Love Is War
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Casa do Antonio
14h35
- Vocês não se importam de usar meus shorts e minhas camisetas né? Porque eu só tenho isso e vocês não podem ficar cheias de areia e molhadas – Antonio avisou – Depois de tomar banho eu mostro o quarto de vocês.
- Tá, a gente não liga não... – Alice sorriu – Gilbert... Acho que você já pode largar a Bela.
- Hum? É mesmo... Desculpe – o albino colocou ela no chão, corado.
Isabela riu do rosto dele corado, mas andou até o sofá e se sentou, levantando o pé e tentando estancar o sangramento.
Alice foi a primeira a ir tomar banho. Enquanto elas se instalavam e Isabela fazia um curativo, os rapazes tentavam cozinhar alguma coisa. Ou melhor, Francis e Antonio, pois Arthur não tinha nenhum talento para a cozinha e Gilbert era preguiçoso demais para aquilo.
Logo as três estavam devidamente arrumadas, com shorts e camisetas, e foram até a cozinha. Arthur lavava a louça enquanto Antonio secava e Gilbert guardava tudo nos armários. Francis estava colocando alguma coisa no forno.
- O que vocês cozinharam aí hein? – Alice perguntou, tentando ver antes de o francês fechar o forno.
- Segredo... Vão descobrir em 95 minutos!
- E o que vamos fazer até lá hein?
- Jogar XBOX! – Antonio sorriu, secando o último copo – Alguém aqui não sabe jogar?
- Eu não quero... Prefiro desenhar. Alguém tem papel?
- Deve ter lá no escritório... É na segunda porta, seguindo aquele corredor tá? – Antonio guiou Isabela, que saiu mancando pelo corredor.
- Eu vou lá fora fumar um pouco – Arthur disse, tirando um maço de cigarros do bolso – Alguém me acompanha?
Ninguém respondeu e Arthur deu de ombros, indo até o jardim. Alice o viu acender um cigarro e sentar-se na mureta... Ele estava sozinho! Algo apitou dentro dela e achou melhor disfarçadamente ir atrás dele depois.
- Perdeu de novo. Você é uma vergonha no Call of Duty Thaís! – Isabela apontou para a amiga – Ganhei!
- Bobona... – mostrou a língua.
- Revanche?
- Claro!
- Parem de graças suas amadoras! – Gilbert se levantou – Vou mostrar como se joga essa coisa aí...
- Vai nessa vai!
Alice se levantou distraidamente, deixando aqueles quatro brigando para ver quem devia jogar. Ela andou até o jardim, encontrando Arthur já em seu quinto cigarro. Aquele doido não tinha medo de um câncer de pulmão não?
- Você fuma mesmo hein? – ela sorriu.
- É... Eu gosto... Quer um?
- Não... Melhor eu não entrar nesse vício.
- Pode ficar calma. Não mata não.
- Como assim não mata? Muita gente morre de câncer de pulmão.
- Eu não... – andou até ela – Digamos que eu não morro por causa dessa bobeira...
- Não? – ela sorriu – Morre do quê então?
- De nada – ele segurou a cintura dela – Não quer um mesmo?
- Quero um beijo.
Arthur sorriu, largando o cigarro em um canto. Tinha alguma coisa nele que empolgava ela de algum modo. Devia ser o cabelo loiro ou os olhos verdes profundos... Qualquer coisa podia ser, mas ela ficava louca com a simples aproximação dele.
- Você não devia estar lá na sala com a gente não? – Francis apareceu de repente, cortando o clima dos dois.
- Vai você francês – Arthur disse – Estamos ocupados.
- Ora seu...
- Caia fora Francis, não vê que tá atrapalhando? – Arthur andou até ele, empurrando-o para trás.
- Não me empurre seu merda – devolveu o empurrão – Você que tá atrapalhando tudo!
- Atrapalhando o quê hein? Perceba uma coisa: você nunca teve chance!
A resposta de Francis foi um soco no olho do inglês. Arthur deu meia dúzia de passos para trás, tentando se recuperar do golpe. Francis continuava irritada, de um jeito que nem Alice nem Arthur imaginavam que ele ficaria um dia.
O mais alto se sentou na mureta, tentando se recuperar do golpe. Antes que a garota pudesse sequer pensar em ajuda-lo, Francis puxou-a pelo pulso para dentro.
Quando os dois, em meio a xingamentos e uma discussão, passaram no meio da sala, todos os outros ficaram em silêncio. Ouviram uma porta bater no final do corredor. Depois de alguns segundos, eles começaram a comentar o que viram.
- O Francis é um bruto – Isabela disse, se acomodando melhor no sofá – Como alguém que eu conheço.
- Ahaha, senti a indireta tá?
- Foi pra você mesmo.
- Ei, parem – Antonio pediu – Ele só tá estressado. No normal ele não é assim não. Não saí distribuindo pancada em todo mundo.
- Não parece... Do nada ele faz isso com o Arthur – Thaís disse, deixando o controle do XBOX em cima da mesa. Tinha cansado de jogar.
- Eles se odeiam – Gilbert explicou – Sempre brigam. É, até certo ponto, normal ver eles se batendo por aí... Mas não assim de repente.
Eles pararam de jogar e começaram a conversar sobre besteiras. Ficaram assim por cerca de 15 minutos, até Arthur entrar e se jogar em uma poltrona próxima. Pelo jeito ele não tinha percebido que nem Alice nem Francis estavam ali no meio.
- Isso aí tá bem roxo, hein, Arthur? – Gilbert riu – Melhor colocar um gelinho kesekese~
- Cale a boca, albino ridículo.
- Ei, não fale assim do Gilbert. Ele não tem culpa da surra que você levou do Francis...
- Que surra o quê, espanhol?! Foi só um soco e ele só conseguiu me bater porque me pegou desprevenido. Se eu tivesse esperando... Tinha quebrado ele com um soco.
- Só que não – Thaís riu.
O que todos receberam foi um olhar torto de Arthur, que estava mais irritado depois daqueles comentários. Ele guardou o maço de cigarros que ainda segurava no bolso da calça e suspirou, pensando em como se vingaria do francês pelo soco. Dar um soco de volta era algo muito pequeno. Ele queria mais era raspar aquele cabelo ridículo dele, arrancar cada pelinho daquela barbicha um por um e castrá-lo. Seria um belo castigo...
- Onde tá o Francis? – ele perguntou, depois de pensar em tudo aquilo.
- Algo me diz que não seria seguro dizer isso para você, mas como eu quero muito fazer alguma maldade... Ele deve tá em algum quarto kesekese~
- Que maldade grandiosa... – Isabela revirou os olhos – Será que aquela criação gastronômica de vocês já tá pronta? Tô com um pouco de fome...
Os quatro se levantaram e andaram até a cozinha, enquanto Arthur se dirigia para o corredor.
Abriu porta por porta, mas como a Lei de Murphy estava agindo sobre ele, apenas na última porta ele foi ouvir alguma coisa. Parecia uma séria discussão. Ele se ajoelhou e colou o ouvido na porta, tentando ouvir alguma coisa.
- Por que você fez aquilo? – ela disse, soltando seu pulso da mão dele – Caramba, ele não te fez nada! Só estávamos conversando!
- Oui, só conversando... – ele olhou enciumado.
- E se eu estivesse fazendo algo além disso? Qual seria o problema? A vida é minha, eu faço o que quiser!
- O soco é meu, eu dou em quem eu quiser.
- A mão é minha, eu a viro na cara de quem eu quiser – ela disse, com um sorriso – Você é um forte candidato a recebê-la!
- Tente.
Ela o encarou, que inflou as bochechas esperando um tapa. Arthur ouvia tudo atrás da porta e torcia para ela dar aquele tapa, mas não ouviu barulho de nada. Apenas passos apressados em direção à porta. O inglês correu para o primeiro quarto que viu e entrou lá, esperando os passos se afastarem para a sala e a cozinha.
Logo depois dela, Francis saiu. Dessa vez Arthur também abriu a porta e encarou irritado Francis.
- Que foi sobrancelhudo? Perdeu alguma coisa aqui?
- Não... Só tô imaginando que métodos de tortura eu usarei em você.
- Você é ridículo – ele continuou andando, dando as costas para Arthur.
- Escuta aqui – segurou o ombro dele – Se você fizer aquilo de novo Francis...
- Vai fazer o quê?
- Você sabe o que eu faço, né? – passou os dedos pelo cabelo dele – Pois eu só estou te avisando hein... Melhor não fazer mais isso.
Francis ficou em silêncio, vendo seu arqui-inimigo se afastar com um enorme sorriso no rosto. Ficou parado no corredor durante alguns minutos, tentando se recuperar da ameaça recebida. Depois seguiu até a cozinha. Não ia deixar aquele cara com aquelas taturanas na cara lhe derrubar daquele jeito, sem luta...
- Hum... Isso aí tá cheirando bem – Isabela sorriu – O que é?
- Péra aí que essa bosta... Tá queimando! – Gilbert tentava tirar a forma do forno.
- Ai, bicho burro – a garota se levantou, mancando – Pega um pano!
- Eu sei tá... Só que o incrível Gilbert não precisa de paninhos...
- Vai receber uma incrível queimadura isso sim!
- Cala a boca.
Antonio e Thaís estavam arrumando a mesa quando Alice chegou, se jogando em uma cadeira e se apoiando sobre os braços na mesa.
- Vai quebrar a cadeira na próxima – a amiga riu.
- Só se eu fosse uma baleia.
- Não tá longe... – Thaís riu – Diz aí, o que aconteceu?
- Nada que te interesse.
- Sou sua amiga.
- Sim... Que tem isso? Não quero abrir minha vida pra todo mundo.
Alice podia ser extremamente grossa quando estava irritada. Todas suas amigas já sabiam daquilo e deviam tomar cuidado, mas Thaís adorava provoca-la de certa forma. E ela sabia de todos os riscos que corria fazendo aquilo...
- Vai comer? – ela perguntou.
- Não, vou olhar todo mundo só – tomou o prato das mãos da outra com violência – O que tem pra comer.
- Lasanha – Antonio disse, tentando acalmar os ânimos – A gente só vai terminar de arrumar algumas coisas e já vai servir...
- Hum... – Alice estava sem ânimo até para comer.
Fale com o autor