Notas iniciais
...

Acordei bem disposto. Coloquei minha habitual roupa preta e fui tomar café. Terminei de comer e fui chamar Liz nos campos de morango.

– Oi — disse assim que cheguei

– Oi, o que tá fazendo? — perguntei interessado

– O de sempre, colhendo morangos. — respondeu ela simplismente.

– Quer ajuda? — ofereci

– Ou o Hades congelou, ou você ficou maluco. — disse ela, de olhos arregalados.

– O que? Eu não posso oferecer ajuda?

– Não. O que o seu pai ia dizer se visse você fazendo uma coisa dessas?

– Ah, sei lá — disse pensando — Ah, ele que se dane também! — quando disse isso um trovão ribombou no ceú, olhei pra cima e disse — Foi mal.

Ela riu. Gostava quando ela ria desse jeito.

– Tudo bem. O que você quer fazer?

– O que eu posso fazer?

– Me ajuda a levar as caixas até aquela pilha. — disse ela me passando um caixote

– Beleza.

Começamos a andar lado a lado, pelos campos, cada um com seu caixote. Não pude deixar de roubar um, ganhando um tapa na mão bem dado por Lizzie.

Empilhamos as caixas e voltamos para pegar mais, e no meio do caminho, Liz tropeçou — não me pergunte onde — e quase caiu de cara no chão, se eu não a segurasse pelo braço, impedindo uma queda feia.

– Ah, obrigada.

– O que foi isso?

– Eu tropecei, ué — disse ela como se fosse obvio.

– Mas aonde? — perguntei procurando alguma coisa no chão.

– Acho que no meu pé, mesmo. — disse ela timida.

– Como você consegue uma coisa dessas? — perguntei novamente, aturdido.

– Eu sei lá, eu só....tropecei.

– Meus deuses.

– Pois é. Meu pai fala que meu nome é Cuidado, Sem Cuidado.

– Acho que ele está certíssimo.

– Ah, então eu sou a desastrada agora?

– Mas é claro.

– Então eu sou Desastre e você pode ser o... Perdedor. Ou o Ajudante, você que escolhe.

– Eu fico com o Ajudante. Pelo menos é melhor que Perdedor.

– Eu prefiro Perdedor do que Ajudante, mas você que sabe né?

– É. Melhor.

– Que bom. — ela me lançou um sorriso radiante.

E com isso, eu e Desastre continuamos com o nosso trabalho.

Notas finais
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