— Tom, pare! – tentei empurrar Tom para longe, mas ele me forçava a ficar deitada.

— Por quê? Você parecia estar gostando. – ele se afastou, ficando ainda por cima de mim de como se estivesse montando.

— Você pode sair de cima, por favor? – falei, irritada. Ele saiu e sentou na cama.

— Você nunca me negou. – ele disse baixo – Eu não consigo acreditar que você goste dele. Um humano, caçador.

— Mais eu gosto, Tom. Você vai ter que aceitar. – disse vendo Tom se deitar, ficando de frente pra mim.

— Mas eu não vou. Você ainda gosta de mim, o que eu fiz...

— Você sabe o que fez e fez um milhão de vezes. – falei virando o rosto. Tom foi passando mão pela minha barriga, chegando até o botão da minha calça. Seu rosto estava perto, sua boca mordiscava minha orelha e ele dava gemidas em meu ouvido.

— Eu sei o que fiz, sei que fui muito idiota em deixar você assim. Sei de tudo. Sei que você ainda se contorce inteira quando eu passo a mão aqui. – ele me puxou contra ele, passando a mão em minha bunda. – Quando eu passo a boca em sua orelha. Quando vou devagar beijando do pescoço até sua barriga.

Ele montou em mim e começou a beijar-me o pescoço, levantando a minha blusa, quando sua mão chegou em meu seio, tive um súbito choque de realidade e fui rápida o bastante para sair da cama.

— Vai embora. – falei.

— O que?

— Sai do meu quarto ou eu vou começar a gritar. Vai embora, Thomas.

Ele levantou da cama, pegou a camiseta e a vestiu. Ficou um tempo em pé de costas pra mim, eu esperei que ele dissesse alguma coisa e fosse explodir. Thomas Klein apenas saiu do meu quarto em silencio e com o orgulho ferido. Sentei na cama, olhando uma foto em que eu Tom estávamos juntos no meu aniversário de dezoito anos. Eu sorria, com o rosto enfiado em seu peito e ele olhava pra câmera com um olhar de que poderia me protege de qualquer um que se aproximasse.

Ele ascendeu no ano seguinte, seis anos de diferença nunca foi o suficiente para impedir que eu e Tom tivéssemos algo. Meu aniversário de 22 anos foi mês passado, o dia em que eu matei várias pessoas em uma boate. Fui para o banheiro tomar um banho e tentar ler alguma coisa antes da casa inteira acordar ou voltar dormir.

Will, Hans, Tom e Jeremy saiam durante a noite para se alimentarem, eles tinham pessoas que era voluntarias a doar sangue para pseudo- empresa que arrecadava sangue para repassar para o hospital de uma cidadezinha pequena. Eles conseguiam sangue o suficiente para se manter fortes durante três dias ou até mesmo uma semana. O sangue quando bebido direto do humano, tinha um poder maior do que quando se toma depois de tirado do corpo, mas para eles, matar pessoas inocentes estava fora de cogitação. Eu não concordava, éramos caçadores e os humanos eram a caça e quando eu ascendesse, iria caçar humanos para me alimentar. Um leão não deixa de caçar uma zebra por pena de tirar a vida dela, ele caça por que precisa sobreviver.

Depois do banho, deitei na cama e peguei um livro para ler. Não estava com sono depois de dormir o dia quase todo, até pensei em descer para procurar alguma coisa para comer, mas não quis correr o risco de encontrar Tom. O dia começou a aparecer quando estava na metade do livro, então decidi que não podia mais esperar mais tempo para ir comer alguma coisa.

Quando desci, vi que Tay estava sentada no sofá da sala de estar.

— Hey, tudo bem? – falei indo até ela e sentando ao seu lado.

— Sim. – ela sorriu.

Dei de ombros e levantei para ir até a cozinha. Abri a geladeira, peguei a jarra de suco e coloquei sobre o balcão e me assustei quando Tay estava parada na minha frente.

— Você me assustou. Quer suco? – falei e depois virei o copo para beber.

— Eu estou grávida.

Pude ter certeza que saiu suco até pela orelha. Tay era humana, a única humana na nossa família. Will começou a namorar quando ainda era hibrido, para não se separarem quando ascendesse, contou sobre nosso mundo pra ela.

— Você tem certeza? – perguntei limpando minha boca e o busto que havia sido molhado por suco.

— Sim, todos já sabem. – ela disse.

— Exceto eu, obviamente. – ri falsamente e desajeitada. – Você é humana.

— Eu sei e sabia dos riscos. Will quer me mandar pro Brasil depois do casamento. Você sabe, o pai do Georg, pode me ajudar...

— Ajudar a não morrer? – interrompi. – Eu não tenho mãe por que eu a matei para nascer. Hans e Jeremy também. Will e Tom tiveram a sorte de ter nascidos juntos, mas a mãe deles dois ficou completamente com as entranhas pra fora.

— Eu pensei que você ficara feliz por mim, Susan. – ela disse.

Eu queria poder falar alguma coisa pra ela, dizer que eu estava feliz por ela ter uma família com Will. Era mais do qualquer um de nós pensou em conseguir. Tay ficou em silencio na minha frente, esperando que eu demonstrasse felicidade ou tristeza, mas eu não conseguia formular o que eu sentia com a aquela noticia.

Ela foi a única mulher que eu tive durante alguns anos antes de Evy chegar. Éramos melhores amigas, eu estava presente quando Will disse que iria trazer uma garota para jantar, quando ela descobriu a verdade sobre todos nós. Ela me ajudou tantas vezes a superar Tom e brigou comigo tantas vezes por voltar pra ele. Pensar que ela poderia ser uma nova humana morta para dá continuidade para a linhagem era irritante demais e egoísta.

— Eu estou feliz... – tentei falar.

— Você não está. Eu conheço você. – ela disse e Evy apareceu na cozinha impedindo que ela continuasse a falar.

— Que clima é esse? – ela perguntou parando ao lado da Tay.

— Eu disse que estava grávida e ela não aceitou muito bem. – Tay disse olhando pra mim.

— Ah, você vai ser um bom pai, Susan. – ela disse e nós rimos.

— Por que você é tão ridícula, Ramlow? – falei e olhei de volta para Tay – Eu estou feliz por você. Will vai ter uma família e eu agradeço você por oferecer isso a ele, estaremos aqui quando você tiver que colocar o seu filho de castigo.

— Obrigada. – ela sorriu – E você, faz o que acordada a essa hora? — perguntou para Evy.

— Eu nem dormi. Fui comer com os meninos.

— Às vezes esqueço que sou a única hibrida ainda aqui nessa caça. Quer dizer, a única hibrida nascida, por que o outro ainda está na barriga. – disse e Tay pareceu se iluminar.

— Então, qual é a sua com o Caçador? – Evy pegou uma maça da fruteira e deu uma mordida.

— Estamos juntos. Foi rápido demais. Gosto dele. – falei, dando de ombros.

— Para de fazer isso, que feio, ficar dando de ombros. – Tay disse batendo no balcão – E não pode ser só isso entre você e ele. Ele é muito lindo, o que são aqueles olhos? Você viu, Evy? São uma mistura de verde oliva com castanho claro.

— E o cabelo? Maravilhoso. – Evy completou comendo mais um pedaço da maçã.

— Tom passou no meu quarto. Nós nos beijamos, fomos até parar na cama. – disse.

Evy e Tay me olharam de olhos arregalados.

— Você é uma vaca! – Tay disse, me dando um tapinha na mão.

— Você é sortuda. Dois bonitões na sua cama. Que inveja. – Evy disse dando uma risadinha.

— Meu irmão é lindo, ok? Muitas mulheres morreriam para ter aqueles olhos azuis e aquele corpo na cama delas como você tem todos os dias. Hans é um deus grego. – falei repreendendo Evy e voltei para o meu suco.

— Hans é lindo até nu. Na cama é um ani..

— Eu não preciso saber dos detalhes. – falei abanando as mãos para que ela calasse a boca. – Eu não transei com Tom, mandei ele ir embora do quarto. E também não transei com Vincent ainda.

— Isso é um recorde. – Tay disse pegando meu copo de suco e bebendo.

— Você vai contar pra ele? Vincent? – Evy perguntou.

— Eu não sei. – falei – Eu realmente não sei o que fazer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.