Love Like Winter
4 O Convite
Notas iniciais

Capítulo 4 — O Convite
“He bit my lip,and drank my war
From years before”
No caminho de volta para a cabana, fiquei analisando tudo que Uruha me contou sobre seu passado e a minha possível relação como sua alma-gêmea. Meus amigos estavam ansiosos para saber o que aconteceu na floresta para eu sair sem avisar.
Respirei fundo e disse que contaria tudo a eles quando chegássemos na cabana, pois estava com muito frio.
Vovó Ayumi estava na porta da cabana esperando-me voltar da minha busca na floresta, confiante que deu tudo certo no meu encontro.
Avisou que o jantar estava pronto, e que poderia contar tudo que descobri, enquanto comíamos na frente da lareira.
Os olhares atentos dos meus amigos mostravam curiosidade e surpresa enquanto aguardavam a história da Youkai da neve.
— Gomen, por sair sem avisar vocês, mas como a vovó contou sobre a lenda, podia ser perigoso jovens adultos na floresta. — comecei me desculpando, eles ficaram preocupados indo atrás de mim.
— Akira, me contou sobre o sonho que teve, no qual a youkai pediu um encontro, achei melhor ele ir sozinho. — Vovó comenta.
— Então, Kai, você estava certo sobre a teoria do pacto. — Ele fica surpreso.
— Sério mesmo? Reita devido aos pesadelos, foi a teoria mais plausível que encontrei. — Kai pergunta perplexo
— Durante nossa conversa, ela disse que me salvou, porque acredita que sou a reencarnação do general Imagawa Shōhō. — revelei o motivo por que sobrevivi aquele dia.
Chocados, eles ouviram ficando em silêncio, absorvendo cada detalhe do que acabei de compartilhar.
— Disse que sentiu que o seu samurai havia renascido naquele menino que brincava com os amigos na neve, eu ouvi sua melodia e fui ao seu encontro.
— Então tá explicado o seu sumiço, ela havia encontrado sua alma-gêmea. — Vovó suspirou pensativa — só que ainda era uma criança, e te escondeu quando escutou as pessoas te procurando, certo?
— Quase isso, segundo ela prometi que ficaríamos juntos, eu estava indo embora com ela, mas estava congelando. Então ela me escondeu e foi procurar agasalho, só quando voltou eu estava nos seus braços. — aponto para vovó.
— Sim, agradeci muito por ela devolver meu neto, mais agora vejo que não foi bem assim. — Lembro que vovó me abraçou e beijou tanto que quase fiquei sem ar.
— Reita, agora tá explicado o que aconteceu no dia que você sumiu na neve. Depois seu pai ficou com medo, e você pouco voltou aqui, e fomos para faculdade. Os pesadelos eram uma forma dela tentar se comunicar com você. — Kai comenta resumindo o que houve.
— Foi como se uma promessa antiga estivesse sendo cumprida. Ela me salvou quando criança, agora que sou adulto, quer que eu fique com ela na floresta. — suspirei refletindo sobre que decisão tomar. — Amanhã, ela estará me esperando perto daqui de casa.
Kai, Aoi, e Ruki trocaram olhares significativos, tentando processar toda a situação.
— Reita, isso é surreal! Você acredita mesmo nessa história de reencarnação? — Kai pergunta, mantendo um tom cético.
— Eu sei que parece loucura, mas há uma conexão que não consigo explicar. E ela é real, me disse que seu nome era Imagawa Uruha, senti a frieza de sua mão, e há algo mais profundo nisso tudo. — respondi dando um gole na minha bebida.
— Vai se encontrar com ela amanhã? Pensa em ir embora assim? — Aoi me perguntou.
— Irei, sim. Mas não posso simplesmente deixar minha família sem avisar o motivo.
— E o que você planeja fazer, onii-san? — Ruki expressava preocupação.
— Preciso encontrar uma maneira de explicar para nossos pais.
— Onii-san, você quer contar que encontrou a mulher da neve e que vai embora por que ela disse que você é a sua alma-gêmea?
— Ruki, talvez eu possa levá-los até a floresta e mostrar que não estou louco, ela existe e quer ficar comigo.
— Volta para realidade Onii-san, acredita mesmo que nosso pai vai entender e deixar você largar tudo por uma lenda da floresta.
Meus amigos continuaram discutindo as possibilidades, tentando entender a situação única em que me encontrava.
Enquanto isso, a noite caía sobre a floresta nevada, criando uma atmosfera mágica e silenciosa, fiquei pensando o que Uruha estaria fazendo lá fora. Será que tinha um lugar para morar ou apenas vagava pela floresta sem rumo.
Vovó Ayumi, estava pensativa só escutando nossa conversa, e termina seu lámen colocando a tigela na mesa, vejo a limpar a boca delicadamente com um lenço, e esboçar um sorriso misterioso.
— Eu tenho uma ideia.
Vovó Ayumi olha para cada um de nós com um brilho sábio nos olhos, como se visse além do óbvio. O suspense paira no ar enquanto ela respira fundo, preparando-se para revelar sua ideia.
— Reita, meu neto, você está diante de uma situação única e especial. Essa youkai, está ligada ao seu passado e à sua promessa, pode ser a chave para desvendar mistérios que transcendem os limites do nosso mundo.
Um arrepio percorre minha espinha ao considerar as palavras da vovó. Aoi não consegue esconder sua preocupação ao questionar:
— Mas e se essa criatura quiser levar você definitivamente para o outro lado?
A resposta da vovó é calma, mas carregada de significado.
— A força de um pacto é guiada pela vontade mútua. Reita, você detém o poder de decidir o que deseja.
Suspiro refletindo sobre as decisões que devo tomar, aguardando a vovó completar sua ideia.
— Minha sugestão é que você a encontre, converse com ela e descubra mais sobre essa conexão, proponha um acordo com a youkai.
Kai, sempre curioso, não perde tempo em questionar.
— Que tipo de acordo estamos falando, Ayumi-san?
— Como ela compartilhou a sua história com você, então convide-a para vim até aqui na cabana. Peça-lhe para entender a sua vida atual, conhecer seus amigos e sua família.
A compreensão começa a se formar em minha mente, mas ainda há um véu de mistério a ser desvendado.
— Vovó, estou começando a entender sua sugestão.
— Se ela realmente acredita que você é a reencarnação do general, então deve reconhecer que você é uma pessoa dessa época e tem laços importantes aqui.
A constatação me atinge como um raio. E então uma ideia começa a tomar forma.
— Tem razão, ela está focada na alma gêmea do passado e não no que sou agora. O certo é um encontro para ganhar sua confiança e...
— Tipo fazer uma amizade sobrenatural? — Ruki questiona, ainda processando a informação.
— Exato, Ruki. Pode ser uma oportunidade única de construir uma relação especial com esse mundo espiritual.
— Se ela aceitar, poderíamos até descobrir mais sobre a maldição que a fez ser uma youkai, e ainda poderá manter suas raízes aqui.
Refletimos em silêncio por um momento, absorvendo as palavras sábias da vovó Ayumi.
— O que acham? — ela pergunta, olhando para cada um de nós. — Se aceitar essa proposta, você sabe que tem o meu apoio e de seus amigos. Eles são parte importante da sua vida.
Kai, Aoi, e Ruki assentem, concordando com a proposta da avó. Eles estão dispostos a me apoiar em qualquer decisão que eu tomar.
— Parece uma boa estratégia, vovó. Vou tentar conversar com ela amanhã e propor esse acordo. — decidi, confiante.
— Lembre-se, Reita, o equilíbrio entre os dois mundos é fundamental. Seja sincero e mantenha suas raízes aqui, enquanto explora essa conexão única. — Vovó Ayumi sorri, satisfeita com a minha decisão.
— Não vai se embrenhar na floresta e nos deixar preocupados sem notícias. — Ruki fala com um pouco de medo.
— Isso mesmo, essa youkai por conta da sua natureza de sumir na neve, é possível que se esconda numa caverna. — Kai faz um alerta importante.
— Reita-san tenha muito cuidado, quando falar com ela e tentar trazê-la para casa, não queremos ser congelados. — Aoi me fez lembrar que ela tem medo dos humanos que já a atacaram.
— Serei cauteloso, ao falar com ela também não quero ser envolvido com o ar frio e os ventos que ela cria quando confrontada.
E a noite seguiu, e nós ficamos discutindo os detalhes do plano e depois veio o sono e cada um indo para seu quarto, enquanto eu repassava na minha mente como seria esse novo encontro com Uruha.
— Reita, será que posso dormir tranquilo essa noite?
— Kai, acredito que sim. Chega de pesadelos que estou me afogando no lago congelado.
— Assim espero. Oyasumi, Reita-kun.
— Hai, Oyasumi, Kai-kun.
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No dia seguinte, com o apoio da família, após um almoço tenso e silencioso, eu me dirigi novamente à floresta nevada. O ar estava frio, mas o sol brilhava no céu azul, criando uma atmosfera peculiar entre o mágico e o mundano. Meus amigos observavam, enquanto me afastava da cabana em direção ao local combinado na floresta.
Ao chegar ao local onde Uruha me encontrara pela primeira vez, uma sensação de expectativa me envolveu. A neve ao redor parecia ganhar vida, movendo-se suavemente para revelar uma figura feminina de pele alva e longos cabelos loiro-acinzentados. Seus olhos me estudavam de cima, enquanto eu me sentia mergulhado no suspense do momento.
— Reita-san, você veio. — Sua voz era suave como a brisa, mostravam uma mistura de curiosidade e anseio.
— Sim, Uruha-san. E precisamos conversar. — Escolhi minhas palavras com cautela, consciente da importância deste encontro. — Minha avó tem uma proposta que poderia beneficiar a nós dois.
Ela inclinou a cabeça, demonstrando interesse, apontou para um banco de madeira que havia perto da ponte, convidando-me a sentar.
— Diga-me, Reita-san, qual é essa proposta? — Uruha diminuiu o ar frio à nossa volta, concentrando-se em minha resposta.
— Minha avó sugere que possamos construir uma ligação entre nós, a princípio uma amizade. Entendo a importância da promessa feita no passado — suspiro e continuo olhando nos seus olhos — mas quero ressaltar que agora tenho uma vida, amigos e uma família que se importa comigo.
Uruha me observou por um instante. Notei suas pupilas negras dilatarem, cobrindo a íris branca e penetrando em meus olhos, como se estivesse decifrando minha alma.
— Se você aceitar essa proposta, poderemos compartilhar nossas vidas e trocar nossas experiências, mantendo um equilíbrio entre nossos mundos. — Minhas palavras pairam no ar, esperando sua resposta.
O suspense era quase palpável enquanto Uruha me estudava.
— Reita-san, você é a imagem exata do General Imagawa, mas há uma singularidade em você que o distingue dele e que me cativa. — Uruha traçou suavemente o contorno do meu rosto com sua mão, começando pela testa e terminando no queixo. Respirei fundo, sentindo uma certa apreensão em resposta a esse movimento dela.
Por um instante ela ficou só me encarando, analisando e processando aquela proposta, então finalmente, ela sorriu. Um misto de alívio e gratidão inundou meu ser.
— Eu aceito a proposta da sua avó. Podemos construir essa ligação e, assim, honrar a promessa de uma maneira que se harmonize com sua vida atual.
Parecia que uma decisão importante e equilibrada havia sido alcançada.
— Arigatô, Uruha-san. Construiremos algo único entre nós.
— Reita-san, acredito que essa ligação será boa para ambos.
A tarde seguiu com uma conversa mais leve e descontraída. Uruha mostrou-se interessada em conhecer mais sobre minha vida, enquanto eu aprendia mais sobre sua existência sobrenatural. O equilíbrio entre nossos mundos começava a se formar, trazendo consigo um sentimento de esperança e possibilidade.
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A escuridão começava a se instalar, envolvendo o ambiente em um manto de suspense enquanto eu reunia coragem para convidar Uruha a compartilhar um pouco de sua vida, visitando a cabana para conhecer minha avó, meu irmão e meus amigos Kai e Aoi.
— Uruha-san — comecei, a voz trêmula denotando minha hesitação — Você está convidada a vir até a cabana. Quero que conheça minha família e meus amigos. Eles são pessoas maravilhosas, tenho certeza de que vão gostar de conhecê-la.
Uruha permaneceu pensativa e cautelosa. Sua expressão refletia um misto de hesitação e preocupação, lançando um véu de mistério sobre sua resposta.
— Reita, eu aprecio o convite, mas é arriscado para mim. Faz bastante tempo desde minha última refeição. Estar em um espaço fechado com jovens atraentes pode resultar em uma situação trágica. Principalmente agora que encontrei quem poderia ser minha alma gêmea…
— Entendo, Uruha. Não precisa se preocupar. — Compreendi sua preocupação e tranquilizei-a. — Minha família e amigos são confiáveis.
Um arrepio percorreu minha espinha enquanto ela compartilhava suas preocupações.
— Desde que cruzamos caminhos, aprendi a arte de extrair a energia vital dos desorientados sem causar danos irreversíveis que os levava ao frio mortal.
Senti a tensão no ar delineando um cenário sombrio que pairava sobre nossas cabeças, assim que Uruha revelava mais sobre sua natureza sobrenatural.
— À medida que minha força diminuia e nossa conexão se distanciou, me agarrei à escassa energia que me restava, moldando-a em uma mensagem sombria de pesadelo destinada à minha alma gêmea, esperando você entender o recado e voltar para o nosso reencontro.
A compreensão se fez presente enquanto ela expressava suas motivações, lançando luz sobre os eventos misteriosos que ocorreram em nossas vidas.
— Não compreendi o que eram aqueles pesadelos, até lembrar que me perdi na neve e voltei para as festas de final de ano. A vovó Ayumi me falou da lenda da youkai da neve e estou aqui para saber tudo sobre a sua história.
A atmosfera mudou quando Uruha hesitou por um momento antes de aceitar meu convite para ir até a cabana. O caminho de volta foi repleto de silêncio, mas pude sentir a tensão que envolvia Uruha. A neve ao redor parecia mais densa, e o ar frio anunciava o anoitecer iminente.
Ao chegarmos à cabana, meus amigos estavam curiosos e um pouco apreensivos ao ver Uruha. Vovó Ayumi, no entanto, recebeu-a com um sorriso caloroso, como se já soubesse o que estava acontecendo.
— Bem-vinda, Uruha-san. Estou feliz que tenha aceitado o convite. — Vovó Ayumi cumprimentou-a com serenidade.
Uruha respondeu com uma reverência tímida, mergulhando-nos ainda mais no enigma que envolvia sua presença.
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A cabana estava acolhedora com a lareira crepitante, espalhando uma luz suave pela sala. Nervoso, apresentei Uruha a todos, enquanto ela observava curiosamente o ambiente, seus olhos brilhavam com um misto de encanto e cautela.
— Uruha-san, esses são meus amigos Kai e seu irmão Aoi. E este é meu irmão mais novo, Ruki, e, é claro, minha avó Ayumi. — Eu disse, apontando para cada um deles.
Meu irmão, curioso como sempre, observava atentamente a cena.
Uruha, era uma figura enigmática. Seu porte era imponente, destacando-se pela altura incomum, usava um sobretudo escuro, envolto em mistério, cobria cada centímetro de seu corpo.
O tecido sombrio e pesado era adornado com um capuz, adicionando um toque adicional de enigma à sua presença.
Uruha ergueu a mão até o capuz e o retirou lentamente, sua expressão mesclava traços andróginos, onde a feminilidade e a masculinidade coexistiam em uma harmonia intrigante. Seus longos cabelos loiros-acinzentados, fluíam em cascata sobre seus ombros, adicionando um toque de elegância selvagem à sua aparência.
Seus olhos amendoados e profundos, eram como janelas para a alma, transmitindo uma melancolia que ecoava através das eras, transmitindo uma história de séculos vividos na solidão da floresta nevada.
Nos pés, Uruha calçava uma bota antiga e desgastada, testemunha silenciosa de suas jornadas por séculos. Cada marca e desgaste contavam histórias de uma existência atemporal.
Os olhares dos meus amigos mostravam uma mistura de fascínio e cautela.
— Reita nos contou sobre sua conexão especial, e estamos felizes em conhecê-la. — A vovó completou a recepção.
Uruha, ainda um pouco hesitante, agradeceu com uma inclinação de cabeça.
— O prazer é meu, Ayumi-san. Reita falou muito bem sobre todos vocês.
Enquanto todos se sentavam ao redor da mesa na sala iluminada pela luz da lareira, a tensão no ar era palpável. Uruha estava inquieta. Vovó serviu chá, tentando criar uma atmosfera acolhedora.
— Uruha-san, conte-nos mais sobre você. — Vovó Ayumi incentivou, tentando aliviar a tensão.
Uruha respirou fundo antes de falar, acredito que seria a primeira vez que conversava com outras pessoas, além das que encantava na floresta.
Sentada, segurando a xícara de chá que ficou gelado nas suas mãos. Uruha começou a compartilhar sua história.
— Há muito tempo atrás, eu era uma nobre do clã Takeda durante o Japão Imperial. Meu pai era um general que liderava as forças imperiais, e eu era descendente do Imperador Seiwa. Em um desses dias de guerra e deveres, conheci um jovem samurai chamado Imagawa Shōhō. Nos apaixonamos, nos casamos, mas a guerra nos separou.
— E então, o que aconteceu? — pergunto olhando para Uruha com curiosidade.
— Sem notícias dele por semanas, então um dia recebi a terrível notícia de sua morte em batalha, sofreram uma emboscada e os corpos foram jogados no lago. Desesperada, procurei um feiticeiro para trazê-lo de volta usando a magia da flor de lótus. Mas, sem seu corpo físico, apenas a alma respondeu ao chamado. A tentativa teve um preço alto. — Uruha responde com tristeza nos olhos.
— E qual foi esse preço? — Vovó Ayumi pergunta interrompendo-a.
— A magia teve um efeito catastrófico, deu algo terrivelmente errado com o feitiço. Sua alma foi destinada a renascer numa geração futura, e eu fui amaldiçoada. Fui condenada a viver solitária na floresta, que se tornou minha prisão até seu renascimento.
— E como você acabou congelando esses homens? — Aoi questiona com uma expressão preocupada.
— A maldição que me obrigou usar uma melodia sedutora para atrair os homens e congelei-os, sugando-lhes a energia vital até que, eventualmente, encontrasse o escolhido destinado a quebrar esse ciclo. E aqui estou eu, contando essa história pela primeira vez para vocês, pois não tiveram medo de mim.
— Sua história é muito trágica. — Ruki comenta cruzando os braços.
— Sim, muito. Minha esperança era encontrar o escolhido e que ele pudesse quebrar essa maldição. Só assim eu seria liberta quando houvesse a conexão com a alma renascida.
— Agora entendo, porque você queria me levar embora quando criança. — penso a quantos séculos ela espera pelo momento de ser livre.
— Então, quando vi aquele menino brincando na neve, senti uma conexão que a alma de Imagawa Shōhō havia renascido. Mas temi machucá-lo, acredito que você é a chave da prisão da minha maldição.
O silêncio pesado pairava na sala enquanto todos processavam as palavras.
— Eu não queria machucar ninguém, mas a fome era insaciável, comida humana não surtia efeito, só a energia vital me mantinha viva. Até que você, Reita, apareceu e trouxe uma nova perspectiva de que a vida solitária estaria no fim. — Uruha fala segurando a xícara de chá agora gelado que permanecia intocado
— A vovó Ayumi sempre soube da lenda da youkai da neve e sobre a melodia. — Ruki comenta — Nos avisou antes de irmos brincar na neve e meu irmão sumir.
— Reita, você é a esperança de que essa maldição possa ser quebrada sem mais sacrifícios de homens perdidos na neve.
— Uruha-san, nós estamos aqui para ajudar. — manifesto minha compreensão e solidariedade.
Todos ficaram absorvendo a revelação. Vovó Ayumi, com sua experiência, quebrou o silêncio.
— Entendo, Uruha-san. Se deseja quebrar essa maldição, talvez haja uma maneira de fazer isso sem prejudicar ninguém. Juntos para encontrar uma solução.
Uruha, aliviada por encontrar compreensão, assentiu.
— Agradeço por sua compaixão, Ayumi-san. Por anos, tenho sobrevivido consumindo a energia vital daqueles que encontro na floresta, mas essa não é a vida que eu desejava.
Era hora de encontrar uma solução para quebrar essa maldição que a aprisionava há séculos.
“She exhales vanilla lace
I barely dreamt her yesterday (yesterday)”
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