Love Love
6 Amada de estimação.
Notas iniciais
Amada de estimação.
Sua vida era um saco. Sempre a mesma coisa, nunca mudava e sempre era ele que tinha que ficar ouvindo a mesma coisa todos os dias. Seu irmão sonic saía com a namorada todos os dias e só voltava tarde da noite, seu primo silver, que perdera os pais e fora morar com eles, sempre ficava até mais tarde na escola para treinar com uma garota que de acordo com ele logo seria sua namorada, e ele, como não tinha amigos, era mais de ficar sozinho, tinha que ficar em casa ouvindo os pais brigando e gritando um com o outro até cansarem. Eram sempre os mesmos gritos e berros que escutava mesmo estando do outro lado da casa, onde ficava seu quarto.
Sua casa, não sua mansão, por que isso que era. Moravam em uma das maiores casas de sua cidade, uma enorme mansão de dois andares com largos corredores e vários quartos. Isso que dava ter uma mãe cientista famosa e um pai competidor de formula um muito bem sucedido. Mas devia dizer que nem se importava com o que tinha, tendo ou não para ele tanto faz. Tudo o que queria era que essa maldita rotina acabasse!
Sempre era, se despedia de seu irmão e seu primo na escola, vinha para casa, passava pelos enormes corredores para chegar em seu quarto ouvindo os gritos de seus pais ecoarem por todos os lados. A única coisa que lhe consolava era que em seu quarto dormia um pequeno animal muito especial para ele. Era uma pequena gatinha que ajudara quando tinha dezesseis anos, ou seja, dois anos atrás. Ela o animava todas as vezes que chegava em casa, pulando em seus braços ou o rodeando.
Todos os dias, quando chegava em casa, ia para a cozinha e pegava um pouco de comida para ela, logo caminhava até seu quarto onde ela provavelmente estaria deitada na cama só esperando que ele chegasse. Quando entrava em seu quarto entregava o leite para ela junto com a ração ou algo especial como algum biscoito de peixe ou algo parecido e logo ligava o som para que a musica alta e de rock pesado abafasse o grito de seus pais. Depois se sentava na cama e a pequena gatinha de pelo loiro e olhos azuis pulava em seu colo pedindo carinho, ou as vezes fazendo o carinho, passando a cauda por seu pescoço quando a carregava, já que era muito pequena, ou esfregando a cabeça em seu rosto ou em seu pescoço novamente. Ela o animava pulando de um lado para o outro, jogando com sua bolinha ou fazendo ele correr atrás dela para pegar alguma coisa sua. A pequena era um doce e a única amiga que tinha e não saberia o que fazer sem ela.
No momento passava pelos corredores carregando a tigela de leite e alguns biscoitos. Podia ouvir os gritos de seus pais saindo de insultos pesados ou até mesmo um pouco mais leves, o que o fazia apressar cada vez mais o passo tomando cuidado para não derramar nenhuma gota de leite. Em poucos instantes já estava na frente da porta de seu quarto e ao abrir a mesma foi recebido por um forte miado de alegria enquanto a pequena gata loira rodava envolta de suas pernas com um sorriso felino no rosto. O garoto moreno sorriu e deixou os lanches dela no chão enquanto se dirigia para a enorme caixa de som que tinha no quarto e a ligava, fazendo a musica alta e pesada sair com força dos alto falantes.
Logo em um suspiro se sentou na cama tirando os sapatos e a blusa para ficar mais confortável. Por praticar muitos esportes sua forma física era excelente, ainda misturada com seu rosto de feições orientais que sempre estavam em uma cara seria era simplesmente lindo. A pequena gatinha pulou em seu colo colocando as duas patinhas dianteiras em seu peito e o mirando com pequenos miados.
Com um pequeno sorriso, que raramente aparecia em seu rosto, carregou a pequena e a abraçou com delicadeza acariciando sua cabeça enquanto ela ronronava e mexia a cabeça contra seu pescoço. Ela era seu pequeno tesouro, sem ela nunca agüentaria essa rotina monótona e irritante. Deitou na cama com cuidado deitando sua gatinha do seu lado, ainda a abraçando com delicadeza e acariciando sua cabeça com lentidão.
— Você é tudo pra mim Maria. – sussurrou fechando os olhos levemente sentindo como o sono começava a tomar conta de seu corpo. – Espero que esteja sempre comigo. Não sei o que faria se não tivesse você aqui para me animar todos os dias.
No dia seguinte acordou com o barulho do despertador. Um pouco grogue ainda, por causa do forte sono que ainda o dominava se levantou sem perceber a estranha garota em sua cama. Tomou um banho, vestiu seu uniforme e foi para a escola, com seus fones de ouvido em suas orelhas com as musicas em alto volume, para que assim pudesse se afastar desse mundo.
Foi apenas mais um dia de aula no terceiro ano do colégio onde estudava, nada que pudesse chamar sua atenção e quebrar a monotonia que sentia como sua vida. Chegou em casa e a mesma coisa acontecia, só que dessa vez ouvia coisas quebrando ou batidas pesadas e abafadas que ecoavam pelos corredores. Fechou os punhos com força e caminhou o mais rápido que conseguia indo até seu quarto, entrando rapidamente e fechando a porta em um estrondo atrás de si. Cada dia isso parecia ficar pior.
— Ola Shadow. – falou uma voz feminina doce e delicada o fazendo levantar a cabeça para mirar na direção da cama. Nela estava sentada uma garota de longos cabelos loiros reluzentes, os olhos azuis cintilantes, o corpo com curvas discretas coberto por um delicado vestido branco que mal chegava a metade das cochas da garota, a pele pálida como a neve e o mais estranho de tudo orelhas e cauda de gato, todos eles com pelos loiros. O garoto ficou tenso em seu lugar, a garota era linda, talvez a mais bela que já tinha visto e estava bem na frente dele de uma maneira um pouco provocante. – Estava te esperando.
A garota se levantou, cambaleando um pouco no inicio fazendo seus longos cabelos se chacoalharem para os lados e logo foi até ele andando com uma ginga incrível, como se seu corpo desfilasse pelo quarto de maneira inconsciente fazendo seu quadril se mover no mesmo ritmo belo que a cauda. Engoliu em seco, aquilo só podia ser um sonho, não tinha outra lógica ter uma garota tão bela em seu quarto. Claro que era atraente para varias garotas, mas muitas delas o temiam por seu jeito serio e frio.
A pequena garota, que era mais ou menos duas cabeças menor que ele, segurou sua mão com um sorriso doce no rosto e o puxou levemente na direção da cama. O garoto sem reação se deixou levar ainda embelezado pela garota a sua frente. Ela o sentou na cama com cuidado e logo foi até o som o ligando bem em sua musica favorita, mas como ela sabia? Nunca falara a ninguém seus gostos, como essa garota poderia saber do que gostava?
Ela voltou a andar em sua direção e com muita agilidade e beleza subiu na cama ficando atrás do garoto enquanto o mesmo observava cada movimento que ela fazia. Ela colocou as delicadas mãos em seus ombros e começou a fazer pequenos movimentos apertando os mesmos de vez em quando e passando uma sensação de relaxamento para ele que a muito tempo não se sentia daquela maneira. De repente ouviu como uma doce voz começava a cantar junto com a canção que soava no ar, abafando o barulho que os pais do garoto faziam. Era aquela garota que cantarolava levemente perto de seu ouvido fazendo com que ele ficasse mais e mais relaxado.
— Você anda muito estressado ultimamente, devia relaxar um pouco mais. – falou a garota em um sussurrou enquanto continuava a massagear seus ombros. Em alguns minutos o garoto já estava mais que relaxado, seus olhos quase não conseguiam se manter acordados enquanto sentia aquelas mãos delicadas passaram por seus ombros com muito cuidado e carinho.
Em um certo momento a garota puxou seu corpo para baixo fazendo com que deitasse a cabeça no colo dela de uma maneira confortável. Ele a mirou confuso sem entender porque ela fazia tudo aquilo. Ela sorriu para ele e logo acariciou seus cabelos negros, fazendo um doce cafuné que terminou por levá-lo ao mundo dos sonhos em poucos instantes.
No dia seguinte acordou melhor do que nunca, não era como nas outras vezes que acordava cansado e com vontade de ficar na cama. Levantou-se lentamente coçando os olhos para despertar completamente, mas logo sentiu como algo se movia delicadamente a seu lado. Olhou para lá e viu aquela mesma garota deitada dormindo confortavelmente bem encolhida perto dele, como se cada vez quisesse ficar mais perto.
Por causa do susto que tomara ao comprovar que não tinha sido um sonho acabou acordando a garota que abriu lentamente os olhos e o mirou levemente, ainda deitada na cama. Ela sorriu docemente para ele e ficou sentada, frente a frente com o garoto que ainda se encontrava em estado de choque.
— Nya, bom dia Shadow. – falou inocentemente enquanto sua cauda se mexia de um lado para o outro com graça, uma de suas orelhas estava ligeiramente caída enquanto seu cabelo, bagunçado por causa do jeito que dormira, a tornava ainda mais encantadora. A garota percebera que seu parceiro estava um pouco tenso e surpreso o que a fez ficar confusa. – O que houve?
— Quem é você e como veio parar aqui? E o mais importante, por que tem orelhas e cauda de gato? – perguntou ainda um pouco atordoado percebendo como a garota ficava com um semblante triste. Por alguma razão se sentiu culpado com relação aquilo, mas tinha que se preocupar mais com o fato de ter uma estranha em seu quarto.
— Nya! Isso me magoa Shadow. – falou a garota em um tom triste e logo depois engatinhando até perto dele, deixando seus rostos bem próximos e passando seus braços envolta do pescoço do garoto que corou ligeiramente e acabou encostando as costas na parede em um intento de escapar daquela situação constrangedora. – Não se lembra de mim? Mesmo depois de ter passado dois anos do seu lado? Nya! Isso não é justo, anteontem você tina dito que não saberia o que fazer sem mim...
— M-maria? – perguntou surpreso vendo como um enorme sorriso aparecia no rosto da garota que o abraçou com ainda mais força. Não conseguia acreditar que sua pequena gatinha tinha virado essa garota, era quase impossível de se imaginar, se bem que explicava o por que da cauda e das orelhas. E talvez essa fosse a chance de sair dessa sua monótona vida.
— Nya! É melhor se apressar Shadow, ou vai se atrasar para a escola. – pela primeira vez o garoto olhara para o relógio vendo o quão tarde era. Se levantou da cama em um salto e foi direto para o banheiro tomando um banho rápido e indo direto para a escola, sem nem mesmo tomar um café da manha.
Os dias foram se passando e cada vez estava mais acostumado a ter aquela garota gato em seu quarto. Ela era engraçado e divertida, tinha que admitir, e esse jeitinho doce que ela tinha o encantava de uma maneira que nem ele mesmo conseguia explicar. Quando saiam, ela voltava a sua forma de gato e ia com ele o divertindo de todas as maneiras, apesar de sua mãe não gostar muito dela por ser um gato e seu pai falar que brincar com um era coisa de garota, mas se bem que nem ligava, Maria estava sempre lá para alegrá-lo.
Sem que ela percebesse sempre acabava fazendo o garoto entrar em suas... “crises de homem”. Por ser muito inocente, e logicamente precisava tomar banho, saía do banheiro sem a toalha ou se embolava na roupa, o obrigando a vesti-la. Ela também tinha suas brincadeiras irritantes e toda vez que ele acabava discutindo com ela, não suportava ver a carinha triste que ela fazia depois e acabava engolindo o orgulho e indo lá pedir desculpas. Em pouco tempo ela se tornara sua vida e antes que percebesse já não era mais só amizade que sentia.
No fim de semana acordou na mesma rotina de sempre só que dessa vez tinha ela. Sempre dormiam juntos na mesma cama, coisa que ela quase implorava para ser, claro que inocentemente. Olhou para o lado e se encontrou com aquele doce rosto adormecido a poucos centímetros de onde estava. Ela o abraçava com força e dormia comodamente bem perto de si. Era realmente adorável esse rostinho que tinha.
Sem perceber começou a se aproximar dela, inclinando seu corpo lentamente para baixo pendurando seu peso no cotovelo esquerdo enquanto a mão direita se concentrava em acariciar o delicado rosto da garota. Não devia estar fazendo isso, e se ela só o considerasse um amigo? Se a perdesse não saberia o que fazer. Mas também não podia resistir da tentação que era ver aqueles lábios finos e tentadores e não poder encostar neles nem uma vez. Só seria um pouco, ela estava dormindo e nem saberia o que aconteceu. Apenas um selinho e nada mais.
Fechou os olhos e encostou seus lábios nos dela em apenas um leve roçar, mas o sabor daqueles doces lábios invadiu sua boca e antes que percebesse já estava aprofundando o beijo com ela o correspondendo. Um minuto! Ela o correspondia! Ela estava retribuindo o beijo! Será que isso significava que sentia a mesma coisa que ele? Seja o que for não queria parar aquilo, não mesmo.
Seus lábios se moviam ferozes um contra o outro, querendo sentir apenas mais e mais. Os braços dela passaram por seu pescoço o prendiam perto dela, não deixando que se afastasse nem um centímetro enquanto ele passava ferozmente uma mão pela cintura dela, descendo pelo quadril ou subindo pelas pernas, fazendo a curta camisola branca que usava subir ainda mais do que já estava. Ele podia ouvir os leves gemidos que ela lançava no ar de vez em quando e isso apenas o incentivava a continuar enquanto ela tentava tentá-lo de todas as maneiras, seja mordendo os lábios dele ou gemendo baixinho.
Estavam em um momento tão deles que nem ouviram os barulhos de passos se aproximando de onde estavam. Quando a porta se abriu os dois se separam rapidamente só para ver como a mãe do garoto estava na porta com os olhos arregalados, mas um enorme sorriso no rosto. Ela rapidamente saiu do quarto, provavelmente para avisar ao pai do garoto sobre o que tinha acabado de ver. O garoto suspirou um pouco frustrado, por descuido fora pego com a mão na massa.
De repente sentiu como a garota se encolhia em seus braços afundando o rosto em seu peito e o acariciando levemente.
— Te amo. – sussurrou a garota fechando os olhos levemente. Primeiro o garoto se surpreendeu, mas logo sorriu e passou o braço livre pelo corpo da garota, praticamente a escondendo em seus braços.
— Também te amo. – sussurrou ele de volta com um leve sorriso. Não se importava mais com seus pais ou com a rotina monótona que tinha, como dissera antes tinha ela para alegrar seus dias.
Mas da próxima vez se lembraria de trancar a porta
Notas finais
Mandem reviews!!!
Bjsss
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