Love Is War
4 Capítulo 4
Casa do Antonio
15h30
- Só tem lasanha? E a gente toma água? – Thaís reclamou.
- Desculpe, flor... Nos mudamos faz pouco tempo.
- Pobreza hein Antonio... – Gilbert murmurou.
Antonio se encolheu, envergonhado. Todos pareciam irritados pelo desleixo do espanhol e pelo fato de não ter nada na casa dele para beber ou algo do gênero.
- Faz o seguinte: deixa a lasanha no forno, aí ela não esfria, e a gente vai no supermercado... Que tal? – ele sugeriu – É rapidinho... E ainda tá meio cedo para comer as coisas.
- Tá, tudo bem – Gilbert sorriu – Eu preciso comprar cerveja mesmo.
- Eu não vou ok? – Isabela disse – Eu não consigo andar, seria só um peso.
- Então eu também não vou – Alice falou, andando até a outra.
- Aqui tem massa pra bolo... Vocês podiam fazer uma sobremesa ou algo do gênero... – Antonio sugeriu.
As duas deram de ombros, se sentando no sofá e ligando a TV. O restante do grupo se arrumou e entraram no carro de Antonio, um modelo espanhol que ninguém conseguiu identificar. Antonio e Francis foram nos bancos da frente, Antonio dirigindo, e Gilbert, Arthur e Thaís foram atrás, conversando um pouco.
O supermercado não ficava tão longe e se não fossem comprar tanta coisa eles iriam até anadando, mas como ninguém queria carregar um monte de coisas na volta...
Em menos de 20 minutos eles estavam entrando no supermercado, carregando um carrinho enquanto Gilbert contava o dinheiro que tinha na carteira.
- Melhor vocês controlarem os gastos... Eu tô meio sem dinheiro hoje.
- Pobretão – Antonio riu – Mas não se preocupe amigo, eu tenho dinheiro... Pelo menos pra me virar.
- Eu ajudo com alguns trocados – Francis estendeu algumas notas para os dois.
- Esqueci a carteira em casa... – Thaís disse, levemente envergonhada – Desculpa gente, eu tinha um pouco de dinheiro lá.
- Arthur? – os três olharam para o inglês.
- Que foi? Acham que eu sou rico?
- Ah, dá uns trocados aí vai... – Gilbert falou, calmamente – Você tem dinheiro que eu sei tá? Pode abrir essa carteira porque você também vai comer a lasanha lá na casa do Antonio né?
Arthur resmungou alguma coisa enquanto ia procurando a carteira nos bolsos. Quem sabe se procurasse bem e fingisse não achar eles o deixassem em paz. Mas ao pensar nisso sua consciência pesou um pouco, além de lhe dar um puxão de orelha, e ele acabou por dar alguns dólares para os três.
- Pensei que você não ia dar... – Thaís murmurou para ele.
- Bem que eu não queria...
- Podia ter feito como eu: deixado a carteira em casa.
Arthur encarou ela pelo canto dos olhos. Aquela garota era mais esperta do que ele imaginava. Quais habilidades mais ela podia esconder?
Começaram a andar, comprando as coisas que precisavam. A garota, vez ou outra, se sentia um pouco estranha no meio de tantos homens. Nessas horas fazia um pouco de falta a atitude de Alice ou a companhia de Isabela. Por isso gostava tanto de ficar perto delas e sentia tanto suas faltas quando elas estavam longe.
- Algum problema, mi amor? – Antonio perguntou uma hora.
- Não, nenhum não – ela nem comentou o fato dele ter chamado-a de “meu amor”.
- Se quiser, voltamos pra casa.
- Não, vou acabar atrapalhando vocês... – ela deu um sorriso.
- Se tiver algum problema... Avisa.
Ela assentiu e continuaram andando. Francis e Gilbert conversavam alguma coisa sobre vidros de palmito, Thaís empurrava o carrinho sem muito ânimo e atrás iam Arthur e Antonio, comparando alguns preços,
- Quando vai contar para ela? – Arthur perguntou para o espanhol.
- O quê?
- Que somos países. Que somos completamente diferente delas.
- Quando você vai contar para a Alice?
- Não sei. Tenho medo dela se afastar – ele parou – Já parou para pensar nisso? Uma hora ou outra vamos ter que contar e nem sabemos que reação elas podem ter.
- Eu sei... É assustador. Eu quero contar, mas eu não quero que ela vá embora. Mas não posso viver escondendo um segredo desses. Precisamos pensar em alguma coisa e rápido Arthur...
- Eu tenho uma ideia mas-
- Ei vocês dois! – era Gilbert – Não vem não?
Foi então que os dois perceberam que havim ficado para trás e o resto do grupo já estava no fim do corredor. Começaram a andar, Arthur sem dizer o fim de sua ideia.
- Será que a gente não esqueceu de nada? – Gilbert encarava as sacolas, já no porta-malas do carro de Antonio.
- Para hoje dá... Se faltou alguma coisa a gente volta amanhã – Antonio fechou o porta-malas.
- Oui... Vamos para casa.
Entraram todos no carro e Antonio deu a partida. Já era quase 18h quando eles finalmente chegaram em casa. Alice e Isabela jogavam algum jogo no XBOX. Havia um bolo de laranja em cima da mesa e algumas louças no escorredor da pia. As duas nem se mexeram quando eles entraram.
- Nossa, é assim que tratam as pessoas que foram buscar comida para vocês? – Gilbert pareceu magoado – Então tá.
- Oi – elas disseram em uníssono.
- Então, vocês fizeram bolo?
- Tá lá em cima da mesa.
- O que aconteceu hein? Vocês parecem desanimadas – Antonio reparou, deixando as sacolas em cima da mesa.
- Meu pé. É chato ficar sem andar – Isabela respondeu, deixando o controle em cima da mesa de centro.
- Eu tô bem – Alice respondeu, embora sua voz dissesse exatamente o contrário.
Arthur e Francis se encararam como se dissessem “Olhe o que você fez bicho inútil!” um para o outro. Acharam melhor não brigarem de novo na frente dela ou só piorariam as coisas e entraram em uma trégua silenciosa.
- Vamos comer? – Antonio sorriu, quebrando todo o clima tenso que se formava.
Comeram em silêncio. Gilbert vez ou outra soltava um “Essa lasanha está tão incrível como eu!” e ria, mas ninguém lhe dava muita atenção. Todos estavam com seus próprios pensamentos ou problemas. Antonio principalmente, que sentia a língua coçar com o enorme segredo que tinha. Ele encarava Arthur vez ou outra, mas o inglês parecia completamente normal.
- Diosmío... – ele murmurou, largando os talheres – Eu não aguento mais.
- Algum problema Tônio? – Francis levantou os olhos.
- Nós somos países! – o espanhol se levantou e quase berrou a frase.
Notas finais
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