma vez.
–Eu, bem...
– Ainda bem! Desenhos não irão te sustentar, pense em negócios, isso sim irá te dar modos de viver bem, além disso, é de família. — Meu pai comentou virando uma folha do jornal.
Fiquei meio atordoado com a reação do meu pai, sentimento tolo pois já estava acostumado com toda aquela hostilidade.
– Eu parei. — Menti.- E acho que por um bom tempo.
– Isso é uma pena, são realmente bons. — Mikey comentou.
Tomei um suco de laranja e comi algumas panquecas e torradas, me dando por satisfeito, já queria subir novamente, tinha me arrependido de descer e tomar o café antes que meus pais fossem trabalhar, eu já deveria saber. Subi para meu quarto e desta vez fiquei lá ouvindo meu iPod até que fossem quase sete horas, desci e o motorista já estava me esperando, Mikey iria comigo, uma das únicas vezes que íamos juntos pois ele era pontual e eu... Bem, eu era uma bagunça. Entramos no carro e logo depois ele puxou assunto.
– Você subiu rápido demais ,hoje no café.
– Não estava com vontade de ficar muito mais. — Balbuciei.
– Eu entendo. Nossos pais sabem ser meio irritantes , ás vezes. — Falou enquanto ajeitava os óculos.
– Ás vezes sempre.- Bufei.
– Sei que eles não apoiam seus desenhos mas eles são realmente ótimos, arte pura. Você não devia ter parado. — Incentivou.
– Para eles são só rabiscos,figuras idiotas e quer saber? Deve ser... Só besteira minha. — Refleti.
– Não, não é. Não deixe eles influenciarem você assim. — Insistiu.
– Assim como não influenciaram você sobre não prestar biomedicina? — Falei relembrando com ódio.
– Só querem o nosso bem, Gerard. Eu os entendo. — Respondeu paciente.
– Querem que sejamos aquilo que são, ricos e miseráveis, é isso que querem! Esse é o seu problema Mikey, você está sempre, o tempo todo, compreendendo todo mundo. Inacreditável. — Respondi e me ajeitei no carro, como quem dizia não querer mais papo.
Não demoramos muito para chegar, a escola estava razoavelmente cheia, não era só eu quem chegava atrasado, aliás,não mesmo.
– Obrigado. — Disse Mikey ao motorista enquanto fechava a porta do carro.
– Como você é idiota !- Bati com força a porta e revirei os olhos, andando até o portão
– Um pouco de agradecimento não custa nada, estressadinho.- Zombou.
– Agradecimento para que diabos? Ele é pago para isso, trouxa. — Argumentei e depois nos separamos pois nossos grupos de amizades eram distintos.
Me aproximei até aonde estavam meus amigos e algumas garotas, ambas líderes de torcida, Amber e Jessie .
– Aí esta nosso grande rei ! Gerard ! — Toro disse enquanto soltava uma gargalhada.
– Panaca. Do que está falando? — Perguntei indiferente.
– Você quis dizer do que estão todos falando , né? Bem, da nossa noite de sexta-feira, da sua grande armadilha pro nerdzinho otário.
– Você é um palerma. Pensei que já tinha esquecido isto. E quanto aos outros, são um bando de desocupados. — Retruquei.
– Esquecer? Jamais! Foi memórave. — Toro gargalhava. — E você, já pôde esquecer?
– É óbvio, pra mim não passou de mais uma noite .- Menti, pela segunda vez naquele dia.- E você deveria fazer o mesmo, aliás, todos vocês.
– Mas você nunca se incomodou com os comentários, você gostava . — Bob disse estranhando.
– E não me incomodo. É só que todos vocês são desocupados demais e ficam comentando de algo miserável a semana inteira,só por não terem nada mais interessante.
– Ele está certo. Vocês são todos idiotas que não cuidam de suas vidas.- Bert concordou sorrindo para mim.
O assunto continuou por um bom tempo nisso, eles tentando a qualquer modo me lembrar daquela noite e eu evitando, usando até alguns palavrões nos picos mais altos de estresse. O sinal logo tocou e caminhamos todos para a sala de aula, quando percebi que estava sem minha bolsa, devia ter a esquecido no banco perto do portão do colégio, então avisei o pessoal e comecei a andar rápido para ir pegá-la. Andava com passos largos e rápidos, quando eu o vi, sim, ele, Frank Iero contudo não parecia ele, estava com um casaco preto e com a toco do mesmo na cabeça, se movimentava com rapidez e rigidez, parecia que ele tinha me visto também, fiquei um tempo paralisado o olhando passar, intrigado com aquilo, depois fui pegar minha bolsa e me encaminhei o mais rápido possível para a sala.
A primeira aula era de Biologia, algo que tinha até um pouco de interesse, gostava de estudar seres vivos e as coisas que o englobassem, sentei em meu lugar e pude ouvir todos comentando sobre sexta-feira e caçoando Frank, quando fui surpreendido.
– Você é mesmo um retardado mental , não é, Way? Seu merdinha, você ainda vai ter o que merece. — Quinn esbravejou.
– O quê? — Respondi sem entender muito mesmo sabendo do que se tratava.
– O quê? — Ele riu com ódio e fechou a mão .- Você é um idiota, um completo idiota e ainda vai ter muito o que sofrer por aquela maldita noite, sorte sua que eu não estava lá.
– Ah é mesmo? E você faria o que , Allman? Não seja estúpido. — Toro advertiu.
O garoto loiro voou no pescoço de Ray, enquanto o fuzilava com os olhos, todos em volta tentavam separar os dois, inclusive Frank.
– Cala essa sua maldita boca, você é outro merda!
– Quinn para com isso, por favor. — Frank pediu tentando acalmar o amigo.
– Eles são todos uns idiotas ! — O garoto respondia com raiva.
O professor Wesli chegou na sala , vendo toda a cena e mandou os dois para a diretoria, Frank tentou convencê-lo a não fazer isso mas não teve jeito .Depois todos se sentaram em seus lugares e a aula começou, ainda estava meio perplexo com aquilo tudo, com aquelas palavras. O professor passou algumas atividades e textos, coisas básicas de sempre, não presei muita atenção mas mesmo assim consegui entregar tudo a tempo e certo.
Na segunda aula, Toro e Allman voltaram , cada um bufando de um lado e pude ouvir a conversa entre Frank e o amigo.
– Quinny, não precisava disso, você sabe que não. Por Deus, você foi para a diretoria. — Frank dizia aflito.
– É claro que precisava, você é meu amigo e eu não estava lá para te ajudar aquele dia, então hoje eu tinha que fazer algo. Aliás, eu queria ter acertado um soco na cara de cada um, pelo menos não ia levar uma advertência em vão. — O loiro se pronunciou.
– Você é tolo Quinny, muito tolo. Mas agradeço o que está tentando fazer por mim,agora procure não se envolver em encrencas,não preciso de mais um incidente acontencendo.
Voltei minha atenção ao Ray que falava há mais de cinco minutos sem parar, algo como '' Dá para acreditar? Aquele loiro atrevido e magrelo, querendo me bater por termos feito o nerdzinho de otário.. Como se ele não tivesse gostado de te beijar, quero quebrar a cara daquele idiota.''
– Ray, fica na sua e não arranja mais problemas, ok? Já passou. — Tentei por um fim no asssunto.
– Como é que é? Way, ele voou em mim e eu nem tive tempo de socar a cara dele. — Respondeu.
– E nem terá. Esquece isso, Toro. Seu pai odeia que você se mete em confusões aqui, acaba prejudicando seu nome e logo depois seus futuros negócios, não suje seu nome por isso. — Argumentei.
– Quer saber? Você está certo. Mas que eu ainda estou com raiva daqueles dois viadinhos, Ah, se estou. — Disse sentando em seu lugar.
As outras aulas foram normais, exercícios, bagunça, conversa, textos e professores gritando, até o sinal do intervalo bater . Andava para a porta enquanto via de longe, Frank, seus lábios estavam meio machucados e parecia até ter um rocho um pouco embaixo deles e outro em sua mão,ele me viu porém desviou o olhar para o amigo. Continuei a andar e agora caminhava para o pátio, Jessie e Amber nos acompanhavam, não tinha a menor noção do motivo porque agente nunca passava o intervalo com alguém que não fosse da turma contudo, certamente, elas estavam atrás de algum coisa ou mais especificamente alguém.
– Gerard. — Amber, a garota loira e magricela disse abrindo um sorriso.
– Oi? — Respondi meio ríspido e indiferente.
– Quanto tempo, não? Você tipo assim, sumiu, nunca mais me ligou para fazermos outros programas , o que anda fazendo? — Continuou o assunto.
– É , parece que sim. Bem , tenho feito o mesmo de sempre, jantares, festas e tentado manter as notas. E você, anda fazendo o que Amber? — Perguntei desejando que ela não respondesse e sumisse.
Quando ela ia responder não consegui ouvir sua resposta pois um barulho surgiu, eram pessoas berrando e rindo de Iero, parecia que aquilo nunca ia acabar, que nunca iam esquecer, isso já tinha acontecido milhares de vezes e eu sempre estive indiferente quanto a isso mas daquela vez era diferente. O garoto ignorava os comentários e fingia não ligar mas era visível as lágrimas se formando em seu rosto enquanto Quinn chingava todos e ao mesmpo tempo queria brigar com eles, impedido por Frank.
De novo uma ideia latejava em minha cabeça, uma ideia simples que parecia totalmente insana, eu queria fazer aquilo mas não podia ou poderia?
Notas finais
2- E aí, será que o Gerard vai executar sua ideia? Isso e muito mais no prox capítulo.
3- Assim que tiver um tempinho, posto mais pra vocês, dia de semana é mais complicado por causa da rotina mas sem problemas.
4- Até o próximo capítulo!
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