Love Me Before I Kill Myself.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eram sete da manhã quando Harry foi acordado pelo sol que entrava pela grande janela ao lado da cama. Embora acordado há quase meia hora, ainda não havia saído da cama. Rolava preguiçosamente de um lado para o outro, até que um homem de jaleco entrou, após algumas batidas na porta de vidro. Era claramente um médico, mas não o mesmo de antes. Era mais jovem. 25, talvez 28 anos. Perguntou-lhe como se sentia, mas não obteve resposta. Anunciou que o café estaria servido até às 8:45, e que às nove ele poderia participar de uma sessão de terapia em grupo. Embora o jovem médico tivesse dito poderia, soava mais como uma obrigação. Harry assentiu com a cabeça, indicando que havia compreendido o recado. Após observá-lo — nada discretamente, diga-se de passagem — por alguns momentos, o médico deixou o quarto. Harry ainda ficou mais alguns minutos na cama, até que criou coragem para vestir-se e caminhou vagarosamente até o refeitório. Era uma situação constrangedora. Várias pessoas comiam ali. Todos pacientes, internados pelos mais diversos motivos, desde os viciados em drogas, até aqueles que estavam ali simplesmente porque seus pais não os queriam em casa. Harry serviu-se e sentou-se sozinho em uma mesa no canto da sala. Revirou a comida no prato, mas não comeu nem um terço do que havia servido. Ao encerrar o período do café, vários médicos entraram. Cada um chamou por dez ou doze nomes, e seguiram para salas com seus pacientes. Era tudo patético. Haviam cadeiras em círculos, e, aos poucos, os meninos e meninas ali internados se acomodavam. Harry não pode deixar de examinar cada um cuidadosamente. Depois de todos se acomodarem, ainda havia algumas cadeiras vagas. O psiquiatra ali presente começou a falar. Falou por uns 30 minutos, mas apesar de ouvir, Harry não escutava nada; apenas divagava em seus pensamentos. Aos poucos, os internos começavam a falar. Falavam de coisas diversas. Alguns, discutiam seus problemas; realmente interessados em melhorar. Outros, apenas protestavam por estar ali. Havia, ainda, alguns que simplesmente diziam não querer compartilhar nada. Harry juntava-se a este grupo, apenas moveu a cabeça de um lado a outro, em sinal negativo, na sua vez, indicando que não queria falar. Os minutos da manhã se arrastavam naquela sessão, que parecia não chegar ao fim nunca. Por fim, a reunião havia acabado e Harry pode ficar alguns minutos em seu quarto, sozinho. Infelizmente, não durou muito, pois logo um funcionário passou convidando-o para o almoço. De novo, era um convite que, na verdade, era uma ordem. Harry não sentia fome, mas segundo os médicos, era importante que todos fossem ao refeitório. Alguma bobagem sobre socializar, ou algo assim. A tarde, para seu contento, foi mais tranquila. À exceção de uma hora ou duas que foi obrigado a conversar com um psicólogo — que foi quase como um monólogo recitado pelo médico em questão, visto que Harry não falava muito — teve seu tempo livre para fazer o que quisesse. E essa era sua rotina. Todos os dias. Todas as semanas. Harry se recusou a falar nas sessões de terapia em grupo nos primeiros quatro ou cinco dias, para que então começasse a soltar um par ou dois de frases nas sessões. Tudo era monótono e deprimente. Harry teria se cortado mais algumas vezes, se não tivessem recolhido todos os objetos que pudesse usar para causar ferimentos a si mesmo logo no dia de sua admissão. E assim as semanas se arrastavam. Ao chegar da sexta-feira, Harry tinha seu único momento de alegria da semana. Isso porque, no fim de semana, comparecer as reuniões era, de fato, uma opção. E Harry nunca optava por participar, limitando-se a sair do quarto somente para comer — já que participar das refeições ainda era compulsório.
---/
As semanas se arrastavam sem nenhuma novidade. Era uma quarta-feira, quando, após uns trinta minutos adentro da sessão de terapia matinal, um funcionário da clínica interrompeu o falatório — que, de conversa, não tinha muito — para que um menino entrasse na sala. Era novo ali. Ao menos naquele grupo. Harry vasculhava sua memória na tentativa de lembrar se já o havia visto pelos corredores, mas não obteve sucesso. O menino sentou-se em uma das cadeiras vagas e, a pedido do psiquiatra que dirigia a sessão, se apresentou. Seu nome era Louis, mas o resto das informações Harry perdera no caminho, enquanto analisava o menino. Tinha mais ou menos a mesma estatura que Harry, cabelos castanhos. Devia ter a mesma idade também. Era muito bonito, Harry não podia deixar de notar. Era muito bonito. Tinha um olhar vago. Depressivo, diria Harry, se intrigante não fosse uma palavra mais adequada para defini-los. Harry analisava o menino meticulosamente. Para sua sorte, o novato não percebeu o olhar que Harry lançava sobre ele, por mais indiscreto que este fosse. Harry aguardava ansiosamente para que chegasse a vez do menino falar, porque estava verdadeiramente curioso para saber mais dos motivos que levara o menino ali. Para seu desagrado, o menino preferiu não falar nada, limitando-se a passar sua vez para o próximo, um menino de 24 ou 25 anos, que chegara ali na mesma semana que Harry, internado por abuso de medicamentos. Desde de que o menino chegara, Harry não conseguiu desprender o olhar. Havia algo que atraia a sua atenção, e, incrivelmente, não era sua beleza. Não que ele não fosse bonito, como observara Harry alguns minutos atrás. Era bonito até demais, mas não era isso que atraia Harry. Ainda não sabia dizer o que, mas o menino novo realmente tinha algo que lhe prendia a atenção. Harry estava tão desatento ao que ocorria a sua volta, que só percebeu que a sessão havia acabado quando notou ser um dos últimos a ficar na sala. Tratou de levantar-se e sair dali logo, para aproveitar o breve momento que teria sozinho antes do almoço. Ao voltar para seu quarto, reparou que o novato estava instalado uns cinco ou seis quartos antes do seu, no mesmo corredor. Pode reparar no menino desfazendo suas malas ao passar, já que as portas eram de vidro, para que os médicos tivessem mais controle do que os interno faziam nos quartos. Vê-lo arrumando as coisas o fez lembrar que sua mala ainda estava jogada sob a escrivaninha do quarto desde que chegara cinco ou seis semanas atrás, com todas as coisas reviradas. Apesar de lembrar, não fez questão de despender esforço algum para arruma-la. Isso seria postergado até quando possível, já que ele não via problema algum em revirar a mala toda vez que precisava de roupas limpas. Ao chegar da hora do almoço, Harry estava realmente animado para isso. Serviu-se rápido, sentou-se à mesa de sempre e começou a analisar o local, a procura do menino de hoje cedo. Como era mesmo seu nome? Talvez Harry devesse ter prestado mais atenção ao que o menino disse mais cedo. Não importa, Harry continuava varrendo o local com seu olhar incessantemente a procura do menino. Antes que pudesse encontrá-lo, foi interrompido pelo som de prato e talheres sendo colocados sobre a mesa. Sobre a sua mesa, para ser mais especifico.
Notas finais
--
Amados, vou demorar um pouco a postar o proximo capitulo. Meu pc deu pau e eu perdi quase 3 capitulos inteiros que ainda tinha pra postar D:. E isso deu uma desanimada...Mas ainda essa semana eu volto a escrever e atualizo.
xoxo
Fale com o autor