POV’s Max

Eu e o Chloe estávamos viajando a quase 3 dias depois do desastre de Arcadia Bay. Trocávamos poucas palavras, dormíamos pouco, comíamos menos ainda. Parecia que o peso de todos os mortos no tornado estava dividido entre os meus ombros, nos dela e na caminhonete. Meu corpo doía e eu não tinha vontade de nada, porém não me arrependia de ter escolhido salvar ela. A garota dos cabelos azuis estava com enormes olheiras e parecia que ia cair no sono a qualquer instante. Sem dúvidas, estávamos precisando de uma boa refeição, uma noite de sono e tentar superar a perca.

Finalmente, depois de só ter passado por cidades pequenas e pouco movimentadas, chegamos a algum lugar. ‘Woodcity’ dizia a placa, logo vimos várias casas e depois de umas quadras, chegamos a uma lanchonete que se chamava “Bob’s Burger”. Estacionamos o carro e adentramos o lugar. Era todo feito de madeira e enormes janelas de vidro sem reflexo nenhum cobriam a maior parte das paredes. Sentamos e encaramos uma a outra, não precisamos trocar uma palavra para entendermos o que se passava na cabeça uma da outra: Sem dinheiro.

Um garoto, com os cabelos negros alisados e cortados num moicano pegou o bloco de notas e se dirigiu a nós. O local tinha até bastante movimento e uma musica calma tocava no fundo. O garoto veio andando calmamente, usava jeans rasgados, uma camisa polo que era seu uniforme e no pé coturnos desamarrados. Ele tinha dois piercings de argola na boca, cicatrizes na sobrancelhas, que faria uma falha onde tinha outra argola. Na orelha alargadores de madeira e mais argolinhas de prata. Os braços tatuados com vários desenhos e iam até o pescoço… provavelmente ele era quase todo tatuado. O rapaz ajeitou o óculos rayban de grau.

–- O que desejam? -- Ele perguntou com um sorriso simpático. A voz dele era um pouco rouca e marcante.

–- Ahn… -- Chloe começou, sua voz saiu rasgando a garganta e ela tossiu.

–- Nós… -- Senti a garganta queimar, qual foi a ultima vez que eu bebi algo? Tossi. -- Nós não temos dinheiro… -- Ele nos encarou confuso e sorriu.

–- São sobreviventes do tornado de Arcadia, eu sei. -- Ele piscou para nós. -- Então, o que desejam?

–- Como sabe? -- Chloe o encarou séria.

–- Está escrito na placa da sua caminhonete, senhorita. -- ele riu.

O garoto era observador, parecia estar atento a tudo que acontecia. Naquele momento, nem pensei em perguntar como sabia do desastre ou se tinha noticia disso, eu apenas sorri cansada e olhei pra Chloe antes de dizer:

–- Nós…

Fui interrompida com ele fazendo um sinal de “espera” com a mão e perder o sorriso, ele olhava pra janela sério e fez sinal para outro funcionário nos atender. Então ele saiu da lanchonete e eu olhei para a janela vendo a borboleta azul pousada do lado de fora. Ela bateu as asas e subiu para o telhado de um jeito delicado. Segundos depois o garoto surgiu e olhou para cima antes de chutar o chão irritado e bufar frustrado. Ele voltou parecendo cansado. Nisso olhei para Chloe que terminava de fazer os pedidos. Alguma coisa estava errada. Por que ele queria a borboleta? Por que saiu daquele jeito apenas por causa dela?

Minha cabeça trabalhava a mil e eu ouvi o sino dizendo que alguém entrou. Era o garoto. Ele esfregava os olhos como se realmente estive exausto. No crachá em sua camisa se lia “James M.”, ele andou até o balcão e falou com o garoto que nos atendeu. O sino tocou novamente e um policial entrou e colou um cartaz de procurado do lado da porta, que tinha uma mesa de distancia de onde eu e Chloe tínhamos sentados. No cartaz mostrava o rosto desenhado de um garoto que tinha os cabelos encaracolados e um pouco compridos, mas não o suficiente para cair no olho ou chegar próximo dos ombros. Usava óculos da mesma armação que o garoto que nos atendeu primeiro. tinha o rosto do mesmo formato, porém sem cicatrizes ou piercing’s. No desenho, o garoto usava camisa social e um colete de lã por cima junto com uma gravata borboleta preta.

James, o atendente, esperou o policial sair para arrancar o cartaz da parede e guardar no bolço. Ele me encarou com uma cara irritada e caminhou para dentro da cozinha. Encarei Chloe, que me olhava do mesmo jeito e parecia ter notado o mesmo que eu.

Tivemos apenas uma folga de 3 dias antes de entrar em outra encrenca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.