Notas iniciais
...

Enquanto treinávamos contei a Liz sobre a filha de Afrodite.

– Ela é igual as irmãs? — perguntou ela ciumenta.

– Ela é morena dos olhos azuis... — expliquei

– Ah! — disse ela com a voz sem vida

– Que foi?

– Nada.

– Sei... — falei — ainda não te peguei, lembra?

Antes que eu pudesse fazer alguma coisa ela largou a espada e saiu correndo. Fui atrás dela e dessa vez ela não tinha Blackjack. Eu ri com esse pensamento. Ia pegá-la facinho. Ela saiu correndo pela beira do lago de canoagem.

Quando encostei a mão em seu ombro, ela tropeçou e me levou junto pro chão. Ela caiu virada pra cima e eu caí em cina dela. Nossos rostos estavam muito próximos até ela falar sufocada:

– Tá me esmagando.

– Foi mal — falei saindo de cima dela e a ajudei a se levantar.

– Tava querendo me matar?

– Eu não sou tão pesado assim! — reclamei

– Ah é sim!

– É porque você é magra demais.

– Eu sou magra demais?! — gritou ela — Tá me chamando de anoréxica por acaso?

– Eu não disse isso! Mas eu não sou tão pesado!

Nesse instante meu pai e Perséfone apareceram a nosso lado, abraçados.

– Olá, filho. — falou meu pai

– Oi, Lizzie — disse Perséfone abraçando Lizzie

– Oi, Pe. — falou Liz retribuindo o abraço.

– Pe? — perguntei, mas me ignoraram

– Temos uma notícia para dar a vocês. — falou meu pai sorrindo feito bobo.

– Vamos ter um bebê! — exclamou Perséfone

– Parabéns! — falou Liz animada — É pra quando?

– Pro final do mês.

– Que fofo! — disse Liz — Qual vai ser o nome?

– Estamos pensando em Damon, se for menino e Jean ou Jane se for menina.

– Eu gosto de Jane.

– Eu também. — falou "Pe".

– E queremos chamá-los para ser os padrinhos. — disse meu pai

– Jura?! — disse Liz

– É claro que sim! — falou "Pe"

– Sério? — perguntei — Eu vou ser o melhor padrinho do mundo, já que sou tão bonito, esperto e maravilhoso.

– Esqueceu de metido, convencido e nem um pouco modesto. — falou Liz — e além do mais, eu vou ser a melhor madrinha do mundo.

– Até parece — revidei

– Ah! Esqueceu que você é pesado também!

– Você que é magra demais!

– Então é assim, é? — gritou Liz pra mim, enquanto Perséfone e Hades olhavam de um para o outro. — Então pode voltar a ser pesado sozinho, porque a magricela aqui vai embora.

– TÁ BOM!

– TÁ BOM!

– ÓTIMO!

– ÓTIMO! — gritou ela — Retiro-me indiganada!

– Adeus! — gritei — Já vai tarde!

Ela se virou e foi embora enfurecida, enquanto eu caminhava furioso para meu chalé. Meu pai me seguiu, falando:

– Fez bem em se livrar dela, filho! — disse — Agora, se ela for igual a Perséfone, você fez um péssimo negócio.

– Pai! Dá um tempo! — entrei em meu chalé e me sentei enfurecido. Nem entendia porque a gente tinha brigado, mas não importava, eu não gostei nada.

– Você precisa ir no Mundo Inferior para o nascimento.

– Quando vai ser?

– Daqui a três dias.

– Rápido assim?

– Somos deuses, — explicou — nada faz sentido.

– Não mesmo.

Depois que Hades foi embora, me deitei por um instante e acabei adormecendo. Sonhei com algumas coisas muito confusas, chamas, um bebê e uma garota chorando ao lado de dois fantasmas.

Acordei no dia seguinte pensando em chamar Liz para treinar depois do café, mas me lembrei da nossa discussão e desisti.

Fui tomar café e encontrei Liz na fila para a fogueira, emburrada, ela nem olhou pra mim e fiz o mesmo.

Fiz tudo sozinho naqueles dois dias que se passaram devagar. E chegou o dia do nascimento do meu afilhado e irmão. Que estranho!

Cheguei ao Mundo Inferior na data marcada e encontrei a última pessoa que gostaria de ver naquele momento.


Notas finais
Reviews???
Beijos&Queijos