Love Lust Faith + Dreams
2 Birth
Notas iniciais
http://www.vagalume.com.br/30-seconds-to-mars/birth.html
Boa leitura! :)
Faith | Dreams
Eu sentia meu coração batendo ritmadamente em meu peito. Tum tum, tum tum, tum tum. O sangue espesso corria suave e poderosamente pelas minhas veias, irrigando todos os meus músculos. Abri meus olhos. Via, acima, o céu nublado, encoberto por nuvens de tempestade. Sentei-me e olhei a volta. Estava em um campo aberto, uma planície totalmente desconhecida.
Eu te salvarei de si mesma, o tempo vai mudar tudo sobre esse inferno.
Parei e escutei. No exterior, apenas o sussurrar do vento e o som quase imperceptível do meu peso amassando a grama que crescia do chão. Aquela voz sedutora como nenhuma outra vinha de dentro. Ele estava na minha mente.
Você está perdida?
Sim, oras, claro que estou perdida! Eu não sabia onde eu estava, como eu chegara ali, e... Nem quem eu era.
Não consegue se encontrar?
Eu lutava contra aquele véu em minha mente, tentando desesperadamente tirá-lo dali e encontrar todas as peças para preencher as lacunas de meus pensamentos. Nada. Quando eu pensava que finalmente tinha feito algum avanço, o véu encobria tudo mais ainda em uma cegueira branca, leitosa, como a dos cegos no romance de José Saramago.
Disso eu conseguia lembrar. Maldição.
Pus-me de pé e olhei para baixo, examinando minha figura. Minha pele estava queimada de Sol, quase como couro, eu usava um vestido branco, um dia belo, totalmente rasgado. Partes da minha pele estavam expostas sob o tecido, porém eu não tinha um arranhão. Se não fosse pelos danos causados pelo calor, minha pele estaria lisa como a de um bebê. Toquei um ponto em meu braço; a pele era espessa e áspera ao toque. Pelo menos não queimava. Reparei que ficara deitada ali por dias. Meu cabelo era negro e comprido até a cintura, era a única coisa que não parecia danificada. Ele descia em ondas sedosas e arrastava em minhas costas, apesar de eu não sentir pela grossura de minha pele.
Você está ao Norte do Céu, talvez, em algum lugar a Oeste do Inferno.
Um arrepio de pânico percorreu meu corpo. Será que a voz blefava? Como eu poderia saber? O desespero me dominou, junto com uma onda de adrenalina que eu nunca sentira. Eu sentia meu coração batendo mais forte ainda e eu corri. Corri para frente, para os lados, para trás, em círculos. Eu corria sem rumo procurando uma saída daquele lugar. Lágrimas rolavam pelas minhas bochechas e eu cravava as unhas nas palmas das mãos. A chuva começou a cair em pingos grossos enquanto trovões ribombavam e relâmpagos iluminavam o horizonte.
Quando meus pulmões já estavam em chamas, fui desacelerando, enquanto ouvia as batidas de meu coração ecoando em minha cabeça. Respirei fundo.
Uma onda de eletricidade percorreu meu corpo e iluminou a planície com uma luz capaz de cegar qualquer um.
Eu estava viva.
E...
Eu. Devia. Lutar.
Notas finais
Beijos,
@VarricchioLu
Fale com o autor