Love Is War
2 Capítulo 2
Praia de Manhattan
9h36
- Ideia de jerico hein Espanha... – Arthur reclamou – Vir almoçar na praia nove horas da manhã! Não dá nem pra entrar na água!
- Claro que dá! – Gilbert já estava de shorts ao lado dos outros – Elas vão entrar.
- Podem ir... Gripe não é comigo – Francis disse.
- A moçoila não quer ficar gripada né?
Francis fuzilou o loiro com o olhar por causa daquilo, mas Arthur apenas riu. Eles tinha alugado algumas cadeiras de praia e estavam confortavelmente sentados à alguns metros da água. Estavam esperando as três garotas trocarem de roupa em um banheiro de um quiosque enquanto conversavam. Ou brigavam, tanto faz.
Arthur tinha aberto sua camisa e tirado a calça, ficando de sunga. Francis e Antonio ainda estavam de calça, mas tinham tirado a camisa. Apenas Gilbert estava quase correndo para a água, de shorts apenas.
Isabela foi a primeira a sair. Usava um biquíni preto, que contratava bem em sua pele, visto que ela não era tão morena assim. Gilbert arqueou as sobrancelhas vendo as curvas que ela tinha e até fez um “Uhum” de aprovação.
Depois veio Thaís, com uma roxo apagado, mas que chamava a atenção para seu rosto. Antonio se levantou para admirá-la melhor enquanto Gilbert acenou negativamente. Não era seu tipo...
Alice foi a última a sair. Ela nunca gostou de usar biquínis, por isso usava o menos chamativo, num tom azul céu com algumas estampas. Na verdade foram suas amigas que compraram aquilo, então ela apenas vestiu.
- O que o juiz diz sobre essa? – Arthur olhou torto para Gilbert, que estava abrindo a boca para dizer algo.
- Nada não sombrolho – ele riu – Ficou legal.
- Hum... Legal?
- É, se eu disser que ficou gata e sexy você vai me bater né? E, além disso, seria mentira.
- Ora seu... Está chamando ela de feia?
- Não... Mas também não é linda. É mediana, bonita até.
Arthur suspirou, se encostando em sua cadeira. As três andaram até eles na areia que já começava a lotar de gente.
- Caramba, nem sabia que em Manhattan tinha praia! – Alice suspirou – E como enche rápido... Na hora do almoço já vai estar lotada!
- Por isso eu cheguei cedo – Antonio deu um cutucão em Arthur.
- Que seja... Alguém de vocês vai entrar na água? – Gilbert perguntou.
- Não!
- Nossa, medrosos.
O albino não ligou e correu pela areia, logo entrando na água e mergulhando. O restante do grupo apenas o fitou a distância.
- Esse aí vai ficar doente...
- Com certeza – Alice sentou na cadeira vazia de Gilbert – E o que a gente vai fazer aqui?
- Ficar vendo o Gilbert e torcer para que ele pegue uma pneumonia – Isabela cruzou os braços... Não tinha superado o funk ainda.
- Acho que eu vou entrar também... Já tá saindo sol... – Thaís avisou e quase no mesmo instante Antonio se levantou e andou atrás dela.
Ficaram na areia Isabela, Alice, Francis e Arthur. A mais velha encarou os três sentados e viu o clima tenso que se formava ali. Seria melhor cair fora antes que sobrasse para ela. Deu a desculpa que iria comprar uma porção de camarão e correu para o quiosque onde tinham trocado de roupa e deixou o trio à sós. Depois ela sabia que ia apanhar da amiga, mas era melhor do que segurar vela naquela situação.
- Oi moço – ela sorriu – Quero uma porção de camarão.
O homem acenou e foi para a cozinha. Isabela se debruçou no balcão, esperando seu pedido. De repente sentiu algo molhar suas costas, como se estivessem jogando água em si. Se virou irritada para ver quem era o engraçadinho e topou com Gilbert, que sacudia os cabelos acinzentados que agora estavam ensopados.
- Você sempre é assim inconveniente?
- Só tô secando o cabelo dona estresse.
- Podia secar em outro lugar... Não viu que tá me molhando?
- Saí você daqui.
- A praia é pública pelo que eu sei e esse quiosque também. E, além disso, eu estou aqui porque tô esperando meu pedido. E você hein?
- Vim pedir uma porção de batata frita tá? – ele olhou feio para ela – Tô com fome... Ou acha que essa forma aqui é fácil de manter?
Pela primeira vez ela reparou no corpo dele. Era forte na medida do normal, com poucos músculos mas bem localizados. Tinha alguma cicatrizes na altura do quadril, já antigas pelo jeito... E um tanquinho invejável.
- Ei! Tá me ouvindo?! – ela ouviu ele chamar, voltando à realidade.
- Oi? Como é?
- Eu perguntei se você faz exercício.
- Hap-Ki-Do... E academia de vez em quando.
- Hum... Coisa de japonês é? Deve ser... Pra manter esse corpão.
Ela corou e se virou, deixando um prussiano com um sorriso nos lábios. Ficaram alguns minutos em silêncio, até Gilbert puxar assunto novamente.
- Lá no seu país todo mundo é assim?
- Assim como?
- Assim... Gostosa.
- Seu... Mal-educado.
- Por quê? Tô te elogiando!
- Não se elogia assim... Só se estiver falando com uma prostituta – ela virou-se, irritada novamente – E eu não sou o tipo de mulher que se ganha com elogios baratos.
- E quem disse que eu quero te ganhar? Só falei o que eu vi.
- Esquece... Você não entende.
- Parece que é você que quer me ganhar pelo jeito que fala – ele sorriu, dando alguns passos para mais perto dela – É assim ou foi só impressão?
- É só impressão – ele corou novamente – Agora desgruda. Gosto do meu espaço.
- Ok... – ele levantou as mãos em sinal de rendição.
Isabela agradeceu quando seu pedido chegou, pegando a bandejinha e dando meio volta para voltar à areia. Gilbert pegou um camarão quando ela passou, recebendo um tapa no braço em resposta.
- Fica calma, eu te dou uma batatinha depois.
- Idiota...
Alice encarou o inglês e o francês, que olhavam fixamente para o mar como se ele fosse a coisa mais interessante do mundo, mas ela sabia que Francis estava se controlando para não olhar para seu decote. Já Arthur... Bem, ela não conseguiu identificar o que aquele par de esmeraldas estavam observando de tão interessante do mar.
- Então, vocês se conhecem há muito tempo? – ela tentou quebrar o gelo.
- Você acha mesmo que eu tenho cara de pessoa que se mete com sapos franceses?
- Você acha mesmo que eu tenho cara de pessoa que se mete com ranzinzas ingleses?
- Bem... – depois daquilo ela ficou sem argumentos – Vocês parecem se conhecer há um tempão... Já que estão sempre se provocando.
- Eu conheço esse aí há um tempo já... Infelizmente – Arthur murmurou – Desde a infância pra ser mais específico. Mas a gente nunca se deu bem.
- É porque ele nunca teve paciência... Sempre foi um ingrato por tudo que eu fiz por ele.
- Como se tivesse sido muita coisa.
- Ei ei, não briguem tá? Odeio ver vocês trocando farpas – Alice interrompeu eles – Por que não vão nadar lá com o Antonio e a Thaís? Eu quero aproveitar um pouco o silêncio.
- Mas...
- Quero aproveitar o silêncio! – ela repetiu, irritada.
- Tá bom – os dois se levantaram e andaram até a água, se empurrando até lá.
Alice suspirou, aliviada. Aqueles dois sempre brigando estava dando nos nervos já... Se recostou melhor na cadeira e fechou os olhos, sentindo a paz e a calmaria. Por quanto tempo ela não tinha ficado sem aquilo?
- Ele é um idiota! – ouviu uma voz irritada atrás de si – Sabe o que ele fez?
- Não... – respondeu, sem vontade alguma.
- Ficou lá me chamando de “gostosa” e elogiando só meu corpo como se eu fosse só isso!
- Ele te conheceu hoje... É a primeira coisa que vai reparar.
- Por que está tão calma? Não vê que eu acabei de ser assediada por um besta albino?
- Bela... Fica calma. Vocês mal se conhecem, não fica julgando ele.
- Mas ele mal me conhece e já age como idiota... Tenho culpa?
- Não, mas tenha calma. Às vezes ele só não sabe como agir até te conhecer melhor.
- Que seja... Como será que a Thaís tá com aquele espanhol? – Isabela se sentou na cadeira antes ocupada por Arthur e estendeu a bandejinha de camarão para a outra – Quer?
- Obrigada.
- Ai Antonio! Para de jogar água em mim! – Thaís riu.
- Desculpe... Você está bem?
- Claro... Não acha que estamos muito no fundo?
- Não... Aqui ainda dá pé para mim...
Ela nadou até mais perto dele e se apoiou em seus ombros. Naquela distância ela não conseguia tocar o solo e precisava se apoiar nele se não quisesse se afogar.
- Posso me apoiar em você?
- Claro – Antonio sorriu – Quer ir para o raso? Melhor né?
- Tudo bem aqui... Eu não ligo.
Antonio olhou para o lado, sem-graça. Estava gostando de ajudar ela, mas aquilo deixava ele completamente envergonhado e sem assunto.
- Você tem namorado? – ele perguntou, de repente.
- Por quê?
- Anh... Sei lá, tô tentando puxar assunto só.
- Não... Eu não tenho namorado Antonio – ela sorriu – E você?
- Ah... Namorei há um tempinho mas... Eu terminei com ela.
- Por quê?
- Ah... Ela era meio ciumenta. Você não é assim né?
- Não.
- Que beleza... Mulher ciumenta é o fim para mim sabe? Horrível, doloroso e um relacionamento difícil de manter... Toda hora briga e mais briga.
- Eu não sou assim não, pode ter certeza tá?
Antonio sorriu, beijando a bochecha dela. Então eles voltaram a brigar mais um pouco na água, um jogando água no outro. Depois nadaram para a praia de novo.
- Hum, camarão! – Thaís já foi pegando um mão de camarões.
- Esfomeada... – Alice revirou os olhos.
- Vocês duas não vão entrar não? – Antonio perguntou, para Alice e Isabela.
- Estamos bem aqui na areia Antonio... Tomando sol só – Alice sorriu.
- Tem que tomar mais cor hein... Parece um ovo de tão branca – já dá pra saber à quem essa frase de Gilbert foi direcionada.
- Olha quem fala...
- Vocês são os maiores fura-olho que eu já vi – Francis riu – Pior que o Arthur.
- Cale a boca, francês frescalhão.
Todos riram menos Francis. Havia algo de engraçado naquelas brigas todas afinal de contas.
Eles se acomodaram melhor, comendo os petiscos que Isabela e Gilbert tinham trazido. Ficaram assim até a hora do almoço e um pouco depois, conversando, brigando e rindo. Quando já era pouco mais de 14h eles decidiram ir embora... Tinham mais coisa para fazer e a praia já estava ficando lotada de mais para quem apreciava o silêncio, como Arthur e Alice, ou para quem queria aproveitar a água calma, como Antonio e Thaís.
Levantaram-se, arrumaram as cadeiras e se vestiram do melhor jeito que puderam. Devolveram as cadeiras ao quiosque e começaram a andar pela areia da praia até a casa de Antonio, que não ficava lá tão longe. Ele ofereceu a casa para elas e para os amigos por achar que seria melhor e mais rápido.
- Ai, droga! – Isabela disse, de repente.
- Que foi aí atrás? – Gilbert se virou.
- Eu... Pisei numa latinha. Cortei meu pé... Ai... Tá doendo.
- Não foi muito fundo não... – Arthur observou – Tá só sangrando, mas em alguns dias cicatriza já.
- “Só” sangrando né? – Isabela retrucou mal-humorada – Vou ter que ir num pé só agora.
Ela tentou ir pulando num só pé, mas sempre acabava ficando para trás e todos tinham que voltar e espera-la. Gilbert bufou irritado na terceira vez que pararam e andou até ela, pegando-a no colo e andando até os outros.
- Vai me levar mesmo até em casa? – ela sussurrou.
- Se quiser eu te largo.
- Não... Obrigada Gilbert.
Ele respondeu com um meio sorriso.
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