Love Or Hate??
47 A Megera Domada...Ou Nem Tanto
Notas iniciais
Capítulo 47- A Megera Domada...Ou Nem Tanto
Pov's Chris
Tudo começou assim...
Alguns dias antes...
Clarisse viria pra minha casa pra fazermos um trabalho juntos, e eu estava nervoso, talvez porque temesse pela minha vida ou talvez porque sentia algo por ela e só de pensar em estar sozinho com ela já me deixava nervoso, tirando o fato de que se eu fizesse qualquer coisa errado teria o risco dela me matar. Era assustadoramente maravilhoso, não sabia se comemorava o fato de fazer trabalho com ela, ou se me desesperada, eram sentimentos complicados, tão complicados quanto Clarisse. Suspiro ao escutar o som da campainha e desço as escadas, Luke havia saído e papai também, ou seja...eu e Clarisse sozinhos em casa. Abri a porta dando de cara com ela que mascava chiclete parecendo impaciente.
– Você veio atender a porta montado em uma tartaruga?- ela perguntou e eu fiz uma cara confusa fazendo ela revirar os olhos- Estou querendo dizer que você demorou muito pra atender.
– Ah, eu não demorei- eu disse.
– Demorou sim- ela disse passando por mim e entrando na minha casa.
– Tá...pode entrar- disse um pouco sarcástico e fecho a porta
– Cuidado tem sarcasmo escorrendo da sua boca- ela fala com uma falsa preocupação.
– Vamos logo fazer o trabalho, Clarisse- eu disse e ela fez uma careta.
– Você não manda em mim, Rodrigues- ela disse fazendo aquela cara de brava, o que me fez rir, adorava aquele jeito indomável dela, inexplicavelmente só me fazia gostar mais dela ainda- Por que está rindo com essa cara de idiota?
– Por nada- respondi ficando sério e ela deu os ombros.
– Fomos logo terminar a merda desse trabalho pra eu me ver longe de você o mais rápido possível- ela disse destruindo cada vez mais minhas esperanças de que talvez um dia ela corresponda meus sentimentos. Clarisse nunca iria gostar de mim, pra falar a verdade parecia que ela me odiava, á cada dia eu me convencia mais disso, ás vezes pensava que talvez ela fosse como Annabeth e Percy e estivesse apenas fingindo que não sente nada por mim, contudo cada vez eu achava o contrário. Soltei um suspiro e apenas assenti levemente e mostrei o caminho pra sala, Clarisse deu os ombros e seguiu, ela jogou a mochila no sofá pra logo depois se jogar no mesmo, me sentei no outro sofá.
– Clarisse me joga minha mochila aí, por favor- pedi apontando pra minha mochila que estava perto dela, Clarisse pegou e jogou a mochila com força- Não precisava ser tão forte.
– Você pediu, eu joguei, para de reclamar que nem uma garotinha- ela disse revirando os olhos. Como eu disse, ela está bem longe de sentir algo por mim. Abri minha bolsa e tirei um livro que havia pego da biblioteca, nosso trabalho seria sobre Shakespeare, o autor de peças que Clarisse odiava com todas as forças.
– Estou sem sorte nesse trabalho, além de ser sobre as obras de Shakespeare, ainda é com você- ela disse como se fosse a pior coisa do mundo, porque pra ela era a pior coisa do mundo.
– Obrigado pela parte que me toca- disse sarcástico.
– Você tá muito sarcástico, Rodriguez, talvez uns tapas resolvam isso.
– Eu adoraria mas agora temos trabalho pra fazer.
– Saaacoooo- ela reclamou, pegou um dos vasos e quebrou no chão.
– Isso quebra o vaso no chão, Catarina.
– Quem é Catarina?
– A personagem de A Megera Domada, uma das peças de Shakespeare- expliquei e ela revirou os olhos.
– Odeio Skakespeare, mas essa personagem me parece bem legal- ela disse e eu sorri.
– É, bem, vamos começar- falei e ela assentiu meio contragosto- Que tal começarmos por Muito Barulho por Nada?
–Tanto faz- ela deu os ombros e eu assenti.
Quando dou por mim, eu e Clarisse estávamos sentados no chão, lendo sobre Sonho de uma Noite de Verão e rindo...juntos, é eu sei, isso é estranho.
– Tá, digamos que talvez esse autor tenha um pouco de criatividade- ela disse e eu rir.
– Ele é o maior autor de peças que existiu, pelo ou menos é o que a maioria das pessoas acha- falei e ela deu os ombros.
– Tanto faz, mas acho que não deveriam mostrar essa peça pro Percy, ele ia bugar totalmente. Hermia ama Lisandro que amava Hermia, mas passa á amar Helena que ama Demetrio que ia se casar com Hermia, mas acaba se apaixonando por Helena por causa de um elfo do Hades...cara, Percy ficaria um bom tempo nas brisas- ela fala me fazendo rir.
– Verdade, então vamos deixar Percy bem longe de Sonho de uma Noite de Verão- falei e ela riu, fiquei feliz por estar me entendendo com ela, Clarisse era sempre tão ameaçadora, mas agora ela parecia ser alguém com quem dar pra conversar sem levar um tapa na cara.
– Você poderia ser mais assim- falei pensativo e ela me olhou confusa.
– Assim como?
– Nada- me apressei em responder- Deixa pra lá.
– Então tá- ela disse dando os ombros e murmurando algo como "Maluco".
– Bem, agora vamos para A Megera Domada.
– Aquela peça que tem a Catarina?
– Essa mesmo- concordei assentindo feliz por Clarisse estar agindo normal sem ameaças, nem nada- Bem, Catarina e Bianca são duas irmãs, Catarina é basicamente...uma megera, é insubmissa e teimosa, já Bianca é doce e obediente que sonha em se casar, mas o pai Batista, declarou que Bianca só poderia se casar depois de Catarina e...
– Ah mas que idiotice, se eu fosse a Bianca não ia querer me casar- ela disse.
– Eu posso continuar?- perguntei.
– Não, não pode. Eu sei o que vai acontecer.
– E desde de quando você conhece A Megera Domada?- perguntei.
– Agora que você começou á falar, me lembrei que eu já fui assistir essa peça com Silena, sabe como ela é, ama Shakespeare- ela disse e faz uma careta o que me faz rir.
– Você me lembra bastante a Catarina- falei e ela fez careta e negou com a cabeça.
– No começo talvez sim, mas depois definitivamente não. Eu não me tornaria doce no final como ela se tornou, não deixaria um homem me mandar nem á pau- ela disse e eu rir.
– É, o cara que namorar com você será o eterno Petruquio que leva vasos na cabeça- falei com um ar brincalhão mas Clarisse ficou sério.
– Ninguém namoraria comigo, Rodriguez, por algum motivo que eu não entendo, os garotos me acham ameaçadora demais- ela disse.
– Por que será né?- disse irônico mesmo sabendo que não era hora pra ser assim.
– Tá eu sei porque, mas dane-se se alguém quiser namorar comigo vai ter que ser pelo o que sou!- ela exclamou parecendo irritada, ah se ela soubesse que esse alguém existe e que está bem diante dela.
– É mas o que você é, as vezes é extremamente ameaçador- falei meio sem pensar.
– Foda-se sua opinião, não dá pra conversar com você- ela disse revirando os olhos- Não quero mais ler sobra as obras desse autor idiota!
– Mas...
– Eu vou embora- ela disse se levantando e eu me levantei também. Adeus momento de paz...
– Espera, não terminamos ainda.
– Eu não to nem aí, Rodriguez, você conseguiu estragar o clima de paz que tava rolando- ela diz enquanto arruma sua mochila.
– Me desculpa, Clarisse, eu não queria falar isso- falei me sentindo culpado.
– Mas falou, você acha que eu não sei que meu jeito assusta todos os garotos? Acha que eu não já tentei mudar?- ela disse e parecia magoada.
– Eu...eu sei, me desculpa- pedi novamente. Clarisse colocou a mochila nas costas e me olhou, não consegui identificar sua expressão.
– Não importa, ninguém nunca vai gostar de mim mesmo- ela deu os ombros e se virou. Não sei o que deu em mim, mas eu senti que precisava fazer alguma coisa. Parei na frente dela esperando que ela não me matasse.
– Por que você acha isso? Por que simplesmente não olha que está bem na sua frente?- perguntei cruzando os braços com toda coragem que eu não tinha.
– Rodriguez para de palhaçada e sai da minha frente!- ela disse com raiva, mas eu não sai. Ah se Clarisse soubesse que ficava incrivelmente sexy quando estava com raiva.
– Não vou sair, ah qual é, Clarisse, eu já falei isso uma vez no verdade ou desafio e você não acreditou, eu gosto de você pra caramba- falei e Clarisse me olhava com um misto de desconfiança e raiva.
– Mas você disse que era brincadeira depois, ou estou enganada?
– Depois de você ter quase me matado!- exclamei.
– Porque eu sabia que você estava mentindo, assim como eu sei que está mentindo agora!
– Eu não estou mentindo! Se eu não gostasse de você não correria risco de vida todos os dias só pra pelo ou menos ter um pouco da sua atenção, mesmo que seja uma atenção dolorida- eu falei e ela revirou os olhos- Você nunca me perguntou por que eu te perturbo mesmo sabendo que vou apanhar depois? Nunca se perguntou por que enquanto os outros garotos se afastam eu sou o único que insisto em ficar perto de você mesmo que ganhe um olho roxo depois?
– Você não sabe o que tá falando, Rodriguez, provavelmente deve ser alguma aposta que você...
– Não é aposta nenhuma! EU GOSTO DE VOCÊ CLARISSE, TENTA ENTENDER ISSO!
– Escuta aqui, Rodriguez quem você pensa que...- antes que ela pudesse terminar a frase eu á puxo para um beijo. Sem me importar com o que aconteceria depois eu apenas á beijei e fiquei surpreso quando ela correspondeu, tipo ela correspondeu mesmo de verdade e eu mal podia acreditar nisso, meu coração parecia estar querendo disputar uma corrida de fórmula 1, aos poucos fui perdendo a hesitação e a beijando com mais vontade, esperando que Clarisse finalmente entendesse que o eu que sinto por ela realmente é verdade. Coloco minhas mãos em sua nuca a beijando lentamente, afinal pra que pressa? Eu apenas queria curtir o momento, um momento que infelizmente não durou muito porque Clarisse me empurrou com força fazendo com que eu quase caísse no chão.
– Você tá querendo morrer?- ela perguntou tentando parecer brava mas não deu muito certo, dava pra perceber que ainda estava meio balançada por conta do beijo, Clarisse definitivamente não era lá uma atriz muito boa.
– Não, obrigado- respondi sorrindo- Ah Clarisse, vamos lá tira essa armadura, eu sei que você gostou do beijo e sei do que eu sinto por você.
– Isso é alguma brincadeirinha, Rodriguez? Está querendo se vingar por todos esses anos de surra?- ela perguntou arqueando as sobrancelhas.
– Clarisse...
– ESCUTA AQUI RODRIGUEZ, PRO SEU BEM É BOM NINGUÉM FICAR SABENDO E É MELHOR VOCÊ FICAR BEM LONGE DE MIM!- ela gritou e saiu dali o mais rápido possível batendo a porta com força, pela janela pude vê-la correr. Agora ela não podia me enganar, nem negar, ela havia gostado do beijo e eu estava disposto á fazer de tudo para tê-la.
Pov's Narradora
Tempos Atuais...
Atena fitava o homem que um dia fora seu marido sem acreditar nas palavras que ele dizia de modo cínico e vitorioso.
– Você não pode fazer isso!- Poseidon exclamou antes mesmo que Atena pudesse falar alguma coisa, ela olhou pra ele ao mesmo tempo surpresa e agradecida pelo carinho que ele sentia pela sua filha.
– Não se meta nisso, Poseidon, por favor. Está bem claro que Atena não tem condições de criar a Annabeth e eu realmente sinto pena desse filho que ela carrega na barriga- pronunciou Frederick cheio de pose o que fez Atena revirar os olhos. "Por que eu me casei com esse homem um dia mesmo em? Ah é, naquela época ele não era tão cínico, safado e cheio de si"– pensou ela.
– Francamente, Frederick, quem é você pra falar de como criar a Annabeth, foi você que á deixou na casa de Hermes só porque não queria leva-la para São Francisco, e agora você vem me dizer que quer a guarda da Annabeth- disse Atena cheia de raiva.
– É isso mesmo, Annabeth passou longos anos com você, e esse acidente me mostrou o quão eu estava afastado dela e que estava na hora de me aproximar. Eu quero me aproximar da Annabeth!- Frederick exclamou.
– Ah por favor, não venha dar uma de bom pai agora- disse Atena ainda sem acreditar nas intenções do ex marido.
– Eu já disse Atena, eu quero ficar perto da Annabeth- ele reforçou.
– E não pode simplesmente fazer isso aqui? Em Nova York?- Poseidon perguntou.
– Poseidon, eu sei que tem um carinho pela Annabeth, mas você não é o pai dela, eu sou- Frederick disse e Poseidon suspirou sem se deixar derrotar pelo homem de cabelos loiros á sua frente.
– Eu sei que não sou pai dela, mas sinto como se fosse, eu me preocupo com a Annie. Você só estará fazendo mal á ela, lhe afastando das pessoas que ama, da vida que ela tem aqui em Nova York, você não entende?
– Agora entendo o que está querendo dizer, está querendo defender seu filho que é o namorado dela- disse Frederick.
– Percy não tem nada á ver com isso, eu tenho certeza que a Annabeth odiará essa ideia, isso só fará com que ela se afaste mais de você- disse Poseidon, Atena lhe fitou admirada, mas logo voltou a sua atenção á Frederick que parecia convencido da ideia.
– Os irmãozinhos dela farão com que ela se aproxime mais, tenho certeza. Eu já tenho quase a confirmação da guarda provisória dela, o advogado me disse que eu tenho bastantes chances- ele sorriu vitorioso- E as férias já estão chegando, vai ser o momento perfeito.
– Isso se eu deixar!- Atena exclamou- Frederick, você não vai tirar a Annabeth de mim! Já não basta o Malcom!
– Minha casa é muito melhor pra Annabeth, lá ela poderá conviver com os três irmãos, e longe de perigos como Percy.
– Ei, meu filho não é perigo algum, ele é um bom rapaz- Poseidon contestou e Frederick deu os ombros.
– Fale isso pro juiz então, porque graças á seu filho, naquele tribunal a opinião da Annabeth de com quem ela quer ficar irá valer muito menos, já que tem o namorado dela influenciando sua escolha- ele sorriu debochado.
– DESGRAÇADO, VOCÊ NÃO IRÁ TIRAR A ANNABETH DE MIM! NÃO VAI!- Atena gritou se levantando e Poseidon se levantou também.
– Atena, calma, o bebê...
– Ele não vai tirar ela de mim, Poseidon, não vai!- exclamou Atena novamente, Frederick parou de sorrir mas não deixava a expressão de quem acabara de vencer uma batalha...a batalha, mas não a guerra.
Pov's Clarisse
Alguns dias antes...
Sai da casa do Chris bufando, não de raiva, mas sim de frustação, uma parte de mim- a parte boba e apaixonada- queria acreditar no que Chris dizia, mas a outra parte- a parte bruta e racional- insistia em achar que ele estava mentindo, apenas querendo brincar com meus sentimentos, se vingar depois de tantos anos, eu sabia que talvez um dia Chris fizesse isso. Afinal que tipo de cara se apaixona pela garota que bate nele? Isso é meio 50 tons de cinza ao contrário, sei lá, meio sadomasoquista, já vi mulheres gostarem de homens que batiam nelas, vejo quase todo dia casos no jornal assim, mas ao contrário?! Chris acha que eu sou boba, talvez até ele desconfie do que eu sinto por ele e esteja se aproveitando da situação, se aproveitando da minha fraqueza para se vingar, ou talvez ele goste realmente de mim e eu esteja estragando tudo. A única vez que um garoto gosta de mim e eu estraguei, mas mesmo assim ainda fico com o pé atrás. Já fiz coisas ruins demais pro Chris, já bati tantas e tantas vezes nele, desde da creche, é meio difícil de acreditar que ele do nada começasse á gostar de mim, á gostar de apanhar! Quem gosta de apanhar?!
Chego em casa e corro pro meu quarto sem falar com ninguém, me tranco lá dentro e me jogo na cama pensativa. Juro que quando ele me beijou senti algo naquele beijo, algo que me forçava á corresponder, á não resistir, até que a realidade me atingiu e eu o afastei o mais rápido que pude, mas ele percebeu, e agora sabe minha fraqueza. Sabe o que eu sinto por ele. Sabe que eu gosto dele. E pode usar isso conta mim. Clarisse como você é burra!...é burra por achar isso dele, e não seguir seu coração. Alerta meu consciente, mas eu simplesmente ignoro, quem pode me garantir que Chris não está querendo me enganar?. Suspiro e me sento, pego meu notebook e o ligo começando á pesquisar sobre o idiota e romântico do Shakespeare, afinal ainda tinha o trabalho pra apresentar. Ainda bem que eu fiquei com William Shakespeare, teria me atirado da janela se fosse Nicholas Sparks, odeio esses romances bobos, clichês, alguns cheios de dramas que não tem nada á ver, um casal que jura se amar para sempre sem saber o real peso das palavras amar e para sempre.
São apenas histórias que nos dão esperança de viver um grande amor, um amor muita das vezes perfeito, com caras perfeitos, mas entenda minha cara, não fique esperando o cara perfeito aparecer, pois nenhum garoto é tão perfeito quanto aqueles que vemos na maioria dos livros. São raros os homens que morreriam pelo simples fato de achar que não poderia viver sem sua amada como Romeu, são raros os homens que seriam fiéis vivendo um amor á distância se comunicando apenas por cartas como John aposto que eles também não iriam dar toda sua herança pra salvar a vida do cara que a garota que ele ama esta casada, são raros os homens que seriam tão românticos e pacientes como Maxon Schreave, são raros os homens que seriam sensíveis e gentis como Peeta Mellark, são raros os homens que mudariam totalmente para melhorar pra sua amada mesmo que ela tenha o traído como Pat Peoples, são raros os homens que fariam de tudo pra conquistar uma garota aparentemente sentenciada á morte, que viveriam esse amor da forma mais intensa possível até o fim como Augustus Waters, ...Enfim, eu poderia ficar aqui listando todos os personagens masculinos aparentemente e surpreendentemente perfeitos que todas as garotas desejam ter algum dia, mas essas não se aplicam só á homens, á mulheres também. E eu usei o termo são raros porque quem sabe ainda possa existir um garoto como eles, não com um conteúdo completo, mas talvez quem saiba exista um garoto com pelo ou menos metade das qualidades que listei acima. E se você parar pra pensar, na maioria das vezes esses personagens se apaixonam por garotas aparentemente complicadas, cheias de problemas, teimosas, indecisas ou com qualquer outro defeito que você possa pensar, e eles, caras perfeitos conseguem conquista-las, conseguem fazer com que corresponda seus sentimentos ou eles encontram uma garota imperfeita que o faça sentir o amor. Não é que eu não acredite no amor, eu apenas não acredito no amor artificial que a maioria dos livros e filmes nos mostram, um amor que muitas das vezes começa pelo exterior perfeito e parte pro interior mais perfeito ainda, mas o amor não é só corações e flores, pra mim amor de verdade, é aquele que mesmo com problemas e imperfeições é forte, sincero e duradouro, não um amor que faz o casal deixar de ser o que eram para agradar, mas sim um amor que faz o casal se amar do jeito que são, com todos seus defeitos e qualidades que se completam. Sei que pareço uma boba pensando assim, mas é o que eu penso, e é o que a maioria das pessoas deveriam pensar e o que a maioria das histórias deveriam contar. É isso o que a insensível Clarisse pensa.
Solto outro longo suspiro, tirando todos esses pensamentos da minha cabeça voltando á me concentrar na pesquisar, decidi começar justamente pela A Megera Domada, encontrei em um site de teatro o roteiro da peça pra baixar, lá também tinha outras de Shakespeare, fiz dowload apenas de algumas, e decidi lê-las já que não tinha nada pra fazer.
Pov's Chris
Eu estava sentado á mesa com meu pai e Luke, mas meus pensamentos estavam longe, mais especificamente em Clarisse, eu tinha que falar com ela. Tinha que convence-la do que eu sinto é real.
– Então Chris o que acha?- escutei a voz do Luke me trazendo de volta á realidade.
– Ãn?- perguntei confuso e meu pai riu.
– Parece que o Chris anda bem longe em- meu pai disse e eu rir sem humor.
– Eu estava falando que acho que vou fazer um seguro pro teto do meu carro- Luke disse e eu olhei pra ele pensando que era brincadeira.
– Isso é sério?- perguntei.
– Claro que é, meu teto tem que ter mais segurança já que é sempre atacado por aqueles idiotas- ele respondeu.
– Er, acho que você irá gastar seu dinheiro á toa- falei.
– Eu não acho, é meu teto, cara.
– Luke, é só um teto- falei e Luke negou com a cabeça.
– Não é só um teto, é o teto- Luke disse repetindo a mesma frase pela milésima.
– Então tá né, se você diz- dei os ombros e voltei á comer.
– Chris aconteceu alguma coisa?- meu pai perguntou e eu olhei pra ele.
– Não, pai- menti.
– Tem certeza? Não parece- papai disse.
– Tenho- menti novamente, terminei meu prato e me levantei — Eu...tenho que estudar
Subi as escadas o mais rápido possível e me joguei na cama, comecei á me perguntar se deveria desistir de Clarisse...deveria?! Petruquio não desistiu de Catarina mesmo depois de tantos foras, Romeu não desistiu de Julieta ao saber que ela era filha do seu inimigo, e indo para exemplos mais próximos, Percy não desistiu da Annabeth mesmo que ela o odiasse com todas suas forças, nem Nico desistiu da Thalia mesmo que seu amigo também gostasse dela. Por que eu teria que desistir? Não, eu não teria que desistir, não deveria deixar abater mesmo depois de inúmeras derrotas, eu havia tido uma vitória hoje e seria ela que me motivaria. Me levantei, peguei meu casaco e desci as escadas, vi a chave do carro do Luke em cima da mesinha e simplesmente peguei. Fui até a garagem, liguei o carro e sai. Vi pelo retrovisor, Luke aparecer na porta e gritar alguma coisa, acho que era "Cuidado com meu teto" ou sei lá.
Parei em frente a casa da Clarisse e desci do carro. Corri até a porta e apertei a campainha, por sorte foi Clarisse que abriu.
– O que quer aqui, Rodriguez?- ela perguntou fechando a cara.
– Quero provar pra você que o que eu disse é realmente verdade- falei.
– Vai atrás de uma dessas garotas bobas e apaixonadas- ela disse cruzando os braços.
– Não vou! Eu não quero elas, não quero uma garota como as outras, eu só quero você, será que é difícil entender isso?!
– Claro que é, com tantas garotas por aí, por que eu?
– Não sei, sentimentos não é o tipo de coisa que se explica.
– Mas eu só te bato, como pode gostar de mim?
– Essa eu também não sei, só gosto de você e pronto, gosto com seus defeitos e qualidades, não me importo se vai me bater todo dia, eu só quero estar ao seu lado.
– Chris, você deve estar doido- ela disse e riu sem humor.
– Não, não estou- falei e sorri- É sério, eu não estou mentindo, jamais enganaria você.
– Como posso acreditar nisso?
– Eu teria motivos pra mentir pra você?
– Na verdade, teria sim.
– Mas eu não estou Clarisse, eu juro- disse olhando em seus olhos- Eu só te peço uma chance.
– Uma chance?
– É, se eu pisar na bola, pode me matar ou fazer a merda que quiser comigo- falei e ela me olhou meio desconfiada.
– E por que eu faria isso?
– Porque eu sei que você sentiu a mesma coisa que eu naquele beijo, não tente me enganar- disse com firmeza e Clarisse soltou um suspiro.
– Para de insistir, Chris.
– Você me chamou de Chris- falei sorrindo e ela revirou os olhos.- E daí?- ela perguntou dando os ombros.
– E daí que você agora pouco estava me chamando de Rodriguez. Vamos, não negue, por favor, eu preciso saber se sente o mesmo por mim- falei sério e Clarisse soltou outro suspiro e me olhou.
– Tá, tanto faz- ela disse dando os ombros.
– Isso quer dizer um sim? Que sente o mesmo?- perguntei com cautela.
– Talvez- ela simplesmente respondeu e eu sorri.
– Então vai me dar uma chance? Eu estou dando minha vida como seguro, se eu pisar na bola, pode me matar á vontade- disse com firmeza e Clarisse me olhou pensativa e eu suspirei novamente.
– Tudo bem, mas devemos manter isso sem segredo- ela disse e eu sorri largamente e fui em sua direção mas ela colocou a mão na frente- O que pensa que está fazendo?
– Er...eu vou beijar você, ué- falei.
– Aqui não, Chris, alguém pode ver, devemos manter em segredo, lembra?
– Tá, mas por quê?
– Porque eu não quero as pessoas fazendo piadinhas e nos olhando com a cara estranha, com certeza seria expulsa da escola por bater em tantos idiotas- ela disse e eu sorri.
– Sem problemas. Então posso entrar?- perguntei.
– Tá querendo demais- ela disse.
– Ah, Clarisse, por favor- pedi.
– Amanhã, eu passo na sua casa depois da escola pra terminarmos o trabalho- ela disse e deu uma piscadela.
– Ok- falei.
– Então até amanhã- ela disse dando um leve aceno e esperando que eu fosse embora.
– Até- falei sem sair do lugar, eu não ia sair dali sem um beijo, então fui até ela e lhe roubei um beijo que logo foi correspondido. Parece que eu tinha domado minha Catarina...
– Acho bom você correr antes que eu bata- ela sussurrou e eu sorri, dei mais uma selinho nela e sai correndo em direção ao carro. É...talvez não tão domada assim...
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