Love In War
23 Manhã do Dia 3 - Penas e Lâminas.
Notas iniciais
–---Dia 3----
–Rey Narra-
Acordo e olho para o relógio, 4:55 da manhã.
Penso em dormir mais um pouco, mas recuso a ideia quando percebo que estou sem sono e com fome.
Visto uma calça e uma blusa qualquer e flutuo até a cozinha.
Quando chego lá tenho uma visão um tanto incomum: Cazeaje e Elena conversando e mexendo em alguma coisa encima da mesa. Curiosa, pergunto:
– O que estão fazendo a essa hora?
Cazeaje ri de leve. Talvez da minha possível cara de cansaço.
– Eu disse que faria um casaco de penas, e é isso que estamos fazendo- Diz ela ainda um pouco risonha me mostrando o casaco.- Pretendia terminá-lo ainda hoje, mas parece que isso é um pouco mais difícil do que pensei...-completava enquanto tentava fixar penas em uma parte aparentemente vazia do casaco.
O Casaco era longo e negro, no momento tinha poucas penas fixadas mas no futuro creio que será entupido delas.
– Ela pensava que poderia fazer isso com magia. –diz Elena, rindo da única ingenuidade que Cazeaje enquanto fixava outras penas no casaco.
– E não pode?–pergunto.
– Pelo menos com nossa magia. A minha não foi feita pra construir coisas...– diz Cazeaje um pouco cabisbaixa e fazendo biquinho.
– É, seria muito mais fácil assim do que fixar pena por pena...–Digo abrindo a geladeira e procurando meu bolo de chocolate.
Depois de dois minutos procurando por todos os cantos da geladeira encontro sua bandeja prateada tampada, e bem escondida.
– Estranho...– Digo confusa e um pouco desconfiada.
– O que foi? – pergunta Elena, curiosa.
– Eu nunca coloco meu bolo nos fundos da geladeira...– respondo de forma mais confusa e desconfiada enquanto coloco a bandeja encima da mesa e a destampo. — a essa altura Cazeaje e Elena pararam de fixar penas para ver o conteúdo da bandeja.- E, surpreendentemente encontramos uma carta e um sanduíche.
– Leia em voz alta.–pediu Cazeaje, logo voltando a fixar penas com Elena, porém ambas atentas as minhas palavras.
Começo a ler a carta que continha uma letra bonita.
"Cara Rey,
se estiver lendo isso, temo que esteja furiosa pelo sumiço do seu bolo. Antes de tudo quero que saiba que fiz isso por você, sabendo que você não come nenhuma comida feita por mãos de "gente pobre", ou você pensava que suas empregadas eram ricas? E pra te salvar disso, fiz o sacrifício mais difícil da minha vida e comi seu bolo. -mentira, não foi difícil porra nenhuma- Espero que á partir de hoje você pare com essa frescura de dizer que não gosta disso e aquilo porque é coisa de pobre, e entenda que não tem como fugir disso a não ser que você cozinhe sua própria comida. Fiz a minha parte com muito esforço -esforço mesmo- fiz o meu sanduíche preferido pra você. -pra você parar de colocar caviar na lista de compras da semana, é difícil achar aquela coisa, sabia?! — Enfim...Até mais.
Com muito carinho -só que não-,
Lupus."
– Até quando Lupinho está longe, ele está aqui!–Diz Cazeaje sorridente.
– ARGH! AQUELE LADRÃO DE BOLO DESGRAÇADO! QUANDO ELE VOLTAR EU VOU...- explodo de raiva até ser cortada por Elena.
– Calma Re-chan, Ele deixou um sanduíche lembra? Ao menos você não passa fome!- Diz ela na tentativa de acalmar minha fúria.
– É ruim que vou aceitar presentinho de Caçador de Recompensas...–Digo com desprezo.
– Eu não sei, você devia ao menos dar uma chance Rey, afinal não é todo dia que Lupus faz algo por outra pessoa sem ser pago.–Afirma Cazeaje que terminando um lado do casaco.
Antes que eu pudesse sequer respondê-la, Duel abre a porta e entra na base.
Olho pro relógio novamente: 5:15
– Duel, você só pode estar de brincadeira! Dio e Gadosen nem acordaram ainda! – Diz Cazeaje raivosa.
– Então sugiro que vão acordar eles. Teremos um longo dia pela frente, e espero que não me decepcionem. – diz enquanto encara Cazeaje seriamente. A mesma dá de ombros e continua seu pequeno trabalho com o casaco.
Dito e feito. Eu e Elena fomos acordar Gadosen e Dio.
Eles dormem em uma beliche. Dio encima e Gadosen embaixo.
Flutuo até a altura certa e fito um pouco sua expressão serena.
Acordado ele nunca poderia parecer assim.
Começo a cutucar a bochecha dele com meu indicador, dizendo:
– Hey Dio...Hey, vamos acorda...acordaaaaa...–continuo cutucando, nada acontece.
– DIO!!–grito.
O mesmo se levanta rapidamente, batendo a cabeça no teto.
– Rey, por que você faz isso?– ele dizia em um tom choroso e colocando a mão sobre a cabeça para aliviar a dor.
– Deixa de ser chorão Dio, vai se trocar Duel já chegou.- Sua expressão muda de "acabei de acordar" para uma de surpresa e indignação.
– Mas ainda é muito cedo!
– Eu sei...Mas apenas vá, ok?
Ele suspira e faz um sim com a cabeça.
Gadosen também havia acordado quando gritei com Dio, mas ele se recusava a sair da cama, fiz um favor a Elena e o levitei para fora de lá.
– vá se trocar, temos trabalho a fazer.–Digo, saindo de lá com Elena.
Comi uma maçã, me troquei e me sentei para esperar os outros.
Quando todos estavam prontos, Duel começou:
– Hoje vocês vão para um lugar muito especial...
– Qual? qual? falaaaaaaaaaa!!– corta Elena, histérica como sempre.
– Como estava dizendo, antes de ser interrompido...– Continuou, um pouco irritado e olhando feio para Elena, que se senta e fica em silêncio.– Vocês vão visitar a Terra de Prata.
– ESTÁ MALUCO?! LÁ TÁ CHEIO DE CAVALEIROS DE PRATA! – Diz Gadosen desesperado. — ELES SÃO MUITO MAROMBA !
– Exato, eles tem muitos guerreiros e sacerdotisas lá. – Diz Duel, logo pausando a fala apenas para aterrorizar mais Gadosen, o que deu certo.- Mas eles não possuem poder centralizado, são governados a distância por Lucifênia.– pausou novamente, porém dessa vez um sorriso sádico brotou em seus lábios.- Mas apesar de todo esse apoio maravilhoso que eles recebem...Eles não possuem defesas e muito menos construções fortes.
– Mas é muito longe!– diz Gadosen sacudindo Duel pelos ombros.
– Isso é comigo.– diz, retirando as mãos do moreno de seus ombros e continuando: - O que importa dessa vez é despertar o poder negro guardado pelos cavaleiros de prata e liberá-lo na vila principal. Não se esqueçam de pegar o maior tesouro da terra de prata: a Gema Ardente do Rei Dragão.– Terminou, sorrindo tranquilamente.
– Espere, onde vamos achar a Gema e o Poder Negro? – pergunta Cazeaje.
– Descubram.– diz dando de ombros e nos teleportando antes que pudéssemos reclamar.
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– Sieg Narra -
Estamos novamente treinando ao ar livre.
Jin e seus dois mestres,
Amy, Lin e Holy juntas,
Elesis, Lire e Arme também,
Ronan, Ryan e Lass.
E eu? Estou tentando me focar no meu treino.
Os alvos não são nada mais nada menos que soldados de luz feitos especialmente pro nosso treinamento, uma grande honra, não?
Múltiplas espadadas rápidas em um mesmo soldado, com alguns chutes para derrubar outros , as vezes me jogando contra eles com o objetivo de imobilizá-los.
Apesar de serem feitos de luz, são até fortinhos, mas nada que eu não consiga destruir.
Oh, Destruir.
Depois que todos me falaram o que aconteceu nas Ilhas Eryuell eu me lembrei de tudo.
Lembro que essa palavra estava na minha mente e a dominando até que se tornasse uma lei ou obrigação.
Lembro do prazer que tive fazendo tudo aquilo.
Lembro da sensação de poder irrestrito que senti.
E principalmente...
Lembro das faces assustadas dos meus amigos me vendo daquela forma.
– Sieghart! Está me ouvindo?
– Hm? Ah! Ronan, disse alguma coisa? – digo me virando em sua direção — Perdão, estava distraído e não te ouvi...
– Eu estava lhe perguntando por que você matou os soldados de luz.– diz cruzando os braços e me encarando em um misto de curiosidade e surpresa. Percebo que todos os outros me encaram da mesma forma.
– Hã? – olho ao meu redor e entendo o que ele quis dizer: Destrui todos os numerosos soldados de luz que Lothos designou para o nosso treinamento.
Absolutamente todos, até os dos outros.
– Você não percebeu? –pergunta Holy surpresa.
– Sinceramente? Não. – Respondo, envergonhado.
– Eh!? Como assim! Você fez isso tão rápido!– Diz Amy mais surpresa que Holy.
– Oh, sério? Parece que estou ficando bom nisso...–digo sorrindo e colocando as mãos atrás da cabeça.
– E põe bom nisso. Elesis só percebeu sua presença quando você cortou o dela ao meio.– Diz Ryan me dando um dedão positivo, em sinal de aprovação.
– Você quase me acerta junto! preste mais atenção seu palerma! – diz Elesis raivosa e me dando um soco.
– Você deveria estar pronta pra receber qualquer golpe. Parece que eu não era o único distraído, não é ruivinha? – digo bagunçando seus cabelos e ainda sorrindo.
– Nhé. – Diz, logo suspirando derrotada.
– Parece que mais alguém está avançando aqui...– ouço o mestre de Jin, Victor, sussurrar para Tairin que anotava algo num bloco de notas que trouxera em seu bolso. Fingi que não havia escutado, mas confesso estar feliz com o comentário.
– Hey, Sieg, topa um duelo? – pergunta Jin.
– Oe cabelinho de fogo, eu sei que você é bom mas...Uma espada?– digo em resposta. Não poderia arriscar ferir Jin.
– Eu não tenho medo, e mesmo que tivesse teria que lidar com a foice de Dio cedo ou tarde.– Diz entrando em posição de combate.- Pronto?
– Sim. –Digo apontando a espada pra ele.
– QUE COMECEM AS APOSTAS! – Grita Elesis para todos que se sentam em um canto para assistir.
No momento em que todos estão distantes, Jin avança numa sequência que alterna de socos e chutes e as vezes rasteiras.
Bloqueio todos os ataques com a espada e dou vários cortes rápidos que o ferem superficialmente e o forçam a se afastar de mim.
– HEY, PEGA LEVE! – Ele diz, logo correndo novamente na minha direção.
– Eu ESTOU pegando leve! – Digo enquanto avanço na direção dele.
Ele consegue acertar um soco forte na boca do estômago, mas eu não baixo minha guarda, logo fincando minha espada no chão e a usando de apoio para um chute poderoso na dele, que o fez cambalear para trás me dando tempo para retira-la e pressioná-lo contra a parede.
Ele parecia surpreso com minha velocidade, mas isso não o impediu de me dar uma joelhada forte e me afastar dele.
Agora livre da parede, Jin volta a me atacar de forma violenta e feroz, mas consigo bloquear todos os seus golpes, que apesar da pressão que me proporcionam, não me derrubam e nem me tiram da posição.
– JÁ ERA SIEGHART! — grita ele, enquanto prepara um chute poderoso.
Mas, para a surpresa de todos, em vez de bloquear o chute com a espada e oferecer uma brecha para ele eu segurei sua perna e a girei, destruindo seu equilíbrio e o derrubando de imediato.
Quando cai, aponto a espada em direção a seu pescoço e digo:
– Eu peguei muito leve?
– Espera...Você estava pegando leve?–questiona ele impressionado.
– Claro, se estivéssemos lutando sério você usaria suas habilidades especiais eu as minhas e eu não ficaria bloqueando tanto, certo?– digo sorridente e retirando a lâmina de seu pescoço, logo estendendo a mão para ajudá-lo a se levantar.
– Certo. –Diz Ele segurando minha mão e logo se levantando.
– Mas você foi ótimo Cabelinho de Fogo! – Digo agora dando um abraço e uns tapinhas na costas de Jin, que retribui .
– Você também Siegha...– De repente vejo ele somando dois mais dois.- PARA COM ISSO PORRA! – Grita e irritado e me dando um chute.
Eu estava rindo loucamente da cara dele, rindo tanto que até rolei na grama. E pelo visto meu riso é contagiante, pois agora todos estão rindo.
Porém, nossa alegria é novamente destruída quando um mensageiro real chega e informa algo:
– TERRA DE PRATA ESTÁ SENDO ATACADA! – grita, já sem fôlego por conta da correria.
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